Alemão de alma brasileira, D-Nox fala sobre estreia de projeto em São Paulo

Formado com ZAC em Santa Catarina, o Passion! chega a capital paulista neste sábado
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Ele é alemão, mas de alma brasileira. É DJ, produtor, dono de duas gravadoras e um dos artistas mais requisitados e respeitados na cena eletrônica underground. Os seus sets transitam entre a house e o techno, o que evidencia seu amplo conhecimento musical. Sobretudo, com muito carisma, é responsável por apresentações surpreendentes e inovadoras. Um artista de qualidade inquestionável que coloca em prática a premissa de que a música é capaz de unir as pessoas. Sim, estamos falando dele: Christian Wedekind, mas podem chamá-lo de D-Nox.

Levando o seu som aos quatros cantos do mundo, D-Nox tirou um tempinho para um bate-papo exclusivo com a Phouse. Entre os assuntos, falamos sobre sua fiel e longeva relação com o público brasileiro — ele recentemente mudou-se para o Brasil, depois de anos vivendo em Buenos Aires — e também sobre a recente parceria com o DJ e produtor chapecoense Thiago Zacchi, o ZAC, com quem formou recentemente o tão bem falado projeto Passion! (como você viu aqui).

A label party faz — finalmente! — sua estreia em São Paulo neste próximo sábado, dia 17, no Sonora Garden, e promete ser uma daquelas noites imperdíveis ao lado de um lineup de responsa. Além do Passion! (B2B entre D-Nox e ZAC), vai rolar um live set do outro projeto do alemão — o D-Nox & Beckers — e sets dos alemães Frankey & Sandrino e dos brasileiros Du Serena, Junior_C e o próprio ZAC.

D-Nox
ZAC e D-Nox formam a Passion!. Foto: Ebraim Martini/Divulgação

Você divide a sua residência, já de algum tempo, entre Alemanha e Buenos Aires. Quando e por que sentiu essa necessidade de trocar a “meca do techno” para viver na América Latina, onde, de certa forma, o cenário é menor?

No momento, eu divido minha residência entre Alemanha e Brasil, pois atualmente estou casado com uma brasileira. Tenho uma longa história com a América Latina, boas gigs e muita conexão.

E como é morar no continente? Como enxerga a cena eletrônica underground por aqui, e o que a difere de tantas outras ao redor do mundo?

Não vivo muito a realidade da América Latina, porque estou sempre viajando. No Brasil, infelizmente, quase não existe cena eletrônica underground. É difícil acreditar que uma cidade grande como São Paulo tenha apenas um clube de música eletrônica underground, e isso já diz muito sobre a diferença e o tamanho da cena no Brasil, comparado com outros lugares do mundo.

Por outro lado, me deixa muito feliz saber que, embora não tenha cena underground nos clubs, há muitos eventos e festas particulares que representam e expandem esse conceito da música eletrônica.

“No Brasil, infelizmente, quase não existe cena eletrônica underground.”

Você é um artista muito querido pelos brasileiros e já de algum tempo construiu uma conexão forte por aqui. Quando começou essa relação e o que te conecta tão fortemente com a cultura e com a cena brasileira?

Tudo começou em 2005 quando me chamaram para tocar na Trancendance daquele ano, um festival de psytrance em Alto Paraíso–GO. Eu tive a sorte de tocar na pista principal e mudar a vida de muitas pessoas que até então não conheciam muito o tipo de música que eu tocava.

Foi, talvez, a primeira vez que um DJ ousou tocar aquele tipo de som no Brasil e, por isso, muitos me chamam de criador do low BPM. Pra mim, o Brasil é minha casa. Eu amo muito esse pais e acredito que é isso que me conecta tão fortemente com os brasileiros. São tantos anos tocando aqui que já estou até falando português. 

Recentemente você anunciou ao lado do ZAC o projeto Passion!. Por que escolheu o brasileiro para formar a dupla?

