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Entrevista

Atração do Tribaltech, Fran Bortolossi foca no estúdio e lança selo

Jonas Fachi

Publicado em

15/09/2017 - 18:03
Fran Bortolossi Entrevista

Em nova entrevista à Phouse, Fran Bortolossi fala sobre o selo em parceria com Ryan Papa, o desenvolvimento da cena do Rio Grande do Sul e a contratação de um dos maiores símbolos da história do techno.

Carregando consigo o instinto pioneiro tão reconhecido nas pessoas do Rio Grande do Sul, Fran Bortolossi segue sendo um dos nomes mais prolíferos que surgiram em nossa cena na última década. Historicamente, seu Estado de origem sempre foi sinônimo do “faça você mesmo, bem feito e diferente”. Fran herda esse DNA empreendedor, artístico e visionário, que o coloca como referência incontestável da cultura eletrônica no Sul do país.

Sua automotivação para continuar em constante movimentação tem o levado a se conectar com todos os aspectos que envolvem o desenvolvimento do cenário em que está inserido — seja ajudando novos artistas locais nos eventos da Colours, como também trazendo nomes internacionais capazes de aprofundar e consolidar ainda mais o entendimento do seu público sobre música eletrônica de qualidade. Recentemente, a cena do RS esteve em pauta aqui na Phouse, e por isso, não poderíamos buscar outra pessoa se não Fran para imprimir sua visão sobre essa nova fase do Estado. Nesta entrevista, ele nos conta detalhes sobre seu extended set no club Cultive, o lançamento da Disc Wars junto de Ryan Papa, e suas percepções enquanto DJ e produtor musical.

No final do ano passado, você revelou à Phouse que 2016 foi o melhor ano de sua carreira. Como está sendo seu 2017? As expectativas aumentaram?

Com certeza as expectativas sempre são altas. Eu sempre estou impondo metas e planos para realizar com a música, e trabalho diariamente para fazê-los acontecerem. Assim, percebo que me mantenho em movimento e evolução constante.

Este ano tem sido muito bom também, e sou muito grato pelos momentos que estão acontecendo na minha carreira. Toquei pela primeira vez em novos países — Irlanda e Inglaterra —, fiz uma tour de três shows na Argentina com duas festas sold out, e uma delas era minha estreia na cidade de Bahia Blanca. Também tive alguns bons lançamentos até agora: debutei com EPs na LouLou Records e na Warung Recordings, e em setembro sai mais um, com três faixas, pela Witty Tunes — além de um remix para a LouLou. Também tenho um EP para sair com o Kolombo em dezembro, que já rendeu elogios do Toddy Terry e do DJ Sneak, quando eles tocaram juntos.

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Já no início do ano, eu tinha feito essa promessa de que passaria mais tempo dentro do estúdio, e na medida do possível, tenho realizado. Recebi dois suportes importantes recentemente, do Richy Ahmed e do Betoko, e meu desejo é que minhas produções falem cada vez mais por mim. Então tenho estudado bastante e dedicado bastante tempo a elas.

Na próxima semana, acontece mais um grande evento da Colours em Caxias do Sul. Parece que a festa está cada vez mais consolidada e itinerante. Quão importante é se deslocar também para outras cidades do RS?

A Colours sempre foi itinerante, desde o início. Começou em Farroupilha, e logo depois foi para Caxias. Porém, já tivemos edições em Passo Fundo, Santa Maria, Gramado e Bento Gonçalves, para citar algumas. Acho que por a marca já ter certo reconhecimento e prestígio perante o público, hoje em dia existe essa demanda de nos tornarmos cada vez mais móveis. E é muito legal ver um produto que criamos com muito trabalho e cuidado ser valorizado pelo público.

Você já pensou em realizar novamente alguma edição da Colours fora do Rio Grande do Sul, ou é uma marca estritamente criada para os modelos do Estado?

A gente teve umas cinco ou seis edições em Santa Catarina — em Garopaba, Florianópolis, Chapecó e Balneário Camboriú. Se tivermos essa demanda para viajar, seria ótimo ir para outros Estados ou países, mas sempre que realizamos edições fora da nossa “base”, são interesses mútuos de parceiros locais e da nossa equipe.

