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Entrevista

Atração do Tribaltech, Fran Bortolossi foca no estúdio e lança selo

Jonas Fachi

Publicado em

15/09/2017 - 18:03
Fran Bortolossi Entrevista

Em nova entrevista à Phouse, Fran Bortolossi fala sobre o selo em parceria com Ryan Papa, o desenvolvimento da cena do Rio Grande do Sul e a contratação de um dos maiores símbolos da história do techno.

Carregando consigo o instinto pioneiro tão reconhecido nas pessoas do Rio Grande do Sul, Fran Bortolossi segue sendo um dos nomes mais prolíferos que surgiram em nossa cena na última década. Historicamente, seu Estado de origem sempre foi sinônimo do “faça você mesmo, bem feito e diferente”. Fran herda esse DNA empreendedor, artístico e visionário, que o coloca como referência incontestável da cultura eletrônica no Sul do país.

Sua automotivação para continuar em constante movimentação tem o levado a se conectar com todos os aspectos que envolvem o desenvolvimento do cenário em que está inserido — seja ajudando novos artistas locais nos eventos da Colours, como também trazendo nomes internacionais capazes de aprofundar e consolidar ainda mais o entendimento do seu público sobre música eletrônica de qualidade. Recentemente, a cena do RS esteve em pauta aqui na Phouse, e por isso, não poderíamos buscar outra pessoa se não Fran para imprimir sua visão sobre essa nova fase do Estado. Nesta entrevista, ele nos conta detalhes sobre seu extended set no club Cultive, o lançamento da Disc Wars junto de Ryan Papa, e suas percepções enquanto DJ e produtor musical.

No final do ano passado, você revelou à Phouse que 2016 foi o melhor ano de sua carreira. Como está sendo seu 2017? As expectativas aumentaram?

Com certeza as expectativas sempre são altas. Eu sempre estou impondo metas e planos para realizar com a música, e trabalho diariamente para fazê-los acontecerem. Assim, percebo que me mantenho em movimento e evolução constante.

Este ano tem sido muito bom também, e sou muito grato pelos momentos que estão acontecendo na minha carreira. Toquei pela primeira vez em novos países — Irlanda e Inglaterra —, fiz uma tour de três shows na Argentina com duas festas sold out, e uma delas era minha estreia na cidade de Bahia Blanca. Também tive alguns bons lançamentos até agora: debutei com EPs na LouLou Records e na Warung Recordings, e em setembro sai mais um, com três faixas, pela Witty Tunes — além de um remix para a LouLou. Também tenho um EP para sair com o Kolombo em dezembro, que já rendeu elogios do Toddy Terry e do DJ Sneak, quando eles tocaram juntos.

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Já no início do ano, eu tinha feito essa promessa de que passaria mais tempo dentro do estúdio, e na medida do possível, tenho realizado. Recebi dois suportes importantes recentemente, do Richy Ahmed e do Betoko, e meu desejo é que minhas produções falem cada vez mais por mim. Então tenho estudado bastante e dedicado bastante tempo a elas.

Na próxima semana, acontece mais um grande evento da Colours em Caxias do Sul. Parece que a festa está cada vez mais consolidada e itinerante. Quão importante é se deslocar também para outras cidades do RS?

A Colours sempre foi itinerante, desde o início. Começou em Farroupilha, e logo depois foi para Caxias. Porém, já tivemos edições em Passo Fundo, Santa Maria, Gramado e Bento Gonçalves, para citar algumas. Acho que por a marca já ter certo reconhecimento e prestígio perante o público, hoje em dia existe essa demanda de nos tornarmos cada vez mais móveis. E é muito legal ver um produto que criamos com muito trabalho e cuidado ser valorizado pelo público.

Você já pensou em realizar novamente alguma edição da Colours fora do Rio Grande do Sul, ou é uma marca estritamente criada para os modelos do Estado?

A gente teve umas cinco ou seis edições em Santa Catarina — em Garopaba, Florianópolis, Chapecó e Balneário Camboriú. Se tivermos essa demanda para viajar, seria ótimo ir para outros Estados ou países, mas sempre que realizamos edições fora da nossa “base”, são interesses mútuos de parceiros locais e da nossa equipe.

Sobre ser uma marca estritamente para o RS, acredito que não. Porém, há nove anos, quando estávamos desenhando o início da festa, a música eletrônica que tocávamos era difícil de se escutar no Estado. Então inicialmente sim, ela surgiu para atender essa lacuna.