Eu escolhi o ZAC porque somos praticamente os únicos no Brasil que tocam esse tipo de som. E é esse som que representa o feeling da Passion!. Tivemos uma sinergia muito forte no Amazon, em Chapecó, durante um B2B despretensioso e resolvemos mostrar isso para outras cidades.

Desenvolvemos um feeling único e com amor, alegria e paixão pelo o que fazemos, conseguimos juntos unir e elevar a pista a um nível superior. Isso é a Passion!

D-Nox e ZAC
Foto: Pablo Zambeli/Divulgação

Temos diversos nomes brasileiros se destacando nessa linha entre o techno melódico e o progressive house, como Morttagua, BLANCAh, Binaryh, Nato Medrado, Luciano Scheffer, DNYO e o próprio Junior_C… Você não vê eles nessa mesma linha de som sua e do ZAC?

BLANCAh e Binaryh pra mim são mais projetos live. Nato, Luciano e DNYO ainda não conheço. Junior_C toca bem, acho o trabalho dele muito legal e inclusive fiz questão dele fazer parte da Passion! em São Paulo. E adoro o trabalho do Morttagua, toco diversas músicas dele nas minhas apresentações — até um ano atrás, nem sabia que ele era brasileiro.

Mas, quando digo que ZAC e eu somos praticamente os únicos, me refiro não só à música, mas também sobre a forma com que nós conectamos com o público. A presença, a interação, me entende? No final, é tudo uma questão de feeling.

E como você definiria esse tipo de som proposto pela Passion!?

Essa é uma boa pergunta e ao mesmo tempo difícil de definir. Eu posso dizer que o nosso som é uma mistura de progressive house, techno melódico e tech house. Tem groove, é alegre, feito para dançar sem parar e ao mesmo tempo é hipnótico, capaz de tocar as pessoas, fazendo com que elas viagem e mergulhem na história que contamos através da música. 

“O que me move é o amor pela música. Não é fácil uma vida longe da família.”

Qual sua motivação e planos pro futuro com esse projeto?

A motivação é levar essa ideia com nosso som e a boa energia para todos que querem sentir esse feeling com a gente, assim como foi em outras edições. Um set com uma viagem do começo meio e fim, como uma história sem imediatismos.

A sua gravadora Sprout já lançou faixas de DJs e produtores renomados internacionalmente, como Hernán Cattáneo, Boris Brejcha, Joris Voorn e ANNA, apenas para citar alguns. Recentemente, foi lançada a primeira coletânea Passion!. Conte-nos um pouco sobre esse lançamento e como foi o processo criativo de seleção das faixas.

Acreditamos que é importante mostrar novos artistas que também produzem esse mesmo tipo de som. Nessa compilação Passion!, reunimos artistas do mundo todo, inclusive brasileiros como Gabe e BLANCAh. O processo é ouvir as faixas que a gente recebe, e quando a música me emociona, ela tem oportunidade de ser envolvida no projeto.

Você é um artista que se divide entre projetos, turnês ao redor do mundo e produções. Como conciliar tudo isso?

O que me move é o amor pela música. Não é fácil uma vida longe da família. São 27 anos tocando e viajando pelo mundo. Até hoje a musica é o que me dá força. Essa energia é o que me deixa vivo e criativo. Sou muito feliz e grato por fazer o que eu realmente amo.

E algum outro projeto no horizonte?

Quero produzir mais músicas, fazer um álbum solo, mas por enquanto estou feliz e cheio de projetos e trabalhos.

O que o público de São Paulo pode esperar pela estreia da Passion! na capital?

Eu também estou muito ansioso e muito feliz em poder retornar a São Paulo com o projeto live D-Nox & Beckers, depois de três anos sem tocar nessa cidade.

Escolhemos duas das melhores agências para realizar esse evento, a Be On, de Edu Poppo, e a Kontrol, de Du Serena, e da minha parte posso dizer que o público pode esperar muita música boa e artistas que transmitem, como o próprio nome diz, a paixão que é a Passion!.

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