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Entrevista com Repow

Phouse Staff

Publicado em

23/10/2013 - 15:46

O brasileiro teve sua track tocada por Hardwell, que foi recém eleito o melhor DJ do mundo.

repow cr2 records spinnin dpm

Nosso convidado de hoje vem de Curitiba, ele que pode (e deve) ser considerado um prodígio brasileiro, já teve sua produção de  “From Zero To Hero” espalhada pelos cases de diversos DJ’s mundiais, suas tracks foram vistas circulando pelo México e até em Ibiza, o que levou  também ao radioshow do holandês Hardwell,  o mestre que recentemente recebeu o titulo de “MELHOR DJ DO MUNDO” pela votação da revista DJMag.

O curitibano também tem lançado músicas nas maiores gravadoras do mundo, entre elas a famosa Spinnin Records e a Cr2 Records, do ilustre MYNC.  Agora vamos deixar de blá blá blá e vamos começar logo isso (rs)…

(P) Luckas Wagg –
Pra dar partida ao nosso bate-papo vamos por onde tudo começou, conte nos um pouco sobre o inicio de sua carreira, de onde surgiu a ideia e o interesse de entrar para o mercado da música eletrônica.

(R) Repow –
Antes de mais nada obrigado à Ponto House pela oportunidade da entrevista. Tudo começou com uma ideia insana de começar um curso de DJ, que por sinal era MUITO caro para a minha condição financeira daquela época. Eu não sei que que me deu que eu fui com tudo e me interessei ao máximo. Antes de começar o curso eu já comecei a pesquisar um monte, assisti diversos tutoriais no Youtube e por aí foi. Me formei, me destaquei de diversas formas possíveis, me abracei e me arrisquei nessa carreira, e to aí até hoje! Descobri a maior paixão da minha vida.

(P)  Luckas Wagg –
Sabemos que em um mercado tão competitivo muita coisa se dificulta para novos artistas e até mesmo para quem já tem um bom tempo de carreira, nos seus 04 anos de estrada, você enfrentou alguma dificuldade? Conte-nos.

(R) Repow –
Eu ainda enfrento, acho que todos enfrentam. Fatores financeiros, emocionais, familiares já me dificultaram bastante. O fato de eu ser novo/jovem também ainda atrapalha. As pessoas têm a maldita mania de relacionar isso com experiência. Elas precisam entender que experiência não se baseia apenas no tempo mas também no talento e potencial. Vivemos num mercado difícil, como todos os outros. Confesso que a cada dia que passa eu descubro cada vez mais coisas ruins nesse meio, e isso vai me desanimando. Entretanto não fico lamentando, prefiro me adequar ao meio, trabalhar, produzir e vamos em frente.

(P) Luckas Wagg –
 E as facilidades?

(R)  Repow –
Nenhuma, nenhuma mesmo. Nada foi fácil para mim e acho que nunca será. O que é bom, dá um prazer a mais.

(P) Luckas Wagg –
Ficamos impressionados com a qualidade das suas produções, que podem até mesmo serem comparadas com tracks de grandes artistas mundiais,  você aprendeu a produzir sozinho ou fez algum curso?

(R)   Repow –
Muito obrigado. Eu comecei sozinho, me empenhando muito num processo lento e gradual. Quando eu aprendi tudo o que consegui via internet, procurei dois cursos e fiz. O curso básico me ajudou tanto que eu voei mais alto e, quando fiz o curso especializado, eu senti que não estava agregando em nada e resolvi parar. Porém confesso que tenho muito interesse em realizar mais cursos, não só de música eletrônica mas música no geral.

(P)  Luckas Wagg –
Como foi ver sua track sendo tocada pelo MELHOR DJ DO MUNDO? (Hardwell)

(R)   Repow –
Sem palavras. Na época ele ainda era o Sexto melhor do mundo, mas pra mim já era o melhor. Além de ser o melhor dj do mundo agora, é o meu maior ídolo e minha inspiração, sempre foi. Foi algo que mudou minha carreira e abriu muitas portas.

(P) Luckas Wagg –
E a EDM no Brasil? Como você descreve?

