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Exclusivo: Entrevista com Fedde Le Grand

Phouse Staff

Publicado em

15/10/2013 - 13:27
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A revista Ponto House acaba de firmar  parceria com um dos principais sites da noite  de São Paulo.

O AgitosSP que é  representado por Sérgio Luiz Júnior,  teve o prazer de entrevistar com exclusividade para a nossa revista o grande astro da EDM, o grandioso neerlandês Fedde Le Grand que já se apresentou em festivais como Tomorrowland, EDC, UMF e Sensation.

A entrevista foi feita em inglês mas postamos a versão original e a  traduzida pelo google tradutor, vamos conferir?

Por: Sergio Luiz Júnior

 

1-Olá Fedde, Primeiramente  obrigado por ceder seu tempo para esta entrevista. Vamos começar?
Eu que agradeço.

2-Você já esteve no Brasil diversas vezes ,  de que você mais gosta?, os brasileiros são um público diferente dos outros?
Eu amo ir para o Brasil, sempre encontrar uma realmente calorosas boas-vindas sempre que estou lá e para qualquer DJ que é um sonho tocar. Todo mundo gosta de festa, e todo mundo adora dançar, então para mim é perfeito! Acho que as pessoas no Brasil são muito parecidas com as pessoas que vivem no sul da Europa, onde o sol está sempre brilhando – é tudo sobre festas na praia, festas no calor, todos vestindo o mínimo possível – o que não é amar?

3-Já aproveitando a pergunta acima Quando você voltar ao Brasil?
Não deve ser muito longo, espero que ainda este ano!

4-Você está sempre presente no line up do Sensation White, Ultra Music Festival, e Tomorrowland, bem como outros eventos. Como você se prepara para cada evento? Em relação ao tempo para criar ou desenvolver um conjunto?
Eu sempre levo pelo menos 30 minutos antes de cada set de chill out, e se é um festival, então eu quero uma hora para relaxar. É importante para mim, para absorver a atmosfera da situação, a afundar-me na vibração da multidão, sentir a música que está tocando e obter-me no mesmo ritmo para que quando eu vou para o palco eu estou construindo sobre o que foi antes de mim e tomando a viagem ainda maior.

5-Como você recebeu o convite para se apresentar para o segundo , Sensation White no Brasil em 2012?
Tenho uma relação fantástica com os promotores do Sensation, ID & T, então quando eles me pediram para ser residência global, é claro que eu disse sim! Sensation tem me levado a algumas festas incríveis, o Brasil Sensation, claro, era incrível, ela sempre é!

6-Como surgiu o desejo de ser djs e produtor?
Eu sempre amei a música, mas eu comecei a tocar como DJ, quando eu ainda estava na escola, tocando em festas com meus amigos, e que cresceu a partir daí. O lado da produção de coisas veio me resolver gradualmente o som que eu queria jogar fora, e não encontrar tantas músicas que se encaixam com o que eu queria fazer. Então eu tive que começar a fazer meus próprios remixes de músicas, e como eu me tornei mais familiarizado com a forma como o hardware de produção trabalhou comecei a fazer a minha própria música. As coisas simplesmente saiu de lá.

7-Quais são as suas influências musicais?
Eu amo funk e pop, o material high end, pessoas como Michael Jackson e George Clinton, quando eu estava crescendo, eu simplesmente amei o sabor e ritmo que eles colocam em suas músicas. Ninguém poderia criar uma música pop da maneira Michael Jackson poderia, ele ainda está intacto até hoje.

8-projetos para o futuro?
Eu tenho cinco novas faixas na tubulação que será lançado no próximo meses, e, claro, turnês ao redor do mundo ocupa muito do meu tempo.

9-Você já conseguiu uma quantidade enorme desde que chegou ao estrelato em 2006. Como é que você pretende manter?
Eu só quero continuar a crescer como artista e permanecer fiel a mim mesmo e que eu acredito. Eu tenho opiniões muito fortes sobre como a música deve ser feita, a qualidade que deve entrar em produção assim enquanto eu ficar com o que eu acredito e estou feliz com o que estou fazendo, e estou sempre me esforçando para ir que pouco mais de cada vez, então é tudo de bom.

