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Entrevista

Para curador, Tribaltech vai se consolidar como “evento-postal” de Curitiba

Jonas Fachi

Publicado em

02/10/2017 - 19:25
Entrevista Tribaltech Escape

Mohamad Hajar Neto, responsável pelo marketing e um dos curadores do Tribaltech Escape, fala sobre as expectativas desta edição e o futuro do festival.

* Com colaboração de Flávio Lerner 
* Foto por Soney Souza

Tribaltech Escape, o fim da trilogia que marcou época em nossa cena eletrônica nacional, está prestes a chegar: neste sábado, Curitiba recebe nova edição do festival mais tradicional do Sul do país. Diante de um momento em que o Brasil abraça alguns dos maiores eventos musicais do planeta, o “TT” caminha de forma distinta, por ser realizado por pessoas que têm profundo conhecimento do campo em que estão inseridas, captando ideias, tendências e aspirações por novidades, de maneira bem particular.

Assim, o encerramento de um ciclo em um novo local também simboliza o nascimento de outro conceito. No coração da cidade, um complexo industrial abandonado há mais de dez anos ganha vida novamente, através de música, interação social e cultura. Estamos diante de uma nova era. Por isso, convidamos o responsável pelo marketing e um dos curadores do evento, Mohamad Hajar Neto, para uma entrevista que busca compreender todos os aspectos que envolvem sua realização — desde filosofia musical, identidade e visão para o futuro, ele nos cedeu detalhes imprescindíveis para sabermos tudo o que vem por aí.

Como estão os últimos preparativos para o festival?

Na semana retrasada, quase toda a parte de reforma do local foi concluída, e na semana passada entramos em um ritmo acelerado de produção do evento em si. Cada dia que passa, o lugar parece menos com um complexo abandonado e mais com um festival multicultural.

Quais foram as maiores dificuldades em relação à adaptação do novo local, e como a edição Escape se diferencia das outras duas anteriores da trilogia?

Acho que a maior dificuldade foi em comunicar ao público o quão grande e incrível é esse lugar, pois ele em si é muito mais apropriado para a produção de um evento do que uma fazenda. Tanto pela localização urbana — mais fácil de agendar entregas, fazer reuniões, voltar pra casa com tempo pra descansar — como pela estrutura já existente. No entanto, com os vídeos e fotos que passamos a divulgar após o trabalho inicial de limpeza, o público abraçou a causa, e acredito que tudo esteja caminhando para uma edição épica.

Quanto à trilogia, bem, tudo sempre foi tratado pela comunicação oficial do festival de maneira abstrata, deixando para que cada um interprete à sua maneira. Como entrei para o time só no último capítulo, posso te dar a minha visão: acredito que depois de declarar seu fim em 2012, o Tribaltech só voltaria se fosse para assumir uma nova identidade, com respeito à história construída, mas de olho no futuro. Se pensarmos bem, do Reborn ao Escape foi contada uma história de importantes transições, com duras lições a serem aprendidas no capítulo do meio. Sendo assim, vejo esta edição como a “redenção” após tudo o que assolou o TT durante a Evolution, com a produção encontrando um formato adequado ao que ela acredita e o público sendo recompensado com um festival novo e com bastante personalidade.

Entrevista Tribaltech Escape

Muitas vezes o público não tem dimensão de tudo que engloba a realização de um evento de grande porte. São quantas pessoas envolvidas direta e indiretamente para tudo funcionar devidamente?

