25 anos de Infected Mushroom: trajetória, Rock in Rio e álbum novo

Durante sua última passagem pelo Brasil, o duo israelense foi entrevistado por Nazen Carneiro, para a coluna LIFT OFF

O duo israelense Infected Mushroom. Foto: Infinite Music/Reprodução

* Edição e revisão: Flávio Lerner

Como manter-se entre os principais artistas do mundo todo durante 25 anos? É com essa pergunta em mente que surgiu uma série de outros questionamentos para a entrevista com o Infected Mushroom, formado pelos israelenses Erez Eisen e Amit Duvdevani — o Duvdev.

Com quase um milhão de ouvintes mensais no Spotify e uma referência no psytrance desde antes do ano 2000, o Infected Mushroom é um verdadeiro tesouro da cena eletrônica. Sua discografia variada tem clássicos que permeiam gerações, como “Merlin” (2002), “Blink” (2003), “Becoming Insane “(2007) e tantas outras produções presentes em diversos EPs, singles e 12 álbuns lançados entre 1999 e 2018 — sendo o último deles chamado Head of NASA and the 2 Amish Boys, mesmo nome da última tour na qual passaram pelo Brasil, incluindo uma apresentação antológica no Rock in Rio.

O Infected Mushroom comandou um lineup que fez os fãs do psytrance ficarem orgulhosos ainda mais por poderem assistir e curtir seu estilo favorito ao vivo pela televisão. Aliás, obrigado e parabéns ao Canal BIS, vocês estão vendo o óbvio: a música eletrônica é de massas e o psy tem ampla base de fãs no Brasil e no mundo.

Os “cogumelos infectados” também têm uma versão banda, a qual estará presente na tour de 25 anos do grupo que acontecerá ano que vem, já com datas confirmadas pela Infinite Bookings, agência do artista, para o Brasil.

Para saber mais de tudo isso, a coluna LIFT OFF bateu um papo exclusivo com Erez e Duvdev, que se mostraram cheios de energia e prontos para mais 25 anos de música — e também muita comida boa.

Por favor, comentem três fatos que marcaram a carreira de vocês.

Com certeza, três destaques em nossa carreira são: duas vezes no Top 10 da DJ Mag; tocar na praia para mais de cem mil pessoas no Rio de Janeiro; e iniciar nossa própria linha de plugins para softwares de produção musical — a resposta do público tem sido bombástica e trata-se de um novo capítulo para o Infected Mushroom.

 Já que começamos quebrando tudo, que tal quebrar o gelo? Contem algumas histórias engraçadas que já rolaram com vocês.

Não sei se essa é propriamente engraçada, mas uma vez no Brasil o palco cedeu completamente! Todo o nosso equipamento caiu no chão e nossa equipe teve que se virar para arrumar tudo de volta. A multidão ficou enlouquecida. Amamos o Brasil.

Em outra vez, chegamos ao local do show e nossa estrutura era de metal e não passava pelas portas. Tivemos que cortar com uma serra e depois fundir novamente dentro do local. Nós gostamos de um trabalhinho a mais (risos).

E esta é demais: estávamos na China e no meio do set sete caras pelados emergiram do chão da pista e começaram a fazer go-go dancing. Nós estamos acostumados com dançarinas, mas aquilo foi um choque (risos). Não paramos de rir o set inteiro, foi demais!

Infected Mushroom
Infected Mushroom no palco New Dance Order, do Rock in Rio. Foto: Gui Urban/Divulgação

Vocês têm uma história pra contar — aliás, vocês são a história a se contar no psytrance. O que faz o Infected Mushroom permanecer no topo depois de tantos anos?

Fazer música e estar em turnê é o nosso equilíbrio. Juntando, nós dois temos sete filhos. Somos afortunados em ter esposas que nos apoiam e compreendem a importância da nossa paixão.