(R)   Repow –
Complicado. Tem crescido muito e vai crescer muito mais, somos um país que estamos cada vez mais nos inspirando em fatores do exterior e isso é bom. Isso nos ajuda a aprender. Temos o fator underground x mainstream muito disputado, com djs e formadores de opinião falando muita besteira e faltando com respeito. Os clubs tem melhorado muito na formação de line-up e de contratações de qualidade. Porém ainda rola muita nojeira por aí… Djs fakes tocando, Artistas que se julgam artistas mas não passam de uma mera figura influenciada por management, agencias e ghosts producers… toda aquela coisa que estamos cansado de falar. A mudança começa a partir de vocês como clientes. Tomem cuidado com tudo o que vocês lêem e escutam por aí. Contudo eu creio que estou relativamente satisfeito com a EDM no Brasil, se você se dedica, você consegue, existem meios para você começar a trilhar seu caminho e existe gente disposta a ajudar muito.

(P) Luckas Wagg –
Quando li seu nome artístico pela primeira vez eu fiquei bem curioso, achei um nome bacana e marcante. Qual o significado desse nome para você, de onde surgiu?

(R)   Repow –
Muito obrigado. Isso que você falou é o principal fator que eu escolhi esse nome. Ele vem e lembra “repolho” haha mas também tem um jogo de “Power” com as letras em sequencia diferenciada. O fato de eu ter procurado no google e em diversas mídias sociais que não existia nada parecido com “Repow” ajudou. Essa é uma dica de ouro para pessoas que estão decidindo seu nome artístico. Procure na internet se existem coisas parecidas com o seu nome para poderem te encontrar fácil.

(P) Luckas Wagg –
Quais são as suas influências musicais, dentro e fora da música eletrônica?

(R)   Repow –
Trance e electro mesclados em 128/130 bpm sempre foi minha área. Artistas como Hardwell, Nicky Romero, Showtek, Gregori Klosman, Alesso, Calvin Harris e muitos outros, são minhas referências. Fora da música eletrônica eu gosto bastante de Rock, Pop Rock. Ainda sou cravado naquela época do auge da MTV com Linkin Park, Sum 41, Slipknot, etc… Ouvir este tipo de música ainda me dá muitas ideias.

(P) Luckas Wagg –  
Já estamos quase no fim do ano de 2013, quais os seus planos para o próximo ano? Algum novo projeto?  O que o público pode esperar de você?

(R)   Repow –
Este ano estou um pouco mais sossegado, com cartas na manga para começar 2014 com tudo. Muitas produções novas e diferentes, nada seguindo uma rotulagem. A galera pode esperar muita música surpreendedora, dançante e forte. Se tudo der certo as gigs crescem em 2014 e quero mostrar meu talento discotecando, o que na minha opinião, é maior do que produzindo.

(P) Luckas Wagg –  
Vimos em seu release que você faz parte de um dos  mais importantes castings do Brasil, liderada pela “Plustalent”, conte-nos um pouco sobre sua relação com a agência, como surgiu o convite e até mesmo um pouco sobre a experiência de ser agenciado por um dos maiores grupos do Brasil.

(R)   Repow –
Ainda estou trilhando meus passos na agência, conhecendo muita pessoa boa e de influência no mercado, o que me deixa feliz. Fui muito bem recebido, converso com muitos produtores nacionais que eu nunca tinha ouvido falar e que têm muito talento. O convite surgiu por uma soma de coisas, mas creio que as produções já realizadas, um remix que fiz para o Marcelo Cic que lançou na Cr2 (por sinal fiz esse remix em 12 horas numa correria danada, mas valeu a pena e me deu oportunidades) foram os fatores essenciais.

(P) Luckas Wagg –
Pra finalizar agradecemos a você pelo seu tempo e deixamos o espaço aberto para futuros projetos que você venha a lançar ou até mesmo comentar aqui em nossa revista.

(R)  Repow –
 Eu que agradeço. Valeu!

(P) Luckas Wagg –  
Mas e quem quer conhecer mais sobre o Repow?  Deixe suas declarações finais sobre a entrevista e suas redes sociais para a galera que quiser seguir e conhecer mais sobre você.

