Entrevista Flow & Zeo
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Dividir as tarefas da vida e de uma carreira profissional enquanto casal exige muita cumplicidade e parceria de ambas as partes. Marian Flow e Zeo Guinle estão na batalha juntos há mais de 20 anos, e nesse período venceram grandes desafios dentro e fora de casa. A conexão entre os dois é notável em cima dos palcos e, muito além disso, um fator determinante no sucesso conquistado pelo duo na última década.

Essa relevância a nível nacional e internacional, que já ultrapassa a barreira dos dez anos, deve-se especialmente à forma comprometida e engajada com que Marian e Zeo encaram os desafios de uma dura carreira na música. Juntos, eles tocam os projetos de produção musical no estúdio árvore, finalizado no começo de 2018, e viajam para todos os compromissos do projeto na pista — o companheirismo pode ser apontado como uma das palavras-chave dessa intensa jornada construída a dois.

Esse momento de transição de ano chegou acompanhado de uma série de conquistas importantes para o Flow & Zeo. Somente em dezembro, foram quatro lançamentos, por gravadoras que possuem uma representatividade forte na indústria eletrônica. Entre os destaques estão a faixa “Drink My Poison” pela Warung Recordings e um EP em parceria com o Nytron pela Warner Music. A nosso convite, Marian e Zeo responderam algumas perguntas sobre pontos importantes do atual momento do projeto. Confira:

Como vocês têm equilibrado a relação entre paixão e profissão que marca o relacionamento de vocês com a música?

Costumamos dizer que a música alimenta o amor assim, como o amor alimenta a música. Estamos juntos há quase 20 anos e desde o primeiro dia que nos conhecemos a música esteve presente e fez parte do que estávamos vivendo no momento. E seguimos assim… respirando música e agradecendo por poder compartilhar esse sentimento, e ainda ter isso como o combustível da nossa profissão.

Flow & Zeo é um projeto que acompanhou de perto diversas transformações do mercado nacional. Como vocês encaram as principais mudanças do nosso cenário nos últimos dez anos?

Estamos aqui por algum tempo (risos). Passamos por mudanças expressivas no cenário que fizeram parte da nossa evolução como pessoas e profissionais da cena.

Com certeza a tecnologia é um fator impactante, desde os equipamentos até os meios de comunicação, que influenciam diretamente as nossas vidas e nosso trabalho. Tudo mudou, foi praticamente uma revolução.

Acreditamos que as transformações sempre farão parte e temos que acompanhar essa evolução constante. Nos adaptarmos às novas ferramentas, mantendo as nossas raízes e essências musicais.

Como parte do casting de labels bastante expressivos na cena nacional e internacional, como vocês avaliam o atual momento do relacionamento entre artistas e gravadora na cena eletrônica?

Quando começamos em 1998, 1999, o acesso à música eletrônica no Brasil era limitado; aos poucos foram surgindo alguns selos. Naquele período, o relacionamento com os artistas era mais próximo. Nosso primeiro lançamento foi em 2005, na compilação do núcleo Lua Solidária, que realizava eventos eletrônicos beneficentes — até tivemos um clipe transmitido no programa AMP da MTV.

Em 2006, outro CD pela dinamarquesa Iboga Rec, e a partir de 2008 começamos a lançar pelo nosso próprio selo Tropical Beats, com foco na venda online através do Beatport, abrindo espaço para outros artistas também. Com o crescimento da cena, os estilos foram segmentando, o público consumidor aumentando, outros sites abrindo, o streaming entrando e atualmente a quantidade de gravadoras e artistas é imensa.

Existem algumas labels que, além de profissionais em todo processo, mantêm uma relação mais próxima com os artistas, o que achamos importante, pois há um profundo conhecimento e sentimento pelo que estão entregando. Claro que labels maiores têm mais investimento e acabam oferecendo um serviço melhor, mas dá para se fazer um excelente trabalho mesmo sendo pequeno.

Atualmente existem gravadoras com objetivos diferentes:

– As tradicionais e mais profissionais, que dão todo o suporte para o lançamento, se preocupam com a qualidade do material e buscam manter uma maior proximidade com o artista;

– Aquelas que lançam quantidade e se preocupam em faturar no volume. Com isso, acabam deixando a qualidade de lado;

– E as que os próprios artistas administram com o objetivo inicial de dar saída em suas produções e na de parceiros.

Nos três casos, o importante é o artista saber aonde ele quer chegar. Procurar gravadoras que tenham o perfil que está buscando e direcionar seu material para elas. Encontrando a gravadora que atenda suas expectativas, é essencial estabelecer um bom relacionamento com o A&R, afinal, ele que decidirá as músicas que serão incluídas no catálogo.

Percebo que o Rio de Janeiro é um fator muito importante na história de vocês. De que forma a cidade impactou o desenvolvimento do Flow & Zeo enquanto projeto musical?

Somos naturais do Rio de Janeiro e aqui demos início a nossa jornada musical em conjunto. Primeiros eventos, primeiras festas, festivais, residências, nosso estúdio, nosso lar, parceiros musicais. Daqui foram os primeiros passos para desbravar praticamente todo o Brasil e boa parte do mundo. Aqui no Rio plantamos a semente do estúdio árvore.

Só temos a agradecer a nossa cidade e ao nosso público local. A melhor forma de retribuir é nos mantendo ativos aqui: tocando, produzindo nossos eventos, noon, Level, Tasty, Raww X Room… Recentemente também assumimos uma residência quinzenal na Transamérica RJ FM. Estamos sempre por aqui, colaborando para fomentar a cena do Rio.

De uma forma geral, como funciona o processo criativo de vocês? Existe alguma tarefa ou função que vocês dividem de maneira mais clara ou tudo é feito meio que em conjunto?

Estamos juntos e misturados na maior parte dos assuntos, seja no processo criativo, plano de carreira, produção de eventos, gestão da gravadora, tarefas caseiras… Mas claro que nos dividimos em algumas funções, e deixamos fluir de acordo com as habilidades e percepções de cada um no momento.

No estúdio, o Zeo, se dedica mais na parte técnica, nos efeitos e arranjos, enquanto a Marian cria harmonias e toca guitarra, instrumento que temos inserido com frequência em nossas produções recentes.

Pra finalizar: Zeo, o que você mais admira no perfil artístico da Marian? Marian, o que você mais admira no perfil artístico do Zeo?

Zeo – Admiro muito como ela consegue ser criativa e sistemática ao mesmo tempo.

Marian – Admiro muito o cuidado que ele tem com os acabamentos e detalhes, pois realmente fazem a diferença.

* Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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