Você fez um long set no club Cultive, em Garibaldi, na última semana. Como é a preparação para um evento assim? E o que um club precisa oferecer para o artista poder desenvolver algo desse tamanho?

A preparação foi feita escutando e pesquisando muita música, e separando elas por momentos. Músicas para o início e warmup, músicas para o peak time, separadas por house e techno, músicas pra finaleira… Para mim, que pesquiso e escuto música fulltime, é muito bom ter a oportunidade de fazer um set de oito horas, como o que rolou.

Em relação ao clube, primeiro de tudo é ter um bom relacionamento com eles — o que existe de fato —, e saber que a parte técnica vai ser atendida, que CDJs, mixer, som, luz, retornos vão estar perfeitos. A proximidade com o público também. Foi muito legal que do início ao fim da festa, a galera estava comigo. Essa foi a segunda edição desse projeto, e novamente contou com a casa cheia.

Eu tenho visto muito pequenos clubes, núcleos e eventos surgindo por todo o Rio Grande do Sul. O interior hoje não é mais só Passo Fundo e Caxias certo?

Ultimamente o interior do RS tem efervescido com novos projetos. Toda região de Passo Fundo e de Caxias do Sul é bastante forte. Porém há outros lugares como Santa Maria, Pelotas, que têm rolado muitas coisas legais e com muita força. Também é nítida uma melhora de Porto Alegre nos últimos dois, três anos, com eventos muito bem produzidos, e bons artistas locais surgindo ano após ano. Então o prognóstico é de que o RS melhorou muito ultimamente, sim.

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Como você tem aliado sua vida no estúdio a uma agenda intensa de shows? Produzir é algo que você sente necessidade pela maneira que o mercado exige hoje dos artistas ou é algo totalmente natural?

O que me trouxe para a música eletrônica foi a música de fato. Desde criança eu estudei alguns instrumentos como violão, guitarra e piano, e foi esse caminho que me trouxe para onde estou agora. Depois, com uns 20 anos, fiquei apaixonado por música eletrônica, e começar a discotecar foi algo que adorei fazer e continuo adorando. Mas sempre senti a vontade e necessidade de fazer minhas próprias músicas. Hoje em dia, aliada a essa vontade, acho que para ser um DJ e artista mais completo, preciso ter meus próprios temas, então é algo que quero me concentrar cada vez mais em estar fazendo.

Você é uma das atrações do Tribaltech. Qual a expectativa para esse festival tão tradicional e importante em nosso país?

Essa é a segunda vez que vou tocar no Tribaltech. A expectativa é altíssima. Acho um festival muito ousado e inovador. Primeiro porque mistura vários estilos, e segundo, porque dentro de todos esses estilos, temos artistas de vanguarda. Tenho certeza que vai ser uma experiência ótima para todo mundo, e quero fazer o possível para tocar várias músicas próprias no meu set.

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Quando teremos o primeiro lançamento da Disc Wars, sua nova gravadora, em parceria com o australiano Ryan Papa? E como rolou essa parceria com ele?

O primeiro lançamento deve sair entre outubro e novembro, e será do também australiano Verve. O Ryan Papa é um engenheiro de som e produtor da velha guarda, já teve as músicas dele como abertura dos famosos sets do [Hernan] Cattaneo na Creamfields, há vários anos. Ele foi quem fez as minhas primeiras masters, e acabamos ficando muito amigos. Quando ele fechou a Stigma Recordings — em que eu tive meu primeiro EP lançado e ele era o label boss —, ele reabriu a Disc Wars, que inicialmente era uma gravadora que ia do house ao downtempo, e me convidou para fazer parte, trabalhando no setor de public & relations, trazendo novos artistas e obviamente discotecando as músicas.

Eu aceitei o trabalho na hora, e já temos três releases encaminhados. Também é um lugar onde nós mesmos poderemos lançar nossas próprias produções, o que se é muito legal. Não precisamos passar pelo aval de ninguém, além de nós mesmos, para lançarmos nossas músicas.

Esse projeto seria sua grande realização em 2017?

Sim. Daqui pra frente eu pretendo me concentrar cada vez mais em estúdio, seja produzindo minhas próprias músicas ou ajudando amigos a produzir e lançar suas músicas também. Acho que faz parte de uma cena madura, os DJs e artistas terem suas próprias produções.