10-Como você define o seu som?
Meu som é muito house, mas pode atravessar em qualquer lugar entre a tecnologia mais minimal e electro sensação ao máximo no lado vocal das coisas. Eu não gosto de pombo buraco mas eu acho que há definitivamente um som “Fedde Le Grand ‘e bater que as pessoas se identificam muito facilmente na minha música.

11-evento que marcou a sua carreira? aquele que você lembra mais por algum motivo especial?
Eu acho que há muitas coisas que marcaram a minha carreira ao longo dos anos. Desde o meu primeiro sucesso com Put Your Hands Up For Detroit para meu remix de Paradise Coldplay, eo No Good remix, a sete anos para os níveis mais altos da música de dança, e ser capaz de jogar em todos os clubes incríveis e grandes festivais de todos mais para o mundo, uma honra incrível e um lote inteiro de diversão 

12 – Enviar uma mensagem para todos os fãs do Brasil, e aqueles que estaram lendo esta entrevista em seu site.
Muito obrigado por ter tempo para me apoiar ao longo dos anos, vocês realmente sabem como fazer uma festa e é sempre um enorme prazer visitar o Brasil e sacudi-la na pista de dança com você. Eu espero vê-lo muito em breve!

 

ENTREVISTA ORIGINAL (INGLÊS)

1-Hello Fedde le Grand, First thank you for taking the time for this interview. Shall we begin?
Thank you for having me!

2-you have stayed in Brazil, sometimes
and parents that you like?, Brazilian public and different from others?

I love coming to Brazil, I always find a really warm welcome whenever I’m there and for any DJ it’s a dream to play. Everybody loves to party, and everybody loves to dance, so for me it’s perfect! I think Brazilian people are very similar to people living in the south of Europe where the sun is always shining – it’s all about parties on the beach, parties in the heat, everyone wearing as little as possible – what’s not to love?

3-Already taking advantage of the question above When you return to Brazil?
It shouldn’t be too long, hopefully still this year!

4-You are ever present in the line up of Sensation White, Ultra Music Festival, and Tomorrowland, as well as other events. How do you prepare for each event? Regarding the time to create or develop a set?
I always take at least 30 minutes before each set to chill out, and if it’s a festival then I want one hour to relax. It’s important for me to soak up the atmosphere of the situation, to sink myself into the vibe of the crowd, to feel the music that’s playing and get myself in the same rhythm so that when I go onto the stage I’m building on what went before me and taking the journey even higher.

5-How did you receive the invitation to perform for the second time, Sensation white in Brazil in 2012?
I have a fantastic relationship with the promoters of Sensation, ID&T, so when they asked me to be their global resident, of course I said yes! Sensation has taken me to some amazing parties, the Brazil Sensation of course was incredible, it always is!

6-Where did the desire to be djs and producer?
I’ve always loved music, but I started out playing as a DJ when I was still in school, playing at parties with my friends, and it grew from there. The production side of things came from me gradually settling on what sound I wanted to play out, and not finding so many tunes that fit in with what I wanted to do. So I had to start making my own remixes of tunes, and as I became more familiar with how the production hardware worked I began to make my own music. Things just went from there.

7-What are your musical influences?
I love funk and pop, the high end stuff, people like Michael Jackson and George Clinton, when I was growing up I just loved the flavour and rhythm that they put into their music. No-one could craft a pop song the way Michael Jackson could, he’s still untouched to this day.

8-projects for the future?
I’ve got five new tracks in the pipeline which will be released in the next couple of months, and of course touring around the world takes up a lot of my time to.

9-You’ve already achieved a huge amount since you shot to stardom in 2006. How do you plan to keep ?
I just want to keep growing as an artist and stay true to myself and what I believe. I have pretty strong opinions about how music should be made, the quality that should go into the production so as long as I stick to what I believe and I’m happy with what I’m doing, and I’m always pushing myself to go that bit farther every time, then it’s all good.

