“A indústria é implacável, mas me abriu portas que eu nem sabia que existiam”; Nicky Romero fala com a Phouse

No Brasil para uma miniturnê de três datas, o astro holandês respondeu a perguntas sobre o país, Avicii, saúde mental e ciclos na música
* Com colaboração, revisão e edição de Flávio Lerner

Conforme anunciado recentemente pela Phouse, Nicky Romero fará uma minitour com três gigs no Brasil neste final de semana. Nos últimos tempos o artista voltou a produzir tracks de big room e EDM, estilos que o consagraram no início da carreira com hits como “Toulouse”, “I Could Be the One”, “Legacy”, e “Let Me Feel”.

Este ano, o DJ, produtor e proprietário da Protocol Recordings já lançou collabs com grandes nomes da cena mainstream, como David Guetta e Dimitri Vegas & Like Mike. Sua faixa “Love You Forever” foi um dos maiores hits do verão europeu, e “Sometimes”, com Dallask e XYLO, o fez voltar ao topo das paradas nos Estados Unidos. 

Nick Rotteveel (seu verdadeiro nome) também era um amigo pessoal de Avicii, desde que trabalharam juntos no hit “I Could Be the One”, de 2013. Naturalmente, a morte do sueco afetou profundamente Nicky. Por e-mail, o holandês de 30 anos falou com exclusividade à Phouse sobre este e outros assuntos. Confira:

Você já esteve no Brasil muitas vezes, certo? Como é o seu relacionamento com o nosso país? Como você vê a evolução da nossa cena eletrônica em comparação com outros países?

O Brasil é um dos meus lugares favoritos do planeta. As pessoas são muito amigáveis ​​e gentis e eu sempre fico feliz quando vejo que estou voltando para tocar para os fãs. A cena eletrônica realmente explodiu no Brasil e a energia é sempre extremamente alta nos festivais e clubes. Sinto que a celebração da música é inerente à cultura brasileira, e me causa um grande impacto quando estou tocando. Alguns dos meus sets favoritos de todos os tempos foram feitos no Brasil.

Sua última collab com o David Guetta, “Ring the Alarm”, tem alguns arranjos de samba, certo? Como surgiu essa ideia? Você tem um grande conhecimento em música brasileira?

Nós nos inspiramos em nossas viagens pela América Latina e tentamos incorporar a vibração e os sons que vemos e ouvimos. Você percebe isso nos padrões de bateria e nos samples usados na faixa. Queríamos fazer uma faixa com a qual nossos fãs se identificassem, e que cruzasse culturas.

Desde a morte trágica de Avicii, muitos artistas da cena têm cancelado gigs ou pausado suas carreiras para cuidar da saúde mental. Você mesmo disse em 2015 que tinha problemas com ansiedade. Estamos em um momento decisivo em relação a essa maneira de trabalhar na indústria? Como fazer turnês, produzir, se apresentar à noite e manter-se mental e fisicamente saudável?

Ter um tempo para descanso e recuperação é extremamente importante. Sempre haverá um motivo para fazer isso ou aquilo — outro show, outra viagem, etc. Temos que encontrar um equilíbrio e ter tempo para viver a vida fora do trabalho e da turnê.

Sei que tenho a sorte de viajar pelo mundo e fazer o que amo, mas isso não tira o impacto que a agenda agitada e as viagens têm na minha mente e no meu corpo. Eu acho que é importante reconhecer isso e focar em manter a saúde e um senso de identidade fora dos negócios.

Como amigo pessoal do Tim, vocês conversaram sobre isso? Você viu algum sinal do que ele estava passando?

Sim, conversamos sobre nossas experiências com estresse, ansiedade e os altos e baixos que esta vida pode criar. O Tim sempre mostrava uma fisionomia forte e eu sentia como se ele estivesse enfrentando as dificuldades da mesma maneira que eu.

Quando conversamos pela última vez, ele parecia estar em um momento realmente positivo e criativo. Eu gostaria que tivéssemos sido capazes de falar novamente antes de sua morte — constantemente penso se não poderia ter dito algo para salvá-lo.

Você acredita que a indústria da música é cruel com seus artistas?

A indústria da música é competitiva e implacável, mas abriu portas para mim que eu nem sabia que existiam, e me permitiu alcançar muitos dos meus sonhos.

Seus últimos lançamentos parecem colocá-lo de volta no estilo musical que lhe deu estrelato no início da carreira. Você acha que o big room está voltando a ser tão grande quanto antes? Como você se sente sobre esses ciclos na cena musical?

A música é sempre um ciclo. Eu tento manter minhas raízes, além de expandir meus horizontes e experimentar diferentes gêneros e colaborações. Minha evolução musical sempre continuará, mas nunca esquecerei por onde comecei.

Matheus Mariano é colaborador da Phouse.

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