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Entrevista com o escolhido do Skol Sensation

Phouse Staff

Publicado em

06/06/2013 - 23:01

Hoje saiu o resultado do DJ que irá fazer o Warm-Up do Skol Sensation, é com muito orgulho e satisfação que convidamos ele para uma entrevista exclusiva para a nossa revista, Rafael Carvalho é o nome do grande escolhido do concurso, ele que tem 27 Anos e mora em Joinville/SC  conta pra nós um pouco de sua história e da sua carreira, além de suas expectativas para o Warm Up do Skol Sensation, quem conversa com ele é o DJ Luckas Wagg, confira:

Luckas Wagg – Olá Rafael tudo bem? Antes de tudo gostaríamos de lhe parabenizar pela conquista e desejar toda sorte na sua nova fase que está por vir, bom! Vamos começar nosso bate-papo, “Como você ficou sabendo do concurso?

Rafael Carvalho – Olá Lucas!! td bem sim!! Eu que agradeço o apoio de vcs!!
Na verdade eu nem sabia de concurso nenhum, eu estava em casa terminando minha sexta musica do meu novo projeto de Deep-House que se chama Musicality e logo ,logo vou divulgar as novas musicas. ,Quando Douglas meu primo me chama no Facebook, ele foi bem rápido falou: daew rafa td certuu? olha soh o que ta rolando e tal!! pq vc naum se escreve?!?! a fui ver era o link da skolsensation logo olhei a imensidão da festa e automaticamente me escrevi mandei um set que eu tinha ali a 1 mês e pouco já, fiz o que era p/ fazer e deu!! troquei mais umas letras com ele e só!!

Luckas Wagg – E agora que foi o grande selecionado, qual foi sua reação ao receber o resultado?

Rafael Carvalho –  Pow primeiramente ligou um amigo meu dizendo que tinha um cara doido atrás de mim e tal que não conseguia falar comigo,  perguntou se eu tinha participado de algum concurso da skolsensation, falei que sim! aew ele falou que era para mim ficar ligado que o cara ia ligar novamente! pow a minha reação até então não sei te explicar criei uma enorme expectativa e ao mesmo tempo pensava que podia ser mentira um trote coisa do tipo!! então  subo na Biz rsrs.. p/ ir embora e com os dois ouvidos no cel e extremamente ansioso passou uns 10 min o cel começa a tocar , eu já me atravesso na frente dos carros que em horário de pico estavam devagar já estaciono a moto na calçada na frente da casa de um cara la atendo o cel, eh o Bruno da organização da skolsensation falando que estava atrás de mim e não me achava e tal,  falou  então tenho uma notícia boa para te dar! falei manda!! Você foi  o DJ escolhido para tocar no warn-up da skolsensation!! haha.. imagina a felicidade, não sabia se chorava se sorria fiquei muito ansioso nervoso ao mesmo tempo!! comentei que esperava sim chegar entre os finalista mais ser o escolhido foi top demais!! fiquei muito surpreso!!

Luckas Wagg – Você já fez curso de DJ ou Produção Musical?

Rafael Carvalho – Não nunca fiz curso de Dj, na verdade sempre estive focado mais em produção musical por ser filho de musico acabei herdando alguns dons como o de cantar, tocar violão, gaita de boca e tal!!! em relação a produção musical apesar de eu não ter recurso algum para produzir, meu pc sempre travava, dava pau direto mais mesmo assim fiz uma aula de produção cm o Dj e Produtor Paulo Trip que inclusive me ajudou muito no meu início de carreira e sempre acreditou em mim junto a minha família e também minha namorada que é uma grande companheira !!! logo fui pegando o jeito de mexer no progama ele me ajudava bastante tirando duvidas mais meu forte mesmo estava não em mexer no progama e sim em ir lá e criar as musicas com pouquissíma experiencia!!! no início consegui produzir 4 musicas esse meu amigo Dj e Produtor Paulo Trip que mostrou para o  pessoal da South-B records , eles curtiram o som apesar de eu não estar contente com elas nem mesmo conseguir ouvi-las direito acabei conseguindo chegar no top 10 do AUDIOJALY com uma delas não sei como!! rsrs.. e depois disso meu pc deu pau de vez queimou a placa mãe f..deu com tudo!!!  aew fiquei um bom tempo sem produzir até arrumar dinheiro para concertar o pc!!!  juntei uma grana boa e um cartão de cdt comprei uma placa mae, um processador core i7 /10 gb!! peguei a saida do meu antigo emprego comprei um controlador MIDI, pronto!!! era tudo que eu precisava p/ voltar com força total e acreditando mais e mais no meu sonho!!! Estou com um novo projeto de Deep-House que se chama Musicality e logo ,logo vou divulgar as novas musicas.

