Assédio festivais
43% das mulheres britânicas que frequentam festivais relatam já ter sido assediadas

A quantidade alarmante de ocorrências de assédio sexual em festivais de música foi foco de um estudo feito pela YouGov. A instituição de pesquisa apurou que 43% das mulheres com menos de 40 anos de idade afirmam ter sofrido algum tipo de assédio sexual nos eventos. O estudo conversou com 1.188 participantes de festivais e descobriu que apenas 2% dos abusos foram denunciados. 

As vítimas não são apenas mulheres; o estudo identificou que 22% dos frequentadores em geral já passaram por situação de agressão ou assédio. Por assédio, entendem-se comportamentos inconvenientes, como forçar o contato ou a dança, cantadas grosseiras, toque não autorizado, tentativa de estupro, entre outros. O assédio sexual verbal e a forçação da dança foram as duas formas mais pontadas. As estatísticas também revelam que uma em cada cinco mulheres sofreu alguma forma de agressão sexual desde que completou 16 anos.

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As vítimas do sexo masculino, entretanto, figuram como as mais propensas a denunciar. Cerca de 19% dos homens vítimas de agressão sexual relataram suas experiências à equipe do festival contra 1% de mulheres — em ambos os sexos, porém, apenas 2% procuraram a polícia. Todavia, as mulheres assediadas procuraram ajuda com amigos ou familiares em 53% das situações, contra 39% das vítimas masculinas — o que possivelmente evidencia a falta de acesso ou confiança das vítimas com as opções de ajuda oferecidas nas ocasiões.

O que fazer?

Muitas pessoas infelizmente já passaram por situações de assédio, independentemente de gênero ou de opção sexual. Neste caso, a melhor forma de agir é não ficar calado, como recomenda a especialista em violência sexual, Katie Russell, da ONG Rape Crisis, em matéria publicada pela BBC News. Algumas das dicas de Russell são:

– Se for espectador do assédio, se disponibilize a ajudar vítima; esteja ciente de que ela pode estar sentindo-se humilhada ou constrangida.

– Cerque-se de pessoas em quem confia.

– Vítimas podem estar em choque, ajude-as a se manterem aquecidas e hidratadas.

– Para denunciar o assédio sexual, procure a equipe de segurança.

– Vítimas nunca devem se sentir culpadas pelo assédio.

E ela ainda afirma: “A intervenção dos colegas pode ser poderosa”.

No Reino Unido, alguns festivais como The Green Man e Bestival já contam com ações de redução de danos desse tipo, oferecendo assistência plena para atender possíveis ocorrências. Nos países britânicos, qualquer vítima pode procurar organizações como The Survivor’s TrustRape Crisis ou Survivors UK.

No Brasil, essas políticas ainda estão engatinhando, tanto na cena eletrônica como na cultura de modo geral. Entretanto, há sim mecanismos de denúncia contra a violência e o assédio sexual. As vítimas podem procurar ajuda dos Departamentos de Polícia e Delegacias da Mulher.

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O mais importante é estar ciente do que está na lei brasileira. Além dos abusos com contato físico, o assédio sexual verbal — as populares “cantadas” na rua — pode ser enquadrado como crime ou como contravenção. Se houver calúnia, injúria e difamação, trata-se de um crime contra a honra. Se o assédio é considerado de “menor potencial ofensivo”, é uma contravenção penal — incluindo a importunação ofensiva ao pudor e perturbação da tranquilidade, quando o agressor mostrar as genitálias para oprimir a vítima. Ambas incluem penalidades de cadeia ou multa.

Paquera ou assédio?

Quando alguém tem interesse em conhecer uma pessoa ou elogiá-la, o autor não lhe dirige palavras que a exponham ou a façam sentir-se invadida, agredida, ameaçada ou encabulada. Vamos se ligar e respeitar tanto as mina, quanto as mona e os mano!

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YouGov

A YouGov e uma instituição do Reino Unido que utiliza conexões online entre parceiros no mundo todo para realizar pesquisas. Ela é líder internacional de pesquisa de mercado com operações na Europa, América do Norte, Oriente Médio e Ásia-Pacífico. Você pode conferir o estudo completo aquiA pesquisa em questão foi encomendada pela Press Association, e entrevistou 1.188 frequentadores de festivais.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

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