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Entrevista com Di Falconi, de Curitiba para o mundo!

Phouse Staff

Publicado em

31/05/2013 - 20:30
Desde muito nova  a curitibana “Di Falconi” vem atuando na cena eletrônica, aos 14 anos se formou pela AIMEC (Academia Internacional de Música Eletrônica)  e hoje segue carreira em Miami, confira a entrevista:
Marcello Lacroze – Em pesquisa feita pela nossa produção, encontramos um pequeno release do inicio da sua carreira no seu perfil no SoundCloud, onde mostra que desde muito nova já apresentava um gosto fora do comum pela música, fale-nos um pouco desse gosto inicial, se ouve influência familiar ou de amigos, como você explicaria esse “encontro” com o mundo da musica??
Di Falconi – Aos 6 anos de idade eu comecei a fazer ballet, e continuei com a dança até os 13 anos. Eu tive contato com a música eletrônica através do meu irmão mais velho. Escutavamos Dance Music na época e meu sonho era conhecer uma discoteca. Acredito que a música sempre fez parte de mim. Não me lembro de um marco inicial, lembro do momento em que decidi ser DJ, aos 14 anos e comuniquei meu pai que sempre me deu total apoio, lembro aos 17 anos quando ele me levava pra tocar e me esperava dentro do carro durmindo a noite toda. Se nao fosse ele nao seria nada. Tenho muito orgulho de meus pais e muita sorte em ser filha deles.
Marcello Lacroze – Descobrimos que você deixava e ainda deixa a musica fluir através de você e expressou isso de varias maneira, passou sete anos na dança, passou a tocar violão,  a cantar, teve até uma banda de Reggae, e chegou a ser compositora, mas pelo visto faltava algo ai, então correu atras descobriu a musica eletrônica e resolveu a partir daí unir todos os gostos em uma “batida perfeita”, como foi esse trajeto desde a dança até o descobrir do eletrônico e quais mudanças você se sentiu sofrendo em relação ao seu gosto musical? quais dessas praticas você ainda mantém e qual ou quais delas por tão cedo não vai deixar de lado, porque é como se fosse uma parte de você?
Di Falconi – Eu sinto música, eu vejo música em toda a extensão da arte, eu nunca me senti completa e por isso sempre busquei música de todas as formas para ver qual me saciava. Na verdade ainda danço hip hop, ainda componho letras de reggae e ainda toco meu violão, continuo com todas as práticas pois todas me saciam. Assim como a música  foi evoluindo dos bailes antigamente que eram instrumentados e cheio de dança  pros DJ’s e clubs com hip hop e até então chegar a tecnologia através da música feita apenas por um laptop, eu também fui  me descobrindo ao mesmo compasso da história.
Marcello Lacroze – Aos 14 anos você se formou na AIMEC, a partir daí encarou o seu destino e mostrou o todo o seu profissionalismo e conquistou o seu publico, ganhando assim respeito e a sua primeira residência profissional no ano de 2011 no Yankee Bar e depois veio a residencia do Soviet ambas da Cidade de Curitiba que é a sua cidade natal, como foi ver a sua saída para o “mercado”, para o mundo dos DJ’s? como foi o período que você passou na Academia, você já tocava em algum lugar para ir divulgando o seu trabalho, quais eventos você chegou a participar durante esse tempo? E como foi ter o seu trabalho reconhecido e ter a sua primeira residencia?
Di Falconi – Eu passei por muitos momentos complicados, eu comecei a tocar em clubs antes de aprender a mixar, o que me trouxe uma má fama entre os DJ’s locais. Mas mesmo não tendo técnica eu não colocava um set pronto. Eu queria mesmo aprender. O DJ Nilvan foi meu grande mestre, ele me que ensinou tudo que sei com muita paciência. Levou um tempo pra me inserir no mercado e acabar com aquela idéia. Mas quando o reconhecimento veio e me via nos line up’s ao lado de DJ’s que eu admirava foi muito bom e muito gratificante.
