Plusnetwork, label de Tiësto e hidratação: por que o 2020 de Flakkë deve ser extra cremoso

Francisco Borelli conta como, de dezembro para cá, sua carreira vem atingindo novo patamar

* Edição e revisão: Flávio Lerner

O ano de 2019 foi sublime na carreira de Francisco Borelli, o cara por trás do Flakkë. Seu projeto foi um dos de maior ascensão e maior destaque ao longo do ano, colecionando collabs e lançamentos expressivos. O DJ chegou à marca de um milhão de ouvintes mensais no Spotify, catapultado principalmente pelo hit “Me Gusta”, com KVSH e Beowülf, que sozinho já alcançou mais de 13 milhões de streams.

Em dezembro, assinou com uma das maiores agências do mercado, a Plusnetwork, e de lá pra cá, entrou numa maratona de lançamentos: no dia 20, saiu a “Carousel”, collab com o Selva e a Luisah; em 10 de janeiro, foi a vez de “Sweet Munchies”, sua segunda música com o Cat Dealers; logo na sequência, no último dia 31, ainda veio a track autoral “Neurose”, pela HUB Records. E em seu calendário, ainda estão previstas mais collabs de peso nas próximas semanas.

Pra março, está programada a “Tiger”, com o JØRD, e em abril, a “Drop It”, com o Dubdogz — esta pela renomada Musical Freedom, gravadora do astro Tiësto, a pedido dele próprio. Essas faixas, aliás, também renderam para Flakkë o suporte dos DJs mais populares do Brasil: Alok, que já tocou a “Drop It”, e Vintage Culture, que tem incluído “Tiger” em quase todos os sets mais recentes. 

Com isso tudo, alinhado ao seu inegável carisma, fica fácil apontá-lo como uma das principais apostas da música eletrônica no Brasil para 2020. Após o melhor ano de sua carreira, Flakkë tem tudo para superá-lo e se fixar como um dos maiores artistas da cena nacional em 2020. Ele ainda tem planos para começar a cavar seu espaço na cena internacional — e tudo isso, claro, sem esquecer de se manter hidratado.

Conversamos com ele sobre esses e outros assuntos, em entrevista que você confere abaixo:

Flakkë
A essência do artista resumida em uma imagem. Foto: Divulgação

Em 2019, você foi um dos artistas que mais se destacaram na cena nacional. Quais foram os fatores que levaram a esse crescimento? O que você espera de 2020?

Eu acho que foi pelo fato de eu estar tentando fazer algo diferente e verdadeiro, tanto nas minhas músicas quanto nos shows e até os conteúdos humorísticos que posto em minhas redes sociais. 

O que ajudou muito também foi o fato de ter uma equipe para me auxiliar e planejar tudo, para que eu pudesse ficar cem por cento focado na produção de conteúdo, tanto musical quanto de vídeos e posts. Outra coisa que foi fundamental para meu projeto ter tido a exposição que teve em 2019 foi a “sorte” de ter acertado um hit, a “Me Gusta”, que fiz com meus amigos KVSH e Beowülf

Em 2020, eu espero na real continuar fazendo o que fiz, mas conseguir atingir mais gente, levar meu show para todos os cantos do país — e tomar mais água do que no ano passado.

Matheus Tavares escreveu na Phouse sobre como os artistas brasileiros de música eletrônica têm ganhado espaço na gringa. Você tem planos para a internacionalização do seu projeto? Quais são os principais desafios para isso?

Com certeza! Eu sempre fui muito ligado com o que rola na gringa e tenho planos para expandir para lá. Muita gente da França, Alemanha, Índia, Estados Unidos e Inglaterra acompanha meu som, mesmo eu só tendo lançado em gravadoras brasileiras. Uma das minhas metas é abrir espaço na Dharma Worldwide, a gravadora do meu ídolo KSHMR

Mas uma coisa muito legal que já aconteceu é que minha track “Drop It”, com o Dubdogz, vai ser lançada na gravadora Musical Freedom, do Tiësto, a convite do próprio. Então tenho muita esperança de conseguir lançar mais sons pelas labels gringas, apesar de estar já muito satisfeito e grato com o trabalho que tenho feito com as nacionais, como HUB Records e Youth Energy.

