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GV – ELROW

Entrevista com Repow

Phouse Staff

Publicado em

23/10/2013 - 15:46

O brasileiro teve sua track tocada por Hardwell, que foi recém eleito o melhor DJ do mundo.

repow cr2 records spinnin dpm

Nosso convidado de hoje vem de Curitiba, ele que pode (e deve) ser considerado um prodígio brasileiro, já teve sua produção de  “From Zero To Hero” espalhada pelos cases de diversos DJ’s mundiais, suas tracks foram vistas circulando pelo México e até em Ibiza, o que levou  também ao radioshow do holandês Hardwell,  o mestre que recentemente recebeu o titulo de “MELHOR DJ DO MUNDO” pela votação da revista DJMag.

O curitibano também tem lançado músicas nas maiores gravadoras do mundo, entre elas a famosa Spinnin Records e a Cr2 Records, do ilustre MYNC.  Agora vamos deixar de blá blá blá e vamos começar logo isso (rs)…

(P) Luckas Wagg –
Pra dar partida ao nosso bate-papo vamos por onde tudo começou, conte nos um pouco sobre o inicio de sua carreira, de onde surgiu a ideia e o interesse de entrar para o mercado da música eletrônica.

(R) Repow –
Antes de mais nada obrigado à Ponto House pela oportunidade da entrevista. Tudo começou com uma ideia insana de começar um curso de DJ, que por sinal era MUITO caro para a minha condição financeira daquela época. Eu não sei que que me deu que eu fui com tudo e me interessei ao máximo. Antes de começar o curso eu já comecei a pesquisar um monte, assisti diversos tutoriais no Youtube e por aí foi. Me formei, me destaquei de diversas formas possíveis, me abracei e me arrisquei nessa carreira, e to aí até hoje! Descobri a maior paixão da minha vida.

(P)  Luckas Wagg –
Sabemos que em um mercado tão competitivo muita coisa se dificulta para novos artistas e até mesmo para quem já tem um bom tempo de carreira, nos seus 04 anos de estrada, você enfrentou alguma dificuldade? Conte-nos.

(R) Repow –
Eu ainda enfrento, acho que todos enfrentam. Fatores financeiros, emocionais, familiares já me dificultaram bastante. O fato de eu ser novo/jovem também ainda atrapalha. As pessoas têm a maldita mania de relacionar isso com experiência. Elas precisam entender que experiência não se baseia apenas no tempo mas também no talento e potencial. Vivemos num mercado difícil, como todos os outros. Confesso que a cada dia que passa eu descubro cada vez mais coisas ruins nesse meio, e isso vai me desanimando. Entretanto não fico lamentando, prefiro me adequar ao meio, trabalhar, produzir e vamos em frente.

(P) Luckas Wagg –
 E as facilidades?

(R)  Repow –
Nenhuma, nenhuma mesmo. Nada foi fácil para mim e acho que nunca será. O que é bom, dá um prazer a mais.

(P) Luckas Wagg –
Ficamos impressionados com a qualidade das suas produções, que podem até mesmo serem comparadas com tracks de grandes artistas mundiais,  você aprendeu a produzir sozinho ou fez algum curso?

(R)   Repow –
Muito obrigado. Eu comecei sozinho, me empenhando muito num processo lento e gradual. Quando eu aprendi tudo o que consegui via internet, procurei dois cursos e fiz. O curso básico me ajudou tanto que eu voei mais alto e, quando fiz o curso especializado, eu senti que não estava agregando em nada e resolvi parar. Porém confesso que tenho muito interesse em realizar mais cursos, não só de música eletrônica mas música no geral.

(P)  Luckas Wagg –
Como foi ver sua track sendo tocada pelo MELHOR DJ DO MUNDO? (Hardwell)

(R)   Repow –
Sem palavras. Na época ele ainda era o Sexto melhor do mundo, mas pra mim já era o melhor. Além de ser o melhor dj do mundo agora, é o meu maior ídolo e minha inspiração, sempre foi. Foi algo que mudou minha carreira e abriu muitas portas.

(P) Luckas Wagg –
E a EDM no Brasil? Como você descreve?

