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Exclusivo: DJ Marky fala sobre novos lançamentos e o que falta à cena brasileira

Flávio Lerner

Publicado em

16/03/2017 - 9:17

Enquanto conta detalhes sobre seu remix para o Justin Martin, sua festa Influences e os lançamentos previstos pra 2017, Marky dá declarações contundentes sobre a cena nacional.

DJ Marky. Na época do boom da cultura DJ no Brasil, com a explosão das raves e da cena jungle/drum’n’bass, esse nome era ainda mais impactante — principalmente na Europa, onde se tornou ídolo, responsável pelo single brasileiro mais vendido na Inglaterra. Marky não parou, não se tornou ultrapassado e tampouco perdeu ritmo ou qualidade; contudo, os tempos são outros, e, pós-EDM, nomes como Vintage Culture e Alok tomaram-lhe espaço no nosso país como heróis nacionais.

Contudo, não apenas pra quem gosta de d’n’b ou turntablismo, mas sobretudo pra quem aprecia DJs sets tão ricos em musicalidade quanto em técnica, Marky segue sendo rei — e mesmo não tão em voga na mídia quanto em outrora, segue muito bem, obrigado. O pioneiro do DJismo brazuca, paulistano da Zona Leste e são-paulino fanático não é lá muito chegado a dar entrevistas, mas quando topa, é certeza de opiniões contundentes. Foi o caso quando, na semana passada, fui trocar uma ideia breve sobre dois assuntos principais: o seu novo lançamento, um remix para o estadunidense Justin Martin, e a nova edição da festa Influences, que rolou no último dia 11, no Pan-Am, com o DJ Dubstrong [de quebra, aproveitei pra pegar um depoimento breve para o Dia do DJ]. Pra minha grata surpresa, o que era pra ser uma troca rápida acabou evoluindo em uma conversa mais profunda, em que o DJ acabou tocando em assuntos macro, como o momento da cena brasileira em relação com o resto do mundo. Abaixo, você confere os principais momentos desse papo.

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Novo lançamento: remixando pela primeira vez o amigo Justin Martin

No ano passado, o conceituado DJ e produtor de São Francisco Justin Martin — um dos cabeças do selo Dirtybird, de Claude Von Stroke — lançou seu segundo álbum, Hello Clouds. Agora, no fim de fevereiro, o LP ganhou sua versão de remixes, com releituras de nomes como Soul Clap, Little By Little e Low Steppa, todas em variações do house. A única que foge das batidas 4×4 é a de Marky, que curiosamente foi designado a remixar uma música chamada “Back to the Jungle”. O paulistano conta que a relação de amizade entre os dois vem de uns cinco anos atrás; o Marky primeiro conheceu o Claude Von Stroke no Creamfields, em Liverpool, que o convidou a remixar sua faixa “Aundy”. “Eu fiz o remix e vários DJs de house e techno, como o James Zabiella e o próprio Justin Martin, começaram a tocá-lo. Toda festa que eu tocava em São Francisco, o Justin ia, e a gente ficou muito amigo. Gostamos das mesmas músicas, das mesmas coisas, e agora ele me pediu pra fazer esse remix”, conta.

“É bom que eu tive um prazo bem longo, porque hoje as gravadoras querem tudo muito rápido, querem um remix depois de duas semanas, e acho que é por isso que hoje em dia a música tá virando uma coisa genérica, com prazo de validade, que só funciona por três meses, depois joga fora. Então me deram um bom tempo, eu demorei uns três meses. Ele é totalmente inspirado em jungle music, da época em que eu trabalhava em uma loja de discos e escutei jungle pela primeira vez”, seguiu, acrescentando orgulhoso que, depois de poucos dias de lançamento, a faixa já estava no primeiro lugar do chart de drumba do Beatport. “Não significa muita coisa, porque o Beatport não representa nem 1% de todas as lojas de música do mundo, mas já é um começo bacana.”