Marcello Lacroze – No seu perfil no SoundCloud vimos que em 2010 você concluía o seu curso de produção musical e que tinha uma sede de buscar se atualizar e o sonho de conquistar o seu espaço, e que poderiam surgir projetos que contavam com um tour internacional, esse tour aconteceu? quais as cidade que você conheceu e se apresentou e deixou a sua marca por onde passou? no seu perfil no Facebook  vimos que hoje sua cidade atual é a belíssima cidade de Miami, como foi para você essa mudança? e sua carreira aí em Miami como anda?
Di Falconi – Esse tour internacional ainda não está completo, por enquanto os únicos países que toquei foi Brasil e USA, ainda quero ter o prazer de tocar em outros lugares. A mudança foi complicada, a adaptação ao novo sempre leva um certo tempo. Por aqui estou dando mais vazão a minha carreira como gestora, mas tenho alguns projetos em vista.
Marcello Lacroze –  Aqui no Brasil você já passou por diversas casas  como: Awake (Curitiba -PR),  Danghai Club (Curitiba -PR), Yankee bar (Curitiba -PR), Gold Street bar (Campinas -SP), The Hall (União da Vtória -SC), Soviet (Curitiba -PR) e entre muitas outras. Você mesclou em seus Set’s e playlist’s versões de clássicos em House e em Tech House, algum outro estilo lhe atrai na hora de compor as suas performances? Quais nomes lhe inspiraram e lhe inspiram até hoje na hora de produzir o seu material de trabalho? Você tocou ao lado de grandes exemplos como D-Lyfe, Lume, Analy Rose, Ilan Krieger, Spyzer, quais outros grandes nomes do mundo da musica eletrônica você teve a honra e oportunidade de tocar ao lado? e como foi se apresentar juntos com grandes feras do mundo dos DJ’s?
Di Falconi – Me atrai muito o deep house, porque me toca e sensibiliza, no entanto fiz dois ou três warm ups em minha vida, não combina com minha personalidade já que sou mais agitada. Sem dúvida de exemplo de produtor pra mim é o Paul Kalkbrenner, toda vez que escuto Sky and Sand choro, já chorei de felicidade e alegria. Até cheguei a tatuar a letra em meu braço esquerdo. É um produtor que pra mim consegue traduzir meu sentimento, o que falta no mercado aos meus olhos. Me apresentar ao lado de grandes nomes sem dúvida foi um enorme prazer e também enorme responsabilidade.
Marcello Lacroze – Em um projeto paralelo com a sua carreira como DJ  nós vimos que você tem um ótimo gosto para moda, e executa hoje um projeto chamado “Dicas da Di” que trás dicas de moda e estilo para mulheres de todas as idades, desde as adolescente até as mulheres adultas, conte-nos um pouco mais sobre como surgiu essa ideia? você tem estudado sobre moda também ou é um dom poder produzir look’s tão belíssimos e ter o mesmo bom gosto como você tem para a musica?
Di Falconi – Eu trabalho com moda há quase 4 anos. Vejo arte em produzir looks e transmitir o que sinto quando me visto. Estudo moda através do meu trabalho diariamente. A idéia veio em poder inspirar as mulheres a criarem mais com o seu guarda-roupa, eu quis trazer um pouco do meu olhar sobre moda com o blog.
Marcello Lacroze – No site vimos que você é a sua própria modelo para os divulgar os look’s, belíssima como você é, tem um corpo lindo com todo respeito, já pensou em também seguir a carreira de modelo também ou prefere apenas seguir como DJ  Sendo um pouco mais curioso (rsrs) já chegou a surgir alguns convites ou propostas para desfiles ou ensaios fotográficos para alguma revista de moda?
Di Falconi – Obrigada ! Rs  Não tenho pretensão em ser modelo, eu apenas amo tirar fotos e isso pra mim é um hobbie. Não surgiram convites, mas também não fecharia portas.
Marcello Lacroze –  Para finalizarmos quais o projetos você tem em mente para o futuro, o que os seus fãs e seguidores podem esperar. O que você pode nós revelar nesse momento? (rsrs)
Di Falconi –  Nesse momento estou dando foco a minha carreira em gestão, mas minha página na web continua em andamento, em breve com novidades! Muito obrigada!
Agradecemos a Di Falconi pela atenção e desde já deixamos o espaço aberto para outras oportunidades.
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Entrevista