(R)   Repow –
Obrigado à todos que leram a entrevista, a todos que me apoiam e que torcem por mim. Desejo muita força de vontade a todos os produtores nacionais, vamos representar porque essa cena ainda tá tomada por muita nojeira! Quem quiser conversar, trocar uma ideia ou tirar alguma dúvida, sempre estou a disposição no Facebook.

www.facebook.com/repowofficial

www.soundcloud.com/repow

www.youtube.com/djrepow

www.twitter.com/repow

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Entrevista

Adam K: “Se você trabalhar duro o suficiente e tiver um pouco de sorte, seus sonhos se tornarão realidade”

Produtor veterano virou destaque no cenário brasileiro depois de parceria com o Vintage Culture

Phouse Staff

Publicado há

Adam K
Adam K com o Vintage Culture. Foto: Divulgação
* Por Toni Gobatto
** Edição e revisão: Flávio Lerner

Adam K é uma das pessoas mais comentadas na música eletrônica brasileira atual — tudo isso por causa da sua sólida parceria com o Vintage Culture. “Pour Over” foi lançada recentemente através de uma parceria entre os dois e, futuramente, outras tracks ganharão vida pela mão da dupla.

Antes disso, entretanto, o produtor canadense de 38 anos traz uma bagagem de muitos sucessos, como o hit “Twilight”, com Soha, que atingiu o primeiro lugar no iTunes Dance do Canadá e dos Estados Unidos em 2008 — resultado alcançado também com “Raining”, lançada em 2010. Em 2012, mostrou sua versatilidade ao bater o primeiro lugar do chart de trance do Beatport com “Tomahawk”, que saiu em parceria com BT, via Armada Music.

   “Twilight” foi lançada em 2007, via Rebirth

Adam K se tornou uma referência em produção musical; sua visão, paixão pelo que faz e técnica aguçada o mantém como um profissional de alta visibilidade no mercado da música. Ele também é fundador da Hotbox Digital, label responsável desde 2007 por mostrar novos talentos da house music no Canadá.

Agora, em contato com a Phouse, o artista fala conta mais sobre sua trajetória, relação com o Vintage e o Brasil, artistas em que está de olho e fecha tudo com um conselho valioso para quem sonha em ser um produtor de sucesso. 

Já “Tomahawk” foi ao mundo em 2011, pela Armada

Há quanto tempo você está no mercado musical, e como começou a produzir?

Eu componho desde os 15 anos de idade, mas só passei a trabalhar com música aos 21. Comecei produzindo depois de ir a uma rave de drum’n’bass em 1995. Depois da festa, eu voltei para casa e perguntei ao meu amigo Nynex, pelo IRC (plataforma onde o deadmau5 cunhou o seu nome artístico), como ele produzia música. Ele me passou dois programas: Rebirth e FastTracker 2. Eu comecei e nunca mais parei.

Quantas vezes você já esteve no Brasil, e o que você mais gosta no país?

Eu já vim ao Brasil umas 15 vezes, e toda vez que venho, fica melhor. As pessoas são receptivas e a comida é uma perfeição. Eu também tenho lembranças da minha festa favorita, produzida pelos meus amigos — a Kaballah em Curitiba. Eles mantiveram a festa aberta por duas horas a mais para eu poder continuar tocando. Foi um dos eventos mais incríveis que já fui no país.

Pela sua própria Hotbox Digital, “Into The Light” é um dos singles mais recentes do Adam K

“Pour Over” é um enorme sucesso já, com mais de cinco milhões de plays no Spotify e 12 milhões de visualizações no YouTube. Como você conheceu o Vintage Culture?

O Lukas e eu nos conhecemos pelo Instagram e começamos a trocar ideia. Descobrimos uma conexão de gostos e musicalidade, e estou curtindo muito escrever canções com ele desde então.

Sei que você tem um próximo lançamento com o Vintage Culture, chamado “Save Me”. Vocês estão trabalhando em mais músicas?

Nós sempre estamos trabalhando juntos em músicas, mas nem tudo o que produzimos será lançado. Alguns sons são só para as pistas, e outros são ideias que acabamos descartando. “Save Me” é uma parceria entre eu, Lukas e Floki, uma cantora e compositora canadense. O Lukas também
está trabalhando em outra canção com ela, chamada “Taking Over”.

