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Entrevista

Para curador, Tribaltech vai se consolidar como “evento-postal” de Curitiba

Jonas Fachi

Publicado em

02/10/2017 - 19:25
Entrevista Tribaltech Escape

Mohamad Hajar Neto, responsável pelo marketing e um dos curadores do Tribaltech Escape, fala sobre as expectativas desta edição e o futuro do festival.

* Com colaboração de Flávio Lerner 
* Foto por Soney Souza

Tribaltech Escape, o fim da trilogia que marcou época em nossa cena eletrônica nacional, está prestes a chegar: neste sábado, Curitiba recebe nova edição do festival mais tradicional do Sul do país. Diante de um momento em que o Brasil abraça alguns dos maiores eventos musicais do planeta, o “TT” caminha de forma distinta, por ser realizado por pessoas que têm profundo conhecimento do campo em que estão inseridas, captando ideias, tendências e aspirações por novidades, de maneira bem particular.

Assim, o encerramento de um ciclo em um novo local também simboliza o nascimento de outro conceito. No coração da cidade, um complexo industrial abandonado há mais de dez anos ganha vida novamente, através de música, interação social e cultura. Estamos diante de uma nova era. Por isso, convidamos o responsável pelo marketing e um dos curadores do evento, Mohamad Hajar Neto, para uma entrevista que busca compreender todos os aspectos que envolvem sua realização — desde filosofia musical, identidade e visão para o futuro, ele nos cedeu detalhes imprescindíveis para sabermos tudo o que vem por aí.

Como estão os últimos preparativos para o festival?

Na semana retrasada, quase toda a parte de reforma do local foi concluída, e na semana passada entramos em um ritmo acelerado de produção do evento em si. Cada dia que passa, o lugar parece menos com um complexo abandonado e mais com um festival multicultural.

Quais foram as maiores dificuldades em relação à adaptação do novo local, e como a edição Escape se diferencia das outras duas anteriores da trilogia?

Acho que a maior dificuldade foi em comunicar ao público o quão grande e incrível é esse lugar, pois ele em si é muito mais apropriado para a produção de um evento do que uma fazenda. Tanto pela localização urbana — mais fácil de agendar entregas, fazer reuniões, voltar pra casa com tempo pra descansar — como pela estrutura já existente. No entanto, com os vídeos e fotos que passamos a divulgar após o trabalho inicial de limpeza, o público abraçou a causa, e acredito que tudo esteja caminhando para uma edição épica.

Quanto à trilogia, bem, tudo sempre foi tratado pela comunicação oficial do festival de maneira abstrata, deixando para que cada um interprete à sua maneira. Como entrei para o time só no último capítulo, posso te dar a minha visão: acredito que depois de declarar seu fim em 2012, o Tribaltech só voltaria se fosse para assumir uma nova identidade, com respeito à história construída, mas de olho no futuro. Se pensarmos bem, do Reborn ao Escape foi contada uma história de importantes transições, com duras lições a serem aprendidas no capítulo do meio. Sendo assim, vejo esta edição como a “redenção” após tudo o que assolou o TT durante a Evolution, com a produção encontrando um formato adequado ao que ela acredita e o público sendo recompensado com um festival novo e com bastante personalidade.

Entrevista Tribaltech Escape

Muitas vezes o público não tem dimensão de tudo que engloba a realização de um evento de grande porte. São quantas pessoas envolvidas direta e indiretamente para tudo funcionar devidamente?

Impossível eu precisar um número sem consultar os responsáveis pela produção, mas dando uma estimativa: desde que o local foi liberado para a realização do evento, há uns quatro meses, são dezenas de pessoas envolvidas diariamente, desde os técnicos e pedreiros que trabalharam na reforma até a equipe de curadoria e planejamento. Agora, no último mês, começou o trabalho intensivo de montagem da festa em si — mais dezenas de pessoas trabalhando com decoração, montagem dos palcos, divulgação… Nossa equipe de escritório também deu uma inflada nos últimos dias, pessoas temporárias no marketing, no financeiro, na logística. Nesta semana, penso que passaremos tranquilamente da casa da centena, quando começam a montar os soundsystems, bares, as decorações começam a serem aplicadas em seus devidos lugares… Isso sem contar os quase cem artistas, que se pode dizer que estão a todo o momento trabalhando inconscientemente na construção da trilha sonora que dará vida a tudo isso.

Um dos destaques desta edição é a volta do palco Organic Beat. Qual a importância de se ter, num festival de música eletrônica, um palco que fuja da proposta de música de pista?

Para o conceito do Tribaltech, que tem como característica mais marcante a sua multiculturalidade, ele é essencial. Ele funciona dos dois lados: quebra o preconceito do clubber radical, apresentando a ele um som orgânico mais próximo do que ele pode gostar, e quebra o preconceito do cara de fora, que de repente passa a aceitar a antiga rave como “festival”, comparece para ver uma banda headliner e acaba tendo um contato bem positivo com a cultura eletrônica.

