Beowülf
Às vésperas de lançar pelo selo de Armin, Beowülf fala com a imprensa pela primeira vez

Há cerca de um ano e meio, apareceu no cenário eletrônico brasileiro, quase como uma tempestade, um cara com uma bandana que esconde seu rosto, e traz o desenho de um animal místico. Marcantes, suas tracks rapidamente entraram para os sets de alguns dos principais DJs do Brasil e bateram os sete dígitos nas plataformas de streaming.

Com conhecimento musical profissional e forte veia clubber, o misterioso Beowülf rapidamente protagonizou momentos sonhados por todo artista que está começando uma carreira, como se apresentar duas vezes no Ultra Brasil — onde estreou —, tocar pelos principais clubs e eventos do país, ganhar uma residência (no caso, no Field Club, em Papanduva–SC), fazer collabs com expoentes do seu estilo (como FELGUK, Cat Dealers, KVSH e JØRD) e ter uma base de fãs extremamente leal e participativa.

Tocando no último Rio Music Carnival

Este mês de março foi um tanto mais especial para Beowülf do que o costume, já que ele entrou para o casting da Plusnetwork e se prepara agora para lançar seu novo single, “Plomo”, pela Armada Deep — sublabel da gigante Armada Music, de Armin van Buuren, com quem assinou contrato. A track só vai sair oficialmente no dia 29 de março, mas já figura nas tracklists dos shows de gigantes do cenário como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike.

Para celebrar este momento, Beowülf, apesar de seguir mantendo sua verdadeira identidade em segredo, concordou em conceder à Phouse sua primeira entrevista exclusiva. No texto a seguir, você pode conferir esse papo, em que conversamos sobre essas novas conquistas, suas influências, a construção do seu personagem, relação com os fãs e postura como profissional.

Conte-nos mais sobre essa persona que você criou para o projeto Beowülf. O quanto de “herói” existe no personagem que você encarou para a sua carreira artística?

Sou fã de uma boa história, seja ela contada através do cinema ou da música. O Beowülf, do conto antigo, era um caçador de monstros e dragões [mitologia nórdica]. Toda vez que uma cidade ou um povo eram atacados por alguma criatura, ele era contratado para matar a fera, por maior e mais assustadora que ela fosse. Gosto de pensar que herdo um pouco desse espírito destemido toda vez que uso a bandana. Sempre enfrento meus desafios e objetivos com muita garra e determinação, especialmente nesse mundo doido da música.

Fale um pouco sobre suas inspirações musicais: quem são suas maiores referências e o que você costuma ouvir dentro e fora da música eletrônica?

Sou bastante eclético, mas os gêneros que mais curto são rock, hip-hop, blues, jazz, reggae, música latina, música clássica e claro, música eletrônica — house e derivados, dubstep, trap, moombahton, funk, drum’n’bass… Acho que levo um pouco disso tudo para o estúdio quando vou produzir. Mas no geral, costumo me inspirar em produtores inovadores que considero “next level”, como Skrillex, Knife Party, deadmau5, Boombox Cartel e Matroda.

“Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto.”

A sua primeira aparição como DJ aconteceu logo no palco do Ultra Brasil. O que isso representou para a sua carreira? Ao mesmo tempo em que te impulsionou no início, trouxe também uma certa pressão de se manter alocado no mercado?

Ter a estreia do seu projeto em um dos mais consagrados festivais do mundo, ainda por cima em sua cidade natal, é a melhor estreia possível [risos]. Me deu aquele sentimento de estar indo no caminho certo, e foi extremamente motivante. Desde então, venho trabalhando muito, focado e determinado para não deixar a bola cair, sempre dando o melhor de mim. Meu plano é tentar ser o melhor que eu puder ser, seja no estúdio, no palco ou nos bastidores.

Seu crescimento foi muito rápido, mas consistente. Assinou com a Sony Music, entrou na Plusnetwork e agora vai lançar pela Armada Music. Olhando para trás, quais são os elementos que você considera terem sido decisivos para trilhar um caminho sólido em tão pouco tempo?  

No início lancei muitas tracks em pouco tempo porque queria que o público conhecesse a minha identidade sonora, a minha marca. Umas bombaram mais que outras, mas a “Suavemente” acabou virando um hit e isso trouxe bastante reconhecimento. A bandana também foi algo que acrescentou muito para todo o conceito do Beowülf. E por fim, fazer um trabalho organizado, com planejamento, estratégia e uma equipe competente com “sangue no olho” também teve peso.