“Raining” saiu pela Ultra Records, em 2010

Que produtores você tem mais curtido atualmente?

Funkin MattBruno BeFISHERChris Lake… Diversas músicas boas estão vindo desses artistas.

Muitos produtores jovens que estão iniciando a carreira agora estão lendo esta entrevista. Qual conselho você daria a eles?

Se você quer fazer música, você fará música. Se você parar, é porque você não quer o suficiente. Siga seus sonhos, e se você trabalhar duro o suficiente e tiver um pouco de sorte, eles se tornarão realidade.

* Toni Gobatto é colaborador da Phouse.

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Ashibah: “O Brasil é o meu sonho e eu sempre conto os minutos até voltar”

Artista fala sobre relação com o Brasil, collab com o Mumbaata e abre detalhes do novo álbum

Nazen Carneiro

Publicado há

Ashibah
Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

A DJ, produtora e cantora egícpcio-dinamarquesa Ashibah está retornando ao Brasil para nova tour no início de outubro. Com o sucesso de sua última passagem pelo Brasil, em julho, e o lançamento do EP She Knows (ao lado do duo carioca Mumbaata) pela conceituada gravadora alemã Get Physical, a artista se aproximou ainda mais do público do país e tomou as pistas — e as rádios — com suas músicas fortes, profundas e muito dançantes.

Em meio ao intenso trabalho de estúdio do seu próximo álbum, Ashibah conversou com a Phouse sobre esse momento especial da carreira, sua relação com o Brasil, como rolou a collab com o Mumbaata, deu dicas de músicas e abriu detalhes sobre o seu próximo álbum. Confira na entrevista abaixo!


Suas composições e seu vocal são tão cheios de paixão pela música. E você tem essa versatilidade, que vai de Michael Jackson e Tracy Chapman a instrumentos musicais tradicionais egípcios. Por gentileza, conta pra gente o que você tem ouvido, e o que mais te influencia hoje?

Alguns dos meus favoritos recentes incluem “Kiss of Life”, da Sade, o remix de Dennis Ferrer para “The Cure and the Cause”, do Fish Go Deep, “Girl”, de The Internet, “For My Lover”, da Tracy Chapman, e “Can You Feel It”, do Mr. Fingers.

No meio disso tudo, afro house também tem se destacado. Nunca é o suficiente (risos) [no original, “I Just Can’t Get Enough”, um trocadilho com a música do Michael Jackson].

Recentemente você lançou o EP She Knows, junto com o duo brasileiro Mumbaata, pela gravadora alemã Get Physical Music, que é um dos selos mais renomados e respeitados em todo o mundo. Esse EP é muito forte e feito para a pista de dança, além de ter uma história completa para contar…

O lançamento desse EP pela Get Physical foi um dos destaques deste ano. Eu sempre tive o desejo de lançar por esse selo. Conheci o Mumbaata em uma festa no Brasil e combinamos que deveríamos fazer uma sessão de estúdio, e então eu fui ao Rio e nos encontramos. A vibe e a energia entre nós foi muito inspiradora, e fizemos tudo que eu queria. Quando o pessoal da Get Physical disse ter gostado, pensamos em fazer mais um som e criar um EP, e eles adoraram. Foi uma experiência incrível.

“Uma das coisas que eu amo no Brasil é a abertura das pessoas para ouvir algo novo. É o lugar perfeito para testar novas pistas, novas ideias e eu adoro isso. Os brasileiros são pessoas de coração, e eu acho que é por isso que eu os amo tanto: porque eu sou do mesmo jeito.”

Você tem uma relação muito especial com o público brasileiro, e sua última tour por aqui foi um sucesso completo. Comente alguns detalhes que você considerou especiais nessa tour.

Minha última passagem pelo Brasil foi algo para se registrar. Vocês sempre encontram novas maneiras de me surpreender. Uma das coisas que eu amo no Brasil é a abertura das pessoas para ouvir algo novo. É o lugar perfeito para testar novas pistas, novas ideias e eu adoro isso. Os brasileiros são pessoas de coração, e eu acho que é por isso que eu os amo tanto: porque eu sou do mesmo jeito.

