“É muito difícil ser DJ no Brasil”: Erick Jay fala sobre novo título mundial

Campeão do mundo em 2016, o DJ paulistano venceu agora o DMC Online

Campeão do DMC e do IDA World em 2016, Erick Jay conquistou no último dia 02 o terceiro título mundial de sua carreira: o DMC Online. Criada em 2011, a modalidade funciona à distância, permitindo que DJs de qualquer canto do mundo participem.

Assim, além de levar mais um caneco para casa, o paulistano seguirá para Londres para lutar pelo bicampeonato do DMC World DJ Championship. A competição rola no dia 28 de setembro, no Islington Assembly Hall. O DJ Nino, que venceu o último DMC Brasil em junho [Jay ficou em segundo lugar] será o outro representante do país.

A performance que rendeu o título do DMC Online 2019

“É como se fosse uma missão, e a missão foi cumprida com sucesso. Porque é muito difícil ser DJ no Brasil. Questão de equipamento, de conseguir o espaço… A tecnologia tá nos ajudando, mas é muito difícil ainda”, contou Erick à Phouse. “Foi uma conquista super bem-sucedida, porque quem tem esses mundiais [na América do Sul] só somos nós aqui do Brasil. Os únicos mundiais que temos, fui eu que ganhei. Então é pro mundo ver que temos bastantes DJs aqui talentosíssimos.”

Para Jay, detentor ainda de nove títulos nacionais [DMC Brasil 2009, 2010, 2011, 2014 e 2015; Hip Hop DJ 2006, 2007 e 2008; e Quartz Riscos e Batidas 2014], o segredo para ganhar essas competições é ser ousado e criativo — e nisso, assim como no futebol, os brasileiros são mestres.

“Os caras gostam de ver coisas novas. Não basta você ter técnica. O nosso diferencial é que os DJs de campeonato dos outros países erram e entram em pânico. Eles não têm aquele jeitinho suingado brasileiro, de sair do erro com classe, sem desespero”, argumentou.

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Erick Jay é representante de uma das mais interessantes expressões da cultura DJ: o turntablismo, também conhecido como discotecagem de performance. São os artistas que constroem seus sets dando um show em habilidade técnica e repertório — quem é bom, mixa basicamente qualquer música. Infelizmente, essa cultura apresentou uma queda nos últimos anos, e no Brasil, tornou-se muito nichada, ganhando mais representatividade no universo do hip hop.

“No Brasil, a cultura turntablista era mais forte nos anos 80, 90 e 2000. De 2005 pra cá deu uma boa caída, porque os campeonatos foram acabando. Mundialmente, ainda continua, porque o turntablista usa o campeonato pra se divulgar. Ganhando, portas vão se abrindo, nos bailes, festas e festivais. Lá fora, continua essa tradição. Mas pra mim, continua sendo um diferencial numa pista”, seguiu, sem deixar de trazer uma visão otimista.

“As pessoas precisam estudar mais os DJs, a história, o seu diferencial. E o turntablismo brasileiro vem ganhando um espaço mundial agora. Eu vejo, quando vou ministrar aula, que o interesse vem aumentando — principalmente em garotos, para diferenciarem os seus sets. Eu espero que o turntablismo brasileiro cresça. Ele ainda está muito isolado. Precisamos de mais DJs fazendo performance em programas de TV”, finalizou.

O DMC Online

Diferentemente das edições nacionais e da etapa mundial, o DMC Online é uma plataforma em que DJs de qualquer lugar podem competir à distância, por vídeo.

O campeonato tem três etapas. Na primeira, centenas de vídeos inscritos competem pelo voto popular. Os dez mais votados classificam para o segundo round, no qual um juri especializado escolhe três semifinalistas. Essas primeiras duas etapas repetem-se outras duas vezes, até sobrarem nove competidores. Desses nove, os três primeiros lugares se classificam para o DMC World.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

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