Entrevista Sevenn

Se a morte de Avicii teve um impacto positivo, foi no fato de que nunca se conversou tanto sobre saúde mental, depressão e o lado desgastante — fisica e psicologicamente — que a vida de um DJ de sucesso muitas vezes impõe.

As consequências estão sendo vistas: além dos debates sobre o tema em conferências e redes sociais, e de iniciativas que arrecadam fundos para instituições que trabalham na saúde mental de músicos, alguns expoentes perceberam que era hora de dar um tempo. O caso mais notável foi o de Hardwell, que anunciou hiato dos shows por tempo indeterminado. Também chamou atenção o deadmau5, que depois de tanto polemizar nas redes, se afastou delas e procurou ajuda psicológica.

No cenário nacional, temos um exemplo a partir do Sevenn — dupla formada pelos irmãos americanos Sean e Kevin Brauer, mas baseada no Brasil. No último final de semana, o duo anunciou nas redes que Sean, o irmão mais velho e fundador do projeto, estava se retirando por tempo indeterminado das apresentações. Sean volta a morar nos Estados Unidos, mas garante seguir fazendo parte do Sevenn nas produções.

Para entender melhor essa história, troquei uma ideia com os irmãos, em papo que você confere abaixo.

Sean, você pode nos contar melhor o que foi que aconteceu? O que tem rolado na sua vida e na sua carreira que te levou a tomar essa decisão?

Sean Brauer: Já tem 16 anos que toco como DJ, mas nada havia sido como o que eu e meu irmão fizemos nos últimos três. Aí eu me dei conta que eu não tenho mais 18 anos, e de que talvez fosse hora de mudar de estilo de vida.

Você chegou a desenvolver algum problema de saúde?

SB: Não, mas eu reparei que as viagens constantes, as turnês e os shows começaram a me desgastar com mais facilidade do que antes. Então achei melhor para minha saúde dar esse passo para trás neste momento.

E agora, como imagina sua vida profissional? Vai seguir produzindo normalmente com o Kevin?

SB: Por ora, só preciso descansar. Vou passar muito mais tempo com a minha família e pessoas queridas — também conhecidas como a lenda das lendas no quesito ser mãe, Jodie Brauer. Serei sempre um membro do Sevenn, e nada vai mudar isso. Só não participarei mais das apresentações com o meu irmão.

Acho que às vezes a gente esquece o quão frágeis realmente somos, e tentamos superar nossos limites sem perceber o quão fácil e rápido tudo pode mudar— Sean Brauer.

Kevin, como vai ser o Sevenn agora sem o Sean? Como foi o seu processo na tomada de decisão do seu irmão?

Kevin Brauer: Quando o Sean me contou sobre sua decisão, eu fiquei um pouco chocado, mas o Sevenn é o filhinho dele e eu pretendo criá-lo e dá-lo a devida educação — talvez até formar uma família com dois filhos ilegítimos.

Quais as principais mudanças que o projeto passa agora que é capitaneado por você?

KB: A única mudança significativa é que eu agora estou loiro #loirossedivertemmais. O Sean vai continuar sendo uma parte muito importante de tudo o que fazemos como Sevenn. Acho que tenho muita sorte que ele me chamou pro projeto há três anos. Vou fazer ele e a mamãe muito orgulhosos.

A morte do Avicii parece ter desencadeado um alerta na cena eletrônica, de modo geral. Você acha que foi influenciado também por essa onda, Sean?

SB: Claro, o caso do Avicii foi um choque pra todos na indústria musical, não só no mundo da música eletrônica. Acho que às vezes a gente esquece o quão frágeis realmente somos, e tentamos superar nossos limites sem perceber o quão fácil e rápido tudo pode mudar. Precisamos nos lembrar que a saúde vem em primeiro lugar, e às vezes é difícil quando você está se divertindo.

“Se eu pudesse, teria uma sessão de meia hora de conversa, sete shots e pizza com cada um dos fãs nas nossas gigs” — Kevin Brauer.

Você vê o seu caso como o de alguém que está dando um tempo e logo deve voltar, como o Hardwell, ou mais como o Calvin Harris, que desistiu das turnês e tem o foco nos estúdios, tocando apenas eventualmente em Vegas?

SB: Estar no palco, tocando minhas músicas e tendo a oportunidade de dividir os sentimentos com outras pessoas é como eu mais me sinto eu mesmo, e nunca vou abrir mão disso. Só não sei te dizer em relação às frequências dos shows. Talvez eu possa aparecer de surpresa com meu irmão em uma apresentação do Sevenn, talvez com outro projeto, ou mesmo as duas coisas. Quem sabe?

Kevin, você não chegou a passar também por um momento de saturação da rotina intensa de DJ? Não sente vontade de tirar um período sabático?

KB: Às vezes eu fico um pouco cansado, mas conhecer o tipo de pessoa que a gente encontra e trocar energia é a coisa mais realizadora para mim. Se eu pudesse, teria uma sessão de meia hora de conversa, sete shots e pizza com cada um dos fãs nas nossas gigs.

Vocês dois foram criados numa comunidade de cristãos missionários. Como foi essa experiência e como isso moldou o caráter de vocês?

SB: Acho que ter estudado em casa nos deu mais liberdade para crescer emocionalmente e criativamente. O nosso grupo era baseado em amor e paz, então temos um pouquinho da vibe hippie conosco (risos). Somos uma família de nove irmãos, e cada um teve que encontrar um jeito de ser melhor que o outro. Essa competição sadia nos fez mais fortes juntos.

“Estar no palco, tocando minhas músicas e tendo a oportunidade de dividir os sentimentos com outras pessoas é como eu mais me sinto eu mesmo, e nunca vou abrir mão disso” — Sean Brauer.

O estilo de vida nestas comunidades — sem tecnologia, sem curtição, sem álcool e drogas — parece ser o extremo oposto de um lifestyle de um DJ. Como foi que vocês saíram de um extremo ao outro?

KB: É exatamente o oposto. Acho que nunca vamos nos sentir completos em sociedade. O Sean foi expulso da comunidade quando ele tinha 16 anos, por ter uma namorada “de fora”. E aí ele foi pra sua primeira rave, onde se apaixonou por música eletrônica. Eu odiava o estilo, porque eu fazia metal progressivo “da Disney” e nunca tinha ido a uma balada. Em 2013, o Sean me mostrou “Spectrum”, do Zedd, e também acabei me apaixonando.

Vocês são religiosos? Há alguma espiritualidade que influencia a obra de vocês dois?

KB: Temos muita experiência de vida e lidamos com todo o tipo de pessoa que você consegue imaginar. Mas definitivamente não somos religiosos — a não ser que você considere o Nicholas Cage um deus, como eu considero.

O que podemos esperar do Sevenn em 2019?

KB: Mais turnês internacionais e collabs loucas. Também quero passar boa parte dos shows no meio da galera, conhecer todo mundo e fazer festa com eles. E também long sets allll the timeeee!

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Informação foi divulgada pelo G1