Claro que isso é um processo que vem de anos: lá em 2009, em sua primeira aparição, eu diria que a aceitação/rejeição foi de 50/50. Nos dois anos seguintes a festa enfrentou frio e chuva, o que o tornou mais deslocado, tanto que o próprio Criolo não atraiu mais do que algumas pessoas para seu show no TT de 2011. Desta vez, a aceitação foi de uns 90%: tanto o Criolo está mais famoso, como o público mais maduro. Vejo muita gente empolgada para o que vai rolar lá e acho que desta vez ele vai ser um dos principais espaços de todo o evento.

“A revitalização de um espaço urbano marginalizado é mais a cara do urbanóide Tribaltech do que a zona rural.

Parece existir uma tendência mundial e que vem dando muito certo na Europa: a busca por locais inusitados, em espaços que um dia foram parte ativa de uma cidade. Dar vida a um extinto complexo industrial tem tudo a ver com as raízes da música eletrônica, certo?

Sem dúvidas. Do nosso lado do oceano, o techno surgiu nos galpões abandonados da falida cidade de Detroit, enquanto que na Europa foram os resquícios da Berlim oriental que deram vida a uma cena semelhante. Aí eu puxo aqui uma brincadeira que eu uso inclusive para explicar o conceito do detroitbr: como no Brasil tudo acontece com algumas décadas de atraso, agora é a hora de nós vivermos uma revolução cultural semelhante. Vivemos tempos de crise, não só financeira, mas de identidade: o 7×1, vindo de maneira simbólica no que deveria ser o clímax do esporte, vem acontecendo diariamente em vários aspectos da nossa vida. Toda a corrupção que está sendo revelada, todas as dificuldades que estamos passando em nosso dia a dia em comparação à década passada… Tudo isso está deixando o brasileiro inquieto, formando um ambiente muito favorável à arte, pois ela é a expressão da sentimentos que palavras já não conseguem externalizar de maneira adequada.

Aí vem o lado bom dos tempos difíceis: a gente se vira com o que tem e descobre que isso é muitas vezes melhor do que o que vinha de fora e era venerado. Vejo artistas como Alok e Vintage Culture tocando em aniversários de cidades do interior e festivais do mainstream global e isso é ótimo, porque é a música eletrônica comercial genuinamente brasileira. Não é meu gosto pessoal, mas sinceramente, tem muito mais a ver com o nosso povo do que Guetta e Calvin Harris.

Voltando agora para o assunto festival: funciona da mesma maneira, porque convenhamos: montar um evento como o TT é uma verdadeira arte. Nós, como público, sempre pensamos na fazenda pela inércia, porque sempre foi lá, mas participando da produção desta edição, posso dizer com tranquilidade que a revitalização de um espaço urbano marginalizado é mais a cara do urbanóide Tribaltech do que a zona rural.

+ CLIQUE AQUI para ler mais sobre o Tribaltech Escape

No lineup, existem opções para gostos variados, mas ainda seguindo uma linha de conceito que sempre existiu. Quem você destaca como os artistas mais aguardados pelo público em cada palco?

A linha de conceito é muito importante. Em vez de pensar somente nos nomes estampados no flyer como se estivéssemos preenchendo um álbum de figurinhas, optamos por fazer composições coesas, misturando o que o público quer com o que acreditamos que ele possa passar a querer depois de ver ao vivo — do clássico ao novo, do nacional ao internacional. Parece bobagem, mas a curadoria é uma das partes mais difíceis, exatamente pela infinidade de fatores que podem influenciar na escolha de artistas ou horários, muitas vezes sabotando toda uma experiência que estava sendo planejada.

Partindo para os nomes: no Tribaltech Stage, acho que temos Octave One, Stephan Bodzin e Kolombo sendo grandes medalhões para diferentes camadas de “aprofundamento musical”, digamos assim.

No Timetech, temos uma verdadeira “seleção da Alemanha”, da qual é difícil destacar um, mas acredito que a força estará com as mulheres: Nastia é a mais conhecida do público nacional, enquanto Margaret Dygas é a que os mais ligados já sabem que vai arrebentar e angariar uma boa base de novos adoradores. Daniel Bell talvez não agrade às massas, mas é sem dúvidas o cara mais experiente de todo o lineup — vai ministrar a famosa “aula de história” no rolê.

“Em vez de pensar somente nos nomes estampados no flyer, como se estivéssemos preenchendo um álbum de figurinhas, optamos por fazer composições coesas, misturando o que o público quer com o que acreditamos que ele possa passar a querer.”

No Organic Beat, Criolo é o grande ídolo de geral, Bixiga 70 conversa com a galera mais conceitual, e Pedra Branca é conhecido no mundo do trance, mas quem ver vai se surpreender com a beleza da apresentação deles. No final, os DJs de bass music vão dar mais cara de “pista de dança”, sem descontextualizar o stage.

O mundo do psytrance é algo que eu não estudo mais com o afinco de antes, mas no lineup do Progressive Stage sei que Dickster e Vibe Tribe são as “lendas”, enquanto Major7 e Reality Test se comunicam bem com a nova geração. Vegas e Element são dois DJs nacionais que vêm com peso de gringo, por tudo o que representam pra cena hoje.

