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Entrevista exclusiva com o duo Galantis

Publicado em

22/11/2015 - 2:25

No ano de 2014 o mundo da música eletrônica ganhou um dos melhores duos de todos os tempos. Formado pelos suecos Linus Eklow e Christian Karlsson – que são conhecidos também por seus trabalhos individuais como Style Of Eye e no projeto Miike Snow -, o duo Galantis lançou um EP aclamado, fechou contrato com uma grande gravadora para lançar um álbum nesse ano e junto com isso jogou no mercado o single “Runaway (U & I)”, que com certeza é um dos maiores hinos do cenário da EDM atual.

Nosso colunista Jhonny Carlos – que é amigo dos rapazes- traz uma entrevista exclusiva para Phouse onde falam da carreira, do sucesso, de como tudo começou e das novidades para esse ano. E ah! Sobre uma suposta vinda ao Brasil ainda em 2015.

2014 foi o ano da revelação do Galantis e nesse 2015 já esperamos muito mais, claro. Quero começar falando desse sucesso todo de vocês, e ai? Me definam o que vocês andam sentindo, pensando e tudo mais sobre esse reconhecimento mundial, que diga-se de passagem é muito merecido.

Christian: Eu diria uma série de palavrões que poderiam expressar o quanto tem sido incrível esse reconhecimento do nosso trabalho, ainda mais que tudo é tão recente. Sinto que estamos em um sonho, mas aí percebo que estou acordado e tocando para um público que sabe todas as nossas músicas. O que eu posso dizer? Uau!

Linus: O que o Chris diz é verdade, porque eu também as vezes demoro a acreditar o quão incrível tem sido a recepção do público, e por mais que já tivéssemos nossas experiências nesse cenário de tocar para várias pessoas, isso ainda é maravilhoso. Realmente tem sido especial e emocionante saber que as pessoas sabem do Galantis e amam nosso trabalho nele.

Muitos conhecem os trabalhos individuais de vocês, mas não sabem ao certo como tudo começou. Como o Galantis surgiu, vamos falar um pouco disso?

Linus: Nos conhecemos há muito tempo, afinal somos da cena musical de Estocolmo, mas tudo realmente aconteceu quando o Chris me convidou para fazer um remix da faixa “Animal” do projeto dele Miike Snow. Me lembro que eu fiquei: Nossa, preciso arrasar e dar o meu melhor!. Depois disso, começamos a trocar mais ideias e a sair juntos e a produzir, e eis que aos poucos surgiu o Galantis.

Christian: Galantis realmente surgiu porque tínhamos sonhos e ideias de produção que iam além daquilo que fazíamos. Quando cheguei na Suécia e me encontrei em um estúdio com Linus tudo surgiu em um passe, mas claro que isso depois de descobrirmos que tínhamos os mesmos ideais e desejos de criar algo novo na música

Vocês foram considerados o melhor duo que surgiu depois do Daft Punk, segundo a Billboard. E boa parte da mídia especializada vem enchendo vocês de elogios, dizendo que suas músicas são algo diferente. Eu também vejo por esse lado, afinal, as letras vão além do “coloque suas mãos para o alto” e também tem essa coisa dos vocais que são uma maravilha a parte, meio andrógenos. Quero saber como vocês veem isso e como surge todo esse conceito por trás do duo.

Linus: Eu fiquei emocionado com esse elogio, pois o mesmo cara que criou o conceito das mascaras do Daft Punk criou o da nossa Seafox, e sempre fomos fãs de todo o trabalho dele com os caras. Sem contar que Daft Punk sempre foi e sempre será uma fonte de inspiração para o nosso trabalho. Agora sobre as canções e o vocal, era esse o ponto que queríamos chegar: Não criamos canções pensando no que as pessoas vão achar. Gostamos de criar e produzir canções que representam o que nós mesmos gostaríamos de ouvir. E acho também que é mais fácil se relacionar com a música quando você não sabe distinguir se é um cara ou uma garota por traz da canção.