Ney Faustini: “Estude música, mais do que você já estuda”

Rodrigo Airaf

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Ney Faustini
Foto: Gabriel Quintão/Divulgação
Às vésperas de tocar no Caos, Ney Faustini fala sobre presente, passado e futuro
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Pesquisador musical ávido, discotecário premiado e produtor aclamado por nomes que vão de Ben Sims a Rainer TrübyNey Faustini é um cara habituado a seguir o fluxo do que manda seu coração em quaisquer etapas de sua vida. Como DJ, começou na cena de drum’n’bass. Antes disso, já participava de campeonatos de Kart, paixão herdada do seu pai, piloto da Stock Car nos anos 80 e 90.

As corridas continuam até hoje, mas isso nunca o impediu de curtir e absorver tudo o que a música eletrônica tem a oferecer, fosse nos anos 2000, com os eventos memoráveis como Skol Beats e clubs mitológicos como o Lov.e e o Overnight — fez parte da história destes dois últimos nas cabines, inclusive —, seja como um dos DJs e produtores mais experientes e musicalmente vorazes da atualidade. Hoje costuma carimbar sua presença tanto nos principais clubs atuais brasileiros, como o D-EDGE, onde realiza uma residência muito benquista, quanto em turnês no exterior.

Em uma conversa inspirada e pautada em aspectos do passado, presente e futuro, batemos um papo com o DJ paulistano às vésperas de sua apresentação no Caos, club de Campinas onde vai se apresentar durante três horas nesta sexta-feira, dia 15 de junho, ao lado de Chris Liebing e Victor Ruiz

No maior estilo “somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos”, você se lembra de pessoas, momentos, gestos, crenças ou cenas específicas do seu passado que ficam até hoje marcadas na sua memória como turning points para o desenvolvimento do Ney Faustini como o profissional que conhecemos hoje?

Posso dizer que vivi muitas experiências, algumas boas e outras nem tanto, que me influenciaram diretamente na minha formação como artista nesses quase 20 anos de discotecagem. Falando pelo lado bom, experiências de pista, entre festas, clubs e festivais, são sempre especiais. Lembro bem da primeira vez que ouvi o DJ Marky tocando em uma rave no interior de São Paulo, ainda antes da residência dele no Lov.e, e como aquilo me influenciou a querer tocar drum’n’bass. Da primeira edição do Skol Beats, em 2000, que foi o primeiro festival de música eletrônica que frequentei, e onde pude ouvir vários dos DJs que eu já acompanhava. Das primeiras vezes que vi o Laurent Garnier se apresentando em São Paulo. Dos inúmeros DJs e live acts que pude presenciar nos clubs que mais frequentei na vida, D-EDGE e Lov.e. Sem querer ser nostálgico demais, o meu conceito do “ser DJ” teve base nessa época, final dos 90 e início dos 2000.

Profissionalmente, algumas ocasiões estão marcadas na memória como se tivessem acontecido ontem: minha primeira vez tocando no Lov.e em 2001, abrindo a noite pro Marky; a primeira gig na Freak Chic em 2010, no D-EDGE; a apresentação no primeiro Boiler Room no Brasil, em 2013; mais recentemente, tocar pela primeira vez no Rock in Rio no palco Eletronica, e abrir o palco do Dekmantel em São Paulo, no mesmo dia em que o Jeff Mills o fechou, foram experências fantásticas. Saindo um pouco da discotecagem, lançar meu primeiro disco em vinil, o Sleepless, em 2012 pela Foul & Sunk, foi um divisor de águas pro meu amadurecimento como produtor. Uma lembrança puxa a outra, mas essas foram as primeiras que vieram à cabeça.