10-How do you define your sound?
My sound is very much house but can cross anywhere between the more minimal tech and electro feel to the full on vocal side of things. I don’t like to pigeon hole myself but I think that there’s definitely a ‘Fedde Le Grand’ sound and beat that people can identify really easily in my music.

11-which event marked his career? one that reminds you more for some special reason?
I think that there are many things that have marked my career over the years. From my first success with Put Your Hands Up For Detroit to my remix of Coldplay’s Paradise, and the No Good remix, to seven years at the very highest levels of dance music, and being able to play at all the amazing clubs and great festivals all over to world, such an incredible honour and a whole lot of fun 

12- Send a message to all fans of Brazil, and those who estaram reading this interview on your site.
Thank you so much for taking the time out to support me over the years, you guys really know how to party and it’s always a massive pleasure visiting Brazil and shaking it on the dance floor with you. I hope to see you really soon!

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Ashibah: “O Brasil é o meu sonho e eu sempre conto os minutos até voltar”

Artista fala sobre relação com o Brasil, collab com o Mumbaata e abre detalhes do novo álbum

Nazen Carneiro

Publicado há

Ashibah
Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

A DJ, produtora e cantora egícpcio-dinamarquesa Ashibah está retornando ao Brasil para nova tour no início de outubro. Com o sucesso de sua última passagem pelo Brasil, em julho, e o lançamento do EP She Knows (ao lado do duo carioca Mumbaata) pela conceituada gravadora alemã Get Physical, a artista se aproximou ainda mais do público do país e tomou as pistas — e as rádios — com suas músicas fortes, profundas e muito dançantes.

Em meio ao intenso trabalho de estúdio do seu próximo álbum, Ashibah conversou com a Phouse sobre esse momento especial da carreira, sua relação com o Brasil, como rolou a collab com o Mumbaata, deu dicas de músicas e abriu detalhes sobre o seu próximo álbum. Confira na entrevista abaixo!


Suas composições e seu vocal são tão cheios de paixão pela música. E você tem essa versatilidade, que vai de Michael Jackson e Tracy Chapman a instrumentos musicais tradicionais egípcios. Por gentileza, conta pra gente o que você tem ouvido, e o que mais te influencia hoje?

Alguns dos meus favoritos recentes incluem “Kiss of Life”, da Sade, o remix de Dennis Ferrer para “The Cure and the Cause”, do Fish Go Deep, “Girl”, de The Internet, “For My Lover”, da Tracy Chapman, e “Can You Feel It”, do Mr. Fingers.

No meio disso tudo, afro house também tem se destacado. Nunca é o suficiente (risos) [no original, “I Just Can’t Get Enough”, um trocadilho com a música do Michael Jackson].

Recentemente você lançou o EP She Knows, junto com o duo brasileiro Mumbaata, pela gravadora alemã Get Physical Music, que é um dos selos mais renomados e respeitados em todo o mundo. Esse EP é muito forte e feito para a pista de dança, além de ter uma história completa para contar…

O lançamento desse EP pela Get Physical foi um dos destaques deste ano. Eu sempre tive o desejo de lançar por esse selo. Conheci o Mumbaata em uma festa no Brasil e combinamos que deveríamos fazer uma sessão de estúdio, e então eu fui ao Rio e nos encontramos. A vibe e a energia entre nós foi muito inspiradora, e fizemos tudo que eu queria. Quando o pessoal da Get Physical disse ter gostado, pensamos em fazer mais um som e criar um EP, e eles adoraram. Foi uma experiência incrível.

“Uma das coisas que eu amo no Brasil é a abertura das pessoas para ouvir algo novo. É o lugar perfeito para testar novas pistas, novas ideias e eu adoro isso. Os brasileiros são pessoas de coração, e eu acho que é por isso que eu os amo tanto: porque eu sou do mesmo jeito.”

Você tem uma relação muito especial com o público brasileiro, e sua última tour por aqui foi um sucesso completo. Comente alguns detalhes que você considerou especiais nessa tour.