Eu perguntei se ele tinha escolhido a faixa ou se a tinham designado por causa do nome, mas o Marky garantiu que não. “Não foi por causa do título, não. O Justin me ligou, falou que tinha essa música, que tava estourada. Achei bem legal, e ao mesmo tempo bem simples e superimpactante. Ela não tem muitos elementos; se não me engano, tem mais canal de efeito do que de beat, de bateria, sintetizador e tal… Descontruí ela inteira, e fiz uma coisa bem diferente, porque se fosse pra fazer um remix dessa música com house, ia soar muito igual. Na Dirtybird eles gostam muito de drum’n’bass, gostam muito de música no geral, que é o que falta um pouco no Brasil. Aqui, se você faz um remix, tem que ser meio mainstream, sabe? Então esse lance de eles quererem abranger todos os estilos é muito legal. Eu tenho uma conexão muito boa com essa galera de house e techno, então eles apreciam muito o meu trabalho, e vice-versa. A gente tá sempre trocando figurinhas.”

“Hoje as gravadoras querem um remix depois de duas semanas; por isso, a música tá virando uma coisa genérica, com prazo de validade, que só funciona por três meses.”

Influences

A festa começou no Vegas Club há cinco anos, e se mudou pro Pan-Am no ano passado, onde rola mais ou menos a cada dois meses. Mas o que importa mesmo é como ela representa uma oportunidade rara de ouvir sets diferentes do padrão. Muito longe de se ater a um estilo como house ou techno — ou mesmo drum’n’bass —, Marky mostra o que sabe fazer de melhor: condensa um caldeirão de referências das mais diversas, de soul, funk e disco a jazz e música brasileira, passando também pelas suas maiores influências dentro da música de pista per se. E se você já viu o DJ em ação, sabe que ele é um dos melhores em casar músicas aparentemente incombináveis. “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música.”

Influences é também nome do disco compilado por Marky em 2008, lançado pela londrina BBE Records. E a boa notícia é que agora em maio será lançado um volume dois. “É um disco totalmente feito com a cabeça lá fora. Sai em vinil duplo: um disco mixado, outro com as músicas ‘normais’, mas com faixas bônus.”

Cena brasileira: musicalidade, modismos e festivais

Se você acompanha minha coluna aqui na Phouse há certo tempo, pode ter percebido que eventos como o Boiler Room de Recife e o Dekmantel são algumas de minhas pautas favoritas — justamente por apresentarem essa busca pela heterogeneidade, por DJs que fogem do óbvio e misturam diversos estilos orgânicos e referências brazucas com música eletrônica. A Influences de Marky se encaixa bem nesse conceito, e quando o perguntei se via relação entre esses eventos, ele se prontificou a falar bastante sobre sua visão da cena brasileira em geral. “Acho que o Brasil tem muito ainda que aprender. Tivemos um puta boom nos anos 90 com o hardcore, o techno, o jungle, e a gente conseguiu fazer com que as pessoas entendessem todos os gêneros musicais, né? Se formos relembrar, o Skol Beats é o maior festival de música eletrônica que o Brasil já teve… Os festivais antes tinham dois, três pares de toca-discos, e dois ou três pares de CDJs, e as pessoas iam única e exclusivamente pela música, o que não acontece mais — hoje a música vem em quinto lugar. O nome, o ‘brand’, vem em primeiro, o que é uma pena muito grande.”

Set de influências para o Boiler Room, em 2014

O Marky contou que só não foi no Dekmantel São Paulo por estar numa turnê na Índia e na Europa, mas admirou o lineup e a iniciativa em trazer também artistas de música brasileira. “Eu já fui em vários shows do Azymuth [atração do Dekmantel SP], mas nunca no Brasil. É legal essa valorização da música daqui, porque ela é muito valorizada lá fora, ainda mais com esse estouro de boogie nacional, essa volta de músicas do Marcos Valle, Robson Jorge, Lincoln Olivetti, Tim Maia, e DJs como o Tahira ou o Nuts. Sou a favor de festivais que abrangem todos os estilos, é uma saída pra uma educação melhor das pessoas. É bacana que, nesse lance da música brasileira, os caras tão tocando e não tão nem aí; é o trabalho que eu, Mau Mau, Renato Cohen, Murphy, Andy fizemos nos anos 90, 2000. A gente fez com muito amor e carinho, mas acabou se perdendo um pouco, devido ao fato de as pessoas não darem tanto valor mais à técnica, ao conhecimento e ao verdadeiro disc-jóquei. Depois do Steve Aoki, que começou a dar tortada, Paris Hilton, a coisa deu meio que uma debandada. Mas na Europa, na Ásia, continua muito bem, e espero que volte a crescer, como deve ser aqui no Brasil. Acho que os donos de clube, que organizam festivais, devem ter pulso firme e tentar fazer algo melhor, porque o nosso país é complicado; quando um estilo musical começa a virar mainstream, ele fica estável, e aqui, estabilidade significa que morreu.”