Sobre ser uma marca estritamente para o RS, acredito que não. Porém, há nove anos, quando estávamos desenhando o início da festa, a música eletrônica que tocávamos era difícil de se escutar no Estado. Então inicialmente sim, ela surgiu para atender essa lacuna.

Você fez um long set no club Cultive, em Garibaldi, na última semana. Como é a preparação para um evento assim? E o que um club precisa oferecer para o artista poder desenvolver algo desse tamanho?

A preparação foi feita escutando e pesquisando muita música, e separando elas por momentos. Músicas para o início e warmup, músicas para o peak time, separadas por house e techno, músicas pra finaleira… Para mim, que pesquiso e escuto música fulltime, é muito bom ter a oportunidade de fazer um set de oito horas, como o que rolou.

Em relação ao clube, primeiro de tudo é ter um bom relacionamento com eles — o que existe de fato —, e saber que a parte técnica vai ser atendida, que CDJs, mixer, som, luz, retornos vão estar perfeitos. A proximidade com o público também. Foi muito legal que do início ao fim da festa, a galera estava comigo. Essa foi a segunda edição desse projeto, e novamente contou com a casa cheia.

Eu tenho visto muito pequenos clubes, núcleos e eventos surgindo por todo o Rio Grande do Sul. O interior hoje não é mais só Passo Fundo e Caxias certo?

Ultimamente o interior do RS tem efervescido com novos projetos. Toda região de Passo Fundo e de Caxias do Sul é bastante forte. Porém há outros lugares como Santa Maria, Pelotas, que têm rolado muitas coisas legais e com muita força. Também é nítida uma melhora de Porto Alegre nos últimos dois, três anos, com eventos muito bem produzidos, e bons artistas locais surgindo ano após ano. Então o prognóstico é de que o RS melhorou muito ultimamente, sim.

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Como você tem aliado sua vida no estúdio a uma agenda intensa de shows? Produzir é algo que você sente necessidade pela maneira que o mercado exige hoje dos artistas ou é algo totalmente natural?

O que me trouxe para a música eletrônica foi a música de fato. Desde criança eu estudei alguns instrumentos como violão, guitarra e piano, e foi esse caminho que me trouxe para onde estou agora. Depois, com uns 20 anos, fiquei apaixonado por música eletrônica, e começar a discotecar foi algo que adorei fazer e continuo adorando. Mas sempre senti a vontade e necessidade de fazer minhas próprias músicas. Hoje em dia, aliada a essa vontade, acho que para ser um DJ e artista mais completo, preciso ter meus próprios temas, então é algo que quero me concentrar cada vez mais em estar fazendo.

Você é uma das atrações do Tribaltech. Qual a expectativa para esse festival tão tradicional e importante em nosso país?

Essa é a segunda vez que vou tocar no Tribaltech. A expectativa é altíssima. Acho um festival muito ousado e inovador. Primeiro porque mistura vários estilos, e segundo, porque dentro de todos esses estilos, temos artistas de vanguarda. Tenho certeza que vai ser uma experiência ótima para todo mundo, e quero fazer o possível para tocar várias músicas próprias no meu set.

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Quando teremos o primeiro lançamento da Disc Wars, sua nova gravadora, em parceria com o australiano Ryan Papa? E como rolou essa parceria com ele?

O primeiro lançamento deve sair entre outubro e novembro, e será do também australiano Verve. O Ryan Papa é um engenheiro de som e produtor da velha guarda, já teve as músicas dele como abertura dos famosos sets do [Hernan] Cattaneo na Creamfields, há vários anos. Ele foi quem fez as minhas primeiras masters, e acabamos ficando muito amigos. Quando ele fechou a Stigma Recordings — em que eu tive meu primeiro EP lançado e ele era o label boss —, ele reabriu a Disc Wars, que inicialmente era uma gravadora que ia do house ao downtempo, e me convidou para fazer parte, trabalhando no setor de public & relations, trazendo novos artistas e obviamente discotecando as músicas.