(R)   Repow –
Complicado. Tem crescido muito e vai crescer muito mais, somos um país que estamos cada vez mais nos inspirando em fatores do exterior e isso é bom. Isso nos ajuda a aprender. Temos o fator underground x mainstream muito disputado, com djs e formadores de opinião falando muita besteira e faltando com respeito. Os clubs tem melhorado muito na formação de line-up e de contratações de qualidade. Porém ainda rola muita nojeira por aí… Djs fakes tocando, Artistas que se julgam artistas mas não passam de uma mera figura influenciada por management, agencias e ghosts producers… toda aquela coisa que estamos cansado de falar. A mudança começa a partir de vocês como clientes. Tomem cuidado com tudo o que vocês lêem e escutam por aí. Contudo eu creio que estou relativamente satisfeito com a EDM no Brasil, se você se dedica, você consegue, existem meios para você começar a trilhar seu caminho e existe gente disposta a ajudar muito.

(P) Luckas Wagg –
Quando li seu nome artístico pela primeira vez eu fiquei bem curioso, achei um nome bacana e marcante. Qual o significado desse nome para você, de onde surgiu?

(R)   Repow –
Muito obrigado. Isso que você falou é o principal fator que eu escolhi esse nome. Ele vem e lembra “repolho” haha mas também tem um jogo de “Power” com as letras em sequencia diferenciada. O fato de eu ter procurado no google e em diversas mídias sociais que não existia nada parecido com “Repow” ajudou. Essa é uma dica de ouro para pessoas que estão decidindo seu nome artístico. Procure na internet se existem coisas parecidas com o seu nome para poderem te encontrar fácil.

(P) Luckas Wagg –
Quais são as suas influências musicais, dentro e fora da música eletrônica?

(R)   Repow –
Trance e electro mesclados em 128/130 bpm sempre foi minha área. Artistas como Hardwell, Nicky Romero, Showtek, Gregori Klosman, Alesso, Calvin Harris e muitos outros, são minhas referências. Fora da música eletrônica eu gosto bastante de Rock, Pop Rock. Ainda sou cravado naquela época do auge da MTV com Linkin Park, Sum 41, Slipknot, etc… Ouvir este tipo de música ainda me dá muitas ideias.

(P) Luckas Wagg –  
Já estamos quase no fim do ano de 2013, quais os seus planos para o próximo ano? Algum novo projeto?  O que o público pode esperar de você?

(R)   Repow –
Este ano estou um pouco mais sossegado, com cartas na manga para começar 2014 com tudo. Muitas produções novas e diferentes, nada seguindo uma rotulagem. A galera pode esperar muita música surpreendedora, dançante e forte. Se tudo der certo as gigs crescem em 2014 e quero mostrar meu talento discotecando, o que na minha opinião, é maior do que produzindo.

(P) Luckas Wagg –  
Vimos em seu release que você faz parte de um dos  mais importantes castings do Brasil, liderada pela “Plustalent”, conte-nos um pouco sobre sua relação com a agência, como surgiu o convite e até mesmo um pouco sobre a experiência de ser agenciado por um dos maiores grupos do Brasil.

(R)   Repow –
Ainda estou trilhando meus passos na agência, conhecendo muita pessoa boa e de influência no mercado, o que me deixa feliz. Fui muito bem recebido, converso com muitos produtores nacionais que eu nunca tinha ouvido falar e que têm muito talento. O convite surgiu por uma soma de coisas, mas creio que as produções já realizadas, um remix que fiz para o Marcelo Cic que lançou na Cr2 (por sinal fiz esse remix em 12 horas numa correria danada, mas valeu a pena e me deu oportunidades) foram os fatores essenciais.

(P) Luckas Wagg –
Pra finalizar agradecemos a você pelo seu tempo e deixamos o espaço aberto para futuros projetos que você venha a lançar ou até mesmo comentar aqui em nossa revista.

(R)  Repow –
 Eu que agradeço. Valeu!

(P) Luckas Wagg –  
Mas e quem quer conhecer mais sobre o Repow?  Deixe suas declarações finais sobre a entrevista e suas redes sociais para a galera que quiser seguir e conhecer mais sobre você.