Novo EP de remixes e gigs pelo mundo

Antes do Influences Vol. 2, o Marky vai ter outro novo lançamento: em abril, sai o EP My Heroes Remixes, com três faixas novas — duas delas, remixes de músicas do LP My Heroes, primeiro álbum do DJ, lançado em 2015. “Vai ter um remix que eu mesmo fiz do single ‘Silly’, mais um remix do Nytron pra ‘Bella Drix’, além de uma faixa nova minha, a ‘Ready to Go’. Então são duas de drum’n’bass e uma meio house, meio tech house…”

Além disso, o DJ conta que tem começado a alcançar novos mercados, “mais exóticos”; além da Índia, tocou em Seul, na Coreia do Sul, pela primeira vez. “Tenho datas fechadas até o meio do ano que vem: bastantes festivais na Inglaterra, turnês na Ásia, no Japão, na Coreia de novo, Austrália, Nova Zelândia, Tailandia, Bali…” ~

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Entrevista

“O melhor que a música proporciona é quebrar barreiras”; Ralk fala sobre o sucesso repentino

Confira nosso papo com o DJ e produtor pernambucano

Luckas Wagg

Publicado há

Ralk
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

O pernambucano Raul Queiroz, o Ralk, é um desses nomes que têm crescido exponencialmente. O remix produzido com o amigo Diskover para “O Sol”, de Vitor Kley, foi o divisor de águas na carreira do DJ e produtor,  ultrapassando dez milhões de plays só no Spotify, e chegando a ser inclusive cantada em coro por um bloco de rua do Rio no último Carnaval.

Com foco em lançamentos na pegada “house pop”, que têm feito grande sucesso no Brasil, o pernambucano fechou recentemente com a Austro Music — talvez o principal selo nacional com ênfase nessa vertente. Por ali, trouxe até agora dois sucessos: “Nosso Amor Virou Canção” — collab com o Make U Sweat, que você já tinha conferido aqui — e um remix para “Cuidado”, hit do jovem fenômeno Gaab, lançado na sexta-feira passada (23).

Em um contato rápido com a Phouse, Ralk fala sobre esses lançamentos, o momento único que está vivendo, sua agenda lotada no Réveillon e ainda explica, ao falar sobre o empresário Xand, do Aviões do Forró, como entende que uma das funções da música é quebrar barreiras. Confira:

 

Você passou a ter popularidade na cena nacional após remix com seu parceiro Diskover para “O Sol”, de Vitor Kley. A faixa atingiu mais de dez milhões de plays e foi tocada em festas pelos quatros cantos do Brasil. Você chegou a imaginar que esse trabalho chegaria tão longe? Qual foi o impacto na sua carreira?

A história de “O Sol” é quase mágica. Trabalhamos a faixa em novembro do ano passado e, em dezembro, lançamos. Veio fevereiro e eu recebi um vídeo, direto de um bloco de rua do Rio de Janeiro, em pleno Carnaval e com todo mundo cantando a música. Foi um dos dias mais gratificantes da minha vida. Tanto eu quanto o Diskover não esperávamos que acontecesse tão rápido. Até queria agradecer mais uma vez ao cantor Vitor Kley e a toda galera da Midas Music pela oportunidade de fazer o remix para essa música incrível.

Assim como o Alok, que hoje é empresariado por um dos maiores nomes do sertanejo — Marquinhos, da Audio Mix —, vimos que você segue por um caminho parecido, tendo hoje Xand, do Aviões do Forró, como seu empresário. Como surgiu esse convite? E como enxerga essa fusão do mercado da música eletrônica com o forró e sertanejo?

O melhor que a música pode nos proporcionar é quebrar barreiras. Eu, Xand e qualquer tipo de artista somos unidos por algo em comum: o amor pela música. Sem contar que Xand sempre foi uma inspiração para mim, não só pela pessoa que ele é, mas como também pelo sucesso que faz aonde quer que ele passe.

Estou aguardando muito o dia em que iremos fazer uma música juntos. Esse é um dos planos! Hoje faço parte do casting da Fonttes Promoções, juntamente com ele. Quando surgiu o convite, fiquei muito feliz e foquei na oportunidade que eu teria para abrir portas ao meu trabalho e de ser apresentado a um público variado.