A maturidade é algo natural na vida de qualquer pessoa — ainda bem! Como artista, qual o conselho essencial que você daria para o Faustini de uns 20 anos atrás e por quê? 

Eu diria “estude música, mais do que você já estuda”. Eu sempre tive muito prazer em pesquisar, frequentar lojas de disco, descobrir músicas e artistas novos, independentemente de estilos. Esse sempre foi meu foco como apreciador de música, além de DJ. Porém, mesmo começando a produzir, lá por 2009, eu nunca tive uma real formação musical e não me aprofundei no estudo de nenhum instrumento. O que eu sempre tive comigo era o que eu gostava de escutar, meu repertório, e dali eu buscava minha inspiração pra produzir. Estudar a música mais profundamente, mergulhando ainda mais na parte teórica, além de toda diversidade cultural e histórica, é algo que venho fazendo mais recentemente e gostaria de ter feito antes.

“Sinto falta do tempo em que as pessoas se preocupavam mais em aproveitar o momento do que ficar registrando tudo no celular.”

Você é considerado um DJ mais próximo das sonoridades da house music, mas pra esta sexta você foi escalado para um lineup mais techno, ao lado de Chris Liebing e Victor Ruiz. É possível que com esse “empurrãozinho” veremos um lado musical seu ainda mais amplo em Campinas?

Eu naturalmente tenho uma preparação muito particular pra cada situação, e nesta noite não será diferente. Eu evito me rotular e, dentro do possível, gosto sempre de variar, especialmente em sets mais longos. Mas também gosto desses casos, em que existe um foco mais específico. E afinal, Detroit é uma das minhas maiores influências musicais, então a expectativa em abrir uma noite mais voltada ao techno com um set de três horas é enorme. Estou separando várias músicas especialmente pra esta ocasião.

Explorando um pouco mais este seu lado “techneiro”, conta pra gente quais foram as descobertas mais incríveis deste gênero que você realizou ultimamente? 

Além das referências de Detroit e Berlim, tenho escutado também muitos artistas e gravadoras holandesas, francesas, suecas… A Delsin sempre foi uma das minhas gravadoras favoritas e segue firme numa extensa agenda de lançamentos com velhos e novos artistas, assim como a também holandesa Clone. Taapion é um selo mais jovem e que apresentou um time francês de produtores que gosto muito, encabeçado pelo Shlømo. De uma maneira geral, estou sempre acompanhando gravadoras como Echocord, ESHU, ARTS, Tikita, Ilian Tape, Curle, Mistress, Suchitech, The Corner, Non Series, Skudge, entre tantos outros.

Foto: Divulgação

É difícil barrar a energia da noite de SP. Aliás, do dia também. Mas quais são as outras cidades brasileiras onde você já tocou e sentiu também uma energia singular no público ou na forma como consomem cultura e arte?

Os três estados do Sul estão com festas e projetos muito consolidados, mas acho que tenho uma relação mais próxima com Floripa, por conta da minha residência na Troop, e é sempre incrível tocar por lá. O que me impressiona no Sul, além do que rola nas capitais, é o interesse de um público cada vez maior por música eletrônica underground em cidades do interior.

Momento nostalgia: sua bagagem data desde o fim dos anos 80. Você fez parte de momentos históricos do cenário. De quais características da cena clássica você mais sente falta hoje? 

Eu tento não ser tão saudoso com situações e cenários de antigamente, porque dentro das inúmeras opções que existem de festas hoje, sempre dá pra achar alguma com a qual você se identifique. Dito isso, sinto falta do tempo em que as pessoas se preocupavam mais em aproveitar o momento do que ficar registrando tudo no celular. Nada contra fazer pequenos registros, eu gosto de relembrar alguns momentos também, mas rola um exagero hoje em dia.

“Temos que aproveitar as facilidades que o mundo moderno oferece à profissão, mas não se atinge um trabalho sólido e autêntico através de atalhos.”

