Entrevista

Fotógrafo do FELGUK fala da sua trajetória e da arte por trás das câmeras

Renan Piva é o primeiro personagem da série “Click: a música por trás das câmeras”, que investiga o trabalho dos fotógrafos da cena eletrônica.

Pense você na ingrata tarefa encarada por um fotógrafo que se dedica ao mercado da música. Seu trabalho é registrar da melhor forma possível, de maneira visual, um espetáculo que é na sua maior parte auditivo. Como transmitir toda a energia de um momento, de uma batida, em uma simples imagem? Sem dúvida, não é um trabalho para qualquer um. Exige talento, dedicação e uma conexão profunda com a música.

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Na era em que as redes sociais são instrumento fundamental para a propagação da música eletrônica, DJs, produtores, labels, eventos e todos os outros agentes da cena têm usado fortemente o apelo visual como forma de divulgação de seus trabalhos. Instagram, Facebook, Snapchat e outros são diariamente tomados por imagens estonteantes de grandes festas, palcos maravilhosos, viagens a lugares exóticos e tudo mais que puder ser capturado pela lente de uma câmera.

O que poucos param pra pensar é que por trás de cada uma dessas fotos, há um profissional que dedica sua vida a isso, a passar a mensagem da música eletrônica através da fotografia. Na série Click: a música por trás das câmeras, vamos te apresentar, em cinco capítulos, alguns dos maiores nomes da fotografia no mercado da música eletrônica brasileira. Eles estão nos maiores eventos, trabalham com os principais artistas e enxergam a música como mais ninguém.

CAPÍTULO 1: Renan Piva

Felipe, membro do Felguk e Renan Piva

Renan Piva, 29 anos, é carioca natural de Petrópolis. Atualmente, é fotógrafo e tour manager do FELGUK, um dos projetos há mais tempo em evidência no Brasil. Abrindo a nossa série de entrevistas, Renan falou sobre temas como sua paixão pela música, o início da carreira e as dificuldades e recompensas da profissão.

O que veio primeiro: a paixão pela música ou pela fotografia? E como as duas se unira?

A paixão pela música tenho desde que nasci. Sempre fui fissurado. Já a paixão pela fotografia surgiu tarde, há uns quatro anos. Na verdade, sempre gostei de foto, mas nunca pensei nela como profissão, até o dia em que eu comprei uma câmera e enxerguei o quanto eu gostava daquilo. Começou como hobby; eu trabalhava com Administração, e com o incentivo de muita gente, larguei tudo para investir na carreira.

A união da fotografia com música aconteceu por meio de um amigo empresário, o Gui Tannenbaum, que mora na mesma cidade que eu. Ele sempre acompanhou minhas fotos no Facebook, e quando virou empresário do FELGUK, quis implantar um fotógrafo oficial pro projeto. Me chamou para um teste, e acabei virando o fotógrafo oficial e exclusivo deles.

Como é trabalhar com grandes DJs e estar sempre viajando com eles?

É o melhor trabalho do mundo, pois une todas as minhas paixões: música, fotografia, viagens e festas. Já conheci o Brasil inteiro e alguns lugares do mundo, como Tailândia, China e Japão. Além disso, tenho a grande oportunidade de conhecer músicos e DJs nacionais e internacionais, fotógrafos dessa galera toda e estar ali em contato direto com eles. É demais! Alguns amigos me falam: “Nossa Renan, deve enjoar fazer isso todos os finais de semana”, mas não é o que acontece, e jamais acontecerá! Cada festa, cada lugar, tem sua energia, sua cultura. É sempre uma experiência diferente.

“Concorrência é coisa do passado. Quem não adere à parceria, acaba ficando de lado.”

Conte um pouco da sua rotina e dos principais desafios da profissão.

Quando eu era “apenas” fotógrafo, a rotina era basicamente viajar com o FELGUK, sempre com a câmera em mãos, pra capturar imagens na estrada, no aeroporto, nas ruas e nos shows — e o diferencial era entregar as fotos o mais rápido possível. Agora, sou tour manager deles também, organizo junto à nossa agência toda a logística da festa, e ainda faço a pré-produção, cobrando as exigências técnicas de iluminação, efeitos especiais, som, camarim. No dia do show, vou ao local antes da abertura dos portões conferir se está tudo certo. Na hora do show, a correria é certa! Tenho que montar o equipamento deles, auxiliá-los, soltar os efeitos especiais, fotografar — às vezes filmar —, fazer Snaps e Insta Stories, distribuir brindes pra galera, ficar de olho na iluminação e no painel de LED e resolver problemas. E quando acaba, tenho que organizar as fotos com os fãs e também tratar as minhas fotografias, pro Fel e o Guk postarem logo em seguida. É um trabalho intenso, mas muito gratificante. A sensação de dever cumprido é muito boa.

Quanto à fotografia, ela está sempre evoluindo. Técnicas novas, lentes novas… A gente precisa sempre estar acompanhando; não dá pra parar no tempo, senão o mercado te engole e você fica obsoleto. Tenho vários amigos no meio e tenho grande admiração por todos eles. Temos até um grupo no WhatsApp com todos os fotógrafos de DJs do país, e sempre trocamos ideias, dicas, ofertas de jobs e assuntos diversos! Concorrência é coisa do passado. Quem não adere à parceria, acaba ficando de lado.

“As pessoas, quando veem as fotos na internet, sabem que são minhas; nem precisam olhar os créditos.”

Qual foi o momento mais curioso da sua trajetória profissional?

De longe, a parte mais curiosa da minha carreira foi virar fotógrafo de um projeto que eu era fã há anos. Por 2008, quando o FELGUK surgiu forte na cena, eu virei fã. Meu iPod só dava eles, eu ia em todos os shows. Quando recebi a proposta do Gui Tannenbaum, foi uma das melhores notícias da vida, porque minha carreira como fotógrafo não tinha nem um ano.

O que você diria pra quem quer seguir essa carreira?

Alguns têm o sonho de ser fotógrafos, mas têm medo de investir. Meu recado é o seguinte: mercado tem, só depende de você. Quem apresenta um trabalho diferenciado, com uma entrega MUITO rápida de fotos, com qualidade, inovação e identidade, consegue o que quiser. O estudo da fotografia é fundamental, saber das tecnologias e entendê-las, olhar trabalhos de outros fotógrafos.

Mas o que vai ser realmente o diferencial é o seu olhar. Isso ninguém ensina. Basta aprender a aplicá-lo em seus trabalhos, e pra isso, precisa de muita prática! Pra eu chegar onde estou, já fotografei muito, das mais variadas formas possíveis — natureza, longa exposição, moda, macrofotografia, foto em estúdio, shows, books conceituais…

Um fotógrafo tem suas especialidades, mas deve saber compreender qualquer tipo de cenário, seja com muita luz ou com luz nenhuma, pra que a câmera faça tudo o que ele quiser. E, é claro, tem ainda o trabalho de pós-produção, uma etapa fundamental pra dar identidade à imagem. As pessoas, quando veem alguma foto na internet, sabem que são minhas, nem precisam olhar os créditos — assim como as fotos dos meus amigos Pepe (Vintage Culture) e Alisson (Alok). Esse é o ponto principal, criar uma identidade. O resto, só depende da sua força de vontade.

Confira abaixo alguns clicks de Renan Piva:

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