Ralk
Agradecendo aos céus pelo sucesso. Foto: Reprodução

Vimos que você assinou recentemente com a Austro Music, que pertence ao grupo Som Livre/Rede Globo. O que muda em sua carreira com esse contrato? É um acordo apenas para lançamento de suas músicas, ou vai além disso?

Realizei um sonho de criança em poder assinar uma das maiores gravadoras do Brasil, um nome conhecido em todo lugar. Sei que terei uma responsabilidade pela frente, e há todo um planejamento que apostam para mim. Começamos com o single “Nosso Amor Virou Canção”, com o trio Make U Sweat e o cantor Guga Sabatie, que acabou de bater 420 mil plays nas plataformas digitais.

Depois lançamos a “Maybe”, uma música feita com muito carinho com os irmãos do Dubdogz e o cantor Hugo Henrique. E agora, fim de novembro, saiu “Cuidado”, meu remix para o Gaab. Isso me motiva, me faz buscar inovar, fazer novas musicas, mostrar meu trabalho para o mundo inteiro e também levar comigo essa gravadora que, dia e noite, faz tudo por mim.

Como surgiu essa oportunidade de remixar o single do Gaab?

Sempre fui fã do trabalho dele, gostei pra caramba de “Cuidado” quando ouvi pela primeira vez. Aí fui atrás e recebi o convite e a liberação também pra fazer esse remix. Temos nos falado muito desde então — a gente se fala praticamente todos os dias pra falar sobre a música. Foi uma honra pra mim. A música dele já tem 15 milhões de plays só no Spotify, então foi muito importante pra minha carreira também, e vou apostar tudo nela pro verão 2019.

  

E além disso, o que podemos esperar do Ralk para 2019? Como está sua agenda?

A maratona de final do ano segue com 28 shows e em várias cidades. Terei a oportunidade, inclusive, de me despedir de 2018 e pedir boas vibrações a 2019 tocando em todos os maiores réveillons do Nordeste no último fim de semana de dezembro: Réveillon dos Milagres (AL), Praia da Pipa (RN), São Miguel Gostoso (RN), Fernando de Noronha (PE) e, na noite da virada, em Fortaleza (CE).

Acho que isso tudo reflete no quanto será agitado o meu ano de 2019. Assim espero. Estou muito feliz em poder mostrar minhas músicas para todo o Brasil. Próximo ano será de muito trabalho, muitas músicas e muitos aprendizados. Temos grandes lançamentos pela frente e estou contando os dias para poder mostrar para vocês. São lançamentos que, sem dúvidas, irão marcar minha carreira.

* Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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Entrevista

“Sem amor, não há música ou festa genuína”: Thiago Guiselini fala sobre os pilares da Soul.Set

Dono de loja de discos em Lisboa, o DJ volta a realizar uma edição da sua festa depois de nove meses

Alan Medeiros

Publicado há

Thiago Guiselini
Foto: Flashbang/Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

A última edição da Soul.Set, festa de house e disco organizada por Thiago Guiselini, foi uma daquelas que definitivamente deixam saudades. No comando da pista que celebrou os sete anos do projeto, lá estavam o próprio Thiago, TYV, Kaká Franco e a lenda de Chicago, Jamie 3:26. Aquela tarde/noite de março marcou o fim de um ciclo — logo depois, Guiselini partia em definitivo para Lisboa.

Em Portugal, o DJ estabeleceu residência com sua família e ajudou a fundar a Amor Records, loja de discos que ele administra junto com alguns amigos brasileiros que também vivem por lá. Mesmo morando em outro país, a possibilidade de deixar a Soul.Set acabar nunca foi uma opção. Muito pelo contrário, a festa é uma das principais motivações para o seu retorno regular ao Brasil.

Este esperado momento de reencontro com o público brasileiro acontece neste sábado. Após meses distante do país, Thiago retorna para apresentar mais uma edição da Soul.Set, a última do ano. O evento está formado por um lineup 100% nacional, com Vermelho, Zuim B2B Pedro Bertho e Rafael Moraes no comando dos decks ao lado de Thiago. A nosso convite, o artista falou sobre a festa, a residência em Lisboa e o atual momento de sua carreira.

 

Mais de oito meses se passaram desde a última edição da Soul.Set. Com qual sentimento você retorna ao Brasil para produzir esse evento?