Eu aceitei o trabalho na hora, e já temos três releases encaminhados. Também é um lugar onde nós mesmos poderemos lançar nossas próprias produções, o que se é muito legal. Não precisamos passar pelo aval de ninguém, além de nós mesmos, para lançarmos nossas músicas.

Esse projeto seria sua grande realização em 2017?

Sim. Daqui pra frente eu pretendo me concentrar cada vez mais em estúdio, seja produzindo minhas próprias músicas ou ajudando amigos a produzir e lançar suas músicas também. Acho que faz parte de uma cena madura, os DJs e artistas terem suas próprias produções.

Teremos ainda alguma novidade para o restante do segundo semestre?

Além dos eventos que já temos anunciados agora para Caxias, teremos outros dois. Um, com um dos ícones e pioneiros do techno no mundo, o alemão Chris Liebing. Tenho certeza que será outro momento único para o RS, ter um DJ desse porte e importância tocando por aqui, e acho que novamente a Colours afirma o compromisso com a música eletrônica em investir e acreditar em um evento com um nome de tamanha magnitude. Confesso que estou muito ansioso para essa festa. Desde que tivemos a confirmação dele, ficamos muito felizes e a expectativa é enorme.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

“Music Mate” da ONNi, Bernardo Ziembik fala sobre as novidades do app

Alan Medeiros

Publicado há

ONNi
Foto: Divulgação
Aplicativo apresenta solução para as tão temidas filas em clubs e festivais
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Se você possui uma marca e quer alcançar caminhos nunca antes alcançados, precisa projetar um conjunto de iniciativas fora do padrão. O aplicativo ONNi, com base em Porto Alegre, tem buscado a renovação de todo um cenário desde o seu começo, propondo o fim das filas com todo processo de compra de ingresso e consumo pelo mobile. Mas não para por aí…

Desde o seu lançamento, em 2016, muitas evoluções já foram propostas, não somente ligadas à parte técnica do app, mas também no seu time. Uma das principais mudanças é a chegada dos “music mates”. A ideia é simples: profissionais de exposição nacional que vivem intensamente a cena artística são convidados a representar as ideias da ONNi em seus respectivos nichos e contextos. Para o mercado da música eletrônica, o escolhido foi o curitibano Bernardo Ziembik.

DJ e produtor, com larga experiência também na produção de eventos, Bernardo apresenta-se como a escolha certa para os objetivos do aplicativo nesse momento. Além de ter um ótimo know-how frente ao cenário, também é um entusiasta das inovações propostas pela empresa. A nosso convite, Bernardo falou um pouco mais sobre os planos da marca para 2018.

Como exatamente foi seu primeiro contato com a ONNi? Você, como público, já testou o aplicativo?

Conheci o aplicativo através de uma conferência que produzi com o Alataj, em Porto Alegre, em 2016. Eles foram super nossos parceiros e apoiadores, viabilizando um coquetel para todo o público presente. Como usuário já utilizei o app lá no RS. Primeiro em uma Levels, festa incrível de Porto Alegre, depois no DOMA, clube super cool na região central da capital. Nas duas ocasiões a experiência foi ótima, me trouxe um conforto gigante e uma economia de tempo em filas.

Music Mate me parece um conceito inovador e que diz muito sobre a jornada da ONNi até aqui. Conta pra gente: como essa parceria está funcionando?

A ONNi nasceu imersa na cena eletrônica. Com o passar do tempo, após validar o produto e a proposta, entendeu que precisava ampliar seu leque de festas para outros gêneros. A estratégia da marca para se relacionar com diferentes cenas foi criar o ”cargo” de Music Mate. Basicamente, é uma representação da ONNi em cada nicho: pop, rock, sertanejo… Depois de muitas conversas, estabelecemos uma parceria estratégica em que eu representaria a marca no segmento eletrônico. Como é um trabalho ligado a muito relacionamento, definimos que o termo “music mate” se encaixa perfeitamente, pois realmente a ideia é que todo esse contato com público, promoters e produtores que eu venho tendo seja focado em desenvolver a plataforma e trazer maior solução para quem a usa.

Qual a principal dificuldade que você tem tido no que diz respeito à negociação com os donos de clubs e festas?