Amamos comida e viajar nos permite comer muita coisa boa! Isso é com certeza também uma motivação. Se pudéssemos fazer nosso show por holograma nós faríamos, mas viajar nos permite ver em tempo real a reação dos fãs ao nosso trabalho de estúdio e isso é realmente recompensador.

Ainda bem que vocês não estão nessa do holograma — ainda (risos). Do Infected Mushroom de 2002 para o de 2019, o que mudou mais?

Obviamente nosso som evoluiu, mesmo que tenhamos sempre mantido nossa assinatura no estilo. Nós também somos adultos agora, fomos inspirados por cada país que visitamos, assim como pelos artistas que surgiram na última década.

Dessa forma, nossas experiências acabam sendo carregadas para dentro do estúdio. Outra coisa é que desenvolvemos diversos tipos de set e produções de palco através dos anos. E nós temos famílias agora, então tivemos que desenvolver maneiras de sermos mais eficientes ao longo dos anos.

E essa assinatura permanece a mesma…

Exato! Nós temos uma assinatura no som. Seja fazendo downtempo, trance, breaks ou electro, você sempre nota o Infected na música. Continuamos dois garotos sentados criando música, continuamos Yin e Yang.

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A cena psy cresceu em todo o mundo e ganha novos fãs a cada dia. Como vocês veem este momento da cultura trance?

A gente tem orgulho desse estilo ao qual fazemos parte há tantos anos. Existem tantos artistas incríveis e também tantas festas alucinantes… É ótimo ver espalhado por aí tantas plataformas para a cena trance.

As crianças da EDM estão crescendo e começando a descobrir outros estilos de música eletrônica. Nós ficamos felizes em prover essa base confortável para que essa nova geração conheça ainda mais.

“Before I change again… remind me the story.” Como vocês surgem com essas letras insanas? Quem se envolve mais nessa parte?

Muitas vezes — na verdade, na maioria das vezes — é apenas o Duvdev sendo o criativo maluco que ele é! Outras vezes colaboramos, como quando trabalhamos com Jonathan Davis do Korn, e até mesmo com a esposa do Duvdev, que também escreveu algumas letras.

Infected Mushroom
Infected Mushroom no palco New Dance Order, do Rock in Rio. Foto: Reprodução

O Rock in Rio é um dos maiores e mais famosos festivais do mundo, e vocês comandaram a noite do psytrance no palco New Dance Order. Foi muito foda, né?

Foi uma honra gigantesca! O lineup foi lendário, e fazer parte dele quer dizer muito para nós. A pista estava insana, sinal que fomos bem recebidos, o que nos deixa muito felizes.

Quando vimos o Iron Maiden no palco do Rock in Rio, pensamos: estamos novos ainda, temos muita estrada pela frente.

A galera reagiu bem, mesmo! Aliás, os ravers brasileiros sempre curtiram vocês. É uma relação especial que vem desde os primórdios, certo?

Sim, temos uma base grande de fãs no Brasil. Recebemos muitas mensagens e alguns deles, inclusive, viajaram aos Estados Unidos para acompanhar a nossa turnê. Ficamos muito felizes em como a “família de cogumelos” cresceu e continua dedicada. Obrigado!

Infected Mushroom
Infected Mushroom no palco New Dance Order, do Rock in Rio. Foto: Reprodução

O próximo álbum celebrará os 25 anos de carreira. Vocês recentemente comentaram que algumas colaborações especiais vão rolar. O que mais podem contar sobre?

Sim, é verdade. O novo álbum chega em fevereiro de 2020 pela Monstercat e contará com nove faixas psicodélicas, incluindo colaborações com Astrix, Bliss, Freedom Fighters, White Noise e Mr. Bill.

É muita música para as pistas, com diferentes abordagens em cada faixa. Estamos bem empolgados com esse álbum, que está cheio de materiais fresquinhos. Mal podemos esperar para anunciar o nome… Mas vamos segurar mais um pouco!

* Nazen Carneiro assina a coluna LIFT OFF na Phouse.

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