Luckas Wagg – Conte-nos um pouco do inicio de sua carreira, como tudo começou?

Rafael Carvalho – Bom, começou primeiramente com produção musical, foram 4 anos aprendendo e fuçando no programa sem muito compromisso, desses 4 anos que se passou aproveitei apenas 1 ano e meio devido a vários problemas com o pc, depois que vi que era isso mesmo que eu queria gravei alguns sets e comecei a querer aparecer mais, tocar nos lugares, me preparar mesmo para o meu objetivo que é o LIVE e futuramente ganhar a vida com isso!! acabei tocando em alguns lugares, poucos na verdade , pois estava mais preocupado cm as produções!!!

Luckas Wagg – Qual o maior público que você já se apresentou? onde?

Rafael Carvalho –  haha… Olha,  o maior publico que eu me apresentei como DJ, foi um B2B que fiz cm o Dj e Produtor Paulo Trip em uma festa aqui em Joinville,  deve ter dado mais ou menos umas 600 pessoas!!! mais teve uma vez também que eu me apresentei em um festival organizado pela radio Atlântida, mas dessa vez como CANTOR inclusive a primeira vez que subi no palco eu tinha 16 anos deu 2.500 pessoas!!! hehe… conta também??? haha…

Luckas Wagg –  Todos nós temos influências, quais são as suas?

Rafael Carvalho – Tenho algumas influências: de início a minha influencia era o Progressive trance , foi aí que conheci esse meu amigo DJ e Produtor Paulo Trip, na época ele tinha o projeto Syntheticsun LIVE, eu curtia muito o som do cara e depois disso já nos tempos atuais é Maceo Plex, Jamie Jones, Lee Foss, Amine Adge , Neeko, Mat. Joe, Justim Martin, Marcelo V.O.R , Demarzo, Depack entre outros!!

Luckas Wagg –  Você acaba de receber uma oportunidade que é sonhada por milhares de DJ’s, o que você acha da música eletrônica no Brasil e como pretende contribuir para que seu nome torne-se uma referência e  “influência” de muitos outros “DJ’s” que estão por surgir?

Rafael Carvalho – Eu acho que a música eletrônica no Brasil tem evoluído muito e tem conquistado vários Países com os vários e ótimos artistas brasileiros com suas musicas e isso vem crescendo notavelmente cada vez mais e mais. Eu pretendo dar o melhor de mim nas apresentações e nas minhas produções para aos poucos adquirir  o respeito e o reconhecimento do publico!!!

Luckas Wagg –  Muitas pessoas chegaram a postar comentários desagradáveis reclamando do resultado na página oficial do Skol Sensation, o que você tem a falar sobre isso?

Rafael Carvalho –  O que eu tenho a falar a essas pessoas é que: elas parem de se preocupar com quem foi escolhido ou deixou de ser, de falar e de se preocupar com os outros ou coisas e comecem a focar mais nos seus objetivos acreditar mais nos seus sonhos, porque  se você  realmente acredita no seu sonho  sem sombras de dúvidas  do fundo do seu coração com certeza absoluta eu sou prova disso ele vai se realizar!!

Luckas Wagg –  Quais a dicas que você dá para quem está começando e pretende se ingressar na carreira de DJ ou Produtor musical?

Rafael Carvalho –  Primeira dica: Você tem que gostar do que você faz, segunda: acreditar em você e saber se perguntar se é isso mesmo que você quer, se isso faz parte de você , porque  você não vive sem e tal. e a última dica e mais importante se as duas primeiras tiverem ok é:  não importa o que aconteça vá atras dos seus sonhos seus objetivos acredite até o fim e não desistam nunncaaa!!!