Em Santa Catarina, nas primeiras reuniões, esbarramos na seguinte questão: internet. Como muitos dos clubes ficam em regiões afastadas da metrópole, o acesso à internet é bem precário. Sendo assim, o uso do aplicativo fica comprometido. De forma generalista, acredito que as pessoas têm certa dificuldade em entender que somos um sistema complementar, uma conforto e uma nova experiência para o consumidor. Além disso, tratamos de uma mudança de comportamento do consumo, questão que apenas com a constância de uso poderá ser alterada — mas estamos tendo uma receptividade bem bacana em algumas regiões, como em Joinville e Curitiba.

Existe a preocupação da ONNi em trabalhar com clientes que tenham um alinhamento de posicionamento com a marca?

Acreditamos muito na potencialização e no trabalho em conjunto com nossos clientes. Então, procuramos produtores e clubes que querem realmente trazer algo novo para o seu público e entendam que para aumentar seu faturamento e ter boa performance pelo aplicativo é necessário apresentar da forma correta. Esses fatos fazem com que exista uma segmentação dos clientes potenciais. Sem contar que nossa comunicação é bem jovem, moderna, nosso aplicativo trabalha com cartão de crédito… Isso faz com que os próprios usuários já tenham um perfil específico.

Quão importante têm sido seus conhecimentos adquiridos na carreira artística para desenvolver esse trabalho?

Graças aos meus dez anos de carreira, que estão sendo completados em 2018, pude ter contato com muita gente envolvida na produção de um evento. Então, mesmo que o aplicativo não seja utilizado de cara por essas pessoas, estou podendo coletar uma centena de feedbacks que estão sendo extremamente importantes para as atualizações do aplicativo. Exemplo: muito em breve trabalharemos também em versão web, pois essa demanda é grande no mercado de Santa Catarina e Paraná. Aqui também existe a necessidade de pagamento fora do cartão de crédito, então, com essa plataforma, poderemos vender tanto o ingresso quanto o consumo de bar via boleto. Verificamos também a necessidade de alguns clientes em ter uma plataforma que atenda melhor os clientes de mesas e camarotes. Estamos trabalhando nisso também!

Quais são seus principais objetivos com a ONNi para 2018?

Neste ano o objetivo principal é nos estabelecer como uma inovação no mercado da música no Brasil. Acabamos de lançar o novo aplicativo, que é nativo para iOS e Android. Está muito mais intuitivo, rápido e prático. A versão web para compra de ingressos e consumo é também uma super atualização para nós. A partir disso, nossa plataforma faz muito sentido para vários produtores. Agora também estamos começando a escalar nossas vendas, conseguindo atingir um número maior de produtores, criando várias comunidades nas regiões que atingimos e, assim, facilitando a mudança de comportamento proporcionada pelo aplicativo.

Das vantagens que a plataforma oferece, qual é a mais interessante na sua visão?

Para o produtor: uma nova forma de interação com o seu público e um aumento gradual do seu faturamento. Para o cliente: inovação para acabar com as filas, agilizar sua forma de compra e acesso aos eventos que façam sentido as suas preferências.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Techno de refúgio: iranianos falam sobre resistência e EP por selo brasileiro

Alan Medeiros

Publicado há

Blade&Beard
Foto: Reprodução
Refugiado na Suíça, Blade&Beard lança disco pelo selo capixaba Prisma Techno
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Blade&Beard é um projeto iraniano focado em techno que ganhou destaque internacional após o documentário Raving Iran. Comandado pela diretora alemã Susanne Regina Meures, o longa traz a experiência dos DJs Arash Sharam e Anoosh Raki — hoje conhecidos como o duo Blade&Beard — em busca da liberdade de expressão musical.

Antes de falarmos sobre o documentário — que é excelente e que você já pôde ler sobre aqui na Phouse —, vale uma rápida reflexão sobre o regime político iraniano, um dos mais severos do mundo, responsável por colocar a população em uma forte atmosfera de controle e censura, que chega à música também. A lista de atrocidades do governo com a população que de alguma forma se envolve com música ocidental é algo completamente absurdo para os padrões ocidentais, mas uma realidade cruel para o povo do Irã (sobretudo mulheres, que entre tantas restrições, podem sequer dançar em público). Entre sintetizadores queimados e clubes fechados, prisão e tortura estão entre as penalidades para os “infiéis” — no filme, Anoosh conta que já foi pego e espancado “quase até a morte”.