Impossível eu precisar um número sem consultar os responsáveis pela produção, mas dando uma estimativa: desde que o local foi liberado para a realização do evento, há uns quatro meses, são dezenas de pessoas envolvidas diariamente, desde os técnicos e pedreiros que trabalharam na reforma até a equipe de curadoria e planejamento. Agora, no último mês, começou o trabalho intensivo de montagem da festa em si — mais dezenas de pessoas trabalhando com decoração, montagem dos palcos, divulgação… Nossa equipe de escritório também deu uma inflada nos últimos dias, pessoas temporárias no marketing, no financeiro, na logística. Nesta semana, penso que passaremos tranquilamente da casa da centena, quando começam a montar os soundsystems, bares, as decorações começam a serem aplicadas em seus devidos lugares… Isso sem contar os quase cem artistas, que se pode dizer que estão a todo o momento trabalhando inconscientemente na construção da trilha sonora que dará vida a tudo isso.

Um dos destaques desta edição é a volta do palco Organic Beat. Qual a importância de se ter, num festival de música eletrônica, um palco que fuja da proposta de música de pista?

Para o conceito do Tribaltech, que tem como característica mais marcante a sua multiculturalidade, ele é essencial. Ele funciona dos dois lados: quebra o preconceito do clubber radical, apresentando a ele um som orgânico mais próximo do que ele pode gostar, e quebra o preconceito do cara de fora, que de repente passa a aceitar a antiga rave como “festival”, comparece para ver uma banda headliner e acaba tendo um contato bem positivo com a cultura eletrônica.

Claro que isso é um processo que vem de anos: lá em 2009, em sua primeira aparição, eu diria que a aceitação/rejeição foi de 50/50. Nos dois anos seguintes a festa enfrentou frio e chuva, o que o tornou mais deslocado, tanto que o próprio Criolo não atraiu mais do que algumas pessoas para seu show no TT de 2011. Desta vez, a aceitação foi de uns 90%: tanto o Criolo está mais famoso, como o público mais maduro. Vejo muita gente empolgada para o que vai rolar lá e acho que desta vez ele vai ser um dos principais espaços de todo o evento.

“A revitalização de um espaço urbano marginalizado é mais a cara do urbanóide Tribaltech do que a zona rural.

Parece existir uma tendência mundial e que vem dando muito certo na Europa: a busca por locais inusitados, em espaços que um dia foram parte ativa de uma cidade. Dar vida a um extinto complexo industrial tem tudo a ver com as raízes da música eletrônica, certo?

Sem dúvidas. Do nosso lado do oceano, o techno surgiu nos galpões abandonados da falida cidade de Detroit, enquanto que na Europa foram os resquícios da Berlim oriental que deram vida a uma cena semelhante. Aí eu puxo aqui uma brincadeira que eu uso inclusive para explicar o conceito do detroitbr: como no Brasil tudo acontece com algumas décadas de atraso, agora é a hora de nós vivermos uma revolução cultural semelhante. Vivemos tempos de crise, não só financeira, mas de identidade: o 7×1, vindo de maneira simbólica no que deveria ser o clímax do esporte, vem acontecendo diariamente em vários aspectos da nossa vida. Toda a corrupção que está sendo revelada, todas as dificuldades que estamos passando em nosso dia a dia em comparação à década passada… Tudo isso está deixando o brasileiro inquieto, formando um ambiente muito favorável à arte, pois ela é a expressão da sentimentos que palavras já não conseguem externalizar de maneira adequada.

Aí vem o lado bom dos tempos difíceis: a gente se vira com o que tem e descobre que isso é muitas vezes melhor do que o que vinha de fora e era venerado. Vejo artistas como Alok e Vintage Culture tocando em aniversários de cidades do interior e festivais do mainstream global e isso é ótimo, porque é a música eletrônica comercial genuinamente brasileira. Não é meu gosto pessoal, mas sinceramente, tem muito mais a ver com o nosso povo do que Guetta e Calvin Harris.

Voltando agora para o assunto festival: funciona da mesma maneira, porque convenhamos: montar um evento como o TT é uma verdadeira arte. Nós, como público, sempre pensamos na fazenda pela inércia, porque sempre foi lá, mas participando da produção desta edição, posso dizer com tranquilidade que a revitalização de um espaço urbano marginalizado é mais a cara do urbanóide Tribaltech do que a zona rural.