Luckas Wagg – Pesquisando um pouco sobre você descobrimos que você é agenciado pela South B, conte-nos um pouco sobre ela?

Rafael Carvalho – Na verdade não sou agenciado pela South B. Records a mesma apenas lançou algumas musicas minhas,  mais nada.

Luckas Wagg –  Quais suas expectativas para o Warm-UP do Metrô?

Rafael Carvalho – São as melhores possiveis! Estou preparando 4 horas de set vão ser 4 horas cm o melhor do Deep-House, vou dar o melhor de mim na apresentação espero agradar a maioria (a nata ;)) hehe…!!

Luckas Wagg –  Pra finalizar deixe seu recado para os leitores da nossa revista com suas redes sociais para quem quiser continuar companhando seu trabalho:

Rafael Carvalho – Muito Obrigado ao apoio de todos, para quem quiser continuar acompanhando meu trabalho segue link: https://www.facebook.com/

https://soundcloud.com/rafaelcarvalhodjpdtr e eh noixx rapaziadaaaa!!! abrassss… d;)

 CLIQUE AQUI E OUÇA O SET DO DJ RAFAEL CARVALHO!

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Ashibah: “O Brasil é o meu sonho e eu sempre conto os minutos até voltar”

Artista fala sobre relação com o Brasil, collab com o Mumbaata e abre detalhes do novo álbum

Nazen Carneiro

Publicado há

Ashibah
Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

A DJ, produtora e cantora egícpcio-dinamarquesa Ashibah está retornando ao Brasil para nova tour no início de outubro. Com o sucesso de sua última passagem pelo Brasil, em julho, e o lançamento do EP She Knows (ao lado do duo carioca Mumbaata) pela conceituada gravadora alemã Get Physical, a artista se aproximou ainda mais do público do país e tomou as pistas — e as rádios — com suas músicas fortes, profundas e muito dançantes.

Em meio ao intenso trabalho de estúdio do seu próximo álbum, Ashibah conversou com a Phouse sobre esse momento especial da carreira, sua relação com o Brasil, como rolou a collab com o Mumbaata, deu dicas de músicas e abriu detalhes sobre o seu próximo álbum. Confira na entrevista abaixo!


Suas composições e seu vocal são tão cheios de paixão pela música. E você tem essa versatilidade, que vai de Michael Jackson e Tracy Chapman a instrumentos musicais tradicionais egípcios. Por gentileza, conta pra gente o que você tem ouvido, e o que mais te influencia hoje?

Alguns dos meus favoritos recentes incluem “Kiss of Life”, da Sade, o remix de Dennis Ferrer para “The Cure and the Cause”, do Fish Go Deep, “Girl”, de The Internet, “For My Lover”, da Tracy Chapman, e “Can You Feel It”, do Mr. Fingers.

No meio disso tudo, afro house também tem se destacado. Nunca é o suficiente (risos) [no original, “I Just Can’t Get Enough”, um trocadilho com a música do Michael Jackson].

Recentemente você lançou o EP She Knows, junto com o duo brasileiro Mumbaata, pela gravadora alemã Get Physical Music, que é um dos selos mais renomados e respeitados em todo o mundo. Esse EP é muito forte e feito para a pista de dança, além de ter uma história completa para contar…

O lançamento desse EP pela Get Physical foi um dos destaques deste ano. Eu sempre tive o desejo de lançar por esse selo. Conheci o Mumbaata em uma festa no Brasil e combinamos que deveríamos fazer uma sessão de estúdio, e então eu fui ao Rio e nos encontramos. A vibe e a energia entre nós foi muito inspiradora, e fizemos tudo que eu queria. Quando o pessoal da Get Physical disse ter gostado, pensamos em fazer mais um som e criar um EP, e eles adoraram. Foi uma experiência incrível.

“Uma das coisas que eu amo no Brasil é a abertura das pessoas para ouvir algo novo. É o lugar perfeito para testar novas pistas, novas ideias e eu adoro isso. Os brasileiros são pessoas de coração, e eu acho que é por isso que eu os amo tanto: porque eu sou do mesmo jeito.”