Muitos DJs chegam ao sucesso de repente, às vezes já perto de um auge que pode acabar igualmente rápido. Mas você é de uma geração em que a maioria segue uma curva longa até um reconhecimento mais sólido. Que aspectos de uma longa carreira você acha impossíveis de serem adquiridos por DJs “fast-food”, e que realmente fazem falta para um artista? 

A quantidade de “novos DJs” que entram na profissão por motivos não tão musicais cresceu bastante de uns anos pra cá. Gente em busca de sucesso rápido e que nunca teve real interesse pela música e pela arte em si. Ser DJ exige alguns sacrifícios e muito amor, algo que vai bem além das ferramentas de marketing e redes sociais. Vi muita gente da minha geração, e da anterior também, abrindo mão de muita coisa na vida pra poder comprar vinil e equipamentos. Temos que aproveitar as facilidades que o mundo moderno oferece à profissão, mas não se atinge um trabalho sólido e autêntico através de atalhos, e acho que isso vale pra tudo na vida. Repertório e feeling de pista, por exemplo, são aprendizados longos e continuos, só pra citar dois aspectos essenciais.

Passarinhos me contaram que você tem algumas novidades pro futuro próximo, de internacionalidades ao vinil. Confirma pra gente?

Neste ano quero dar um foco maior aos meus trabalhos autorais, já que acabei fazendo mais remixes nos últimos três anos. O último que terminei, pro japonês Tominori Hosoya, deve sair em agosto pela Bucketround, gravadora espanhola de deep house que lança apenas vinil. Incluo nessa fase atual de trabalhos novas colaborações com meus amigos do Fractal Mood e com o sueco Sean Dixon. Pro segundo semestre também estou planejando uma tour em algumas cidades da Europa.

Foto: Divulgação

Uma cor, um filme, um movimento, um sentimento, uma ação, uma reação… O que mais pode te inspirar além do som?

Cidades são sempre inspiradoras, e essa relação de amor e ódio com São Paulo é uma influência constante. Em 2011 decidi passar dois meses em Berlim só pra experimentar a sensação de viver uma rotina, ou a falta dela, por lá. Eu tento sempre absorver um pouco de cada lugar que eu vou, a trabalho ou a passeio. Se tiver arte, museus pra visitar e lugares históricos, melhor ainda. Situações mais extremas de sentimento, de felicidade ou tristeza, também são muito inspiradoras.

Você já tocou algumas vezes no Club 88, mas será a primeira vez no Caosdos mesmos sócios. E estreia logo em, como já foi dito, noite grande de techno. Quais são as suas expectativas para o dia 15 de junho?

Toquei uma vez no Club 88, quatro anos atrás. Conheço a Eli Iwasa desde os tempos do Lov.e Club, e vinha acompanhando toda a montagem do Caos com a expectativa de que seria um club pra se tornar referência no interior de São Paulo. Vi fotos e vídeos de algumas das festas que rolaram nos últimos meses, e já deu pra sentir um pouco de como é a atmosfera por lá. O Chris Liebing é uma lenda, e imagino que vá rolar uma peregrinação partindo de várias cidades pra essa noite. Nada como experimentar a sensação de tocar em lugar novo com a casa cheia, e pegando essa energia de começo de festa. A ansiedade é enorme!

* Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

EDX: “Vários DJs brasileiros ganharão reconhecimento internacional nos próximos anos”

Phouse Staff

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Foto: Divulgação
Um papo exclusivo com o expoente suíço EDX

Veterano da cena eletrônica com mais de duas décadas de um caminho de sucesso como DJ, o suíço Maurizio Colella, mais conhecido como EDX, é um dos expoentes da EDM global que possui uma das relações mais fortes com o mercado brasileiro. Há dois anos, sua agência Sirup desenvolveu em conjunto com a DJcom o selo Muzica Records, que funciona até hoje para promover artistas da América Latina, sobretudo brasileiros.

