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Exclusivo: DJ Marky fala sobre novos lançamentos e o que falta à cena brasileira

Flávio Lerner

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Enquanto conta detalhes sobre seu remix para o Justin Martin, sua festa Influences e os lançamentos previstos pra 2017, Marky dá declarações contundentes sobre a cena nacional.

DJ Marky. Na época do boom da cultura DJ no Brasil, com a explosão das raves e da cena jungle/drum’n’bass, esse nome era ainda mais impactante — principalmente na Europa, onde se tornou ídolo, responsável pelo single brasileiro mais vendido na Inglaterra. Marky não parou, não se tornou ultrapassado e tampouco perdeu ritmo ou qualidade; contudo, os tempos são outros, e, pós-EDM, nomes como Vintage Culture e Alok tomaram-lhe espaço no nosso país como heróis nacionais.

Contudo, não apenas pra quem gosta de d’n’b ou turntablismo, mas sobretudo pra quem aprecia DJs sets tão ricos em musicalidade quanto em técnica, Marky segue sendo rei — e mesmo não tão em voga na mídia quanto em outrora, segue muito bem, obrigado. O pioneiro do DJismo brazuca, paulistano da Zona Leste e são-paulino fanático não é lá muito chegado a dar entrevistas, mas quando topa, é certeza de opiniões contundentes. Foi o caso quando, na semana passada, fui trocar uma ideia breve sobre dois assuntos principais: o seu novo lançamento, um remix para o estadunidense Justin Martin, e a nova edição da festa Influences, que rolou no último dia 11, no Pan-Am, com o DJ Dubstrong [de quebra, aproveitei pra pegar um depoimento breve para o Dia do DJ]. Pra minha grata surpresa, o que era pra ser uma troca rápida acabou evoluindo em uma conversa mais profunda, em que o DJ acabou tocando em assuntos macro, como o momento da cena brasileira em relação com o resto do mundo. Abaixo, você confere os principais momentos desse papo.

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Novo lançamento: remixando pela primeira vez o amigo Justin Martin

No ano passado, o conceituado DJ e produtor de São Francisco Justin Martin — um dos cabeças do selo Dirtybird, de Claude Von Stroke — lançou seu segundo álbum, Hello Clouds. Agora, no fim de fevereiro, o LP ganhou sua versão de remixes, com releituras de nomes como Soul Clap, Little By Little e Low Steppa, todas em variações do house. A única que foge das batidas 4×4 é a de Marky, que curiosamente foi designado a remixar uma música chamada “Back to the Jungle”. O paulistano conta que a relação de amizade entre os dois vem de uns cinco anos atrás; o Marky primeiro conheceu o Claude Von Stroke no Creamfields, em Liverpool, que o convidou a remixar sua faixa “Aundy”. “Eu fiz o remix e vários DJs de house e techno, como o James Zabiella e o próprio Justin Martin, começaram a tocá-lo. Toda festa que eu tocava em São Francisco, o Justin ia, e a gente ficou muito amigo. Gostamos das mesmas músicas, das mesmas coisas, e agora ele me pediu pra fazer esse remix”, conta.

“É bom que eu tive um prazo bem longo, porque hoje as gravadoras querem tudo muito rápido, querem um remix depois de duas semanas, e acho que é por isso que hoje em dia a música tá virando uma coisa genérica, com prazo de validade, que só funciona por três meses, depois joga fora. Então me deram um bom tempo, eu demorei uns três meses. Ele é totalmente inspirado em jungle music, da época em que eu trabalhava em uma loja de discos e escutei jungle pela primeira vez”, seguiu, acrescentando orgulhoso que, depois de poucos dias de lançamento, a faixa já estava no primeiro lugar do chart de drumba do Beatport. “Não significa muita coisa, porque o Beatport não representa nem 1% de todas as lojas de música do mundo, mas já é um começo bacana.”