Você tem uma relação muito especial com o público brasileiro, e sua última tour por aqui foi um sucesso completo. Comente alguns detalhes que você considerou especiais nessa tour.

Minha última passagem pelo Brasil foi algo para se registrar. Vocês sempre encontram novas maneiras de me surpreender. Uma das coisas que eu amo no Brasil é a abertura das pessoas para ouvir algo novo. É o lugar perfeito para testar novas pistas, novas ideias e eu adoro isso. Os brasileiros são pessoas de coração, e eu acho que é por isso que eu os amo tanto: porque eu sou do mesmo jeito.

O amor que recebo toda vez que eu toco me dá muito fôlego, sabe? As pessoas dançam, elas cantam e elas estão lá. No Park.Art, em Curitiba, por exemplo, eu toquei para quase 15 mil pessoas, e mesmo assim pude sentir a energia de cada um — cada pessoa com uma energia diferente, bonita e inesquecível. Todos os locais são especiais e marcantes, como as noites intermináveis da Privilège, em Búzios, onde a festa nunca para e o amor é infinito é alucinante. Como artista, isso é um sonho. O Brasil é o meu sonho e eu sempre conto os minutos até voltar.

Você tem tomado conta dos programas de rádio por todo o país. O EP com o Mumbaata chegou a tocar em oito Estados e teve, inclusive, estreia nacional no programa Dance Paradise, da Jovem Pan FM. Toda essa exposição foi estranha de alguma forma, ou você considera natural?

O maior desejo de todo artista é que isso aconteça. Criar algo que realmente vem do coração e sentir essa resposta imediata é algo que me mantém querendo criar mais e mais. Está fluindo de forma natural e sou muito grata por isso.

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Você ainda se sente nervosa antes de um show?

Sempre. Você tem que estar nervoso, porque você ama isso. E se você parar de ficar nervoso, talvez precise de novos desafios. São as borboletas [no estômago] que mantêm você em pé.

Ok! Agora essa pergunta é muito importante: qual a melhor bebida brasileira? (Risos)

Ah, não vale! Essa é difícil, foram muitas (risos), mas com certeza a caipirinha de maracujá na praia de Búzios, no lindo bar à beira mar do Brothers Groove, marcou bastante.

Foto: Divulgação

Você acha que o público brasileiro gosta mais quando você canta mais sexy ou aquele vocal forte e poderoso?

Eu acho que eles amam ambos. O público gosta dos contrastes.

Você está prestes a terminar seu novo álbum, certo? Estamos todos curiosos, e eu preciso que você conte mais sobre ele aqui na Phouse!

Meu álbum está saindo do forno já há algum tempo, e estou muito animada, claro, mas muito nervosa ao mesmo tempo. O que vocês podem esperar desse novo trabalho sou eu, em diferentes perspectivas. Adianto aqui que o álbum será dividido em três partes, com os três EPs. Será uma verdadeira jornada. Não posso revelar mais agora, mas tudo o que posso dizer é para esperar profundidade, vocais, emoções, força total e crocância (risos).

+ Mumbaata e outros artistas brasileiros revelam os bastidores da “Cocada”

Incluirá colaborações? Algum artista brasileiro?

Sim, com certeza. Posso adiantar que Mumbaata e Jean Bacarreza estarão nesse álbum. Também alguns artistas egípcios.

Você tem uma turnê brasileira confirmada para outubro. O que vem por aí?

Primeiro de tudo, mal posso esperar para voltar! Estou com um novo show e novos elementos ao vivo. Iremos nos apresentar em locais inéditos onde pretendo mostrar materiais em primeira mão para o público brasileiro curtir e se divertir muito comigo!

* Ashibah está de volta ao Brasil nesta semana, onde apresentará algumas de suas novas faixas. Veja as datas abaixo!