O amor que recebo toda vez que eu toco me dá muito fôlego, sabe? As pessoas dançam, elas cantam e elas estão lá. No Park.Art, em Curitiba, por exemplo, eu toquei para quase 15 mil pessoas, e mesmo assim pude sentir a energia de cada um — cada pessoa com uma energia diferente, bonita e inesquecível. Todos os locais são especiais e marcantes, como as noites intermináveis da Privilège, em Búzios, onde a festa nunca para e o amor é infinito é alucinante. Como artista, isso é um sonho. O Brasil é o meu sonho e eu sempre conto os minutos até voltar.

Você tem tomado conta dos programas de rádio por todo o país. O EP com o Mumbaata chegou a tocar em oito Estados e teve, inclusive, estreia nacional no programa Dance Paradise, da Jovem Pan FM. Toda essa exposição foi estranha de alguma forma, ou você considera natural?

O maior desejo de todo artista é que isso aconteça. Criar algo que realmente vem do coração e sentir essa resposta imediata é algo que me mantém querendo criar mais e mais. Está fluindo de forma natural e sou muito grata por isso.

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Você ainda se sente nervosa antes de um show?

Sempre. Você tem que estar nervoso, porque você ama isso. E se você parar de ficar nervoso, talvez precise de novos desafios. São as borboletas [no estômago] que mantêm você em pé.

Ok! Agora essa pergunta é muito importante: qual a melhor bebida brasileira? (Risos)

Ah, não vale! Essa é difícil, foram muitas (risos), mas com certeza a caipirinha de maracujá na praia de Búzios, no lindo bar à beira mar do Brothers Groove, marcou bastante.

Foto: Divulgação

Você acha que o público brasileiro gosta mais quando você canta mais sexy ou aquele vocal forte e poderoso?

Eu acho que eles amam ambos. O público gosta dos contrastes.

Você está prestes a terminar seu novo álbum, certo? Estamos todos curiosos, e eu preciso que você conte mais sobre ele aqui na Phouse!

Meu álbum está saindo do forno já há algum tempo, e estou muito animada, claro, mas muito nervosa ao mesmo tempo. O que vocês podem esperar desse novo trabalho sou eu, em diferentes perspectivas. Adianto aqui que o álbum será dividido em três partes, com os três EPs. Será uma verdadeira jornada. Não posso revelar mais agora, mas tudo o que posso dizer é para esperar profundidade, vocais, emoções, força total e crocância (risos).

+ Mumbaata e outros artistas brasileiros revelam os bastidores da “Cocada”

Incluirá colaborações? Algum artista brasileiro?

Sim, com certeza. Posso adiantar que Mumbaata e Jean Bacarreza estarão nesse álbum. Também alguns artistas egípcios.

Você tem uma turnê brasileira confirmada para outubro. O que vem por aí?

Primeiro de tudo, mal posso esperar para voltar! Estou com um novo show e novos elementos ao vivo. Iremos nos apresentar em locais inéditos onde pretendo mostrar materiais em primeira mão para o público brasileiro curtir e se divertir muito comigo!

* Ashibah está de volta ao Brasil nesta semana, onde apresentará algumas de suas novas faixas. Veja as datas abaixo!

Ashibah
Arte: Divulgação

* Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Sócia do Caos, Eli Iwasa fala sobre curadoria, cena e sonho realizado

Celebrando a diversidade, casa recebe Modeselektor, Zegon e Mau Mau neste final de semana

Rodrigo Airaf

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Caos Club
Eli Iwasa. Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

É em um galpão industrial completamente reformado em Campinas que acontece uma vastidão de apresentações antes pouquíssimo prováveis de rolar na região. Desde sua inauguração, em dezembro, abrindo no máximo duas vezes por mês e rolando por longas horas, o Caos reverberou uma jornada sonora das mais recompensadoras, trazendo desde nomes majestosos como Laurent GarnierCarl CraigChris LiebingSpeedy J Marco Carola, até nomes de grande destaque na atualidade, como Nina KravizReconditeANNA e Nastia. Por falar em artistas imponentes, foi lá a apresentação única da alemã Ellen Allien no Brasil — fato que vai se repetir com o gigante Dixon, em outubro.