Teremos ainda alguma novidade para o restante do segundo semestre?

Além dos eventos que já temos anunciados agora para Caxias, teremos outros dois. Um, com um dos ícones e pioneiros do techno no mundo, o alemão Chris Liebing. Tenho certeza que será outro momento único para o RS, ter um DJ desse porte e importância tocando por aqui, e acho que novamente a Colours afirma o compromisso com a música eletrônica em investir e acreditar em um evento com um nome de tamanha magnitude. Confesso que estou muito ansioso para essa festa. Desde que tivemos a confirmação dele, ficamos muito felizes e a expectativa é enorme.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

Adam K: “Se você trabalhar duro o suficiente e tiver um pouco de sorte, seus sonhos se tornarão realidade”

Produtor veterano virou destaque no cenário brasileiro depois de parceria com o Vintage Culture

Phouse Staff

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Adam K
Adam K com o Vintage Culture. Foto: Divulgação
* Por Toni Gobatto
** Edição e revisão: Flávio Lerner

Adam K é uma das pessoas mais comentadas na música eletrônica brasileira atual — tudo isso por causa da sua sólida parceria com o Vintage Culture. “Pour Over” foi lançada recentemente através de uma parceria entre os dois e, futuramente, outras tracks ganharão vida pela mão da dupla.

Antes disso, entretanto, o produtor canadense de 38 anos traz uma bagagem de muitos sucessos, como o hit “Twilight”, com Soha, que atingiu o primeiro lugar no iTunes Dance do Canadá e dos Estados Unidos em 2008 — resultado alcançado também com “Raining”, lançada em 2010. Em 2012, mostrou sua versatilidade ao bater o primeiro lugar do chart de trance do Beatport com “Tomahawk”, que saiu em parceria com BT, via Armada Music.

   “Twilight” foi lançada em 2007, via Rebirth

Adam K se tornou uma referência em produção musical; sua visão, paixão pelo que faz e técnica aguçada o mantém como um profissional de alta visibilidade no mercado da música. Ele também é fundador da Hotbox Digital, label responsável desde 2007 por mostrar novos talentos da house music no Canadá.

Agora, em contato com a Phouse, o artista fala conta mais sobre sua trajetória, relação com o Vintage e o Brasil, artistas em que está de olho e fecha tudo com um conselho valioso para quem sonha em ser um produtor de sucesso. 

Já “Tomahawk” foi ao mundo em 2011, pela Armada

Há quanto tempo você está no mercado musical, e como começou a produzir?

Eu componho desde os 15 anos de idade, mas só passei a trabalhar com música aos 21. Comecei produzindo depois de ir a uma rave de drum’n’bass em 1995. Depois da festa, eu voltei para casa e perguntei ao meu amigo Nynex, pelo IRC (plataforma onde o deadmau5 cunhou o seu nome artístico), como ele produzia música. Ele me passou dois programas: Rebirth e FastTracker 2. Eu comecei e nunca mais parei.

Quantas vezes você já esteve no Brasil, e o que você mais gosta no país?

Eu já vim ao Brasil umas 15 vezes, e toda vez que venho, fica melhor. As pessoas são receptivas e a comida é uma perfeição. Eu também tenho lembranças da minha festa favorita, produzida pelos meus amigos — a Kaballah em Curitiba. Eles mantiveram a festa aberta por duas horas a mais para eu poder continuar tocando. Foi um dos eventos mais incríveis que já fui no país.

Pela sua própria Hotbox Digital, “Into The Light” é um dos singles mais recentes do Adam K

“Pour Over” é um enorme sucesso já, com mais de cinco milhões de plays no Spotify e 12 milhões de visualizações no YouTube. Como você conheceu o Vintage Culture?

O Lukas e eu nos conhecemos pelo Instagram e começamos a trocar ideia. Descobrimos uma conexão de gostos e musicalidade, e estou curtindo muito escrever canções com ele desde então.

Sei que você tem um próximo lançamento com o Vintage Culture, chamado “Save Me”. Vocês estão trabalhando em mais músicas?

Nós sempre estamos trabalhando juntos em músicas, mas nem tudo o que produzimos será lançado. Alguns sons são só para as pistas, e outros são ideias que acabamos descartando. “Save Me” é uma parceria entre eu, Lukas e Floki, uma cantora e compositora canadense. O Lukas também
está trabalhando em outra canção com ela, chamada “Taking Over”.