Ashibah
Arte: Divulgação

* Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Sócia do Caos, Eli Iwasa fala sobre curadoria, cena e sonho realizado

Celebrando a diversidade, casa recebe Modeselektor, Zegon e Mau Mau neste final de semana

Rodrigo Airaf

Publicado há

Caos Club
Eli Iwasa. Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

É em um galpão industrial completamente reformado em Campinas que acontece uma vastidão de apresentações antes pouquíssimo prováveis de rolar na região. Desde sua inauguração, em dezembro, abrindo no máximo duas vezes por mês e rolando por longas horas, o Caos reverberou uma jornada sonora das mais recompensadoras, trazendo desde nomes majestosos como Laurent GarnierCarl CraigChris LiebingSpeedy J Marco Carola, até nomes de grande destaque na atualidade, como Nina KravizReconditeANNA e Nastia. Por falar em artistas imponentes, foi lá a apresentação única da alemã Ellen Allien no Brasil — fato que vai se repetir com o gigante Dixon, em outubro.

Tendo como filosofia a diversidade tanto de público quanto de som — você pode encontrar numa mesma noite tanto a disco music de Eric Duncan quanto o techno pulsante de Tijana T, por exemplo —, há projetos como a Wolf, voltada ao público LGBTQ+, e a Groove Urbano, que fomenta o hip hop, ambos com histórico de eventos no Club 88 (do mesmo grupo que criou o Caos). Por esses eventos passam expoentes fora do circuito usual, entre eles Linn da QuebradaEmicida e Gabriel o Pensador.

Voltando aos beats eletrônicos, até mesmo Fisher, febre mundial da cena tech house mais comercial, apresentou-se no club na última semana, em uma noite explosiva em parceria com a festa paulistana Michael Deep.

Caos
Caos, em sua inauguração com Carl Craig, em dezembro de 2017. (Foto: Bill Ranier/Divulgação)

A próxima loucura que o Caos vai aprontar está logo aí, na madrugada de sexta para sábado: um after com ModeselektorZegon e Mau Mau, a partir das 04h. Pode ser maluco para alguns unir o poderoso e eclético duo alemão a um difusor da bass music e um pioneiro do techno brasileiro na mesma noite (tudo isso logo depois de uma festa de hip hop), mas não é maluquice para o Caos — e certamente não para sua sócia-fundadora Eli Iwasa.

É com ela que conversamos agora, para que nos ajude a entender o porquê de o Caos ter se tornado um projeto tão único e tão importante para o interior de SP em menos de um ano, além de explorar um pouco a proposta da casa através de sua visão e experiência de duas décadas no cenário eletrônico.

Caos
Eli Iwasa na cabine do Caos, que possui um amplo espaço ao redor do DJ. (Foto: Reprodução/Facebook)

Eli, o lineup do after que vai rolar no próximo sábado é curioso, e parece ser bem especial: Zegon, que é conhecido na cena bass; Modeselektor, duo gringo muito querido por quebrar barreiras de estilos musicais; e por fim, Mau Mau, deuso do techno que vem com um set de clássicos. Como e por que o lineup foi montado assim?

O Modeselektor é conhecido por não se prender a rótulos, por sua imprevisibilidade, então por que também não fazer algo fora do óbvio? Tanto o Zegon quanto o Mau Mau são artistas com uma baita bagagem musical, e pedi para cada um deles que fizesse um set especial para que pudessem mostrar um pouco a mais de suas próprias histórias.

O Zegon, além de ter sido DJ do Planet Hemp, faz parte do N.A.S.A. e do Tropkillaz, então pode ir do hip hop ao eletrônico, e tudo mais no meio, com a maior facilidade. Quando fechei o Modeselektor, a primeira pessoa que pensei em chamar para fechar a festa foi o Mau, fazendo um set de clássicos. Ele, que ajudou a construir tudo isso que temos agora, que tem um papel fundamental no desenvolvimento da música eletrônica no Brasil, e que também é figura central da minha própria história na cena, não poderia ficar de fora.

Em sua comunicação, o Caos deixa claros seus princípios de inclusão, posicionando-se contra preconceitos e barreiras sociais, convergindo diversos públicos. Como isso se traduz nos lineups da casa?

Quando começamos a pensar no que gostaríamos no Caos, resgatamos a ideia de como eram os clubs importantes em nossa formação, como o Lov.e e o Kraft. Uma das coisas mais significativas daquela época era justamente a mistura de públicos: o “playboy” e o “mano”, as “bees”, as trans, a turma do som e os que caíam de paraquedas, encarando seus próprios preconceitos e aprendendo na democracia que uma pista de dança deveria ser.