Os maiores desafios que vejo no caso é conseguir chamar a atenção dos A&Rs dessas gravadoras, visto que são as mais almejadas por todos os produtores do mundo — então imagino que devam receber umas cinco mil demos todo dia.

No seu antigo projeto, Gran Fran, o KSHMR era sua principal referência. Para o Flakkë, tem algum outro artista no qual você se espelha para produzir?

O KSHMR continua sendo a principal referência pra mim em vários sentidos. Mas eu tenho pego muita coisa do tech house, bass house, artistas como Cazztek, Chris Lorenzo, Chris Lake, RICCI, Jetfire e Murat Salman.

Mas acho que o que dá o toque especial nas minhas músicas são minhas referências fora do eletrônico. Ultimamente tenho ouvido muito música tradicional balcânica, música cigana, indígena e obras renascentistas. 

Você já trabalhou em estúdio com vários dos artistas mais destacados da cena nacional. Como o público costuma receber essas collabs? Vocês costumam trocar muitos conhecimentos no processo de produção? Qual a importância disso para o fortalecimento da música eletrônica no Brasil?

O público está recebendo muito bem! Inclusive minhas músicas de maior sucesso são collabs. Eu acho maravilhoso poder trocar conhecimento e unir forças com produtores tão talentosos como esses com quem eu fiz música, sempre é um processo muito divertido e enriquecedor. Cada um deles tem uma característica que os torna especial, eu aprendi muito com eles e sei que pude ensinar alguma coisa também! Isso é muito gratificante. 

Acho que a importância das collabs para o cenário eletrônico é que produtores de renome, como os Cat Dealers, fazerem música com um produtor até então desconhecido como eu, possibilita que o grande público conheça novos talentos que estavam escondidos em suas casas.

Flakkë
Foto: Divulgação

Explica um pouco mais para a gente como surgiu a oportunidade de lançar pela gravadora do Tiësto. Qual sua expectativa para esse lançamento?

Os caras do Dubdogz já tem contato com o Tiësto faz um tempo e já lançaram na label dele. A “Drop It” inicialmente iria sair pela Spinnin’ Records, mas os gloriosos Dubdogz mandaram a track como promo para ele, que amou e nos convidou a lançar pela Musical Freedom.

Eu aceitaria um convite do Tiësto até se fosse para tocar Legião Urbana acústico na calçada da Rua Augusta tomando pinguerante (pinga com tubaína na garrafa pet), então aceitamos de cara. 

Você acredita que ter Vintage e Alok tocando sua música pode promovê-la a um outro patamar perante o público?

Sim, exatamente por serem os DJs brasileiros de mais relevância e que possuem bastante influência sob o público. Ter as duas maiores estrelas do país tocando minhas músicas já é uma divulgação e tanto. Eu, quando comecei o projeto Flakkë, nunca imaginei que um dia eles tocariam minhas produções. Isso traz uma satisfação pessoal muito cremosa e gigante também.

Em dezembro, você assinou com a Plusnetwork. Como você acredita que a agência pode ajudar no desenvolvimento da sua carreira?

Já está ajudando e estou começando o ano com muito mais datas do que já tive na minha vida. Isso é maravilhoso porque agora sinto que é a hora de sair pelo Brasil mostrando o meu show e minhas músicas para o público.

Eu foquei muito na produção musical nos dois anos anteriores e agora montei um show que está tendo uma resposta excelente por todos os lugares que eu passo. A Plusnetwork é uma agência que tem muita experiência, bons relacionamentos e tem uma equipe muito competente, e que está muito animada em trabalhar comigo e me ajudar a realizar meus sonhos.

Fora que agora eu tenho alguém para pedir para o contratante deixar sanduíche de metro no camarim para mim, e isso é com certeza muito estupendo.

Matheus Mariano é colaborador da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

SIGA A PHOUSE:
INSTAGRAM | TWITTER | FACEBOOK | SPOTIFY

Share on facebook
Compartilhar no Facebook
Share on twitter
Compartilhar no Twitter
Share on whatsapp
Enviar no Whatsapp