“Raining” saiu pela Ultra Records, em 2010

Que produtores você tem mais curtido atualmente?

Funkin MattBruno BeFISHERChris Lake… Diversas músicas boas estão vindo desses artistas.

Muitos produtores jovens que estão iniciando a carreira agora estão lendo esta entrevista. Qual conselho você daria a eles?

Se você quer fazer música, você fará música. Se você parar, é porque você não quer o suficiente. Siga seus sonhos, e se você trabalhar duro o suficiente e tiver um pouco de sorte, eles se tornarão realidade.

* Toni Gobatto é colaborador da Phouse.

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Ashibah: “O Brasil é o meu sonho e eu sempre conto os minutos até voltar”

Artista fala sobre relação com o Brasil, collab com o Mumbaata e abre detalhes do novo álbum

Nazen Carneiro

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Ashibah
Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

A DJ, produtora e cantora egícpcio-dinamarquesa Ashibah está retornando ao Brasil para nova tour no início de outubro. Com o sucesso de sua última passagem pelo Brasil, em julho, e o lançamento do EP She Knows (ao lado do duo carioca Mumbaata) pela conceituada gravadora alemã Get Physical, a artista se aproximou ainda mais do público do país e tomou as pistas — e as rádios — com suas músicas fortes, profundas e muito dançantes.

Em meio ao intenso trabalho de estúdio do seu próximo álbum, Ashibah conversou com a Phouse sobre esse momento especial da carreira, sua relação com o Brasil, como rolou a collab com o Mumbaata, deu dicas de músicas e abriu detalhes sobre o seu próximo álbum. Confira na entrevista abaixo!


Suas composições e seu vocal são tão cheios de paixão pela música. E você tem essa versatilidade, que vai de Michael Jackson e Tracy Chapman a instrumentos musicais tradicionais egípcios. Por gentileza, conta pra gente o que você tem ouvido, e o que mais te influencia hoje?

Alguns dos meus favoritos recentes incluem “Kiss of Life”, da Sade, o remix de Dennis Ferrer para “The Cure and the Cause”, do Fish Go Deep, “Girl”, de The Internet, “For My Lover”, da Tracy Chapman, e “Can You Feel It”, do Mr. Fingers.

No meio disso tudo, afro house também tem se destacado. Nunca é o suficiente (risos) [no original, “I Just Can’t Get Enough”, um trocadilho com a música do Michael Jackson].

Recentemente você lançou o EP She Knows, junto com o duo brasileiro Mumbaata, pela gravadora alemã Get Physical Music, que é um dos selos mais renomados e respeitados em todo o mundo. Esse EP é muito forte e feito para a pista de dança, além de ter uma história completa para contar…

O lançamento desse EP pela Get Physical foi um dos destaques deste ano. Eu sempre tive o desejo de lançar por esse selo. Conheci o Mumbaata em uma festa no Brasil e combinamos que deveríamos fazer uma sessão de estúdio, e então eu fui ao Rio e nos encontramos. A vibe e a energia entre nós foi muito inspiradora, e fizemos tudo que eu queria. Quando o pessoal da Get Physical disse ter gostado, pensamos em fazer mais um som e criar um EP, e eles adoraram. Foi uma experiência incrível.

“Uma das coisas que eu amo no Brasil é a abertura das pessoas para ouvir algo novo. É o lugar perfeito para testar novas pistas, novas ideias e eu adoro isso. Os brasileiros são pessoas de coração, e eu acho que é por isso que eu os amo tanto: porque eu sou do mesmo jeito.”

Você tem uma relação muito especial com o público brasileiro, e sua última tour por aqui foi um sucesso completo. Comente alguns detalhes que você considerou especiais nessa tour.

Minha última passagem pelo Brasil foi algo para se registrar. Vocês sempre encontram novas maneiras de me surpreender. Uma das coisas que eu amo no Brasil é a abertura das pessoas para ouvir algo novo. É o lugar perfeito para testar novas pistas, novas ideias e eu adoro isso. Os brasileiros são pessoas de coração, e eu acho que é por isso que eu os amo tanto: porque eu sou do mesmo jeito.