Aqui nem todo lugar é assim. O que parece absurdo pra muita gente é uma realidade na região. E queríamos reunir os amigos e clientes de universos backgrounds diferentes num só lugar. É um processo de aprendizado constante e um desafio também, porque Campinas ainda é uma cidade bem conservadora em muitos sentidos. 

Caos
“Sem sexismo, sem racismo, sem capacitismo, sem ageísmo, sem homofobia, sem gordofobia, sem transfobia, sem ódio”, diz banner instalado perto da porta. (Foto: Reprodução/Facebook)

Durante a fase embrionária do projeto, já havia a expectativa de reconhecimento em tão pouco tempo?

Nunca! Nem nos meus sonhos mais loucos (risos)!

O que tem por trás do trabalho de curadoria que o público em geral não vê?

Um grande desafio é alinhar a visão de uma casa noturna com o momento do mercado e com o que o seu público espera, e não deixar seu propósito se perder diante de todas as mudanças que a cena e seu próprio club sofrem ao longo dos anos. Lidamos com muita coisa no Brasil: alta do dólar, uma carga tributária gigantesca, a falta de apoio dos órgãos oficiais, e a toda hora precisamos nos lembrar por que escolhemos ter um club, pois nem sempre é fácil.

Tem muita festa acontecendo, a concorrência é grande e isso faz com que muitas agências de talentos acabem pedindo ofertas inviáveis ao produtor brasileiro. Ao mesmo tempo, estamos sofrendo com esse momento econômico e político no país, o que refletiu no ticket médio e na frequência com que as pessoas saem — muita gente gasta com cautela e escolhe uma festa no mês em vez de sair todas as semanas.

Do nosso lado, existe um cuidado ainda maior na hora de investir em um artista internacional, o esforço de não bater datas com outros eventos, e tudo isso reflete na curadoria: ora você se arrisca mais artisticamente, ora você toma decisões de resultados mais certeiros. 

A agência Muto é responsável pela comunicação audiovisual do Caos, trazendo vídeos conceituais a cada edição.

Então pra escolher os artistas, nem sempre a paixão fala mais alto?

Nossas decisões são bem emocionais. Pensamos muito na experiência e nos momentos que podemos proporcionar através dos clubs. Não é exatamente a maneira certa de gerir um negócio (risos), mas é a maneira que é certa para nós. Sempre fomos assim, muito intuitivos, com a paixão falando alto.

A experiência também permite que tomemos decisões certas mesmo sem fazer muitas contas, porque com o tempo você aprende o que funciona e o que não, quais dias são melhores para seu club… Muito importante falar também que manter-se atualizado com o que acontece na cena é fundamental; o público se renova constante e rapidamente, assim como estilos musicais e artistas.

Imagino que várias datas do Caos foram lindas e que seja difícil fazer uma escolha, mas em qual delas você realmente sentiu uma sinergia perfeita entre o lineup, a resposta do público, a conexão entre os artistas, e pensou: “o resultado está literalmente do jeito que imaginei”?

A inauguração do Caos fez muita gente chorar entre toda a equipe e público, porque sentimos que algo muito significativo estava acontecendo ali. Já sobre a noite com Laurent Garnier, pessoalmente, queria há anos booká-lo para algum dos meus clubs em Campinas, mas nunca sentia que era a hora. Quando abrimos, sabia que estávamos prontos para recebê-lo aqui, da maneira que ele merece.

Eu nunca vou esquecer o momento em que o Laurent entrou na cabine e o Toca, um dos meus sócios, veio até mim, super emocionado, porque só a gente sabe o tanto de dedicação que foi preciso para chegarmos ali e abrirmos a casa. A ficha caiu que tudo que vivemos e aprendemos nos trouxeram até aquele momento, com todos nós colocando nosso potencial em prática para fazer o Caos ser uma realidade.

Caos
O Caos é realmente para todos… Até mesmo pra Paçoca, filha da Eli Iwasa. (Foto: Reprodução/Facebook)

Como você enxerga a noite de Campinas em relação ao cenário nacional atualmente?

