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Entrevista

Em grande fase, Beowülf assina com Plus e Armada e concede sua primeira entrevista

Phouse Staff

Publicado em

22/03/2018 - 14:28
Beowülf
Às vésperas de lançar pelo selo de Armin, Beowülf fala com a imprensa pela primeira vez

Há cerca de um ano e meio, apareceu no cenário eletrônico brasileiro, quase como uma tempestade, um cara com uma bandana que esconde seu rosto, e traz o desenho de um animal místico. Marcantes, suas tracks rapidamente entraram para os sets de alguns dos principais DJs do Brasil e bateram os sete dígitos nas plataformas de streaming.

Com conhecimento musical profissional e forte veia clubber, o misterioso Beowülf rapidamente protagonizou momentos sonhados por todo artista que está começando uma carreira, como se apresentar duas vezes no Ultra Brasil — onde estreou —, tocar pelos principais clubs e eventos do país, ganhar uma residência (no caso, no Field Club, em Papanduva–SC), fazer collabs com expoentes do seu estilo (como FELGUK, Cat Dealers, KVSH e JØRD) e ter uma base de fãs extremamente leal e participativa.

Tocando no último Rio Music Carnival

Este mês de março foi um tanto mais especial para Beowülf do que o costume, já que ele entrou para o casting da Plusnetwork e se prepara agora para lançar seu novo single, “Plomo”, pela Armada Deep — sublabel da gigante Armada Music, de Armin van Buuren, com quem assinou contrato. A track só vai sair oficialmente no dia 29 de março, mas já figura nas tracklists dos shows de gigantes do cenário como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike.

Para celebrar este momento, Beowülf, apesar de seguir mantendo sua verdadeira identidade em segredo, concordou em conceder à Phouse sua primeira entrevista exclusiva. No texto a seguir, você pode conferir esse papo, em que conversamos sobre essas novas conquistas, suas influências, a construção do seu personagem, relação com os fãs e postura como profissional.

Conte-nos mais sobre essa persona que você criou para o projeto Beowülf. O quanto de “herói” existe no personagem que você encarou para a sua carreira artística?

Sou fã de uma boa história, seja ela contada através do cinema ou da música. O Beowülf, do conto antigo, era um caçador de monstros e dragões [mitologia nórdica]. Toda vez que uma cidade ou um povo eram atacados por alguma criatura, ele era contratado para matar a fera, por maior e mais assustadora que ela fosse. Gosto de pensar que herdo um pouco desse espírito destemido toda vez que uso a bandana. Sempre enfrento meus desafios e objetivos com muita garra e determinação, especialmente nesse mundo doido da música.

Fale um pouco sobre suas inspirações musicais: quem são suas maiores referências e o que você costuma ouvir dentro e fora da música eletrônica?

Sou bastante eclético, mas os gêneros que mais curto são rock, hip-hop, blues, jazz, reggae, música latina, música clássica e claro, música eletrônica — house e derivados, dubstep, trap, moombahton, funk, drum’n’bass… Acho que levo um pouco disso tudo para o estúdio quando vou produzir. Mas no geral, costumo me inspirar em produtores inovadores que considero “next level”, como Skrillex, Knife Party, deadmau5, Boombox Cartel e Matroda.

“Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto.”

A sua primeira aparição como DJ aconteceu logo no palco do Ultra Brasil. O que isso representou para a sua carreira? Ao mesmo tempo em que te impulsionou no início, trouxe também uma certa pressão de se manter alocado no mercado?

Ter a estreia do seu projeto em um dos mais consagrados festivais do mundo, ainda por cima em sua cidade natal, é a melhor estreia possível [risos]. Me deu aquele sentimento de estar indo no caminho certo, e foi extremamente motivante. Desde então, venho trabalhando muito, focado e determinado para não deixar a bola cair, sempre dando o melhor de mim. Meu plano é tentar ser o melhor que eu puder ser, seja no estúdio, no palco ou nos bastidores.

Seu crescimento foi muito rápido, mas consistente. Assinou com a Sony Music, entrou na Plusnetwork e agora vai lançar pela Armada Music. Olhando para trás, quais são os elementos que você considera terem sido decisivos para trilhar um caminho sólido em tão pouco tempo?  

