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Entrevista

Fundador do BRMC fala sobre mudança para SP e os 10 anos da conferência

Flávio Lerner

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Entrevista BRMC
Claudio da Rocha Miranda Filho explica as motivações que transformaram o Rio Music Conference em Brazil Music Conference e dá uma palinha do que vem por aí em 2018
* Foto: Claudio representando o BRMC em Amsterdã, na última edição do Amsterdam Dance Event

Se você andou acompanhando a Phouse nas últimas semanas, viu que o Rio Music Conference — maior conferência nacional da indústria da música eletrônica — sofreu provavelmente a mais significativa transformação de seus quase dez anos: trocou o “Rio” do nome pelo “B”, de “Brazil”. Por mais que se tratasse de uma estratégia ousada e arriscada — a princípio, não é boa ideia mudar o nome de uma label consolidada no mercado —, ela parece ter sido a melhor saída encontrada mediante a decisão de trocar de cidade: o Rio de Janeiro, até então sede das principais edições da conferência, dá lugar a São Paulo. O Rio Music Carnival, entretanto, segue com sua programação normal na capital carioca.

Para entender melhor as motivações, os novos caminhos traçados e esse momento que antecede a edição de dez anos do agora Brazil Music Conference [a primeira edição na nova casa já abriu suas inscrições para março], troquei alguns e-mails com o sócio-fundador da sigla, Claudio da Rocha Miranda Filho, em papo que você lê abaixo.

Claudio, depois de nove anos consolidando-se no Rio, o RMC, agora BRMC, se muda de cidade. Como foi que rolou essa decisão estratégica? Foi mais por vontade ou por necessidade? 

​O Rio de Janeiro é, sem sombra de dúvidas, a porta de entrada do turismo no país. Tem uma marca muito forte como cidade, é a mais conhecida e desperta o desejo e o frisson do Brasil no exterior. A conferência começar por lá trouxe um importante aspecto de conexão com o mercado internacional e, ao mesmo tempo, propusemos uma experiência que fosse aprazível, com cara de Brasil, sendo também próxima do período do grande evento nacional que é o Carnaval. Acreditamos que o Rio cumpriu o seu papel nesse produto.

O mundo e o país passam por transformações, e nosso setor também. São Paulo é a grande capital do continente, onde se concentra maior número de empresas, promotoras, profissionais e artistas desse nicho. É o epicentro latino-americano — território que é o próximo que queremos propor que nos conectemos mais como mercado, em relações comerciais e culturais. Argentina, Colômbia, Peru, Chile e demais forças continentais devem intensificar suas presenças no nosso dia a dia, enquanto indústria, para que o ecossistema interno do continente torne-se mais sustentável e menos dependente da Europa e da América do Norte. A conferência em SP ganhará, além de novos ares, possibilidades de outros caminhos, como a estruturação de uma área de exposições e um programa de nightlife à altura.

Em 2016–17, o RMC tinha estabelecido uma edição nacional [Curitiba], uma latino-americana [SP] e uma mundial [Rio]. Como vai ser essa estrutura hierárquica de cidades do BRMC a partir de agora? Voltaremos a ter mais edições em outras cidades, como costumávamos ter há alguns anos, ou a tendência é centralizar o evento em SP?

​Neste primeiro momento, estaremos em São Paulo com a grande edição anual. Estamos adequados — e fazendo parte — do calendário internacional dos principais encontros mundiais do setor. De acordo com oportunidades e circunstâncias, avaliamos caso a caso, os convites que recebemos de outras cidades do Brasil. O BRMC pretende manter a presença nacional, sim. Mais do que nunca.

“A conferência em São Paulo ganhará, além de novos ares, possibilidades de outros caminhos, como a estruturação de uma área de exposições e um programa de nightlife à altura.”

O que você pode nos adiantar sobre as novidades prometidas para este décimo ano?

​É um período muito especial para todo o time, que está renovado e mais pronto do que nunca para encarar o futuro do setor, e a fusão do Brasil com os demais países da LATAM. Estamos mais voltados à parte de negócios, o que deve gerar parcerias frutíferas. Aos participantes: espere um evento mais denso em conteúdo, mais fluído e com mais momentos para oportunidades de conexões e realização de negócios​.

Qual a sua visão sobre os mercados nacional e internacional atualmente? Como membro da AFEM, você vê uma perspectiva de emplacar novas conferências da indústria eletrônica pelo mundo?

​Pela AFEM, estou à frente de um grupo de trabalho chamado Developing Markets, que pretende apresentar alguns padrões e como os ecossistemas da cadeia produtiva da indústria da dance music funcionam, principalmente em mercados e territórios emergentes ou em desenvolvimento: como é o fluxo do cash, da criação ao consumo, e quais aspectos culturais, políticos e outros influenciam nesse ecossistema. Um dos pontos de partida desse estudo é o mercado brasileiro. A partir da geração de audiência para artistas locais, das marcas de festivais, das festas e de bons clubes estabelecidos; da razoável infraestrutura técnica e de serviços; somados a uma melhoria da qualidade produção musical brasileira nos últimos anos, estamos próximos a desenvolver um bom nível de independência em relação aos mercados internacionais — o que é uma excelente notícia! Numa perspectiva global, Índia, China, Austrália e África do Sul são novos e enormes mercados para a dance music.

Em termos de novas conferências, acredito que seja uma questão de ocupação de territórios no mapa. Enquanto tiver novos ecossistemas independentes — ou semi-independentes — nascendo, acredito haver a oportunidade para um HUB de conhecimento, network e troca de informação. Ou seja: cabe uma nova conferência. O IMS com as edições de Singapura, China e Índia, além da principal, em Ibiza; e o ADE na América Central, além da Holanda, mostram um caminho nesse sentido.

“Espere um evento mais denso em conteúdo, mais fluído e com mais momentos para oportunidades de conexões e realização de negócios.”

No fim de 2016, você me falou que o RMC havia enxugado edições por outras cidades do Brasil por conta da crise econômica — na ocasião, você ainda disse que 2017 seria um ano de apertar os cintos. Você acha que aquela sua profecia foi concretizada? E as perspectivas para 2018 são melhores?

2017 está sendo um ano ainda super complicado em termos econômicos e políticos no país. Acredito que 2018 será um pouco melhor — um ano de retomada econômica, ainda que moderada. Entretanto, por outro lado, é ano eleitoral e há muita incerteza no ar. Não há como fazer muitas previsões.

É possível imaginar que o BRMC um dia tenha um impacto e uma atuação em São Paulo similares ao que o ADE representa para Amsterdã?

​A América Latina é uma gigante e o Brasil uma potência ​em termos de cultura e público para o entretenimento. Em termos de infraestrutura e logística, São Paulo está muito bem servida. É um longo caminho a percorrer, sem dúvida, mas cada dia mais os cenários disruptivos se apresentam e realmente mudam tudo o que e como pensamos. Sonhar não custa — por que não?

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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