Christian: E eu não sou muito fã da voz humana, que fique claro! (Risos)

Kaskade, Tiesto, Dillon Francis e uma grande leva de DJS/Produtores andou remixando faixas de vocês. Vocês já andam fazendo colaborações, certo? E como é ver suas faixas ganhando ótimos remixes?

Christian: É incrível ver nossas músicas por um outro ponto de vista. Grande parte dos DJS que produziram remixes de nossas faixas são amigos. Sempre procuro no Soundcloud remixes e me surpreendo.

Linus: Ouvir esses remixes de caras que além de amigos, admiramos, é incrível. E sobre colaborações, estamos sim trabalhando em várias coisas, mas não podemos falar muito. Kaskade e Tiesto estão incluídos nesses trabalhos.

“Seafox” esse é o mascote de vocês, que representa a marca. Me explica um pouco desse conceito, e como surgiu? Já que está em tudo que remete ao duo.

Christian: Sempre pensamos em uma marca para nosso trabalho e queríamos algo diferente de tudo. Trabalhamos aos poucos na construção imaginária do que seria o Seafox e é aí que começamos todo o processo de criação até chegar ao que temos hoje. Algo que amamos demais.

Linus: Na verdade eu me lembro do Chris passando em frente a uma loja onde havia um cabeça de raposa. Acho que foi nesse momento que surgiu a primeira inspiração. E isso é tão legal, porque hoje os fãs já esperam a nossa Seafox nos shows e fazem suas mascaras caseiras de Seafox.

Gosto musical! O que vocês andam ouvindo? Quem são os caras que sempre foram os heróis da música para vocês?

Linus: Eu diria que Steve Wonder é o cara! Mas sou bem eclético com essa coisa, tanto que se pegar meu laptop vai encontrar Chilly Gonzales, Years & Years, RY X e outros. Todos com faixas que já perdi as contas de quantos “repeat” dei.

Christian: Depeche Mode são os meus heróis. Foi o primeiro disco que comprei quando criança e mesmo hoje em dia, eles ainda soam tão sensacionais. Mas também estou na mesma linha que o Linus, e ando ouvindo bastante RY X e Chet Faker

2015 chega ao mercado o álbum de estreia de vocês certo? Vamos falar desse material que já é um dos mais esperados? O que podemos esperar?

Linus: Estamos com 96% dele pronto, mas queremos sentar depois de tudo pronto e analisar se chegamos mesmo aonde queríamos. O que posso dizer é que nosso novo single chega ao mercado logo logo e se chama “Gold Dust”. Estamos ansiosos para esses lançamentos. No mais, o nosso álbum deve ser lançado ainda na primeira metade do ano.

Christian: Não tenho nada mais para comentar, faço do Linus minhas palavras! (risos)

E o Brasil? Já perguntei antes sobre isso para vocês, mas saiba que no Brasil vocês tem uma grande quantidade de fãs querendo vocês o mais rápido possível. Então, o que vocês tem a dizer?

Linus: Você mais que ninguém sabe de nossa vontade de estar no Brasil! Amamos nossos fãs no país e temos recebido todo o apoio deles. O que podemos dizer é que logo estaremos chegando aí. Ainda esse ano ou no próximo. Pronto!

Christian: Eu sinto que será um dos melhores shows de nossas vidas. Não vejo a hora de estar com todos os nossos fãs, mas isso ainda é algo que não podemos comentar.

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LIFT OFF

Psytrance raiz: Mindbenderz lança álbum transcendental pela Iono Music

Review do debut do duo suíço-alemão é o primeiro texto da nova coluna da Phouse

Nazen Carneiro

Publicado há

Mindbenderz
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Instalar foguetes, preparar motores, verificar comunicação, iniciar sequência de lançamento. Cinco, quatro, três, dois, um… LIFT OFF!

Estreamos aqui a coluna LIFT OFF, que, escrita por Nazen Carneiro, traz um olhar sobre a indústria fonográfica psytrance nacional e internacional — estilo da música eletrônica que se manifesta como uma cultura vibrante e com muitos adeptos no Brasil.