No início lancei muitas tracks em pouco tempo porque queria que o público conhecesse a minha identidade sonora, a minha marca. Umas bombaram mais que outras, mas a “Suavemente” acabou virando um hit e isso trouxe bastante reconhecimento. A bandana também foi algo que acrescentou muito para todo o conceito do Beowülf. E por fim, fazer um trabalho organizado, com planejamento, estratégia e uma equipe competente com “sangue no olho” também teve peso.

É notória a atenção que você deposita nas produções. Sua agenda de lançamentos é bem alta, e músicas como “Suavemente” e “Like Home” já passaram dos três milhões de plays no Spotify. Como se dá o seu processo criativo em estúdio, e em que formato você se sente mais à vontade produzindo?

Eu sempre procuro ir para o estúdio com a cabeça bem aberta, sem tentar copiar outros produtores que são do mesmo gênero. Acho muito importante desenvolver uma identidade musical própria, o que não é nada fácil, então eu foco bastante nisso. Quando faço uma track, geralmente começo pelo drop ou por algum sample — um vocal, um riff de guitarra, uma melodia inusitada…

Desenvolvo a ideia principal e em seguida trabalho nos detalhes. Eu gosto muito de produzir sozinho, mas trabalhar com parceiros é ótimo para ser objetivo ao tomar decisões juntos, o que acaba acelerando o processo de produção. Sou meio indeciso quando o assunto é timbre, então isso ajuda. São muitas opções para tudo. Quem produz música eletrônica sabe bem o que estou dizendo [risos].

Você também criou os “DRUM REMIXES”, vídeos em que toca músicas, em sua maioria suas, em uma bateria. Você é músico de formação?

Estudei música na escola e tive algumas bandas durante a adolescência. Com umas dessas bandas, tive oportunidade de gravar faixas em estúdios, me apresentar ao vivo e também tocar em peças musicais. Eu toco um pouco de tudo [risos], mas meu instrumento mesmo, que toco desde pequeno, é a bateria. Sou formado em Desenho Industrial, mas nunca exerci a profissão.

É comum na cena eletrônica vermos artistas usando máscaras para esconder suas verdadeiras identidades e construir personas misteriosas. Isso vem ao menos desde o Daft Punk, e hoje temos vários outros expoentes do tipo, como deadmau5, marshmello, SBTRKT… Por que você também optou por esse caminho, e o que te motiva a se manter anônimo para o grande público?

No meu caso foi importante porque eu tinha outros projetos de música eletrônica que rodaram pelo Brasil e outros países, e ao criar o Beowülf eu queria separar as coisas. Queria que as pessoas gostassem de mim pela minha música e não por quem eu sou. A bandana acabou se tornando mais do que algo para esconder o rosto — se tornou uma marca.

Falando em bandana, ela já se tornou parte importante da sua trajetória. Frequentemente vemos fãs utilizando uma bandana sua inclusive em apresentações de outros artistas. Como funciona, as pessoas pedem bandanas pra você? Você imaginava que algo do tipo poderia rolar?

Nunca esperava que a bandana fosse causar esse efeito todo. Usei ela mais para ocultar minha identidade mesmo, mas acabou se tornando algo muito maior. Achei muito legal como isso aconteceu naturalmente. Muita gente me pede uma, então eu levo sempre algumas para os shows e dou para a galera que está animadaça na frente do palco.

Infelizmente, são poucas bandanas por show, mas em breve venderei pela minha loja virtual para todo o Brasil. Algumas pessoas pedem para eu mostrar o rosto e já até tentaram arrancar ela à força algumas vezes [risos], mas pretendo continuar assim. Quando qualquer pessoa usa a bandana, ela encarna o espírito da lenda e se torna o Beowülf. Foi assim que surgiu a hashtag #WeAreBeowülf.

Tocando “Plomo” no Rio Music Carnival

Já que estamos falando de público, sua página possui um engajamento muito bom comparado a outros artistas. Como foi que você conseguiu construir uma base de fãs tão sólida? Que dicas você pode dar a outros artistas?

Acho que ser verdadeiro e atencioso com meus fãs, ter um trabalho sério, com tracks de qualidade constantes, dedicação. Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto. Eu recomendaria ter amor aos detalhes — seja nas músicas, redes sociais e carreira em geral —, e também, para se diferenciar de alguma forma, ser original, pois hoje em dia está tudo muito igual nesse mercado.  

