Pedro Poyart fala sobre Mumbaata e carreira solo

Músico conversou com Danilo Bencke para a coluna da AIMEC

Mumbaata. Foto: Rodrigo Simões/Divulgação

* Por Danilo Bencke

** Edição e revisão: Flávio Lerner

Formado por Lennox Hortale e Pedro Poyart, o Mumbaata é considerado um dos projetos mais conceituados na dance music do Brasil. Com um live enérgico e envolvente, eles sequenciam ao vivo suas produções, com Pedro tocando suas melodias nos sintetizadores e Lennox na bateria eletrônica.

Em pouco tempo ganharam destaque com suas produções refinadas e performances de alta qualidade técnica e sonora. Boa parte do conceito é um cruzamento de música para pista com influências que vão desde as culturas africana e brasileira a gêneros incomuns para o eletrônico, como o jazz. A dupla recebeu o Prêmio Rio Music Conference 2017 de produtor revelação, e no mesmo ano foi atração do Rock in Rio e do Universo Paralello.

Pedro Poyart é produtor musical, engenheiro de som, DJ e tecladista, formado em Engenharia de Som pelo SAE Institute Barcelona e IATEC, e em Música & Tecnologia pelo Conservatório Brasileiro de Música (CBM). De 2013 a 2015, fez parte do projeto de deep house JPhilipps & Joint, com lançamentos em labels de Brasil, Itália, EUA e Espanha. Atualmente, também é residente da festa A BUSCA, integra a label/produtora TIME FORTE e faz parte do time de professores da AIMEC no Rio de Janeiro.

Lennox Hortale é DJ desde 1994. Começou sua carreira como produtor musical em 2000 e desde então vem produzindo músicas, trilhas sonoras, vinhetas de rádio e remixes, além de ter lançado em grandes gravadoras — Get Physical, Armada, Kassete e Mr. Mistery são alguns exemplos. Lennox já se apresentou em alguns dos principais festivais, eventos e clubes no Brasil, na Alemanha e nos EUA, como Lollapalooza, RiR, SWU, Planeta Atlântida, Creamfields, Universo Paralello e XXXPERIENCE, tendo a oportunidade de tocar ao lado de artistas como Anthony Rother, Crystal Method, Giorgio Moroder, Sasha e Underworld.

Como Mumbaata, cada lançamento demonstra a criatividade e riqueza de conhecimento e experiência dos dois artistas. O último foi “Disco Will Never Be Gone”, pela label americana Proper House Music — uma celebração à música disco e a sua influência na música moderna.

Para saber mais sobre esta e outras novidades, troquei uma ideia com o Pedro Poyart, que contou um pouco mais dessa história e falou também sobre sua carreira e seus projetos paralelos. Confira abaixo:

Recentemente o Lennox se mudou para Montreal, no Canadá. Como está sendo o Mumbaata na América do Norte?

Desde que ficou certo que o Lennox ia passar 2019 no Canadá, começamos a pensar uma forma para que tanto eu no Brasil como ele na América do Norte conseguíssemos fazer o Mumbaata live.

Adaptamos a performance para cada um, e assim o Mumbaata segue firme e forte. Por lá já rolou o live em Nova Iorque e Miami, e no Brasil em Manaus. A próxima apresentação será em Toronto.

Como está sendo o desafio de produzir à distância?

Como sempre produzimos juntos no estúdio, essa nova experiência está sendo um pouco mais desafiadora. Mas com a ajuda da internet, conseguimos mandar as sessões e os áudios de um para o outro, e assim a coisa vai andando. Não é a mesma dinâmica, pois fica mais complicado um interferir no que o outro esteja fazendo, mas dá para trabalhar.

A última track de vocês, “Disco Will Never Be Gone”, foi lançada em vinil, e existe toda uma história por trás disso. Fale um pouco sobre esse lançamento.

Conhecemos o pessoal da Proper House Music através de nossos amigos Flow & Zeo. Mostramos alguns sons e eles acharam muito legal esse nosso som mais disco, e propuseram que fizéssemos literalmente um disco!

O contexto é a Disco Demolition Night, evento infame que ficou para a história ao levar 50 mil pessoas ao estádio Comisky Field, em Chicago, comandadas pelo jornalista Steve Dahl para queimar vinis de disco music, o que culminou em um tumulto em pleno campo de futebol que levou 39 pessoas presas e danos materiais ao estádio — tudo isso há exatos 40 anos.

O evento, que como pano de fundo demonstrava a intolerância a um gênero musical libertário para as minorias, tornou-se fatídico para a época e causou imenso barulho na comunidade da dance music, mas no fim das contas não foi suficiente para silenciar um dos estilos musicais mais marcantes da história. Com essa mensagem, chamamos o EP de “Disco Will Never Be Gone” (“a disco nunca irá embora”), contando também com remixes de Flow & Zeo, Diego Mey, Leuroy e Jordi Iven.

+ CLIQUE AQUI para ler mais sobre a Disco Demolition Night

E quanto ao seu projeto solo, que você mantém além do Mumbaata?

Tanto eu como o Lennox já éramos produtores antes de formarmos a dupla. Acho que é uma forma de nos expressarmos através de outra estética. 

No ano passado tive um lançamento com o Felipe Fella pela Delicious Recordings, e neste ano, dois sons com o Althoff, produtor de Curitiba. O primeiro, “Medusa”, saiu em um V.A. pela Omeni Records do Rancido, e em julho “Amazonia”, que está no EP com o mesmo nome pela Dantze Records, ambas da Alemanha. Mas acredito que mesmo em nossos trabalhos solo sempre estaremos levando o Mumbaata junto — não tem jeito (risos)!

Quais são os planos para o futuro?

O plano é seguir produzindo e lançando sons novos, sempre buscando colocar as características marcantes do Mumbaata, que é tentar trazer alguma coisa das nossas raízes afro/latinas.

Temos planos também de apresentar nosso som para toda a América do Norte e quem sabe outros lugares também, como outros países da América Latina e Europa.

Danilo Bencke assina a coluna da AIMEC na Phouse.

Share on facebook
Compartilhar no Facebook
Share on twitter
Compartilhar no Twitter
Share on whatsapp
Enviar no Whatsapp

Quer aprender a produzir a sua própria música?

Compre agora o curso Make Music Now com 10% de desconto na inscrição e soundbank do Studio Tronnic para Sylenth1 grátis!.
ADVERTISEMENT