De tempos em tempos a cena eletrônica se transforma e, como um organismo vivo, cresce e se reproduz. Um de seus pilares, o psy se reproduziu e está mais presente do que nunca, com “astronautas” consagrados mantendo-se relevantes, assim como novos “cosmonautas” surgem, evidenciando uma realidade produtiva e frutífera para a criação musical.

Com o crescimento do público, as festas também se multiplicaram Brasil adentro, e os produtores passaram a ter mais espaço para caírem no gosto do público da terrinha e de além-mar. Hoje, o psy mantém viva sua cena underground, enquanto estica seus tentáculos a outros nichos, influenciando — e sendo influenciado — até mesmo pela EDM.

Sem mais delongas, confira o primeiro texto abaixo, sobre o novo álbum do Mindbenderz.

 

Formado pelo alemão Matthias Sperlich e o suíço Philip Guillaume, o Mindbenderz traz, sem dúvida, um dos principais lançamentos do ano no cenário psytrance. Os veteranos, que são muito respeitados na cena eletrônica individualmente como Cubixx e Motion Drive, juntos ficam ainda mais fortes. É o que se vê no álbum Tribalism, lançado em 31/10, pela Iono Music.

O álbum conta com nove faixas que somam mais de 75 minutos. A primeira, “A New Dawn”, traz desde o primeiro minuto muita energia e reflexão num som que conduz o ouvinte a outra dimensão. A segunda faixa dá sentido a expressão “lineup” numa ascendente contínua, revelando uma verdadeira jornada ao desconhecido que segue até meados da faixa seis — “Hybrids” —, causando aquele frio na espinha. Nesse momento de percepção cósmica, uma pausa reconecta o corpo e mente à nossa tribo, e há de fato uma sensação híbrida de se estar em ambas as realidades ao mesmo tempo.

A essa altura, o álbum apresenta suas três últimas faixas no ápice de uma jornada espiritual, e nos encontramos num momento épico em que as características sonoras do psytrance alcançam sua maior amplitude, com uma ampla gama de efeitos numa base transcendental. É puro trance. A mente processa essas informações e a energia flui na forma de dança.

Voltamos para a Terra, mas a memória do que acaba de acontecer permanece. Tontura; excitação… O reator psicodélico agora transforma a energia através de instrumentos humanos. A última faixa dá nome ao álbum. “Tribalism” une percussões especiais, agogô, psy, Ayahuasca e vocais de xangô. Todos no mesmo pitch, como uma onda. Algo nos une, nos traz ao dancefloor, tornando-nos verdadeiramente uma tribo.

Tribalism revela uma composição muito bem realizada, fruto de meses de trabalho e muito detalhismo. Cada segundo do álbum revela a ação do Mindbenderz em promover um som extraordinário e comprometido com aquele pegada tribal, sem deixar de lado os elementos mais futuristas.

No momento do fechamento deste artigo, o álbum ocupava a primeira posição no Top 10 de psy do Beatport, o que mostra a força desse som mais ligado às raízes do estilo entre os DJs e produtores.

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Perfil

Entenda a ascensão internacional do DJ e produtor brasileiro Kalil

Lançamentos por grandes labels fazem do paulista um dos principais nomes do techno no Brasil

Alan Medeiros

Publicado há

Kalil
Foto: Divulgação

Nos últimos anos a cena techno brasileira tem servido ao mundo alguns talentos em ascensão, como o caso do talentoso produtor paulista Kalil. O começo de sua carreira foi justamente em um período de grandes inovações relacionadas à forma de consumo de música, e isso foi fundamental para o desenvolvimento não só dele, mas de toda uma geração.

Na virada da última década, a internet passou a representar um capítulo importante na disseminação de conteúdo por parte de artistas independentes, principalmente através de plataformas como SoundCloud e YouTube, que de certa forma reduziram a importância de uma grande gravadora para o start de uma carreira consolidada. Em paralelo com o Facebook e outras redes, colocaram uma ferramenta poderosa na mão de alguns artistas.