(R)   Repow –
Obrigado à todos que leram a entrevista, a todos que me apoiam e que torcem por mim. Desejo muita força de vontade a todos os produtores nacionais, vamos representar porque essa cena ainda tá tomada por muita nojeira! Quem quiser conversar, trocar uma ideia ou tirar alguma dúvida, sempre estou a disposição no Facebook.

www.facebook.com/repowofficial

www.soundcloud.com/repow

www.youtube.com/djrepow

www.twitter.com/repow

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Entrevista

“O melhor que a música proporciona é quebrar barreiras”; Ralk fala sobre o sucesso repentino

Confira nosso papo com o DJ e produtor pernambucano

Luckas Wagg

Publicado há

Ralk
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

O pernambucano Raul Queiroz, o Ralk, é um desses nomes que têm crescido exponencialmente. O remix produzido com o amigo Diskover para “O Sol”, de Vitor Kley, foi o divisor de águas na carreira do DJ e produtor,  ultrapassando dez milhões de plays só no Spotify, e chegando a ser inclusive cantada em coro por um bloco de rua do Rio no último Carnaval.

Com foco em lançamentos na pegada “house pop”, que têm feito grande sucesso no Brasil, o pernambucano fechou recentemente com a Austro Music — talvez o principal selo nacional com ênfase nessa vertente. Por ali, trouxe até agora dois sucessos: “Nosso Amor Virou Canção” — collab com o Make U Sweat, que você já tinha conferido aqui — e um remix para “Cuidado”, hit do jovem fenômeno Gaab, lançado na sexta-feira passada (23).

Em um contato rápido com a Phouse, Ralk fala sobre esses lançamentos, o momento único que está vivendo, sua agenda lotada no Réveillon e ainda explica, ao falar sobre o empresário Xand, do Aviões do Forró, como entende que uma das funções da música é quebrar barreiras. Confira:

 

Você passou a ter popularidade na cena nacional após remix com seu parceiro Diskover para “O Sol”, de Vitor Kley. A faixa atingiu mais de dez milhões de plays e foi tocada em festas pelos quatros cantos do Brasil. Você chegou a imaginar que esse trabalho chegaria tão longe? Qual foi o impacto na sua carreira?

A história de “O Sol” é quase mágica. Trabalhamos a faixa em novembro do ano passado e, em dezembro, lançamos. Veio fevereiro e eu recebi um vídeo, direto de um bloco de rua do Rio de Janeiro, em pleno Carnaval e com todo mundo cantando a música. Foi um dos dias mais gratificantes da minha vida. Tanto eu quanto o Diskover não esperávamos que acontecesse tão rápido. Até queria agradecer mais uma vez ao cantor Vitor Kley e a toda galera da Midas Music pela oportunidade de fazer o remix para essa música incrível.

Assim como o Alok, que hoje é empresariado por um dos maiores nomes do sertanejo — Marquinhos, da Audio Mix —, vimos que você segue por um caminho parecido, tendo hoje Xand, do Aviões do Forró, como seu empresário. Como surgiu esse convite? E como enxerga essa fusão do mercado da música eletrônica com o forró e sertanejo?

O melhor que a música pode nos proporcionar é quebrar barreiras. Eu, Xand e qualquer tipo de artista somos unidos por algo em comum: o amor pela música. Sem contar que Xand sempre foi uma inspiração para mim, não só pela pessoa que ele é, mas como também pelo sucesso que faz aonde quer que ele passe.

Estou aguardando muito o dia em que iremos fazer uma música juntos. Esse é um dos planos! Hoje faço parte do casting da Fonttes Promoções, juntamente com ele. Quando surgiu o convite, fiquei muito feliz e foquei na oportunidade que eu teria para abrir portas ao meu trabalho e de ser apresentado a um público variado.

Ralk
Agradecendo aos céus pelo sucesso. Foto: Reprodução

Vimos que você assinou recentemente com a Austro Music, que pertence ao grupo Som Livre/Rede Globo. O que muda em sua carreira com esse contrato? É um acordo apenas para lançamento de suas músicas, ou vai além disso?

Realizei um sonho de criança em poder assinar uma das maiores gravadoras do Brasil, um nome conhecido em todo lugar. Sei que terei uma responsabilidade pela frente, e há todo um planejamento que apostam para mim. Começamos com o single “Nosso Amor Virou Canção”, com o trio Make U Sweat e o cantor Guga Sabatie, que acabou de bater 420 mil plays nas plataformas digitais.