Eu perguntei se ele tinha escolhido a faixa ou se a tinham designado por causa do nome, mas o Marky garantiu que não. “Não foi por causa do título, não. O Justin me ligou, falou que tinha essa música, que tava estourada. Achei bem legal, e ao mesmo tempo bem simples e superimpactante. Ela não tem muitos elementos; se não me engano, tem mais canal de efeito do que de beat, de bateria, sintetizador e tal… Descontruí ela inteira, e fiz uma coisa bem diferente, porque se fosse pra fazer um remix dessa música com house, ia soar muito igual. Na Dirtybird eles gostam muito de drum’n’bass, gostam muito de música no geral, que é o que falta um pouco no Brasil. Aqui, se você faz um remix, tem que ser meio mainstream, sabe? Então esse lance de eles quererem abranger todos os estilos é muito legal. Eu tenho uma conexão muito boa com essa galera de house e techno, então eles apreciam muito o meu trabalho, e vice-versa. A gente tá sempre trocando figurinhas.”

“Hoje as gravadoras querem um remix depois de duas semanas; por isso, a música tá virando uma coisa genérica, com prazo de validade, que só funciona por três meses.”

Influences

A festa começou no Vegas Club há cinco anos, e se mudou pro Pan-Am no ano passado, onde rola mais ou menos a cada dois meses. Mas o que importa mesmo é como ela representa uma oportunidade rara de ouvir sets diferentes do padrão. Muito longe de se ater a um estilo como house ou techno — ou mesmo drum’n’bass —, Marky mostra o que sabe fazer de melhor: condensa um caldeirão de referências das mais diversas, de soul, funk e disco a jazz e música brasileira, passando também pelas suas maiores influências dentro da música de pista per se. E se você já viu o DJ em ação, sabe que ele é um dos melhores em casar músicas aparentemente incombináveis. “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música.”

Influences é também nome do disco compilado por Marky em 2008, lançado pela londrina BBE Records. E a boa notícia é que agora em maio será lançado um volume dois. “É um disco totalmente feito com a cabeça lá fora. Sai em vinil duplo: um disco mixado, outro com as músicas ‘normais’, mas com faixas bônus.”

Cena brasileira: musicalidade, modismos e festivais

Se você acompanha minha coluna aqui na Phouse há certo tempo, pode ter percebido que eventos como o Boiler Room de Recife e o Dekmantel são algumas de minhas pautas favoritas — justamente por apresentarem essa busca pela heterogeneidade, por DJs que fogem do óbvio e misturam diversos estilos orgânicos e referências brazucas com música eletrônica. A Influences de Marky se encaixa bem nesse conceito, e quando o perguntei se via relação entre esses eventos, ele se prontificou a falar bastante sobre sua visão da cena brasileira em geral. “Acho que o Brasil tem muito ainda que aprender. Tivemos um puta boom nos anos 90 com o hardcore, o techno, o jungle, e a gente conseguiu fazer com que as pessoas entendessem todos os gêneros musicais, né? Se formos relembrar, o Skol Beats é o maior festival de música eletrônica que o Brasil já teve… Os festivais antes tinham dois, três pares de toca-discos, e dois ou três pares de CDJs, e as pessoas iam única e exclusivamente pela música, o que não acontece mais — hoje a música vem em quinto lugar. O nome, o ‘brand’, vem em primeiro, o que é uma pena muito grande.”