O DJ já havia nos revelado que o Brasil é um de seus principais, senão o principal mercado em que atua atualmente, e que pode ser considerado praticamente um dos nossos. Sua última participação por aqui foi em outubro, quando tocou no Playground BH e no Federal Music, e já há planos para uma nova turnê tupiniquim em breve. Pensando nisso, e na esteira de seus sucessos recentes, como “Anthem” — que bombou em playlists do Spotify como a brasileira EDM Room — e o remix para Janelle Monáe, trocamos uma ideia com o produtor sobre seus principais feitos recentes, novidades para o curto prazo e, claro, sua relação com o nosso país.

Maurizio, você continua lançando faixas surpreendentes, como “Anthem” e seu remix para “Make Me Feel”, da Janelle Monáe. Qual a diferença entre seus lançamentos regulares e a assinatura”Dubai Skyline”, que você utiliza para alguns remixes?

Foi uma jornada bem longa até aqui e ainda me faz muito feliz viajar pelo mundo e lançar novas músicas. Eu sempre tento trazer algo novo e fora da caixa em cada uma de minhas produções. “Anthem” foi uma faixa que fiz pensando nos festivais e clubes mais pra cima. Estou muito contente com o feedback e apoio que recebi nesse som. Quando se trata de remixes, eu sempre tento manter uma vibe e toque único no trabalho. A linha de remixes Dubai Skyline é destinada para lançamentos mais house e “radio friendly”.

Você já frequenta o Brasil há muito tempo e teve a oportunidade de conhecer melhor nosso país. Quais são suas coisas favoritas sobre o Brasil?

A cultura brasileira é gigante e diversa, o Brasil é praticamente um continente. Desde o início, eu só tive boas experiências, e é um dos meus destinos favoritos. Dez anos atrás foi minha primeira apresentação no Brasil e continuo sempre animado para voltar. Acho que foi amor à primeira vista. Eu também amo o churrasco brasileiro e a culinária em geral, o que é um bônus.

Os seus DJ sets no Brasil são muito diferentes dos que você costuma tocar pela Europa?

Não necessariamente. Em geral, eu sempre tento ler o público e dar a eles uma experiência única. Normalmente no Brasil meus sets acabam sendo um pouco mais sexy.

“Meu som precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.”

Como você vê o desenvolvimento do mercado da música eletrônica no nosso país? 

Minha empresa tem uma colaboração com um selo brasileiro chamado Muzika, para ajudar a lançar artistas latino-americanos. Isso me ajuda a descobrir diversos artistas do país. O Brasil é um mercado único e com muitos profissionais, e eu acredito que vários DJs brasileiros irão ganhar reconhecimento internacional nos próximos anos.

Janelle Monáe é uma artista incrível e a faixa “Make Me Feel” está rapidamente se tornando um dos maiores lançamentos dela. Você pode nos contar um pouco sobre a história por trás do seu remix?

O selo da Janelle [Bad Boy Records] me convidou para produzir o remix. Eu costumo receber muitos pedidos, e naquele mesmo dia havia mais outros quatro, mas quando ouvi “Make Me Feel” senti uma grande conexão com a música, é uma grande obra. Eu acredito que é uma faixa que pode ganhar atenção tanto nas rádios quanto nos clubes. Eu não mudei muito a pegada funky, mas deixei ela com mais energia e uma vibe sexy. Espero que gostem!

Fora do mundo eletrônico, quais são suas inspirações? O que você ouve quando não está ouvindo música eletrônica?

Eu viajo noite e dia, e quando não estou no estúdio ou em algum clube, estou sentado na cadeira do meu escritório trabalhando, e tem música pra todo lado. Isso não me dá muito tempo para ouvir outras coisas. Eu sempre gostei muito de Barry White quando eu era criança, com certeza inspirou meu tipo de som. Precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.

O que podemos esperar de novidades? Você já tem planos para retornar ao Brasil?

Estamos trabalhando na minha turnê de 2018, e contará com algumas datas no Brasil. É sempre bom ficar de olho na minha agenda através do meu site. Música nova é sempre uma prioridade para mim, então fiquem de olho! Estou pensando em adicionar uma vibe mais “deep progressivo” nos meus próximos lançamentos.

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