+ CLIQUE AQUI para ler mais sobre o Tribaltech Escape

No lineup, existem opções para gostos variados, mas ainda seguindo uma linha de conceito que sempre existiu. Quem você destaca como os artistas mais aguardados pelo público em cada palco?

A linha de conceito é muito importante. Em vez de pensar somente nos nomes estampados no flyer como se estivéssemos preenchendo um álbum de figurinhas, optamos por fazer composições coesas, misturando o que o público quer com o que acreditamos que ele possa passar a querer depois de ver ao vivo — do clássico ao novo, do nacional ao internacional. Parece bobagem, mas a curadoria é uma das partes mais difíceis, exatamente pela infinidade de fatores que podem influenciar na escolha de artistas ou horários, muitas vezes sabotando toda uma experiência que estava sendo planejada.

Partindo para os nomes: no Tribaltech Stage, acho que temos Octave One, Stephan Bodzin e Kolombo sendo grandes medalhões para diferentes camadas de “aprofundamento musical”, digamos assim.

No Timetech, temos uma verdadeira “seleção da Alemanha”, da qual é difícil destacar um, mas acredito que a força estará com as mulheres: Nastia é a mais conhecida do público nacional, enquanto Margaret Dygas é a que os mais ligados já sabem que vai arrebentar e angariar uma boa base de novos adoradores. Daniel Bell talvez não agrade às massas, mas é sem dúvidas o cara mais experiente de todo o lineup — vai ministrar a famosa “aula de história” no rolê.

“Em vez de pensar somente nos nomes estampados no flyer, como se estivéssemos preenchendo um álbum de figurinhas, optamos por fazer composições coesas, misturando o que o público quer com o que acreditamos que ele possa passar a querer.”

No Organic Beat, Criolo é o grande ídolo de geral, Bixiga 70 conversa com a galera mais conceitual, e Pedra Branca é conhecido no mundo do trance, mas quem ver vai se surpreender com a beleza da apresentação deles. No final, os DJs de bass music vão dar mais cara de “pista de dança”, sem descontextualizar o stage.

O mundo do psytrance é algo que eu não estudo mais com o afinco de antes, mas no lineup do Progressive Stage sei que Dickster e Vibe Tribe são as “lendas”, enquanto Major7 e Reality Test se comunicam bem com a nova geração. Vegas e Element são dois DJs nacionais que vêm com peso de gringo, por tudo o que representam pra cena hoje.

O Burn Energy Stage, onde tocarei com meu projeto Kultra no começo da festa, é a casa de alguns dos principais DJs de techno e house do país. Imagino que a apresentação de BLANCAh e o B2B entre Fabø e HNQO venham a ser os pontos altos por lá. Tive a oportunidade de ouvir o álbum que o Henrique [HNQO] vai lançar pela D.O.C., e olha, está muito bom!

No Supercool, além de Ney Faustini — um dos melhores DJs brasileiros em atividade —, acredito que o Joutro Mundo venha a surpreender, exatamente por ter uma musicalidade mais “solta” e diferente do que o festival vai apresentar no resto dos palcos.

Para você, que acompanhou pessoalmente o festival desde o início na fazenda, e agora ajuda no encerramento de um ciclo na cena eletrônica de Curitiba, qual o sentimento?

A minha relação com o TT é muito íntima. No começo, o festival acontecia em agosto, quando eu comemorava meu aniversário — era sempre uma rave especial, independentemente do lineup. Conforme ele abraçava temáticas multiculturais e assumia posturas visionárias, fui me identificando cada vez mais, até que em 2010 fiz algo que viria a selar minha relação com a marca.