O Burn Energy Stage, onde tocarei com meu projeto Kultra no começo da festa, é a casa de alguns dos principais DJs de techno e house do país. Imagino que a apresentação de BLANCAh e o B2B entre Fabø e HNQO venham a ser os pontos altos por lá. Tive a oportunidade de ouvir o álbum que o Henrique [HNQO] vai lançar pela D.O.C., e olha, está muito bom!

No Supercool, além de Ney Faustini — um dos melhores DJs brasileiros em atividade —, acredito que o Joutro Mundo venha a surpreender, exatamente por ter uma musicalidade mais “solta” e diferente do que o festival vai apresentar no resto dos palcos.

Para você, que acompanhou pessoalmente o festival desde o início na fazenda, e agora ajuda no encerramento de um ciclo na cena eletrônica de Curitiba, qual o sentimento?

A minha relação com o TT é muito íntima. No começo, o festival acontecia em agosto, quando eu comemorava meu aniversário — era sempre uma rave especial, independentemente do lineup. Conforme ele abraçava temáticas multiculturais e assumia posturas visionárias, fui me identificando cada vez mais, até que em 2010 fiz algo que viria a selar minha relação com a marca.

Foi naquele ano que entrei pra equipe do Psicodelia.org e, coincidentemente, foi o ano de uma das piores edições, em que pouca coisa deu certo. Fizemos um podcast pós-festa pontuando cada aspecto que falhou, mas fazendo isso sem faltar com o respeito, desejando que o ano seguinte fosse diferente. Alguns meses depois, estava no aeroporto embarcando para o Rock in Rio, até que tropecei em Jeje, Dudu e Fernanda [então produtores do TT], que me reconheceram como “o cara do Psicodelia”, e vieram conversar comigo. No começo fiquei preocupado e acuado, mas para minha surpresa, eles não estavam ali pra me repreender: elogiaram a nossa postura, assumiram os erros e nos convidaram para ir ao escritório na outra semana para conversar.

Dali em diante, eu percebi que por mais que o mundo da noite e da música seja repleto de gente em busca de dinheiro, poder e outras ilusões fortalecedoras de ego, ainda existem pessoas trabalhando e dedicando as próprias vidas pela arte, pela sociedade, pelo desenvolvimento do mercado cultural no nosso país.

“O novo lugar vai revolucionar como Curitiba — e por extensão o resto do país — se relaciona com a música eletrônica.”

Por mais que fosse um desejo, nunca tive obsessão em trabalhar na T2 [Eventos, produtora do TT]; sempre os vi como referência para tudo o que eu fazia de forma independente. No entanto, não tem como fugir de uma das principais leis da vida: se você trabalha duro, mergulha de corpo e alma e se dedica no que faz, inevitavelmente você se aproxima dos seus semelhantes e as recompensas chegam. Há dez anos eu pisei na primeira rave, e há cinco larguei um emprego estável e que pagava muito bem para me arriscar profissionalmente na cena. Depois de três longos e duros anos vivendo de freelas e ajudas familiares, fui convidado para parte do TT e do Club Vibe, e finalmente tenho estabilidade trabalhando na área que escolhi. O sentimento é de felicidade e gratidão, tanto pela compensação de inúmeras apostas e perrengues do passado, como por todo o futuro que posso ajudar a escrever daqui pra frente.

Com esta edição, a trilogia de resgate do Tribaltech se encerra. O que vem depois?

Cara, é tanta possibilidade que não sei nem por onde começar. Em termos de Tribaltech, confesso que não sei. Como o lugar não está sendo reformado pensando apenas em uma edição, tenho certeza que teremos muitas TTs pela frente, com novas temáticas conceituais a serem exploradas. Mas em termos de cena, penso que o novo lugar vai revolucionar como Curitiba — e por extensão o resto do país — se relaciona com a música eletrônica. Vamos colocar mais um tijolo na gigante construção que vem sendo feita pelos artistas, superclubs, agências, festas de rua, festivais estrangeiros que vieram com propostas sérias (aqui vale separar o joio do trigo, pois alguns vieram somente para sugar e atrapalhar o desenvolvimento local), rumo à consolidação da cultura eletrônica como um dos principais movimentos do nosso tempo.

A fazenda tem todo o lance do open air, do contato com a natureza e tudo mais, mas vale lembrar que uma das razões para as raves do passado terem acontecido em lugares afastados era a necessidade de se esconder, tanto de fiscalizações intransigentes como da sociedade, ainda imatura para compreender os eventos — quando eu comecei a ir, muitos amigos tinham que mentir aos pais que estavam indo em churrascos de faculdade. Agora, estamos no coração de uma capital, com aval do poder público e apoio de muita gente. Por isso, na minha previsão otimista, o que vem por aí é a transformação do Tribaltech em um dos “eventos-postais” de Curitiba e a retomada da cidade como um dos polos da cena eletrônica nacional, fortalecendo ainda mais o país como unidade, em sinergia com tudo de sólido que vem acontecendo em Santa Catarina, São Paulo e outros Estados.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

Publicado há

Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

Publicado há

Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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