* Edição e revisão: Flávio Lerner

Natural de Curitiba, Henrique Oliveira, ou HNQO, tornou-se ao longo de quase uma década de carreira um dos mais notáveis produtores de música eletrônica do nosso cenário. Com obras autênticas e sem barreiras, prossegue lançando sons hipnóticos pouco mais de um ano após o lançamento do álbum The Old Door

O artista toca pela segunda vez no aclamado club Caos, em Campinas, nesta sexta-feira, dia 22, ao lado de Victor Ruiz, BLANCAh, Eli Iwasa, Boghosian, Rocksted e FractaLL. Às vésperas desta celebração, conversamos com Henrique sobre a forma de conduzir sua música e sua carreira no momento atual.  

Da última vez que conversei com você, você estava promovendo o ótimo álbum The Old Door, pela Kompakt, em 2017. O que mudou na sua carreira e na sua arte desde então?

Sim, foi um período intenso de dedicação ao álbum e todo o trabalho envolvendo o seu lançamento. Eu já sou ansioso, naquela época, então, estava ainda mais. Foi um marco legal em meus oito anos de estúdio. Lançar um full length sempre será um desafio prazeroso. Tirei alguns meses afastado da produção e agora vivo o período pós The Old Door, com foco em sonoridades mais compatíveis com os clubs.

Quais você diria serem os aspectos fundamentais para uma carreira consistente dentro da música eletrônica?

São tantos os focos entre os milhares de artistas na nossa cena. Alguns pela música, outros pela imagem e alguns pelo balanço entre as duas coisas. Eu sou mais apaixonado por música e peco bastante no aspecto social, mas tendo em mente que meu foco continua sendo aprimorar os trabalhos que faço no estúdio, creio que o caminho seja este. O ideal para cada carreira deve ser decidido por cada artista.

Foto: Image Dealers/Divulgação

Em setembro do ano passado, você lançou o High Five EP com uma vibe meio cósmica, citações a planetas e progressões robóticas. Já The Old Door tinha várias nuances de diferentes estilos e referências clássicas. Como você faz pra se inspirar e aprimorar sua própria identidade sonora a cada lançamento?

Às vezes eu considero como um problema a flutuação das minhas vontades no estúdio e também na seleção musical para os sets. Acabo me empenhando para seguir uma característica e, quando vejo, já estou em outra. Em contrapartida, penso que isso faz parte do caminho da minha formação musical e lá na frente todo esse vai e vem fará sentido. Eu não sei te dizer se estou inspirado no momento, mas sigo fazendo coisas que me empolgam. Acho que isso vem naturalmente, em conjunto às fases da minha vida, amigos, experiências e afins.

Sua presença nos maiores festivais e clubs, como Time Warp, Warung e TribalTech, acompanham uma credibilidade construída há muitos anos. Em quais lugares no mundo você ainda não tocou, mas deseja tocar um dia?

Eu ainda não fui para os Estados Unidos. Perdi uma oportunidade de tocar no DEMF, por falta de tempo hábil para levantar a documentação necessária para a viagem. Foi triste. Quero conhecer o Japão também.

Seu show no Caos, na próxima sexta, será em uma noite especial, focando apenas em artistas brasileiros, entre eles BLANCAh e Boghosian. Como você vê o cenário brasileiro nos dias de hoje, comparado a quando você começou a tocar?

O cenário é mais maduro, tanto em relação aos artistas quanto aos produtores de eventos, donos de clubes, labels, coletivos e a própria imprensa, que tem papel importante na propagação do movimento. Somos mais experientes agora.

Conta pra gente quais foram as descobertas musicais mais fodas que você realizou ultimente.

Saindo do óbvio, acho que vale a pena conferir o que Anomalie, Jacob Collier e Cory Henry estão fazendo para a música.

2019 apenas começou. Podemos ter alguma ideia do que você prepara no futuro próximo?

Tenho uma porrada de músicas novas para lançar!

ERRATA: HNQO já havia tocado no Caos, diferentemente do que dissemos em nossa publicação original.

Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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