Tendo como filosofia a diversidade tanto de público quanto de som — você pode encontrar numa mesma noite tanto a disco music de Eric Duncan quanto o techno pulsante de Tijana T, por exemplo —, há projetos como a Wolf, voltada ao público LGBTQ+, e a Groove Urbano, que fomenta o hip hop, ambos com histórico de eventos no Club 88 (do mesmo grupo que criou o Caos). Por esses eventos passam expoentes fora do circuito usual, entre eles Linn da QuebradaEmicida e Gabriel o Pensador.

Voltando aos beats eletrônicos, até mesmo Fisher, febre mundial da cena tech house mais comercial, apresentou-se no club na última semana, em uma noite explosiva em parceria com a festa paulistana Michael Deep.

Caos
Caos, em sua inauguração com Carl Craig, em dezembro de 2017. (Foto: Bill Ranier/Divulgação)

A próxima loucura que o Caos vai aprontar está logo aí, na madrugada de sexta para sábado: um after com ModeselektorZegon e Mau Mau, a partir das 04h. Pode ser maluco para alguns unir o poderoso e eclético duo alemão a um difusor da bass music e um pioneiro do techno brasileiro na mesma noite (tudo isso logo depois de uma festa de hip hop), mas não é maluquice para o Caos — e certamente não para sua sócia-fundadora Eli Iwasa.

É com ela que conversamos agora, para que nos ajude a entender o porquê de o Caos ter se tornado um projeto tão único e tão importante para o interior de SP em menos de um ano, além de explorar um pouco a proposta da casa através de sua visão e experiência de duas décadas no cenário eletrônico.

Caos
Eli Iwasa na cabine do Caos, que possui um amplo espaço ao redor do DJ. (Foto: Reprodução/Facebook)

Eli, o lineup do after que vai rolar no próximo sábado é curioso, e parece ser bem especial: Zegon, que é conhecido na cena bass; Modeselektor, duo gringo muito querido por quebrar barreiras de estilos musicais; e por fim, Mau Mau, deuso do techno que vem com um set de clássicos. Como e por que o lineup foi montado assim?

O Modeselektor é conhecido por não se prender a rótulos, por sua imprevisibilidade, então por que também não fazer algo fora do óbvio? Tanto o Zegon quanto o Mau Mau são artistas com uma baita bagagem musical, e pedi para cada um deles que fizesse um set especial para que pudessem mostrar um pouco a mais de suas próprias histórias.

O Zegon, além de ter sido DJ do Planet Hemp, faz parte do N.A.S.A. e do Tropkillaz, então pode ir do hip hop ao eletrônico, e tudo mais no meio, com a maior facilidade. Quando fechei o Modeselektor, a primeira pessoa que pensei em chamar para fechar a festa foi o Mau, fazendo um set de clássicos. Ele, que ajudou a construir tudo isso que temos agora, que tem um papel fundamental no desenvolvimento da música eletrônica no Brasil, e que também é figura central da minha própria história na cena, não poderia ficar de fora.

Em sua comunicação, o Caos deixa claros seus princípios de inclusão, posicionando-se contra preconceitos e barreiras sociais, convergindo diversos públicos. Como isso se traduz nos lineups da casa?

Quando começamos a pensar no que gostaríamos no Caos, resgatamos a ideia de como eram os clubs importantes em nossa formação, como o Lov.e e o Kraft. Uma das coisas mais significativas daquela época era justamente a mistura de públicos: o “playboy” e o “mano”, as “bees”, as trans, a turma do som e os que caíam de paraquedas, encarando seus próprios preconceitos e aprendendo na democracia que uma pista de dança deveria ser.

Aqui nem todo lugar é assim. O que parece absurdo pra muita gente é uma realidade na região. E queríamos reunir os amigos e clientes de universos backgrounds diferentes num só lugar. É um processo de aprendizado constante e um desafio também, porque Campinas ainda é uma cidade bem conservadora em muitos sentidos. 

Caos
“Sem sexismo, sem racismo, sem capacitismo, sem ageísmo, sem homofobia, sem gordofobia, sem transfobia, sem ódio”, diz banner instalado perto da porta. (Foto: Reprodução/Facebook)

Durante a fase embrionária do projeto, já havia a expectativa de reconhecimento em tão pouco tempo?

