* Por Danilo Bencke
** Edição e revisão: Flávio Lerner

Nessa sexta-feira, 24 de maio, Vintage Culture e Fancy Inc lançaram seu aguardadíssimo single, “My Girl”. Ele saiu pela gravadora do Tiësto, a Musical Freedom, sendo distribuído pela Spinnin’ Records/Warner Music. O som é super dançante e cheio de energia, com bastante groove nas linhas de baixo e um vocal alucinante.

O vocal e a melodia foram extraídos do clássico de Rick James e Eddie Murphy, “Party All the Time”, que fez muito sucesso nos anos 80. Mesclando gêneros musicais do pop/funk da época com a música eletrônica atual, eles criaram uma das tracks mais originais de 2019.

Segundo as palavras do próprio Fancy Inc, “‘My Girl’ é o nosso melhor trabalho. Estamos orgulhosos da energia, inovação e cuidado que entrou nesta track. Mesclar dois estilos musicais foi desafiador e inspirador. Trabalhar com o Vintage Culture é um ponto alto da nossa carreira. Compartilhamos uma afinidade musical e nossa colaboração pareceu orgânica e genuína”, disseram, via release de imprensa.

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Por outro lado, Vintage Culture continua a expandir fronteiras em sua jornada musical. Já tendo um projeto famoso e estabilizado aqui no Brasil, sua crescente base de fãs colocou sua música nos melhores clubs ao redor do mundo.

“Cada faixa que eu libero é um reflexo do momento em que estou vivendo. Meu humor, estado de espírito, o ambiente que me rodeia. É importante que eu escreva e grave músicas que representem meu estilo de vida e os amigos e equipe que me cercam. Minhas músicas têm que ser honestas. Cada faixa é única em seu próprio caminho. ‘My Girl’ é o exemplo perfeito. Esta música reúne toda a energia, urgência e pura diversão que está ao meu redor e ao do meu público quando estamos juntos em 2019. Tenho orgulho de compartilhar com meus fãs e aguardo com expectativa as memórias que estamos prestes a criar”, complementou o sul-mato-grossense.

Mas nem tudo são flores. Para conseguir lançar a track eles enfrentaram diversos desafios, que vão desde a liberação dos direitos autorais até o encontro de um novo interprete para a música. Por isso, conversei com o duo gaúcho para descobrir como eles contornaram esses obstáculos, e saber um pouco mais sobre este lançamento que promete ser um dos destaques do ano.

De onde veio a ideia de produzir essa collab juntos?

A ideia partiu totalmente do Lukas. Ele tinha esse sample na cabeça e nos perguntou se rolava interesse em tentar algo. Inicialmente não havia nem acapella sequer, e tivemos que trabalhar em cima do sample cheio. É extremamente difícil criar assim, mas aceitamos o desafio — provamos várias possibilidades até chegar neste resultado.

O sample é de uma track conhecida do Eddie Murphy, que já foi até sampleada por Sharam. Por que acreditaram nele?

O tema “Party All The Time” é muito forte e abre muitos caminhos para explorar o contexto em volta — tem tudo a ver com o lifestyle da galera que nos acompanha e gosta de música eletrônica. O videoclipe foi todo roteirizado em torno disso.

Quais desafios burocráticos vocês enfrentaram para poder lançar a música?

Depois de mostrar a track para a gravadora, eles gostaram tanto que tomaram a iniciativa de tentar licenciar o vocal. Então descobrimos nos direitos conexos que a autoria da canção é do produtor Rick James, e Eddie Murphy foi apenas o intérprete; ou seja, a letra e melodia foram liberadas, mas o vocal deveria ser regravado por outro cantor.

Existem profissionais especializados em liberação de direitos autorais. Então fizemos tudo certinho como deve ser. Foram dez pessoas em três continentes envolvidas diretamente nesta parte burocrática, demoramos em torno de quatro meses apenas para conseguir essa autorização.

Onde acharam a pessoa para fazer o cover?

Depois de recebermos sinal verde com os direitos, a equipe envolvida nesse projeto tratou de buscar cantores. Não foi um processo fácil, tivemos quatro cantores candidatos e nenhum ficava como esperávamos, afinal, fazer cover de Eddie Murphy não é tão simples. Até que encontramos em Londres uma empresa super tradicional da indústria que já trabalhou com nomes como David Guetta e Eric Prydz especializada em replicar samples. Bingo! O resultado foi incrível de cara.

Imagino que vocês devem ter a agenda lotada. Como foi que se reuniram com o Vintage para fazer a collab?

Durante o processo criativo nunca nos encontramos pessoalmente, fizemos tudo online. Um trabalhava um pouco no projeto e mandava de volta para o outro continuar. Com o perfeccionismo do Lukas, foram inúmeras versões até chegar no resultado final (risos).

O Tiësto já foi considerado por diversas vezes o melhor DJ do mundo e é sem dúvida um dos mais famosos de todos os tempos. Como essa música chegou nele e qual a sensação de ter essa track sendo lançada e tocada por ele?

Foi sem nenhuma pretensão, o Lukas postou um vídeo tocando a track em alguma gig e o Tiësto mandou um direct perguntando de quem era e se podia tocar também. Óbvio que ele recebeu na hora (risos). Ele gostou tanto da faixa, que já estava assinada na Spinnin’, e ele mesmo entrou em contato e pediu para lançar como um joint venture em conjunto com a label dele, a Musical Freedom. Isso é um acontecimento muito raro na indústria fonográfica, duas labels se unirem. Foi uma surpresa receber a notícia de que eles enxergam tanto potencial nesse single.

Danilo Bencke assina a coluna da AIMEC na Phouse.

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