+ CLIQUE AQUI para ler mais sobre “Raving Iran” e o cenário de repressão no país 

Arash e Anoosh tinham tudo para ser mais um número frente ao forte regime de censura de seu país, até Raving Iran ganhar a luz do dia. O documentário alcançou considerável sucesso de crítica no mundo todo e abriu portas para a dupla explorar o som que acreditam em outros países. O convite para o Street Parade de Zurique foi como uma carta de liberdade para os rapazes do Blade&Beard, que pediram exílio de sua terra natal logo após a apresentação. Hoje, a dupla está empenhada na missão de levar o som do projeto para gravadoras que compartilham dos mesmos ideais artísticos, e vem conquistando uma posição importante dentro desse disputado cenário.

É justamente na busca de bons selos para trabalhar em conjunto que a Prisma Techno entra na história. A gravadora capixaba lançou Moving the Moon, recente EP da dupla iraniana, que chegou a ser iniciado em um campo de refugiados. Com duas originais, “Aerolite” e a faixa-título, o release reflete exatamente o atual caminho que Blade&Beard estão trilhando no estúdio. No embalo dessa parceria, batemos um papo com os criadores do EP, que estão projetando uma tour em solo brasileiro junto ao time da Prisma nos próximos meses.

Raving Iran certamente mudou a vida de vocês pra sempre. Como surgiu a ideia de fazer o documentário? Quais foram as pessoas importantes nesse processo?

Com certeza mudou 50% das nossas vidas, e os outros 50% foi a nossa música que mudou tudo para nós. Sempre tocamos no Irã, no deserto e em todos os lugares que tivemos oportunidade de tocar. A ideia não foi nossa, foi da Susanne, e o que vocês viram foi nossa vida normal. Ela capturou parte disso e foi a pessoa mais importante nesse processo.

Como era o relacionamento de vocês com a cena de Tehran em um sentido mais amplo? O que vocês podem nos contar sobre a atmosfera do público e outros artistas?

Foi um pouco arriscado e assustador gravar no Irã, e literalmente colocamos nossa vida em risco apenas para mostrar nossa luta para as pessoas ao redor do mundo. Somos gratos por aqueles que nos ajudaram. Algumas pessoas simplesmente não se importaram, pois elas queriam que suas vozes fossem ouvidas, mesmo sabendo do risco.

Liberdade de expressão é uma das premissas para o desenvolvimento de qualquer cena artística. Além desse ponto, quais eram as outras dificuldades que vocês enfrentavam an cena de Tehran?

Nós não conseguíamos lançar nossas faixas para sermos ouvidos. Essa foi uma de muitas dificuldades que enfrentamos. Não é possível explicar, mas vocês provavelmente viram isso no filme.

De uma forma geral, vocês sentem que a comunidade eletrônica perdeu parte de seu espírito de resistência ao redor do globo? Se sim, há algo que possamos fazer para resgatar isso?

Não acho que tenha perdido o seu espírito, apenas mudou a sua forma e, agora, por exemplo, a música pop está misturada com eletrônica e está crescendo rápido — talvez em outro formato, mas continua a mesma coisa.

Moving the Moon, novo EP de vocês pela Prisma Techno, comprova o bom momento do projeto no estúdio. Como foi o processo criativo desse release?

É interessante que você esteja perguntando isso, porque fizemos o EP quando ainda estávamos no campo de refugiados e a base dele foi algo que fizemos lá. Uma vez que saímos, nós completamos no estúdio e esperamos que as pessoas gostem do produto final.

Gigs, novidades, lançamentos: o que podemos esperar de Blade&Beard para o segundo semestre de 2018?

Tem mais EPs que esperamos que sejam lançados em 2018, mais gigs e festivais. Ficaremos felizes em ver as pessoas que curtem a nossa música nas próximas gigs, e a grande novidade é que estaremos em tour com a Prisma Techno no Brasil. Com certeza vamos festejar com pessoas incríveis, estamos muito animados!