Minha última passagem pelo Brasil foi algo para se registrar. Vocês sempre encontram novas maneiras de me surpreender. Uma das coisas que eu amo no Brasil é a abertura das pessoas para ouvir algo novo. É o lugar perfeito para testar novas pistas, novas ideias e eu adoro isso. Os brasileiros são pessoas de coração, e eu acho que é por isso que eu os amo tanto: porque eu sou do mesmo jeito.

O amor que recebo toda vez que eu toco me dá muito fôlego, sabe? As pessoas dançam, elas cantam e elas estão lá. No Park.Art, em Curitiba, por exemplo, eu toquei para quase 15 mil pessoas, e mesmo assim pude sentir a energia de cada um — cada pessoa com uma energia diferente, bonita e inesquecível. Todos os locais são especiais e marcantes, como as noites intermináveis da Privilège, em Búzios, onde a festa nunca para e o amor é infinito é alucinante. Como artista, isso é um sonho. O Brasil é o meu sonho e eu sempre conto os minutos até voltar.

Você tem tomado conta dos programas de rádio por todo o país. O EP com o Mumbaata chegou a tocar em oito Estados e teve, inclusive, estreia nacional no programa Dance Paradise, da Jovem Pan FM. Toda essa exposição foi estranha de alguma forma, ou você considera natural?

O maior desejo de todo artista é que isso aconteça. Criar algo que realmente vem do coração e sentir essa resposta imediata é algo que me mantém querendo criar mais e mais. Está fluindo de forma natural e sou muito grata por isso.

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Você ainda se sente nervosa antes de um show?

Sempre. Você tem que estar nervoso, porque você ama isso. E se você parar de ficar nervoso, talvez precise de novos desafios. São as borboletas [no estômago] que mantêm você em pé.

Ok! Agora essa pergunta é muito importante: qual a melhor bebida brasileira? (Risos)

Ah, não vale! Essa é difícil, foram muitas (risos), mas com certeza a caipirinha de maracujá na praia de Búzios, no lindo bar à beira mar do Brothers Groove, marcou bastante.

Foto: Divulgação

Você acha que o público brasileiro gosta mais quando você canta mais sexy ou aquele vocal forte e poderoso?

Eu acho que eles amam ambos. O público gosta dos contrastes.

Você está prestes a terminar seu novo álbum, certo? Estamos todos curiosos, e eu preciso que você conte mais sobre ele aqui na Phouse!

Meu álbum está saindo do forno já há algum tempo, e estou muito animada, claro, mas muito nervosa ao mesmo tempo. O que vocês podem esperar desse novo trabalho sou eu, em diferentes perspectivas. Adianto aqui que o álbum será dividido em três partes, com os três EPs. Será uma verdadeira jornada. Não posso revelar mais agora, mas tudo o que posso dizer é para esperar profundidade, vocais, emoções, força total e crocância (risos).

+ Mumbaata e outros artistas brasileiros revelam os bastidores da “Cocada”

Incluirá colaborações? Algum artista brasileiro?

Sim, com certeza. Posso adiantar que Mumbaata e Jean Bacarreza estarão nesse álbum. Também alguns artistas egípcios.

Você tem uma turnê brasileira confirmada para outubro. O que vem por aí?

Primeiro de tudo, mal posso esperar para voltar! Estou com um novo show e novos elementos ao vivo. Iremos nos apresentar em locais inéditos onde pretendo mostrar materiais em primeira mão para o público brasileiro curtir e se divertir muito comigo!

* Ashibah está de volta ao Brasil nesta semana, onde apresentará algumas de suas novas faixas. Veja as datas abaixo!

Ashibah
Arte: Divulgação

* Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Sócia do Caos, Eli Iwasa fala sobre curadoria, cena e sonho realizado

Celebrando a diversidade, casa recebe Modeselektor, Zegon e Mau Mau neste final de semana

Rodrigo Airaf

Publicado há

Caos Club
Eli Iwasa. Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

É em um galpão industrial completamente reformado em Campinas que acontece uma vastidão de apresentações antes pouquíssimo prováveis de rolar na região. Desde sua inauguração, em dezembro, abrindo no máximo duas vezes por mês e rolando por longas horas, o Caos reverberou uma jornada sonora das mais recompensadoras, trazendo desde nomes majestosos como Laurent GarnierCarl CraigChris LiebingSpeedy J Marco Carola, até nomes de grande destaque na atualidade, como Nina KravizReconditeANNA e Nastia. Por falar em artistas imponentes, foi lá a apresentação única da alemã Ellen Allien no Brasil — fato que vai se repetir com o gigante Dixon, em outubro.