O Brasil é minha terra e a Soul.Set é total parte da minha história, então confesso que estou bastante ansioso pra essa edição. Nesses meses de Amor Records, tenho separado novas músicas que quero muito experimentar na pista Soul.Set. Além disso, estou muito feliz e curioso pra ver três super DJs estreando no lineup, então os sentimentos são os melhores. Por incrível que pareça a emoção de produzir cada edição da festa é a mesma desde a primeira. Ah, e tem ainda as saudades dos amigos que essa pista me deu.

Diferentemente de algumas edições anteriores, o lineup desse encontro está focado 100% em artistas nacionais. É possível dizer que trata-se de uma tentativa de conexão da festa com o que a cena paulistana tem a oferecer de melhor atualmente?

Essa edição foi pensada com muitos detalhes. Estou voltando pro Brasil pra fazer essa festa em dezembro, no começo da temporada de verão. Queríamos a alegria de DJs brasileiros no lineup — DJs que conseguem se conectar e criar uma sinergia com a pista como ninguém. Tivemos edições maravilhosas que ficaram na memória com o line 100% nacional. Nossos DJs são tão especiais quanto os de fora.

“Nossos DJs são tão especiais quanto os de fora.”

Música, essência, amor, respeito e diversidade podem ser considerados os pilares da Soul.Set. Na prática, como você busca trabalhar esses conceitos na pista?

Esses conceitos não são aplicados apenas na pista, mas em todo o projeto, desde a primeira edição. Toda uma atmosfera acontece ao redor da festa. Acredito que esses pilares já estão intrínsecos na festa e a pista é o reflexo disso. Adoro ouvir das pessoas o quanto elas reconhecem a Soul.Set desde a hora que chegam, e ouço muito disso! A festa tem uma personalidade muito bem definida, pois sempre foi feita com muita verdade.

Esses conceitos estão conectados com a pista, pois temos a música como maior protagonista. Sem amor, não há música ou festa genuína — essa legitimidade que vemos na Soul.Set cria uma grande conexão entre as pessoas. A nossa pista é um espaço de união, troca e liberdade, onde todos podem ser quem realmente são através de um dos atos mais primitivos que temos, a dança. Considero fundamental o respeito entre todos. Desde a parte artística, inclusive, que acontece ao convidarmos apenas DJs que têm a percepção do público e que se dedicam para fazer a pista virar, de fato, uma festa.

Uma festa ultrapassa a barreira dos anos apenas quando há a preocupação pela inovação. Dito isso, quais são as novidades que estão sendo projetadas para essa edição?

Prefiro usar a palavra evolução em vez de inovação. Acho super importante pensarmos em novidades sempre, mas nunca esquecendo quem somos. Temos uma identidade muito forte e não queremos fugir dela simplesmente para acompanhar uma tendência ou novos rótulos.

Estamos sempre buscando entregar o melhor que esteja ao nosso alcance, montar lineups coerentes e com cara de Soul.Set, mas que também tragam novidades pra dentro de casa. Temos uma ligação com artes desde o começo e gosto muito de como a coisa se desenrolou. Esta edição, por exemplo, será ocupada por sete artistas expondo seus trabalhos. Queremos mesmo ver cada parte da festa evoluir do seu modo.

   

Com a mudança do cenário político brasileiro a partir de 2018, como você enxerga o futuro das festas de house e techno em São Paulo?

São Paulo tem uma noite super consolidada e que não para de se desenvolver. As festas fazem parte da cultura da cidade, e ao mesmo tempo são um reflexo do estilo de vida da nossa geração. São ponto de encontro de amigos e proporcionam um lugar de energia criativa. Torço para que o cenário político não mude isso.

Desde que a Soul.Set começou, sete anos atrás, o que exatamente mudou na sua vida?

Muita coisa mudou! Experiência de vida, experiência musical, evolução como pessoa e como DJ. No começo eu tinha duas profissões, então minha carreira também mudou. Hoje posso dizer que trabalho cem por cento com música, seja como DJ, dono de loja de discos ou produtor de festas. Fora que nesse tempo mudei três vezes de país, virei pai, casei…

 

Para finalizar: o que te motiva na essência para seguir produzindo eventos mesmo com tantas adversidades?

Quem faz eventos sabe o quão complicado e trabalhoso é, muitas vezes sem retorno algum. Às vezes fica até difícil explicar. Sabe aquele ditado de que o amor é cego? Acho que é um pouco disso. Mas ao mesmo tempo, quando vejo o evento acontecendo e as pessoas felizes, lembro exatamente por que escolhi isso pra minha vida.

* Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

EXCLUSIVO: KVSH quer conquistar o Brasil com a KRUSH, sua nova festa

Inspirado pela Só Track Boa, o mineiro defende que o objetivo é ajudar a fomentar cidades periféricas no cenário nacional

Flávio Lerner

Publicado há

KVSH
Foto: Reprodução
* Atualizado em 21/11/2018, às 17h47

Motivado por sua história, suas origens, sua nova agência, pelo rumo que a capital do seu estado tem tomado e pelo que Vintage Culture conseguiu com a Só Track Boa [sobretudo na última edição mineira], o DJ e produtor KVSH anunciou a Festa KRUSH, cuja estreia já tem data, local e lineup definidos. No dia 21 de dezembro, o artista recebe um time de atrações majoritariamente mineiras no Marô, em Belo Horizonte: Beowülf, Breaking Beattz, DZKO, JOZZEN, LOthief e VOLLAZ — destes, apenas o carioca Beowülf é “gringo”.

Em contato com a Phouse, Luciano Ferreira, o KVSH, explicou as motivações por trás do projeto e revelou ter grandes ambições. A festa está sendo tocada em conjunto com a OTM Produções, de Otacilio Mesquita [que, como você tem visto aqui, está por trás de praticamente todos os rolês da cena mineira].

+ Em tempo: ouça a refrescante collab entre o KVSH e o Malifoo

“Nasci e fui criado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em uma cidade chamada Nova Lima, e a minha história com a música eletrônica começou por aqui”, conta o KVSH. “Vejo que eu e a cena eletrônica da capital crescemos juntos; além de ser o local da minha fanbase, BH não tinha uma cena eletrônica tão forte, principalmente pra galera mais jovem, e criamos isso meio que juntos — então a ideia de eu ter uma festa aqui já vem de tempos. Agora que eu entrei pra Boost MGMT e pra HUB Records, o pessoal da agência falou: ‘cara, temos que fazer uma festa sua na sua cidade, com seus convidados, com seu conceito’.”

Segundo o DJ, entretanto, a KRUSH não será fixa em BH. A ideia é torná-la um evento itinerante por todo o Brasil, com o objetivo de levar o agito principalmente em pontos mais periféricos. “Já temos propostas em outros estados, principalmente em cidades menores, que ainda não têm uma cena eletrônica tão forte; esse é o foco. Queremos usar essa festa como uma porta de entrada pra galera que ainda não conhece tanto de música eletrônica”, acrescenta. 

“Queremos usar essa festa como uma porta de entrada pra galera que ainda não conhece tanto de música eletrônica.”

Mesmo com um lineup inicial voltado ao brazilian bass, o produtor garante que deseja agregar não só outras vertentes da dance music, como também abrir para outros estilos musicais: “Não temos muito essa ‘ideologia’ de fazer uma festa 100% eletrônica. Queremos envolver outros estilos, hip hop, trap, e alguns subgêneros que não são tão hypados no Brasil. E dentro da música eletrônica, teremos do brazilian bass ao tech house, passando até por progressive trance”.

Quando perguntei se o surgimento da label também tinha a ver com a segunda edição da Só Track Boa em Belo Horizonte, que foi considerada por muitos a melhor de todos os tempos, o Luciano foi acertivo: “Com certeza. Depois de vermos o impacto que a Só Track Boa teve aqui, a gente pensou: ‘cara, BH é um lugar que tem uma cena muito forte, a STB bateu todos os recordes de público de todas as outras edições. É o lugar perfeito’. É a cidade em que a cena tá crescendo muito e é a cidade em que eu nasci, e temos certeza que vai dar muito certo”.

+ Segunda edição do Só Track Boa BH pode ser considerada a melhor de todos os tempos

“Assim como o Vintage Culture fez com a Só Track Boa, a gente quer fazer com a KRUSH. A STB é focada em música eletrônica, e queremos uma festa focada na zueira, na diversão, mas claro, sem tirar a música do foco. Ela vem pra finalizar o meu ano com chave de ouro, e estamos muito alegres”, concluiu.

Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, dia 19, a partir do meio-dia.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

ERRATA: Carlos Magno, produtor de eventos da Box Entretenimento, não está mais fazendo parte da produção da KRUSH, conforme noticiamos anteriormente.

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