O amor que recebo toda vez que eu toco me dá muito fôlego, sabe? As pessoas dançam, elas cantam e elas estão lá. No Park.Art, em Curitiba, por exemplo, eu toquei para quase 15 mil pessoas, e mesmo assim pude sentir a energia de cada um — cada pessoa com uma energia diferente, bonita e inesquecível. Todos os locais são especiais e marcantes, como as noites intermináveis da Privilège, em Búzios, onde a festa nunca para e o amor é infinito é alucinante. Como artista, isso é um sonho. O Brasil é o meu sonho e eu sempre conto os minutos até voltar.

Você tem tomado conta dos programas de rádio por todo o país. O EP com o Mumbaata chegou a tocar em oito Estados e teve, inclusive, estreia nacional no programa Dance Paradise, da Jovem Pan FM. Toda essa exposição foi estranha de alguma forma, ou você considera natural?

O maior desejo de todo artista é que isso aconteça. Criar algo que realmente vem do coração e sentir essa resposta imediata é algo que me mantém querendo criar mais e mais. Está fluindo de forma natural e sou muito grata por isso.

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Você ainda se sente nervosa antes de um show?

Sempre. Você tem que estar nervoso, porque você ama isso. E se você parar de ficar nervoso, talvez precise de novos desafios. São as borboletas [no estômago] que mantêm você em pé.

Ok! Agora essa pergunta é muito importante: qual a melhor bebida brasileira? (Risos)

Ah, não vale! Essa é difícil, foram muitas (risos), mas com certeza a caipirinha de maracujá na praia de Búzios, no lindo bar à beira mar do Brothers Groove, marcou bastante.

Foto: Divulgação

Você acha que o público brasileiro gosta mais quando você canta mais sexy ou aquele vocal forte e poderoso?

Eu acho que eles amam ambos. O público gosta dos contrastes.

Você está prestes a terminar seu novo álbum, certo? Estamos todos curiosos, e eu preciso que você conte mais sobre ele aqui na Phouse!

Meu álbum está saindo do forno já há algum tempo, e estou muito animada, claro, mas muito nervosa ao mesmo tempo. O que vocês podem esperar desse novo trabalho sou eu, em diferentes perspectivas. Adianto aqui que o álbum será dividido em três partes, com os três EPs. Será uma verdadeira jornada. Não posso revelar mais agora, mas tudo o que posso dizer é para esperar profundidade, vocais, emoções, força total e crocância (risos).

+ Mumbaata e outros artistas brasileiros revelam os bastidores da “Cocada”

Incluirá colaborações? Algum artista brasileiro?

Sim, com certeza. Posso adiantar que Mumbaata e Jean Bacarreza estarão nesse álbum. Também alguns artistas egípcios.

Você tem uma turnê brasileira confirmada para outubro. O que vem por aí?

Primeiro de tudo, mal posso esperar para voltar! Estou com um novo show e novos elementos ao vivo. Iremos nos apresentar em locais inéditos onde pretendo mostrar materiais em primeira mão para o público brasileiro curtir e se divertir muito comigo!

* Ashibah está de volta ao Brasil nesta semana, onde apresentará algumas de suas novas faixas. Veja as datas abaixo!

Ashibah
Arte: Divulgação

* Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Sócia do Caos, Eli Iwasa fala sobre curadoria, cena e sonho realizado

Celebrando a diversidade, casa recebe Modeselektor, Zegon e Mau Mau neste final de semana

Rodrigo Airaf

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Caos Club
Eli Iwasa. Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

É em um galpão industrial completamente reformado em Campinas que acontece uma vastidão de apresentações antes pouquíssimo prováveis de rolar na região. Desde sua inauguração, em dezembro, abrindo no máximo duas vezes por mês e rolando por longas horas, o Caos reverberou uma jornada sonora das mais recompensadoras, trazendo desde nomes majestosos como Laurent GarnierCarl CraigChris LiebingSpeedy J Marco Carola, até nomes de grande destaque na atualidade, como Nina KravizReconditeANNA e Nastia. Por falar em artistas imponentes, foi lá a apresentação única da alemã Ellen Allien no Brasil — fato que vai se repetir com o gigante Dixon, em outubro.

Tendo como filosofia a diversidade tanto de público quanto de som — você pode encontrar numa mesma noite tanto a disco music de Eric Duncan quanto o techno pulsante de Tijana T, por exemplo —, há projetos como a Wolf, voltada ao público LGBTQ+, e a Groove Urbano, que fomenta o hip hop, ambos com histórico de eventos no Club 88 (do mesmo grupo que criou o Caos). Por esses eventos passam expoentes fora do circuito usual, entre eles Linn da QuebradaEmicida e Gabriel o Pensador.