Para finalizar, uma pergunta pessoal: o que a música representa na vida de vocês?

A música é a nossa vida e a forma de expressarmos nossas emoções. Todo mundo tem sua própria forma de mostrar as emoções e essa é a nossa, através da música — e que coisa bonita que nós temos a sorte de trabalhar como músicos e com o que realmente amamos.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Cat Dealers revelam novos planos e curiosidades sobre parceria com Cleo Pires

Phouse Staff

Publicado há

Cat Dealers Cleo
Foto: Reprodução
Dupla remixou uma das primeiras canções de Cleo na nova carreira

Na semana passada, como você viu aqui na Phouse, os Cat Dealers se destacaram com um remix para “Jungle Kid”, música da cantora Cleo — mais conhecida como a atriz global Cleo Pires, que lançou recentemente sua carreira paralela no mundo da música. A original é a faixa-título de EP lançado em março, com outras quatro faixas.

Mas como será que pintou essa inusitada parceria entre um dos duos de maior sucesso do cenário eletrônico brasileiro e uma das celebridades mais famosas do país? Pra responder a essa e a outras perguntas, Lugui e Pedrão tiraram um tempinho na agenda para contar à Phouse um pouco dos bastidores do remix — e ainda prometem novidades para o futuro breve com a artista! Leia abaixo:

Como surgiu a oportunidade para remixar a música?

Tivemos o prazer de receber o convite da Cleo e da equipe dela, que já conheciam e curtiam muito o nosso trabalho — incluindo nossa amiga BIAN, que é DJ, compositora e produtora musical, e também foi uma das compositoras da “Jungle Kid”. Ficamos super honrados e animados com essa produção.

Como foi o contato que tiveram com a Cleo no processo de produção do remix? Vocês já a conheciam pessoalmente?

Tanto nós quanto a Cleo temos uma rotina muito corrida. Além da carreira musical, ela está gravando a novela das sete, e estávamos nos preparando para a nossa tour na Ásia. Tivemos um contato à distância, mas intenso e produtivo para trocar uma ideia e alinhar a parceria. Graças à tecnologia, isso é possível e funciona (risos). Fizemos contato por telefone, whatsapp e por aí vai. E, no fim, quando mostramos o resultado final, ficamos muito felizes com a reação dela.

Já nos cruzamos em alguns eventos, antes mesmo de surgir o convite para fazer o remix, mas pessoalmente mesmo deve acontecer em breve. Estamos combinando novos projetos juntos, e esse encontro deve acontecer logo. Fiquem ligados, porque virá acompanhado de novidades!

+ Tiësto, Justice, Camelphat, Cat Dealers… Confira os novos sons do final de semana!

Quais foram os principais desafios para remixar “Jungle Kid”?

O principal desafio foi transformar a “Jungle Kid”, que tem uma pegada bastante diferente do que costumamos fazer, em um remix que encaixasse também na nossa sonoridade. O BPM original da música, por exemplo, era mais lento, mas conseguimos aumentar sem deixar a vibe incrível da original se perder. Estávamos sempre tocando o remix nos shows, e a resposta tem sido ótima. Inclusive nossos amigos DJs sempre vinham perguntar o nome da track, se era alguma cantora gringa ou algo do tipo.

Como é participar dos primeiros passos na música de uma estrela global já consolidada?

Nós ficamos muito felizes pela confiança que tiveram na gente. Poder participar desse início de carreira musical da Cleo foi uma oportunidade incrível e, por isso, tivemos o máximo cuidado nessa produção, principalmente por ela já ser uma artista consolidada, com uma grande trajetória.

Se tivessem que dar uma dica musical para a Cleo na nova carreira, qual seria?

A nossa maior dica, não só para ela, mas para todos, é se manter rodeada de pessoas do bem, que possam ajudar nessa jornada, e de se manter fiel a si mesma, às suas produções e aos seus instintos. Não há nada melhor, tanto para a artista quanto para os fãs, quando a música vem da alma, com verdade.

* Além desse papo, entrevistamos o duo sobre a festa Cat House, cuja próxima edição rola em 04 de agosto, em BH. Assista aqui.

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