Federal Music
Raul Mendes explica como driblou o desânimo e os obstáculos para seguir firme com seu festival

O nosso país não passa por um dos melhores momentos econômicos já há algum tempo, e isso afeta vários setores da dance music nacional, entre eles os festivais. Em tempos de vacas magras, o Federal Music Festival vem procurando se reinventar para se manter na agenda, driblando as adversidades impostas pelo momento, pelo público e pelo mercado.

Em 2015, depois de uma intensa campanha publicitária que atraiu pessoas de todas as partes do país, o Brasil conheceu o Federal Music. O festival surgiu em 2011, com o intuito de tornar Brasília uma das cidades referência em música eletrônica, e nesses sete anos acumulou mais de 190 mil frequentadores, virando tradição na capital nacional.

“É muito triste apostar em tendências e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’. Meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer” — Raul Mendes

O “Federal”, como os brasilienses o apelidaram, é hoje o maior evento de música eletrônica da sua região. “Criamos a maior marca de música eletrônica do Centro-Oeste do país e temos grande parte nisso, pois não medimos esforços até então para trazer o que há de melhor no mundo para cá”, comenta o DJ e produtor Raul Mendes — sócio-fundador do evento ao lado do DJ Raff —, em contato com a Phouse.

Mesmo com os grandes resultados da popularização do gênero no Planalto Central, nem tudo foram flores na trajetória do evento. Com a chegada da crise, que forçou cancelamentos de festivais ao redor do país nos últimos anos, o Federal teve que remar para não desaparecer. “Brasília é uma cidade que anda para trás. Fica cada vez fica mais difícil empreender no mercado de entretenimento. É a comunidade batendo de um lado, a gente tentando resolver de outro, e o público criticando. Difícil equalizar essa vibe. Se tivéssemos mais incentivo e mais tolerância, seria o ideal”, segue Mendes.

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As dificuldades chegaram a um ponto crítico no ano passado, quando Raul chegou a anunciar seu afastamento, alegando desmotivação. “É muito triste apostar em tendências, investir pesado e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’ comercial que toca toda hora”, explica. “Em 2015, 2016 e 2017 foi assim, e cada vez piorando, então tomei a decisão de sair. Porém, o negócio não anda 100% sem a minha presença, e meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer realmente ouvir, e pronto.”

A partir de agora, o Federal se planeja para driblar os imprevistos, contratempos e dificuldades impostas pelo macroambiente com “pé no chão, pouca emoção e trabalhando mais dentro do racional”. A edição de 2018 segue dentro dos conformes, e já tem algumas atrações confirmadas. Infected Mushroom, SKAZI, Astrix, Paranormal Attack, Reality Test, Trindade B2B Dimitri Nakov, Freakaholics e Hi-Profile são os nomes para o palco de psytrance em destaque até agora, enquanto os brasileiros Felguk, Liu, Devochka, Cat Dealers, Evokings, KVSH e VINNE, além do italiano Jude & Frank, são os DJs já escalados para o segundo palco, de low BPM/brazilian bass. Diversos outros nomes ainda serão anunciados.

Primeira fase, anunciada no começo do mês, já tem acréscimos

“No psytrance, os heróis são os artistas internacionais. Na house, deixamos de priorizar os gringos e estamos consumindo mais cena nacional. Analisamos quem está mais em evidência no momento em nossa cena — os artistas mais pedidos e os eventos que estão mais bombando”, explica o boss do Federal Music. Além dos dois palcos, em que prometem “cenografia inédita”, o evento trará novidades para este ano. Em primeira a mão, Raul nos adiantou que desta vez o festival terá sua primeira edição “que adentrará o dia”, em vez de se encerrar na madrugada, como de praxe. A produção ainda promete elevar as expectativas em qualidade: “Vamos ter uma entrega jamais vista. Nesta edição teremos muito a nível de experiência, fora o lineup”, concluiu.

Em local inédito, ainda mantido em segredo, a oitava edição do Federal Music vai rolar no dia 11 de outubro. Em lote promocional, os ingressos já disponíveis via Sympla.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

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