Depois lançamos a “Maybe”, uma música feita com muito carinho com os irmãos do Dubdogz e o cantor Hugo Henrique. E agora, fim de novembro, saiu “Cuidado”, meu remix para o Gaab. Isso me motiva, me faz buscar inovar, fazer novas musicas, mostrar meu trabalho para o mundo inteiro e também levar comigo essa gravadora que, dia e noite, faz tudo por mim.

Como surgiu essa oportunidade de remixar o single do Gaab?

Sempre fui fã do trabalho dele, gostei pra caramba de “Cuidado” quando ouvi pela primeira vez. Aí fui atrás e recebi o convite e a liberação também pra fazer esse remix. Temos nos falado muito desde então — a gente se fala praticamente todos os dias pra falar sobre a música. Foi uma honra pra mim. A música dele já tem 15 milhões de plays só no Spotify, então foi muito importante pra minha carreira também, e vou apostar tudo nela pro verão 2019.

  

E além disso, o que podemos esperar do Ralk para 2019? Como está sua agenda?

A maratona de final do ano segue com 28 shows e em várias cidades. Terei a oportunidade, inclusive, de me despedir de 2018 e pedir boas vibrações a 2019 tocando em todos os maiores réveillons do Nordeste no último fim de semana de dezembro: Réveillon dos Milagres (AL), Praia da Pipa (RN), São Miguel Gostoso (RN), Fernando de Noronha (PE) e, na noite da virada, em Fortaleza (CE).

Acho que isso tudo reflete no quanto será agitado o meu ano de 2019. Assim espero. Estou muito feliz em poder mostrar minhas músicas para todo o Brasil. Próximo ano será de muito trabalho, muitas músicas e muitos aprendizados. Temos grandes lançamentos pela frente e estou contando os dias para poder mostrar para vocês. São lançamentos que, sem dúvidas, irão marcar minha carreira.

* Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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Entrevista

“Sem amor, não há música ou festa genuína”: Thiago Guiselini fala sobre os pilares da Soul.Set

Dono de loja de discos em Lisboa, o DJ volta a realizar uma edição da sua festa depois de nove meses

Alan Medeiros

Publicado há

Thiago Guiselini
Foto: Flashbang/Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

A última edição da Soul.Set, festa de house e disco organizada por Thiago Guiselini, foi uma daquelas que definitivamente deixam saudades. No comando da pista que celebrou os sete anos do projeto, lá estavam o próprio Thiago, TYV, Kaká Franco e a lenda de Chicago, Jamie 3:26. Aquela tarde/noite de março marcou o fim de um ciclo — logo depois, Guiselini partia em definitivo para Lisboa.

Em Portugal, o DJ estabeleceu residência com sua família e ajudou a fundar a Amor Records, loja de discos que ele administra junto com alguns amigos brasileiros que também vivem por lá. Mesmo morando em outro país, a possibilidade de deixar a Soul.Set acabar nunca foi uma opção. Muito pelo contrário, a festa é uma das principais motivações para o seu retorno regular ao Brasil.

Este esperado momento de reencontro com o público brasileiro acontece neste sábado. Após meses distante do país, Thiago retorna para apresentar mais uma edição da Soul.Set, a última do ano. O evento está formado por um lineup 100% nacional, com Vermelho, Zuim B2B Pedro Bertho e Rafael Moraes no comando dos decks ao lado de Thiago. A nosso convite, o artista falou sobre a festa, a residência em Lisboa e o atual momento de sua carreira.

 

Mais de oito meses se passaram desde a última edição da Soul.Set. Com qual sentimento você retorna ao Brasil para produzir esse evento?

O Brasil é minha terra e a Soul.Set é total parte da minha história, então confesso que estou bastante ansioso pra essa edição. Nesses meses de Amor Records, tenho separado novas músicas que quero muito experimentar na pista Soul.Set. Além disso, estou muito feliz e curioso pra ver três super DJs estreando no lineup, então os sentimentos são os melhores. Por incrível que pareça a emoção de produzir cada edição da festa é a mesma desde a primeira. Ah, e tem ainda as saudades dos amigos que essa pista me deu.