Set de influências para o Boiler Room, em 2014

O Marky contou que só não foi no Dekmantel São Paulo por estar numa turnê na Índia e na Europa, mas admirou o lineup e a iniciativa em trazer também artistas de música brasileira. “Eu já fui em vários shows do Azymuth [atração do Dekmantel SP], mas nunca no Brasil. É legal essa valorização da música daqui, porque ela é muito valorizada lá fora, ainda mais com esse estouro de boogie nacional, essa volta de músicas do Marcos Valle, Robson Jorge, Lincoln Olivetti, Tim Maia, e DJs como o Tahira ou o Nuts. Sou a favor de festivais que abrangem todos os estilos, é uma saída pra uma educação melhor das pessoas. É bacana que, nesse lance da música brasileira, os caras tão tocando e não tão nem aí; é o trabalho que eu, Mau Mau, Renato Cohen, Murphy, Andy fizemos nos anos 90, 2000. A gente fez com muito amor e carinho, mas acabou se perdendo um pouco, devido ao fato de as pessoas não darem tanto valor mais à técnica, ao conhecimento e ao verdadeiro disc-jóquei. Depois do Steve Aoki, que começou a dar tortada, Paris Hilton, a coisa deu meio que uma debandada. Mas na Europa, na Ásia, continua muito bem, e espero que volte a crescer, como deve ser aqui no Brasil. Acho que os donos de clube, que organizam festivais, devem ter pulso firme e tentar fazer algo melhor, porque o nosso país é complicado; quando um estilo musical começa a virar mainstream, ele fica estável, e aqui, estabilidade significa que morreu.”

Novo EP de remixes e gigs pelo mundo

Antes do Influences Vol. 2, o Marky vai ter outro novo lançamento: em abril, sai o EP My Heroes Remixes, com três faixas novas — duas delas, remixes de músicas do LP My Heroes, primeiro álbum do DJ, lançado em 2015. “Vai ter um remix que eu mesmo fiz do single ‘Silly’, mais um remix do Nytron pra ‘Bella Drix’, além de uma faixa nova minha, a ‘Ready to Go’. Então são duas de drum’n’bass e uma meio house, meio tech house…”

Além disso, o DJ conta que tem começado a alcançar novos mercados, “mais exóticos”; além da Índia, tocou em Seul, na Coreia do Sul, pela primeira vez. “Tenho datas fechadas até o meio do ano que vem: bastantes festivais na Inglaterra, turnês na Ásia, no Japão, na Coreia de novo, Austrália, Nova Zelândia, Tailandia, Bali…” ~

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

EDX: “Vários DJs brasileiros ganharão reconhecimento internacional nos próximos anos”

Phouse Staff

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Foto: Divulgação
Um papo exclusivo com o expoente suíço EDX

Veterano da cena eletrônica com mais de duas décadas de um caminho de sucesso como DJ, o suíço Maurizio Colella, mais conhecido como EDX, é um dos expoentes da EDM global que possui uma das relações mais fortes com o mercado brasileiro. Há dois anos, sua agência Sirup desenvolveu em conjunto com a DJcom o selo Muzica Records, que funciona até hoje para promover artistas da América Latina, sobretudo brasileiros.

O DJ já havia nos revelado que o Brasil é um de seus principais, senão o principal mercado em que atua atualmente, e que pode ser considerado praticamente um dos nossos. Sua última participação por aqui foi em outubro, quando tocou no Playground BH e no Federal Music, e já há planos para uma nova turnê tupiniquim em breve. Pensando nisso, e na esteira de seus sucessos recentes, como “Anthem” — que bombou em playlists do Spotify como a brasileira EDM Room — e o remix para Janelle Monáe, trocamos uma ideia com o produtor sobre seus principais feitos recentes, novidades para o curto prazo e, claro, sua relação com o nosso país.

Maurizio, você continua lançando faixas surpreendentes, como “Anthem” e seu remix para “Make Me Feel”, da Janelle Monáe. Qual a diferença entre seus lançamentos regulares e a assinatura”Dubai Skyline”, que você utiliza para alguns remixes?

Foi uma jornada bem longa até aqui e ainda me faz muito feliz viajar pelo mundo e lançar novas músicas. Eu sempre tento trazer algo novo e fora da caixa em cada uma de minhas produções. “Anthem” foi uma faixa que fiz pensando nos festivais e clubes mais pra cima. Estou muito contente com o feedback e apoio que recebi nesse som. Quando se trata de remixes, eu sempre tento manter uma vibe e toque único no trabalho. A linha de remixes Dubai Skyline é destinada para lançamentos mais house e “radio friendly”.