Foi naquele ano que entrei pra equipe do Psicodelia.org e, coincidentemente, foi o ano de uma das piores edições, em que pouca coisa deu certo. Fizemos um podcast pós-festa pontuando cada aspecto que falhou, mas fazendo isso sem faltar com o respeito, desejando que o ano seguinte fosse diferente. Alguns meses depois, estava no aeroporto embarcando para o Rock in Rio, até que tropecei em Jeje, Dudu e Fernanda [então produtores do TT], que me reconheceram como “o cara do Psicodelia”, e vieram conversar comigo. No começo fiquei preocupado e acuado, mas para minha surpresa, eles não estavam ali pra me repreender: elogiaram a nossa postura, assumiram os erros e nos convidaram para ir ao escritório na outra semana para conversar.

Dali em diante, eu percebi que por mais que o mundo da noite e da música seja repleto de gente em busca de dinheiro, poder e outras ilusões fortalecedoras de ego, ainda existem pessoas trabalhando e dedicando as próprias vidas pela arte, pela sociedade, pelo desenvolvimento do mercado cultural no nosso país.

“O novo lugar vai revolucionar como Curitiba — e por extensão o resto do país — se relaciona com a música eletrônica.”

Por mais que fosse um desejo, nunca tive obsessão em trabalhar na T2 [Eventos, produtora do TT]; sempre os vi como referência para tudo o que eu fazia de forma independente. No entanto, não tem como fugir de uma das principais leis da vida: se você trabalha duro, mergulha de corpo e alma e se dedica no que faz, inevitavelmente você se aproxima dos seus semelhantes e as recompensas chegam. Há dez anos eu pisei na primeira rave, e há cinco larguei um emprego estável e que pagava muito bem para me arriscar profissionalmente na cena. Depois de três longos e duros anos vivendo de freelas e ajudas familiares, fui convidado para parte do TT e do Club Vibe, e finalmente tenho estabilidade trabalhando na área que escolhi. O sentimento é de felicidade e gratidão, tanto pela compensação de inúmeras apostas e perrengues do passado, como por todo o futuro que posso ajudar a escrever daqui pra frente.

Com esta edição, a trilogia de resgate do Tribaltech se encerra. O que vem depois?

Cara, é tanta possibilidade que não sei nem por onde começar. Em termos de Tribaltech, confesso que não sei. Como o lugar não está sendo reformado pensando apenas em uma edição, tenho certeza que teremos muitas TTs pela frente, com novas temáticas conceituais a serem exploradas. Mas em termos de cena, penso que o novo lugar vai revolucionar como Curitiba — e por extensão o resto do país — se relaciona com a música eletrônica. Vamos colocar mais um tijolo na gigante construção que vem sendo feita pelos artistas, superclubs, agências, festas de rua, festivais estrangeiros que vieram com propostas sérias (aqui vale separar o joio do trigo, pois alguns vieram somente para sugar e atrapalhar o desenvolvimento local), rumo à consolidação da cultura eletrônica como um dos principais movimentos do nosso tempo.

A fazenda tem todo o lance do open air, do contato com a natureza e tudo mais, mas vale lembrar que uma das razões para as raves do passado terem acontecido em lugares afastados era a necessidade de se esconder, tanto de fiscalizações intransigentes como da sociedade, ainda imatura para compreender os eventos — quando eu comecei a ir, muitos amigos tinham que mentir aos pais que estavam indo em churrascos de faculdade. Agora, estamos no coração de uma capital, com aval do poder público e apoio de muita gente. Por isso, na minha previsão otimista, o que vem por aí é a transformação do Tribaltech em um dos “eventos-postais” de Curitiba e a retomada da cidade como um dos polos da cena eletrônica nacional, fortalecendo ainda mais o país como unidade, em sinergia com tudo de sólido que vem acontecendo em Santa Catarina, São Paulo e outros Estados.