Quais serão os próximos passos e planos do Beowülf?

Estou agora colhendo os primeiros frutos da “Plomo”, que já teve support de artistas como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike. Estou muito ansioso para o lançamento dela. Depois disso, pretendo continuar lançando uma música a cada três ou quatro semanas, pois tenho mais de dez prontas no momento, entre remixes, originais, collabs… Não vejo a hora de poder mostrar todas essas tracks para o mundo.

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Entrevista

“O melhor que a música proporciona é quebrar barreiras”; Ralk fala sobre o sucesso repentino

Confira nosso papo com o DJ e produtor pernambucano

Luckas Wagg

Publicado há

Ralk
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

O pernambucano Raul Queiroz, o Ralk, é um desses nomes que têm crescido exponencialmente. O remix produzido com o amigo Diskover para “O Sol”, de Vitor Kley, foi o divisor de águas na carreira do DJ e produtor,  ultrapassando dez milhões de plays só no Spotify, e chegando a ser inclusive cantada em coro por um bloco de rua do Rio no último Carnaval.

Com foco em lançamentos na pegada “house pop”, que têm feito grande sucesso no Brasil, o pernambucano fechou recentemente com a Austro Music — talvez o principal selo nacional com ênfase nessa vertente. Por ali, trouxe até agora dois sucessos: “Nosso Amor Virou Canção” — collab com o Make U Sweat, que você já tinha conferido aqui — e um remix para “Cuidado”, hit do jovem fenômeno Gaab, lançado na sexta-feira passada (23).

Em um contato rápido com a Phouse, Ralk fala sobre esses lançamentos, o momento único que está vivendo, sua agenda lotada no Réveillon e ainda explica, ao falar sobre o empresário Xand, do Aviões do Forró, como entende que uma das funções da música é quebrar barreiras. Confira:

 

Você passou a ter popularidade na cena nacional após remix com seu parceiro Diskover para “O Sol”, de Vitor Kley. A faixa atingiu mais de dez milhões de plays e foi tocada em festas pelos quatros cantos do Brasil. Você chegou a imaginar que esse trabalho chegaria tão longe? Qual foi o impacto na sua carreira?

A história de “O Sol” é quase mágica. Trabalhamos a faixa em novembro do ano passado e, em dezembro, lançamos. Veio fevereiro e eu recebi um vídeo, direto de um bloco de rua do Rio de Janeiro, em pleno Carnaval e com todo mundo cantando a música. Foi um dos dias mais gratificantes da minha vida. Tanto eu quanto o Diskover não esperávamos que acontecesse tão rápido. Até queria agradecer mais uma vez ao cantor Vitor Kley e a toda galera da Midas Music pela oportunidade de fazer o remix para essa música incrível.

Assim como o Alok, que hoje é empresariado por um dos maiores nomes do sertanejo — Marquinhos, da Audio Mix —, vimos que você segue por um caminho parecido, tendo hoje Xand, do Aviões do Forró, como seu empresário. Como surgiu esse convite? E como enxerga essa fusão do mercado da música eletrônica com o forró e sertanejo?

O melhor que a música pode nos proporcionar é quebrar barreiras. Eu, Xand e qualquer tipo de artista somos unidos por algo em comum: o amor pela música. Sem contar que Xand sempre foi uma inspiração para mim, não só pela pessoa que ele é, mas como também pelo sucesso que faz aonde quer que ele passe.

Estou aguardando muito o dia em que iremos fazer uma música juntos. Esse é um dos planos! Hoje faço parte do casting da Fonttes Promoções, juntamente com ele. Quando surgiu o convite, fiquei muito feliz e foquei na oportunidade que eu teria para abrir portas ao meu trabalho e de ser apresentado a um público variado.

Ralk
Agradecendo aos céus pelo sucesso. Foto: Reprodução

Vimos que você assinou recentemente com a Austro Music, que pertence ao grupo Som Livre/Rede Globo. O que muda em sua carreira com esse contrato? É um acordo apenas para lançamento de suas músicas, ou vai além disso?