      

Kalil claramente soube aproveitar esse momento e foi capaz de construir uma base de fãs engajada, e o mais importante: evoluir seu próprio perfil artístico ao longo dos anos. Desde o começo se comentava que suas produções tinham algo diferenciado, e hoje isso não se trata de uma aposta — estamos falando de algo concreto, especialmente se levarmos em consideração os últimos acontecimentos de sua carreira.

Com uma presença mais forte no mercado nacional, Kalil passou a alçar voos internacionais também, seja através de gigs em países como França, Suíça e Alemanha, ou através de lançamentos por labels como Noir Music, Senso Sounds e Sprout — referências absolutas dentro do techno. Algumas de suas últimas conquistas incluem suportes de nomes como Carl Cox, Maceo Plex, Monika Kruse, Karotte e outros big names da dance music internacional.

     

Ainda é cedo para dizer se Kalil se tornará em breve uma grande estrela do estilo a nível global. Não há como negar, porém, que o brasileiro está mostrando maturidade para guiar sua própria jornada de evolução com sabedoria e inteligência, sempre influenciado pelas batidas inspiradoras de seu próprio coração.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Notícia

Nevoeiro desfalca XXXPERIENCE e TribalTech; entenda o caso

Artistas que iriam de um festival para o outro acabaram não conseguindo viajar

Flávio Lerner

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XXXPERIENCE e TribalTech
Foto: Sigma F/Reprodução

Nesse sábado, 22, dois dos mais aguardados festivais da cena eletrônica nacional aconteceram simultaneamente: XXXPERIENCE e TribalTech. Tentando evitar o mau tempo que atrapalhou anos anteriores de ambos os eventos — o que justamente motivou a XXX para transferir sua data de novembro para setembro —, os dois rolaram numa boa, sem temporal nenhum pra acabar com a vibe. Mesmo assim, a zica climática atacou por outro lado, e acabou desfalcando as duas festas.

Por causa do forte nevoeiro que atingiu Curitiba, os dois aeroportos da capital [Afonso Pena e Bacacheri] fecharam, além do Aeroporto Municipal de Ponta Grossa e do Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina. Com isso, a aeronave particular — contratada em parceria entre os dois festivais — que sairia no começo da madrugada de São Paulo para levar Len Faki, Dubfire e Tessuto ao TribalTech, e posteriormente Ben Klock e Gabe para São Paulo, não conseguiu decolar.

+ “O festival vai ficar muito mais interativo”; Erick Dias fala sobre a #XXX22

Além deles, Guy Gerber cancelou anteriormente com os dois festivais, alegando na última quinta-feira que teve sua casa invadida e pertences roubados, incluindo seu passaporte. Já o voo comercial que levava o sueco Gaudium, atração do palco de trance 3DTTRIP, do TribalTech, atrasou, o que fez com o que o artista não chegasse a tempo para tocar. 

A XXX contornou o problema colocando Renato Ratier para estender o seu set, que já encerraria o Union Stage, por quatro horas, assumindo também o horário de Ben Klock, enquanto o Joy Stage, que fecharia com o Gabe, acabou terminando mais cedo; já o Guy Gerber foi substituído por um B2B entre ANNA e Patrice Bäumel, que já eram atrações do Union. 

+ TribalTech Enlighten: confira detalhes da próxima edição do festival

No TribalTech, Len Faki e Dubfire, que seriam as últimas atrações do TribalTech Stage, foram substituídos por Ben Klock [que estendeu seu set em meia hora] e Anthony Parasole, que originalmente tocaria no Timetech [e acabou sendo substituído por um segundo set do alemão Sammy Dee]. Já no Secret Stage, um B2B entre Renato Cohen e RHR fechou o palco, no lugar de Tessuto. O festival acabou sendo encerrado uma hora antes do programado.

Em contato com a Phouse, a assessoria do TT afirmou que já está em contato com as agências dos artistas para tentar trazê-los novamente a Curitiba. Enquanto isso, a produção da XXX afirma também ter a intenção de trazer Ben Klock para a edição do ano que vem.

Antes, ambas as labels já haviam pedido desculpas ao público e explicado o problema em suas respectivas redes sociais.

NOTA OFICIAL.

Posted by Tribaltech on Sunday, September 23, 2018

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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