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Review

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Alan Medeiros

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Pedra Preta
Foto do clipe de "Pedra Preta": Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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ESPECIAL

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Alan Medeiros

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Gop Tun Records
Tha_guts. Foto: Divulgação

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

+ Orgânica e ecumênica: uma história oral da Gop Tun

Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

+ Um papo com os caras da Gop Tun, que estão trazendo o Dekmantel a São Paulo

O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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LIFT OFF

Psytrance raiz: Mindbenderz lança álbum transcendental pela Iono Music

Review do debut do duo suíço-alemão é o primeiro texto da nova coluna da Phouse

Nazen Carneiro

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Mindbenderz
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Instalar foguetes, preparar motores, verificar comunicação, iniciar sequência de lançamento. Cinco, quatro, três, dois, um… LIFT OFF!

Estreamos aqui a coluna LIFT OFF, que, escrita por Nazen Carneiro, traz um olhar sobre a indústria fonográfica psytrance nacional e internacional — estilo da música eletrônica que se manifesta como uma cultura vibrante e com muitos adeptos no Brasil.

De tempos em tempos a cena eletrônica se transforma e, como um organismo vivo, cresce e se reproduz. Um de seus pilares, o psy se reproduziu e está mais presente do que nunca, com “astronautas” consagrados mantendo-se relevantes, assim como novos “cosmonautas” surgem, evidenciando uma realidade produtiva e frutífera para a criação musical.

Com o crescimento do público, as festas também se multiplicaram Brasil adentro, e os produtores passaram a ter mais espaço para caírem no gosto do público da terrinha e de além-mar. Hoje, o psy mantém viva sua cena underground, enquanto estica seus tentáculos a outros nichos, influenciando — e sendo influenciado — até mesmo pela EDM.

Sem mais delongas, confira o primeiro texto abaixo, sobre o novo álbum do Mindbenderz.

 

Formado pelo alemão Matthias Sperlich e o suíço Philip Guillaume, o Mindbenderz traz, sem dúvida, um dos principais lançamentos do ano no cenário psytrance. Os veteranos, que são muito respeitados na cena eletrônica individualmente como Cubixx e Motion Drive, juntos ficam ainda mais fortes. É o que se vê no álbum Tribalism, lançado em 31/10, pela Iono Music.

O álbum conta com nove faixas que somam mais de 75 minutos. A primeira, “A New Dawn”, traz desde o primeiro minuto muita energia e reflexão num som que conduz o ouvinte a outra dimensão. A segunda faixa dá sentido a expressão “lineup” numa ascendente contínua, revelando uma verdadeira jornada ao desconhecido que segue até meados da faixa seis — “Hybrids” —, causando aquele frio na espinha. Nesse momento de percepção cósmica, uma pausa reconecta o corpo e mente à nossa tribo, e há de fato uma sensação híbrida de se estar em ambas as realidades ao mesmo tempo.

A essa altura, o álbum apresenta suas três últimas faixas no ápice de uma jornada espiritual, e nos encontramos num momento épico em que as características sonoras do psytrance alcançam sua maior amplitude, com uma ampla gama de efeitos numa base transcendental. É puro trance. A mente processa essas informações e a energia flui na forma de dança.

Voltamos para a Terra, mas a memória do que acaba de acontecer permanece. Tontura; excitação… O reator psicodélico agora transforma a energia através de instrumentos humanos. A última faixa dá nome ao álbum. “Tribalism” une percussões especiais, agogô, psy, Ayahuasca e vocais de xangô. Todos no mesmo pitch, como uma onda. Algo nos une, nos traz ao dancefloor, tornando-nos verdadeiramente uma tribo.

Tribalism revela uma composição muito bem realizada, fruto de meses de trabalho e muito detalhismo. Cada segundo do álbum revela a ação do Mindbenderz em promover um som extraordinário e comprometido com aquele pegada tribal, sem deixar de lado os elementos mais futuristas.

No momento do fechamento deste artigo, o álbum ocupava a primeira posição no Top 10 de psy do Beatport, o que mostra a força desse som mais ligado às raízes do estilo entre os DJs e produtores.

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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