Realizei um sonho de criança em poder assinar uma das maiores gravadoras do Brasil, um nome conhecido em todo lugar. Sei que terei uma responsabilidade pela frente, e há todo um planejamento que apostam para mim. Começamos com o single “Nosso Amor Virou Canção”, com o trio Make U Sweat e o cantor Guga Sabatie, que acabou de bater 420 mil plays nas plataformas digitais.

Depois lançamos a “Maybe”, uma música feita com muito carinho com os irmãos do Dubdogz e o cantor Hugo Henrique. E agora, fim de novembro, saiu “Cuidado”, meu remix para o Gaab. Isso me motiva, me faz buscar inovar, fazer novas musicas, mostrar meu trabalho para o mundo inteiro e também levar comigo essa gravadora que, dia e noite, faz tudo por mim.

Como surgiu essa oportunidade de remixar o single do Gaab?

Sempre fui fã do trabalho dele, gostei pra caramba de “Cuidado” quando ouvi pela primeira vez. Aí fui atrás e recebi o convite e a liberação também pra fazer esse remix. Temos nos falado muito desde então — a gente se fala praticamente todos os dias pra falar sobre a música. Foi uma honra pra mim. A música dele já tem 15 milhões de plays só no Spotify, então foi muito importante pra minha carreira também, e vou apostar tudo nela pro verão 2019.

  

E além disso, o que podemos esperar do Ralk para 2019? Como está sua agenda?

A maratona de final do ano segue com 28 shows e em várias cidades. Terei a oportunidade, inclusive, de me despedir de 2018 e pedir boas vibrações a 2019 tocando em todos os maiores réveillons do Nordeste no último fim de semana de dezembro: Réveillon dos Milagres (AL), Praia da Pipa (RN), São Miguel Gostoso (RN), Fernando de Noronha (PE) e, na noite da virada, em Fortaleza (CE).

Acho que isso tudo reflete no quanto será agitado o meu ano de 2019. Assim espero. Estou muito feliz em poder mostrar minhas músicas para todo o Brasil. Próximo ano será de muito trabalho, muitas músicas e muitos aprendizados. Temos grandes lançamentos pela frente e estou contando os dias para poder mostrar para vocês. São lançamentos que, sem dúvidas, irão marcar minha carreira.

* Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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Entrevista

“Sem amor, não há música ou festa genuína”: Thiago Guiselini fala sobre os pilares da Soul.Set

Dono de loja de discos em Lisboa, o DJ volta a realizar uma edição da sua festa depois de nove meses

Alan Medeiros

Publicado há

Thiago Guiselini
Foto: Flashbang/Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

A última edição da Soul.Set, festa de house e disco organizada por Thiago Guiselini, foi uma daquelas que definitivamente deixam saudades. No comando da pista que celebrou os sete anos do projeto, lá estavam o próprio Thiago, TYV, Kaká Franco e a lenda de Chicago, Jamie 3:26. Aquela tarde/noite de março marcou o fim de um ciclo — logo depois, Guiselini partia em definitivo para Lisboa.

Em Portugal, o DJ estabeleceu residência com sua família e ajudou a fundar a Amor Records, loja de discos que ele administra junto com alguns amigos brasileiros que também vivem por lá. Mesmo morando em outro país, a possibilidade de deixar a Soul.Set acabar nunca foi uma opção. Muito pelo contrário, a festa é uma das principais motivações para o seu retorno regular ao Brasil.

Este esperado momento de reencontro com o público brasileiro acontece neste sábado. Após meses distante do país, Thiago retorna para apresentar mais uma edição da Soul.Set, a última do ano. O evento está formado por um lineup 100% nacional, com Vermelho, Zuim B2B Pedro Bertho e Rafael Moraes no comando dos decks ao lado de Thiago. A nosso convite, o artista falou sobre a festa, a residência em Lisboa e o atual momento de sua carreira.

 

Mais de oito meses se passaram desde a última edição da Soul.Set. Com qual sentimento você retorna ao Brasil para produzir esse evento?

O Brasil é minha terra e a Soul.Set é total parte da minha história, então confesso que estou bastante ansioso pra essa edição. Nesses meses de Amor Records, tenho separado novas músicas que quero muito experimentar na pista Soul.Set. Além disso, estou muito feliz e curioso pra ver três super DJs estreando no lineup, então os sentimentos são os melhores. Por incrível que pareça a emoção de produzir cada edição da festa é a mesma desde a primeira. Ah, e tem ainda as saudades dos amigos que essa pista me deu.