É notória a atenção que você deposita nas produções. Sua agenda de lançamentos é bem alta, e músicas como “Suavemente” e “Like Home” já passaram dos três milhões de plays no Spotify. Como se dá o seu processo criativo em estúdio, e em que formato você se sente mais à vontade produzindo?

Eu sempre procuro ir para o estúdio com a cabeça bem aberta, sem tentar copiar outros produtores que são do mesmo gênero. Acho muito importante desenvolver uma identidade musical própria, o que não é nada fácil, então eu foco bastante nisso. Quando faço uma track, geralmente começo pelo drop ou por algum sample — um vocal, um riff de guitarra, uma melodia inusitada…

Desenvolvo a ideia principal e em seguida trabalho nos detalhes. Eu gosto muito de produzir sozinho, mas trabalhar com parceiros é ótimo para ser objetivo ao tomar decisões juntos, o que acaba acelerando o processo de produção. Sou meio indeciso quando o assunto é timbre, então isso ajuda. São muitas opções para tudo. Quem produz música eletrônica sabe bem o que estou dizendo [risos].

Você também criou os “DRUM REMIXES”, vídeos em que toca músicas, em sua maioria suas, em uma bateria. Você é músico de formação?

Estudei música na escola e tive algumas bandas durante a adolescência. Com umas dessas bandas, tive oportunidade de gravar faixas em estúdios, me apresentar ao vivo e também tocar em peças musicais. Eu toco um pouco de tudo [risos], mas meu instrumento mesmo, que toco desde pequeno, é a bateria. Sou formado em Desenho Industrial, mas nunca exerci a profissão.

É comum na cena eletrônica vermos artistas usando máscaras para esconder suas verdadeiras identidades e construir personas misteriosas. Isso vem ao menos desde o Daft Punk, e hoje temos vários outros expoentes do tipo, como deadmau5, marshmello, SBTRKT… Por que você também optou por esse caminho, e o que te motiva a se manter anônimo para o grande público?

No meu caso foi importante porque eu tinha outros projetos de música eletrônica que rodaram pelo Brasil e outros países, e ao criar o Beowülf eu queria separar as coisas. Queria que as pessoas gostassem de mim pela minha música e não por quem eu sou. A bandana acabou se tornando mais do que algo para esconder o rosto — se tornou uma marca.

Falando em bandana, ela já se tornou parte importante da sua trajetória. Frequentemente vemos fãs utilizando uma bandana sua inclusive em apresentações de outros artistas. Como funciona, as pessoas pedem bandanas pra você? Você imaginava que algo do tipo poderia rolar?

Nunca esperava que a bandana fosse causar esse efeito todo. Usei ela mais para ocultar minha identidade mesmo, mas acabou se tornando algo muito maior. Achei muito legal como isso aconteceu naturalmente. Muita gente me pede uma, então eu levo sempre algumas para os shows e dou para a galera que está animadaça na frente do palco.

Infelizmente, são poucas bandanas por show, mas em breve venderei pela minha loja virtual para todo o Brasil. Algumas pessoas pedem para eu mostrar o rosto e já até tentaram arrancar ela à força algumas vezes [risos], mas pretendo continuar assim. Quando qualquer pessoa usa a bandana, ela encarna o espírito da lenda e se torna o Beowülf. Foi assim que surgiu a hashtag #WeAreBeowülf.

Tocando “Plomo” no Rio Music Carnival

Já que estamos falando de público, sua página possui um engajamento muito bom comparado a outros artistas. Como foi que você conseguiu construir uma base de fãs tão sólida? Que dicas você pode dar a outros artistas?

Acho que ser verdadeiro e atencioso com meus fãs, ter um trabalho sério, com tracks de qualidade constantes, dedicação. Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto. Eu recomendaria ter amor aos detalhes — seja nas músicas, redes sociais e carreira em geral —, e também, para se diferenciar de alguma forma, ser original, pois hoje em dia está tudo muito igual nesse mercado.  

Quais serão os próximos passos e planos do Beowülf?

Estou agora colhendo os primeiros frutos da “Plomo”, que já teve support de artistas como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike. Estou muito ansioso para o lançamento dela. Depois disso, pretendo continuar lançando uma música a cada três ou quatro semanas, pois tenho mais de dez prontas no momento, entre remixes, originais, collabs… Não vejo a hora de poder mostrar todas essas tracks para o mundo.

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