Você já frequenta o Brasil há muito tempo e teve a oportunidade de conhecer melhor nosso país. Quais são suas coisas favoritas sobre o Brasil?

A cultura brasileira é gigante e diversa, o Brasil é praticamente um continente. Desde o início, eu só tive boas experiências, e é um dos meus destinos favoritos. Dez anos atrás foi minha primeira apresentação no Brasil e continuo sempre animado para voltar. Acho que foi amor à primeira vista. Eu também amo o churrasco brasileiro e a culinária em geral, o que é um bônus.

Os seus DJ sets no Brasil são muito diferentes dos que você costuma tocar pela Europa?

Não necessariamente. Em geral, eu sempre tento ler o público e dar a eles uma experiência única. Normalmente no Brasil meus sets acabam sendo um pouco mais sexy.

“Meu som precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.”

Como você vê o desenvolvimento do mercado da música eletrônica no nosso país? 

Minha empresa tem uma colaboração com um selo brasileiro chamado Muzika, para ajudar a lançar artistas latino-americanos. Isso me ajuda a descobrir diversos artistas do país. O Brasil é um mercado único e com muitos profissionais, e eu acredito que vários DJs brasileiros irão ganhar reconhecimento internacional nos próximos anos.

Janelle Monáe é uma artista incrível e a faixa “Make Me Feel” está rapidamente se tornando um dos maiores lançamentos dela. Você pode nos contar um pouco sobre a história por trás do seu remix?

O selo da Janelle [Bad Boy Records] me convidou para produzir o remix. Eu costumo receber muitos pedidos, e naquele mesmo dia havia mais outros quatro, mas quando ouvi “Make Me Feel” senti uma grande conexão com a música, é uma grande obra. Eu acredito que é uma faixa que pode ganhar atenção tanto nas rádios quanto nos clubes. Eu não mudei muito a pegada funky, mas deixei ela com mais energia e uma vibe sexy. Espero que gostem!

Fora do mundo eletrônico, quais são suas inspirações? O que você ouve quando não está ouvindo música eletrônica?

Eu viajo noite e dia, e quando não estou no estúdio ou em algum clube, estou sentado na cadeira do meu escritório trabalhando, e tem música pra todo lado. Isso não me dá muito tempo para ouvir outras coisas. Eu sempre gostei muito de Barry White quando eu era criança, com certeza inspirou meu tipo de som. Precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.

O que podemos esperar de novidades? Você já tem planos para retornar ao Brasil?

Estamos trabalhando na minha turnê de 2018, e contará com algumas datas no Brasil. É sempre bom ficar de olho na minha agenda através do meu site. Música nova é sempre uma prioridade para mim, então fiquem de olho! Estou pensando em adicionar uma vibe mais “deep progressivo” nos meus próximos lançamentos.

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Entrevista

Em grande fase, Beowülf assina com Plus e Armada e concede sua primeira entrevista

Phouse Staff

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Beowülf
Às vésperas de lançar pelo selo de Armin, Beowülf fala com a imprensa pela primeira vez

Há cerca de um ano e meio, apareceu no cenário eletrônico brasileiro, quase como uma tempestade, um cara com uma bandana que esconde seu rosto, e traz o desenho de um animal místico. Marcantes, suas tracks rapidamente entraram para os sets de alguns dos principais DJs do Brasil e bateram os sete dígitos nas plataformas de streaming.

Com conhecimento musical profissional e forte veia clubber, o misterioso Beowülf rapidamente protagonizou momentos sonhados por todo artista que está começando uma carreira, como se apresentar duas vezes no Ultra Brasil — onde estreou —, tocar pelos principais clubs e eventos do país, ganhar uma residência (no caso, no Field Club, em Papanduva–SC), fazer collabs com expoentes do seu estilo (como FELGUK, Cat Dealers, KVSH e JØRD) e ter uma base de fãs extremamente leal e participativa.