Tendo como filosofia a diversidade tanto de público quanto de som — você pode encontrar numa mesma noite tanto a disco music de Eric Duncan quanto o techno pulsante de Tijana T, por exemplo —, há projetos como a Wolf, voltada ao público LGBTQ+, e a Groove Urbano, que fomenta o hip hop, ambos com histórico de eventos no Club 88 (do mesmo grupo que criou o Caos). Por esses eventos passam expoentes fora do circuito usual, entre eles Linn da QuebradaEmicida e Gabriel o Pensador.

Voltando aos beats eletrônicos, até mesmo Fisher, febre mundial da cena tech house mais comercial, apresentou-se no club na última semana, em uma noite explosiva em parceria com a festa paulistana Michael Deep.

Caos
Caos, em sua inauguração com Carl Craig, em dezembro de 2017. (Foto: Bill Ranier/Divulgação)

A próxima loucura que o Caos vai aprontar está logo aí, na madrugada de sexta para sábado: um after com ModeselektorZegon e Mau Mau, a partir das 04h. Pode ser maluco para alguns unir o poderoso e eclético duo alemão a um difusor da bass music e um pioneiro do techno brasileiro na mesma noite (tudo isso logo depois de uma festa de hip hop), mas não é maluquice para o Caos — e certamente não para sua sócia-fundadora Eli Iwasa.

É com ela que conversamos agora, para que nos ajude a entender o porquê de o Caos ter se tornado um projeto tão único e tão importante para o interior de SP em menos de um ano, além de explorar um pouco a proposta da casa através de sua visão e experiência de duas décadas no cenário eletrônico.

Caos
Eli Iwasa na cabine do Caos, que possui um amplo espaço ao redor do DJ. (Foto: Reprodução/Facebook)

Eli, o lineup do after que vai rolar no próximo sábado é curioso, e parece ser bem especial: Zegon, que é conhecido na cena bass; Modeselektor, duo gringo muito querido por quebrar barreiras de estilos musicais; e por fim, Mau Mau, deuso do techno que vem com um set de clássicos. Como e por que o lineup foi montado assim?

O Modeselektor é conhecido por não se prender a rótulos, por sua imprevisibilidade, então por que também não fazer algo fora do óbvio? Tanto o Zegon quanto o Mau Mau são artistas com uma baita bagagem musical, e pedi para cada um deles que fizesse um set especial para que pudessem mostrar um pouco a mais de suas próprias histórias.

O Zegon, além de ter sido DJ do Planet Hemp, faz parte do N.A.S.A. e do Tropkillaz, então pode ir do hip hop ao eletrônico, e tudo mais no meio, com a maior facilidade. Quando fechei o Modeselektor, a primeira pessoa que pensei em chamar para fechar a festa foi o Mau, fazendo um set de clássicos. Ele, que ajudou a construir tudo isso que temos agora, que tem um papel fundamental no desenvolvimento da música eletrônica no Brasil, e que também é figura central da minha própria história na cena, não poderia ficar de fora.

Em sua comunicação, o Caos deixa claros seus princípios de inclusão, posicionando-se contra preconceitos e barreiras sociais, convergindo diversos públicos. Como isso se traduz nos lineups da casa?

Quando começamos a pensar no que gostaríamos no Caos, resgatamos a ideia de como eram os clubs importantes em nossa formação, como o Lov.e e o Kraft. Uma das coisas mais significativas daquela época era justamente a mistura de públicos: o “playboy” e o “mano”, as “bees”, as trans, a turma do som e os que caíam de paraquedas, encarando seus próprios preconceitos e aprendendo na democracia que uma pista de dança deveria ser.