Vejo que o Caos e o Club 88, junto com o Laroc, que são nossos amigos e fazem um trabalho incrível, estão realmente fomentando a cena da região e a transformando em um destino para quem gosta de música eletrônica. Sempre existiu o fluxo de público de Campinas para São Paulo, e hoje, finalmente, existe também o fluxo de São Paulo, cidades ao redor, Sul de Minas para esses clubs.

Vale lembrar que esse trabalho não é de hoje. O interior de SP sempre contou com clubs muitos importantes, como Kraft e Anzu, além de festivais como Kaballah, Tribe e XXXPERIENCE, que realizam seus eventos por aqui.

Pra fechar, o que é um bom curador pra você?

Um bom curador é aquele capaz de traduzir a visão de um club ou evento através da música, dos artistas e das experiências que compartilha e proporciona.

Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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Entrevista

Em meio à turnê brasileira, Kolombo fala sobre sua relação com o país

Fã do Brasil, belga ainda passa por Warung Tour, Rio e El Fortin

Alan Medeiros

Publicado há

Kolombo
Foto: Reprodução

Olivier Grégoire é a mente por trás do projeto Kolombo. Mesclando batidas de house, disco e hip hop, este importante DJ belga conquistou os clubbers brasileiros logo em sua primeira passagem. A identificação com o nosso país foi tamanha que hoje o Brasil pode ser considerado a segunda casa de Olivier, dono de turnês recorrentes no país.

Os motivos que levam Kolombo ao patamar de um superstar da dance music por aqui são fáceis de serem compreendidos. Seu som é alegre, vibrante e projetado para o dance floor — tem tudo a ver com as pistas brasileiras. Além disso, ele segue se distanciando daquele perfil sério e carrancudo que muitos artistas gringos possuem; Grégoire é carismático e transmite uma energia boa quando está em ação. A cereja do bolo é a consistência que se mantém através dos anos, tanto em seu trabalho solo, quanto no que é desenvolvido frente à LouLou Records.

Neste fim de semana, Kolombo encerra mais uma turnê brazuca. Desta vez terão sido seis datas entre os dias 17 e 25 de agosto — com direito a uma gig na Argentina no meio disso tudo. Depois de tocar em Cuiabá (MT), Itapetininga (SP), São Paulo e Córdoba, o produtor segue para a Warung Tour Gramado (RS) nesta sexta, e encerra com duas gigs no sábado: uma no Bunker Festival, no Rio de Janeiro, e a outra na festa de 13 anos do El Fortin, em Porto Belo–SC. No embalo da turnê, encontramos o artista para um breve bate-papo:

Olivier, quando você pensa em Brasil, qual é a primeira coisa que vem à sua cabeça? De alguma maneira, sua relação com as pistas do país mudou a forma como você se conecta com a música?

O Brasil é muito especial para mim. A primeira coisa que vem na minha cabeça é a energia incrível do público. É bom porque me sinto confortável para testar tudo. As pessoas têm a mente aberta e o público é enérgico.

Você é um cara que possui um som muito verdadeiro. São claras as referências musicais que formam seu perfil sonoro: uma mistura de house, disco e hip hop. Ter um estilo próprio é uma das prioridades do seu trabalho?

Com certeza! Como você disse, eu tenho esse background forte que me fez construir minha identidade na música. Nunca pensei em prioridade, é apenas algo que vem naturalmente.

Neste ano novamente você volta à posição de headliner no aniversário do El Fortin. O que o público pode esperar de você nessa noite?

Bom, estou trabalhando em muita música nova, então como eu disse antes, a galera brasileira é o público perfeito para ver como as coisas novas funcionam. Toquei no ano passado no El Fortin e foi impressionante. Estou ansioso para essa.

Uma pergunta um tanto quanto especial: quais são suas atuais faixas preferidas para a pista?

Tenho tocado uma das minhas últimas produções, que não foi lançada ainda — funcionou muito bem na pista. Também faixas de Bontan e Claude VonStroke… Esse estilo de dub underground.

Pra encerrar: o que o Brasil tem de mais especial? Pão de queijo [risos]?

Não. Picanha para sempre [risos]!

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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