Tocando no último Rio Music Carnival

Este mês de março foi um tanto mais especial para Beowülf do que o costume, já que ele entrou para o casting da Plusnetwork e se prepara agora para lançar seu novo single, “Plomo”, pela Armada Deep — sublabel da gigante Armada Music, de Armin van Buuren, com quem assinou contrato. A track só vai sair oficialmente no dia 29 de março, mas já figura nas tracklists dos shows de gigantes do cenário como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike.

Para celebrar este momento, Beowülf, apesar de seguir mantendo sua verdadeira identidade em segredo, concordou em conceder à Phouse sua primeira entrevista exclusiva. No texto a seguir, você pode conferir esse papo, em que conversamos sobre essas novas conquistas, suas influências, a construção do seu personagem, relação com os fãs e postura como profissional.

Conte-nos mais sobre essa persona que você criou para o projeto Beowülf. O quanto de “herói” existe no personagem que você encarou para a sua carreira artística?

Sou fã de uma boa história, seja ela contada através do cinema ou da música. O Beowülf, do conto antigo, era um caçador de monstros e dragões [mitologia nórdica]. Toda vez que uma cidade ou um povo eram atacados por alguma criatura, ele era contratado para matar a fera, por maior e mais assustadora que ela fosse. Gosto de pensar que herdo um pouco desse espírito destemido toda vez que uso a bandana. Sempre enfrento meus desafios e objetivos com muita garra e determinação, especialmente nesse mundo doido da música.

Fale um pouco sobre suas inspirações musicais: quem são suas maiores referências e o que você costuma ouvir dentro e fora da música eletrônica?

Sou bastante eclético, mas os gêneros que mais curto são rock, hip-hop, blues, jazz, reggae, música latina, música clássica e claro, música eletrônica — house e derivados, dubstep, trap, moombahton, funk, drum’n’bass… Acho que levo um pouco disso tudo para o estúdio quando vou produzir. Mas no geral, costumo me inspirar em produtores inovadores que considero “next level”, como Skrillex, Knife Party, deadmau5, Boombox Cartel e Matroda.

“Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto.”

A sua primeira aparição como DJ aconteceu logo no palco do Ultra Brasil. O que isso representou para a sua carreira? Ao mesmo tempo em que te impulsionou no início, trouxe também uma certa pressão de se manter alocado no mercado?

Ter a estreia do seu projeto em um dos mais consagrados festivais do mundo, ainda por cima em sua cidade natal, é a melhor estreia possível [risos]. Me deu aquele sentimento de estar indo no caminho certo, e foi extremamente motivante. Desde então, venho trabalhando muito, focado e determinado para não deixar a bola cair, sempre dando o melhor de mim. Meu plano é tentar ser o melhor que eu puder ser, seja no estúdio, no palco ou nos bastidores.

Seu crescimento foi muito rápido, mas consistente. Assinou com a Sony Music, entrou na Plusnetwork e agora vai lançar pela Armada Music. Olhando para trás, quais são os elementos que você considera terem sido decisivos para trilhar um caminho sólido em tão pouco tempo?  

No início lancei muitas tracks em pouco tempo porque queria que o público conhecesse a minha identidade sonora, a minha marca. Umas bombaram mais que outras, mas a “Suavemente” acabou virando um hit e isso trouxe bastante reconhecimento. A bandana também foi algo que acrescentou muito para todo o conceito do Beowülf. E por fim, fazer um trabalho organizado, com planejamento, estratégia e uma equipe competente com “sangue no olho” também teve peso.

É notória a atenção que você deposita nas produções. Sua agenda de lançamentos é bem alta, e músicas como “Suavemente” e “Like Home” já passaram dos três milhões de plays no Spotify. Como se dá o seu processo criativo em estúdio, e em que formato você se sente mais à vontade produzindo?