Diferentemente de algumas edições anteriores, o lineup desse encontro está focado 100% em artistas nacionais. É possível dizer que trata-se de uma tentativa de conexão da festa com o que a cena paulistana tem a oferecer de melhor atualmente?

Essa edição foi pensada com muitos detalhes. Estou voltando pro Brasil pra fazer essa festa em dezembro, no começo da temporada de verão. Queríamos a alegria de DJs brasileiros no lineup — DJs que conseguem se conectar e criar uma sinergia com a pista como ninguém. Tivemos edições maravilhosas que ficaram na memória com o line 100% nacional. Nossos DJs são tão especiais quanto os de fora.

“Nossos DJs são tão especiais quanto os de fora.”

Música, essência, amor, respeito e diversidade podem ser considerados os pilares da Soul.Set. Na prática, como você busca trabalhar esses conceitos na pista?

Esses conceitos não são aplicados apenas na pista, mas em todo o projeto, desde a primeira edição. Toda uma atmosfera acontece ao redor da festa. Acredito que esses pilares já estão intrínsecos na festa e a pista é o reflexo disso. Adoro ouvir das pessoas o quanto elas reconhecem a Soul.Set desde a hora que chegam, e ouço muito disso! A festa tem uma personalidade muito bem definida, pois sempre foi feita com muita verdade.

Esses conceitos estão conectados com a pista, pois temos a música como maior protagonista. Sem amor, não há música ou festa genuína — essa legitimidade que vemos na Soul.Set cria uma grande conexão entre as pessoas. A nossa pista é um espaço de união, troca e liberdade, onde todos podem ser quem realmente são através de um dos atos mais primitivos que temos, a dança. Considero fundamental o respeito entre todos. Desde a parte artística, inclusive, que acontece ao convidarmos apenas DJs que têm a percepção do público e que se dedicam para fazer a pista virar, de fato, uma festa.

Uma festa ultrapassa a barreira dos anos apenas quando há a preocupação pela inovação. Dito isso, quais são as novidades que estão sendo projetadas para essa edição?

Prefiro usar a palavra evolução em vez de inovação. Acho super importante pensarmos em novidades sempre, mas nunca esquecendo quem somos. Temos uma identidade muito forte e não queremos fugir dela simplesmente para acompanhar uma tendência ou novos rótulos.

Estamos sempre buscando entregar o melhor que esteja ao nosso alcance, montar lineups coerentes e com cara de Soul.Set, mas que também tragam novidades pra dentro de casa. Temos uma ligação com artes desde o começo e gosto muito de como a coisa se desenrolou. Esta edição, por exemplo, será ocupada por sete artistas expondo seus trabalhos. Queremos mesmo ver cada parte da festa evoluir do seu modo.

   

Com a mudança do cenário político brasileiro a partir de 2018, como você enxerga o futuro das festas de house e techno em São Paulo?

São Paulo tem uma noite super consolidada e que não para de se desenvolver. As festas fazem parte da cultura da cidade, e ao mesmo tempo são um reflexo do estilo de vida da nossa geração. São ponto de encontro de amigos e proporcionam um lugar de energia criativa. Torço para que o cenário político não mude isso.

Desde que a Soul.Set começou, sete anos atrás, o que exatamente mudou na sua vida?

Muita coisa mudou! Experiência de vida, experiência musical, evolução como pessoa e como DJ. No começo eu tinha duas profissões, então minha carreira também mudou. Hoje posso dizer que trabalho cem por cento com música, seja como DJ, dono de loja de discos ou produtor de festas. Fora que nesse tempo mudei três vezes de país, virei pai, casei…

 

Para finalizar: o que te motiva na essência para seguir produzindo eventos mesmo com tantas adversidades?

Quem faz eventos sabe o quão complicado e trabalhoso é, muitas vezes sem retorno algum. Às vezes fica até difícil explicar. Sabe aquele ditado de que o amor é cego? Acho que é um pouco disso. Mas ao mesmo tempo, quando vejo o evento acontecendo e as pessoas felizes, lembro exatamente por que escolhi isso pra minha vida.

* Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

EXCLUSIVO: KVSH quer conquistar o Brasil com a KRUSH, sua nova festa

Inspirado pela Só Track Boa, o mineiro defende que o objetivo é ajudar a fomentar cidades periféricas no cenário nacional

Flávio Lerner

Publicado há

KVSH
Foto: Reprodução
* Atualizado em 21/11/2018, às 17h47

Motivado por sua história, suas origens, sua nova agência, pelo rumo que a capital do seu estado tem tomado e pelo que Vintage Culture conseguiu com a Só Track Boa [sobretudo na última edição mineira], o DJ e produtor KVSH anunciou a Festa KRUSH, cuja estreia já tem data, local e lineup definidos. No dia 21 de dezembro, o artista recebe um time de atrações majoritariamente mineiras no Marô, em Belo Horizonte: Beowülf, Breaking Beattz, DZKO, JOZZEN, LOthief e VOLLAZ — destes, apenas o carioca Beowülf é “gringo”.

Em contato com a Phouse, Luciano Ferreira, o KVSH, explicou as motivações por trás do projeto e revelou ter grandes ambições. A festa está sendo tocada em conjunto com a OTM Produções, de Otacilio Mesquita [que, como você tem visto aqui, está por trás de praticamente todos os rolês da cena mineira].

+ Em tempo: ouça a refrescante collab entre o KVSH e o Malifoo

“Nasci e fui criado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em uma cidade chamada Nova Lima, e a minha história com a música eletrônica começou por aqui”, conta o KVSH. “Vejo que eu e a cena eletrônica da capital crescemos juntos; além de ser o local da minha fanbase, BH não tinha uma cena eletrônica tão forte, principalmente pra galera mais jovem, e criamos isso meio que juntos — então a ideia de eu ter uma festa aqui já vem de tempos. Agora que eu entrei pra Boost MGMT e pra HUB Records, o pessoal da agência falou: ‘cara, temos que fazer uma festa sua na sua cidade, com seus convidados, com seu conceito’.”

Segundo o DJ, entretanto, a KRUSH não será fixa em BH. A ideia é torná-la um evento itinerante por todo o Brasil, com o objetivo de levar o agito principalmente em pontos mais periféricos. “Já temos propostas em outros estados, principalmente em cidades menores, que ainda não têm uma cena eletrônica tão forte; esse é o foco. Queremos usar essa festa como uma porta de entrada pra galera que ainda não conhece tanto de música eletrônica”, acrescenta. 

“Queremos usar essa festa como uma porta de entrada pra galera que ainda não conhece tanto de música eletrônica.”

Mesmo com um lineup inicial voltado ao brazilian bass, o produtor garante que deseja agregar não só outras vertentes da dance music, como também abrir para outros estilos musicais: “Não temos muito essa ‘ideologia’ de fazer uma festa 100% eletrônica. Queremos envolver outros estilos, hip hop, trap, e alguns subgêneros que não são tão hypados no Brasil. E dentro da música eletrônica, teremos do brazilian bass ao tech house, passando até por progressive trance”.

Quando perguntei se o surgimento da label também tinha a ver com a segunda edição da Só Track Boa em Belo Horizonte, que foi considerada por muitos a melhor de todos os tempos, o Luciano foi acertivo: “Com certeza. Depois de vermos o impacto que a Só Track Boa teve aqui, a gente pensou: ‘cara, BH é um lugar que tem uma cena muito forte, a STB bateu todos os recordes de público de todas as outras edições. É o lugar perfeito’. É a cidade em que a cena tá crescendo muito e é a cidade em que eu nasci, e temos certeza que vai dar muito certo”.

+ Segunda edição do Só Track Boa BH pode ser considerada a melhor de todos os tempos

“Assim como o Vintage Culture fez com a Só Track Boa, a gente quer fazer com a KRUSH. A STB é focada em música eletrônica, e queremos uma festa focada na zueira, na diversão, mas claro, sem tirar a música do foco. Ela vem pra finalizar o meu ano com chave de ouro, e estamos muito alegres”, concluiu.

Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, dia 19, a partir do meio-dia.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

ERRATA: Carlos Magno, produtor de eventos da Box Entretenimento, não está mais fazendo parte da produção da KRUSH, conforme noticiamos anteriormente.

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