Aqui nem todo lugar é assim. O que parece absurdo pra muita gente é uma realidade na região. E queríamos reunir os amigos e clientes de universos backgrounds diferentes num só lugar. É um processo de aprendizado constante e um desafio também, porque Campinas ainda é uma cidade bem conservadora em muitos sentidos. 

Caos
“Sem sexismo, sem racismo, sem capacitismo, sem ageísmo, sem homofobia, sem gordofobia, sem transfobia, sem ódio”, diz banner instalado perto da porta. (Foto: Reprodução/Facebook)

Durante a fase embrionária do projeto, já havia a expectativa de reconhecimento em tão pouco tempo?

Nunca! Nem nos meus sonhos mais loucos (risos)!

O que tem por trás do trabalho de curadoria que o público em geral não vê?

Um grande desafio é alinhar a visão de uma casa noturna com o momento do mercado e com o que o seu público espera, e não deixar seu propósito se perder diante de todas as mudanças que a cena e seu próprio club sofrem ao longo dos anos. Lidamos com muita coisa no Brasil: alta do dólar, uma carga tributária gigantesca, a falta de apoio dos órgãos oficiais, e a toda hora precisamos nos lembrar por que escolhemos ter um club, pois nem sempre é fácil.

Tem muita festa acontecendo, a concorrência é grande e isso faz com que muitas agências de talentos acabem pedindo ofertas inviáveis ao produtor brasileiro. Ao mesmo tempo, estamos sofrendo com esse momento econômico e político no país, o que refletiu no ticket médio e na frequência com que as pessoas saem — muita gente gasta com cautela e escolhe uma festa no mês em vez de sair todas as semanas.

Do nosso lado, existe um cuidado ainda maior na hora de investir em um artista internacional, o esforço de não bater datas com outros eventos, e tudo isso reflete na curadoria: ora você se arrisca mais artisticamente, ora você toma decisões de resultados mais certeiros. 

A agência Muto é responsável pela comunicação audiovisual do Caos, trazendo vídeos conceituais a cada edição.

Então pra escolher os artistas, nem sempre a paixão fala mais alto?

Nossas decisões são bem emocionais. Pensamos muito na experiência e nos momentos que podemos proporcionar através dos clubs. Não é exatamente a maneira certa de gerir um negócio (risos), mas é a maneira que é certa para nós. Sempre fomos assim, muito intuitivos, com a paixão falando alto.

A experiência também permite que tomemos decisões certas mesmo sem fazer muitas contas, porque com o tempo você aprende o que funciona e o que não, quais dias são melhores para seu club… Muito importante falar também que manter-se atualizado com o que acontece na cena é fundamental; o público se renova constante e rapidamente, assim como estilos musicais e artistas.

Imagino que várias datas do Caos foram lindas e que seja difícil fazer uma escolha, mas em qual delas você realmente sentiu uma sinergia perfeita entre o lineup, a resposta do público, a conexão entre os artistas, e pensou: “o resultado está literalmente do jeito que imaginei”?

A inauguração do Caos fez muita gente chorar entre toda a equipe e público, porque sentimos que algo muito significativo estava acontecendo ali. Já sobre a noite com Laurent Garnier, pessoalmente, queria há anos booká-lo para algum dos meus clubs em Campinas, mas nunca sentia que era a hora. Quando abrimos, sabia que estávamos prontos para recebê-lo aqui, da maneira que ele merece.

Eu nunca vou esquecer o momento em que o Laurent entrou na cabine e o Toca, um dos meus sócios, veio até mim, super emocionado, porque só a gente sabe o tanto de dedicação que foi preciso para chegarmos ali e abrirmos a casa. A ficha caiu que tudo que vivemos e aprendemos nos trouxeram até aquele momento, com todos nós colocando nosso potencial em prática para fazer o Caos ser uma realidade.

Caos
O Caos é realmente para todos… Até mesmo pra Paçoca, filha da Eli Iwasa. (Foto: Reprodução/Facebook)

Como você enxerga a noite de Campinas em relação ao cenário nacional atualmente?