Nunca! Nem nos meus sonhos mais loucos (risos)!

O que tem por trás do trabalho de curadoria que o público em geral não vê?

Um grande desafio é alinhar a visão de uma casa noturna com o momento do mercado e com o que o seu público espera, e não deixar seu propósito se perder diante de todas as mudanças que a cena e seu próprio club sofrem ao longo dos anos. Lidamos com muita coisa no Brasil: alta do dólar, uma carga tributária gigantesca, a falta de apoio dos órgãos oficiais, e a toda hora precisamos nos lembrar por que escolhemos ter um club, pois nem sempre é fácil.

Tem muita festa acontecendo, a concorrência é grande e isso faz com que muitas agências de talentos acabem pedindo ofertas inviáveis ao produtor brasileiro. Ao mesmo tempo, estamos sofrendo com esse momento econômico e político no país, o que refletiu no ticket médio e na frequência com que as pessoas saem — muita gente gasta com cautela e escolhe uma festa no mês em vez de sair todas as semanas.

Do nosso lado, existe um cuidado ainda maior na hora de investir em um artista internacional, o esforço de não bater datas com outros eventos, e tudo isso reflete na curadoria: ora você se arrisca mais artisticamente, ora você toma decisões de resultados mais certeiros. 

A agência Muto é responsável pela comunicação audiovisual do Caos, trazendo vídeos conceituais a cada edição.

Então pra escolher os artistas, nem sempre a paixão fala mais alto?

Nossas decisões são bem emocionais. Pensamos muito na experiência e nos momentos que podemos proporcionar através dos clubs. Não é exatamente a maneira certa de gerir um negócio (risos), mas é a maneira que é certa para nós. Sempre fomos assim, muito intuitivos, com a paixão falando alto.

A experiência também permite que tomemos decisões certas mesmo sem fazer muitas contas, porque com o tempo você aprende o que funciona e o que não, quais dias são melhores para seu club… Muito importante falar também que manter-se atualizado com o que acontece na cena é fundamental; o público se renova constante e rapidamente, assim como estilos musicais e artistas.

Imagino que várias datas do Caos foram lindas e que seja difícil fazer uma escolha, mas em qual delas você realmente sentiu uma sinergia perfeita entre o lineup, a resposta do público, a conexão entre os artistas, e pensou: “o resultado está literalmente do jeito que imaginei”?

A inauguração do Caos fez muita gente chorar entre toda a equipe e público, porque sentimos que algo muito significativo estava acontecendo ali. Já sobre a noite com Laurent Garnier, pessoalmente, queria há anos booká-lo para algum dos meus clubs em Campinas, mas nunca sentia que era a hora. Quando abrimos, sabia que estávamos prontos para recebê-lo aqui, da maneira que ele merece.

Eu nunca vou esquecer o momento em que o Laurent entrou na cabine e o Toca, um dos meus sócios, veio até mim, super emocionado, porque só a gente sabe o tanto de dedicação que foi preciso para chegarmos ali e abrirmos a casa. A ficha caiu que tudo que vivemos e aprendemos nos trouxeram até aquele momento, com todos nós colocando nosso potencial em prática para fazer o Caos ser uma realidade.

Caos
O Caos é realmente para todos… Até mesmo pra Paçoca, filha da Eli Iwasa. (Foto: Reprodução/Facebook)

Como você enxerga a noite de Campinas em relação ao cenário nacional atualmente?

Vejo que o Caos e o Club 88, junto com o Laroc, que são nossos amigos e fazem um trabalho incrível, estão realmente fomentando a cena da região e a transformando em um destino para quem gosta de música eletrônica. Sempre existiu o fluxo de público de Campinas para São Paulo, e hoje, finalmente, existe também o fluxo de São Paulo, cidades ao redor, Sul de Minas para esses clubs.

Vale lembrar que esse trabalho não é de hoje. O interior de SP sempre contou com clubs muitos importantes, como Kraft e Anzu, além de festivais como Kaballah, Tribe e XXXPERIENCE, que realizam seus eventos por aqui.

Pra fechar, o que é um bom curador pra você?

Um bom curador é aquele capaz de traduzir a visão de um club ou evento através da música, dos artistas e das experiências que compartilha e proporciona.

Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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