Eu sempre procuro ir para o estúdio com a cabeça bem aberta, sem tentar copiar outros produtores que são do mesmo gênero. Acho muito importante desenvolver uma identidade musical própria, o que não é nada fácil, então eu foco bastante nisso. Quando faço uma track, geralmente começo pelo drop ou por algum sample — um vocal, um riff de guitarra, uma melodia inusitada…

Desenvolvo a ideia principal e em seguida trabalho nos detalhes. Eu gosto muito de produzir sozinho, mas trabalhar com parceiros é ótimo para ser objetivo ao tomar decisões juntos, o que acaba acelerando o processo de produção. Sou meio indeciso quando o assunto é timbre, então isso ajuda. São muitas opções para tudo. Quem produz música eletrônica sabe bem o que estou dizendo [risos].

Você também criou os “DRUM REMIXES”, vídeos em que toca músicas, em sua maioria suas, em uma bateria. Você é músico de formação?

Estudei música na escola e tive algumas bandas durante a adolescência. Com umas dessas bandas, tive oportunidade de gravar faixas em estúdios, me apresentar ao vivo e também tocar em peças musicais. Eu toco um pouco de tudo [risos], mas meu instrumento mesmo, que toco desde pequeno, é a bateria. Sou formado em Desenho Industrial, mas nunca exerci a profissão.

É comum na cena eletrônica vermos artistas usando máscaras para esconder suas verdadeiras identidades e construir personas misteriosas. Isso vem ao menos desde o Daft Punk, e hoje temos vários outros expoentes do tipo, como deadmau5, marshmello, SBTRKT… Por que você também optou por esse caminho, e o que te motiva a se manter anônimo para o grande público?

No meu caso foi importante porque eu tinha outros projetos de música eletrônica que rodaram pelo Brasil e outros países, e ao criar o Beowülf eu queria separar as coisas. Queria que as pessoas gostassem de mim pela minha música e não por quem eu sou. A bandana acabou se tornando mais do que algo para esconder o rosto — se tornou uma marca.

Falando em bandana, ela já se tornou parte importante da sua trajetória. Frequentemente vemos fãs utilizando uma bandana sua inclusive em apresentações de outros artistas. Como funciona, as pessoas pedem bandanas pra você? Você imaginava que algo do tipo poderia rolar?

Nunca esperava que a bandana fosse causar esse efeito todo. Usei ela mais para ocultar minha identidade mesmo, mas acabou se tornando algo muito maior. Achei muito legal como isso aconteceu naturalmente. Muita gente me pede uma, então eu levo sempre algumas para os shows e dou para a galera que está animadaça na frente do palco.

Infelizmente, são poucas bandanas por show, mas em breve venderei pela minha loja virtual para todo o Brasil. Algumas pessoas pedem para eu mostrar o rosto e já até tentaram arrancar ela à força algumas vezes [risos], mas pretendo continuar assim. Quando qualquer pessoa usa a bandana, ela encarna o espírito da lenda e se torna o Beowülf. Foi assim que surgiu a hashtag #WeAreBeowülf.

Tocando “Plomo” no Rio Music Carnival

Já que estamos falando de público, sua página possui um engajamento muito bom comparado a outros artistas. Como foi que você conseguiu construir uma base de fãs tão sólida? Que dicas você pode dar a outros artistas?

Acho que ser verdadeiro e atencioso com meus fãs, ter um trabalho sério, com tracks de qualidade constantes, dedicação. Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto. Eu recomendaria ter amor aos detalhes — seja nas músicas, redes sociais e carreira em geral —, e também, para se diferenciar de alguma forma, ser original, pois hoje em dia está tudo muito igual nesse mercado.  

Quais serão os próximos passos e planos do Beowülf?

Estou agora colhendo os primeiros frutos da “Plomo”, que já teve support de artistas como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike. Estou muito ansioso para o lançamento dela. Depois disso, pretendo continuar lançando uma música a cada três ou quatro semanas, pois tenho mais de dez prontas no momento, entre remixes, originais, collabs… Não vejo a hora de poder mostrar todas essas tracks para o mundo.

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