Vejo que o Caos e o Club 88, junto com o Laroc, que são nossos amigos e fazem um trabalho incrível, estão realmente fomentando a cena da região e a transformando em um destino para quem gosta de música eletrônica. Sempre existiu o fluxo de público de Campinas para São Paulo, e hoje, finalmente, existe também o fluxo de São Paulo, cidades ao redor, Sul de Minas para esses clubs.

Vale lembrar que esse trabalho não é de hoje. O interior de SP sempre contou com clubs muitos importantes, como Kraft e Anzu, além de festivais como Kaballah, Tribe e XXXPERIENCE, que realizam seus eventos por aqui.

Pra fechar, o que é um bom curador pra você?

Um bom curador é aquele capaz de traduzir a visão de um club ou evento através da música, dos artistas e das experiências que compartilha e proporciona.

Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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Entrevista

Em meio à turnê brasileira, Kolombo fala sobre sua relação com o país

Fã do Brasil, belga ainda passa por Warung Tour, Rio e El Fortin

Alan Medeiros

Publicado há

Kolombo
Foto: Reprodução

Olivier Grégoire é a mente por trás do projeto Kolombo. Mesclando batidas de house, disco e hip hop, este importante DJ belga conquistou os clubbers brasileiros logo em sua primeira passagem. A identificação com o nosso país foi tamanha que hoje o Brasil pode ser considerado a segunda casa de Olivier, dono de turnês recorrentes no país.

Os motivos que levam Kolombo ao patamar de um superstar da dance music por aqui são fáceis de serem compreendidos. Seu som é alegre, vibrante e projetado para o dance floor — tem tudo a ver com as pistas brasileiras. Além disso, ele segue se distanciando daquele perfil sério e carrancudo que muitos artistas gringos possuem; Grégoire é carismático e transmite uma energia boa quando está em ação. A cereja do bolo é a consistência que se mantém através dos anos, tanto em seu trabalho solo, quanto no que é desenvolvido frente à LouLou Records.

Neste fim de semana, Kolombo encerra mais uma turnê brazuca. Desta vez terão sido seis datas entre os dias 17 e 25 de agosto — com direito a uma gig na Argentina no meio disso tudo. Depois de tocar em Cuiabá (MT), Itapetininga (SP), São Paulo e Córdoba, o produtor segue para a Warung Tour Gramado (RS) nesta sexta, e encerra com duas gigs no sábado: uma no Bunker Festival, no Rio de Janeiro, e a outra na festa de 13 anos do El Fortin, em Porto Belo–SC. No embalo da turnê, encontramos o artista para um breve bate-papo:

Olivier, quando você pensa em Brasil, qual é a primeira coisa que vem à sua cabeça? De alguma maneira, sua relação com as pistas do país mudou a forma como você se conecta com a música?

O Brasil é muito especial para mim. A primeira coisa que vem na minha cabeça é a energia incrível do público. É bom porque me sinto confortável para testar tudo. As pessoas têm a mente aberta e o público é enérgico.

Você é um cara que possui um som muito verdadeiro. São claras as referências musicais que formam seu perfil sonoro: uma mistura de house, disco e hip hop. Ter um estilo próprio é uma das prioridades do seu trabalho?

Com certeza! Como você disse, eu tenho esse background forte que me fez construir minha identidade na música. Nunca pensei em prioridade, é apenas algo que vem naturalmente.

Neste ano novamente você volta à posição de headliner no aniversário do El Fortin. O que o público pode esperar de você nessa noite?

Bom, estou trabalhando em muita música nova, então como eu disse antes, a galera brasileira é o público perfeito para ver como as coisas novas funcionam. Toquei no ano passado no El Fortin e foi impressionante. Estou ansioso para essa.

Uma pergunta um tanto quanto especial: quais são suas atuais faixas preferidas para a pista?

Tenho tocado uma das minhas últimas produções, que não foi lançada ainda — funcionou muito bem na pista. Também faixas de Bontan e Claude VonStroke… Esse estilo de dub underground.

Pra encerrar: o que o Brasil tem de mais especial? Pão de queijo [risos]?

Não. Picanha para sempre [risos]!

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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