Diferentemente de algumas edições anteriores, o lineup desse encontro está focado 100% em artistas nacionais. É possível dizer que trata-se de uma tentativa de conexão da festa com o que a cena paulistana tem a oferecer de melhor atualmente?

Essa edição foi pensada com muitos detalhes. Estou voltando pro Brasil pra fazer essa festa em dezembro, no começo da temporada de verão. Queríamos a alegria de DJs brasileiros no lineup — DJs que conseguem se conectar e criar uma sinergia com a pista como ninguém. Tivemos edições maravilhosas que ficaram na memória com o line 100% nacional. Nossos DJs são tão especiais quanto os de fora.

“Nossos DJs são tão especiais quanto os de fora.”

Música, essência, amor, respeito e diversidade podem ser considerados os pilares da Soul.Set. Na prática, como você busca trabalhar esses conceitos na pista?

Esses conceitos não são aplicados apenas na pista, mas em todo o projeto, desde a primeira edição. Toda uma atmosfera acontece ao redor da festa. Acredito que esses pilares já estão intrínsecos na festa e a pista é o reflexo disso. Adoro ouvir das pessoas o quanto elas reconhecem a Soul.Set desde a hora que chegam, e ouço muito disso! A festa tem uma personalidade muito bem definida, pois sempre foi feita com muita verdade.

Esses conceitos estão conectados com a pista, pois temos a música como maior protagonista. Sem amor, não há música ou festa genuína — essa legitimidade que vemos na Soul.Set cria uma grande conexão entre as pessoas. A nossa pista é um espaço de união, troca e liberdade, onde todos podem ser quem realmente são através de um dos atos mais primitivos que temos, a dança. Considero fundamental o respeito entre todos. Desde a parte artística, inclusive, que acontece ao convidarmos apenas DJs que têm a percepção do público e que se dedicam para fazer a pista virar, de fato, uma festa.

Uma festa ultrapassa a barreira dos anos apenas quando há a preocupação pela inovação. Dito isso, quais são as novidades que estão sendo projetadas para essa edição?

Prefiro usar a palavra evolução em vez de inovação. Acho super importante pensarmos em novidades sempre, mas nunca esquecendo quem somos. Temos uma identidade muito forte e não queremos fugir dela simplesmente para acompanhar uma tendência ou novos rótulos.

Estamos sempre buscando entregar o melhor que esteja ao nosso alcance, montar lineups coerentes e com cara de Soul.Set, mas que também tragam novidades pra dentro de casa. Temos uma ligação com artes desde o começo e gosto muito de como a coisa se desenrolou. Esta edição, por exemplo, será ocupada por sete artistas expondo seus trabalhos. Queremos mesmo ver cada parte da festa evoluir do seu modo.

   

Com a mudança do cenário político brasileiro a partir de 2018, como você enxerga o futuro das festas de house e techno em São Paulo?

São Paulo tem uma noite super consolidada e que não para de se desenvolver. As festas fazem parte da cultura da cidade, e ao mesmo tempo são um reflexo do estilo de vida da nossa geração. São ponto de encontro de amigos e proporcionam um lugar de energia criativa. Torço para que o cenário político não mude isso.

Desde que a Soul.Set começou, sete anos atrás, o que exatamente mudou na sua vida?

Muita coisa mudou! Experiência de vida, experiência musical, evolução como pessoa e como DJ. No começo eu tinha duas profissões, então minha carreira também mudou. Hoje posso dizer que trabalho cem por cento com música, seja como DJ, dono de loja de discos ou produtor de festas. Fora que nesse tempo mudei três vezes de país, virei pai, casei…

 

Para finalizar: o que te motiva na essência para seguir produzindo eventos mesmo com tantas adversidades?

Quem faz eventos sabe o quão complicado e trabalhoso é, muitas vezes sem retorno algum. Às vezes fica até difícil explicar. Sabe aquele ditado de que o amor é cego? Acho que é um pouco disso. Mas ao mesmo tempo, quando vejo o evento acontecendo e as pessoas felizes, lembro exatamente por que escolhi isso pra minha vida.

* Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

EXCLUSIVO: KVSH quer conquistar o Brasil com a KRUSH, sua nova festa

Inspirado pela Só Track Boa, o mineiro defende que o objetivo é ajudar a fomentar cidades periféricas no cenário nacional

Flávio Lerner

Publicado há

KVSH
Foto: Reprodução
* Atualizado em 21/11/2018, às 17h47

Motivado por sua história, suas origens, sua nova agência, pelo rumo que a capital do seu estado tem tomado e pelo que Vintage Culture conseguiu com a Só Track Boa [sobretudo na última edição mineira], o DJ e produtor KVSH anunciou a Festa KRUSH, cuja estreia já tem data, local e lineup definidos. No dia 21 de dezembro, o artista recebe um time de atrações majoritariamente mineiras no Marô, em Belo Horizonte: Beowülf, Breaking Beattz, DZKO, JOZZEN, LOthief e VOLLAZ — destes, apenas o carioca Beowülf é “gringo”.

Em contato com a Phouse, Luciano Ferreira, o KVSH, explicou as motivações por trás do projeto e revelou ter grandes ambições. A festa está sendo tocada em conjunto com a OTM Produções, de Otacilio Mesquita [que, como você tem visto aqui, está por trás de praticamente todos os rolês da cena mineira].

+ Em tempo: ouça a refrescante collab entre o KVSH e o Malifoo

“Nasci e fui criado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em uma cidade chamada Nova Lima, e a minha história com a música eletrônica começou por aqui”, conta o KVSH. “Vejo que eu e a cena eletrônica da capital crescemos juntos; além de ser o local da minha fanbase, BH não tinha uma cena eletrônica tão forte, principalmente pra galera mais jovem, e criamos isso meio que juntos — então a ideia de eu ter uma festa aqui já vem de tempos. Agora que eu entrei pra Boost MGMT e pra HUB Records, o pessoal da agência falou: ‘cara, temos que fazer uma festa sua na sua cidade, com seus convidados, com seu conceito’.”

Segundo o DJ, entretanto, a KRUSH não será fixa em BH. A ideia é torná-la um evento itinerante por todo o Brasil, com o objetivo de levar o agito principalmente em pontos mais periféricos. “Já temos propostas em outros estados, principalmente em cidades menores, que ainda não têm uma cena eletrônica tão forte; esse é o foco. Queremos usar essa festa como uma porta de entrada pra galera que ainda não conhece tanto de música eletrônica”, acrescenta. 

“Queremos usar essa festa como uma porta de entrada pra galera que ainda não conhece tanto de música eletrônica.”

Mesmo com um lineup inicial voltado ao brazilian bass, o produtor garante que deseja agregar não só outras vertentes da dance music, como também abrir para outros estilos musicais: “Não temos muito essa ‘ideologia’ de fazer uma festa 100% eletrônica. Queremos envolver outros estilos, hip hop, trap, e alguns subgêneros que não são tão hypados no Brasil. E dentro da música eletrônica, teremos do brazilian bass ao tech house, passando até por progressive trance”.

Quando perguntei se o surgimento da label também tinha a ver com a segunda edição da Só Track Boa em Belo Horizonte, que foi considerada por muitos a melhor de todos os tempos, o Luciano foi acertivo: “Com certeza. Depois de vermos o impacto que a Só Track Boa teve aqui, a gente pensou: ‘cara, BH é um lugar que tem uma cena muito forte, a STB bateu todos os recordes de público de todas as outras edições. É o lugar perfeito’. É a cidade em que a cena tá crescendo muito e é a cidade em que eu nasci, e temos certeza que vai dar muito certo”.

+ Segunda edição do Só Track Boa BH pode ser considerada a melhor de todos os tempos

“Assim como o Vintage Culture fez com a Só Track Boa, a gente quer fazer com a KRUSH. A STB é focada em música eletrônica, e queremos uma festa focada na zueira, na diversão, mas claro, sem tirar a música do foco. Ela vem pra finalizar o meu ano com chave de ouro, e estamos muito alegres”, concluiu.

Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, dia 19, a partir do meio-dia.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

ERRATA: Carlos Magno, produtor de eventos da Box Entretenimento, não está mais fazendo parte da produção da KRUSH, conforme noticiamos anteriormente.

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