Voltando aos beats eletrônicos, até mesmo Fisher, febre mundial da cena tech house mais comercial, apresentou-se no club na última semana, em uma noite explosiva em parceria com a festa paulistana Michael Deep.

Caos
Caos, em sua inauguração com Carl Craig, em dezembro de 2017. (Foto: Bill Ranier/Divulgação)

A próxima loucura que o Caos vai aprontar está logo aí, na madrugada de sexta para sábado: um after com ModeselektorZegon e Mau Mau, a partir das 04h. Pode ser maluco para alguns unir o poderoso e eclético duo alemão a um difusor da bass music e um pioneiro do techno brasileiro na mesma noite (tudo isso logo depois de uma festa de hip hop), mas não é maluquice para o Caos — e certamente não para sua sócia-fundadora Eli Iwasa.

É com ela que conversamos agora, para que nos ajude a entender o porquê de o Caos ter se tornado um projeto tão único e tão importante para o interior de SP em menos de um ano, além de explorar um pouco a proposta da casa através de sua visão e experiência de duas décadas no cenário eletrônico.

Caos
Eli Iwasa na cabine do Caos, que possui um amplo espaço ao redor do DJ. (Foto: Reprodução/Facebook)

Eli, o lineup do after que vai rolar no próximo sábado é curioso, e parece ser bem especial: Zegon, que é conhecido na cena bass; Modeselektor, duo gringo muito querido por quebrar barreiras de estilos musicais; e por fim, Mau Mau, deuso do techno que vem com um set de clássicos. Como e por que o lineup foi montado assim?

O Modeselektor é conhecido por não se prender a rótulos, por sua imprevisibilidade, então por que também não fazer algo fora do óbvio? Tanto o Zegon quanto o Mau Mau são artistas com uma baita bagagem musical, e pedi para cada um deles que fizesse um set especial para que pudessem mostrar um pouco a mais de suas próprias histórias.

O Zegon, além de ter sido DJ do Planet Hemp, faz parte do N.A.S.A. e do Tropkillaz, então pode ir do hip hop ao eletrônico, e tudo mais no meio, com a maior facilidade. Quando fechei o Modeselektor, a primeira pessoa que pensei em chamar para fechar a festa foi o Mau, fazendo um set de clássicos. Ele, que ajudou a construir tudo isso que temos agora, que tem um papel fundamental no desenvolvimento da música eletrônica no Brasil, e que também é figura central da minha própria história na cena, não poderia ficar de fora.

Em sua comunicação, o Caos deixa claros seus princípios de inclusão, posicionando-se contra preconceitos e barreiras sociais, convergindo diversos públicos. Como isso se traduz nos lineups da casa?

Quando começamos a pensar no que gostaríamos no Caos, resgatamos a ideia de como eram os clubs importantes em nossa formação, como o Lov.e e o Kraft. Uma das coisas mais significativas daquela época era justamente a mistura de públicos: o “playboy” e o “mano”, as “bees”, as trans, a turma do som e os que caíam de paraquedas, encarando seus próprios preconceitos e aprendendo na democracia que uma pista de dança deveria ser.

Aqui nem todo lugar é assim. O que parece absurdo pra muita gente é uma realidade na região. E queríamos reunir os amigos e clientes de universos backgrounds diferentes num só lugar. É um processo de aprendizado constante e um desafio também, porque Campinas ainda é uma cidade bem conservadora em muitos sentidos. 

Caos
“Sem sexismo, sem racismo, sem capacitismo, sem ageísmo, sem homofobia, sem gordofobia, sem transfobia, sem ódio”, diz banner instalado perto da porta. (Foto: Reprodução/Facebook)

Durante a fase embrionária do projeto, já havia a expectativa de reconhecimento em tão pouco tempo?

Nunca! Nem nos meus sonhos mais loucos (risos)!

O que tem por trás do trabalho de curadoria que o público em geral não vê?

Um grande desafio é alinhar a visão de uma casa noturna com o momento do mercado e com o que o seu público espera, e não deixar seu propósito se perder diante de todas as mudanças que a cena e seu próprio club sofrem ao longo dos anos. Lidamos com muita coisa no Brasil: alta do dólar, uma carga tributária gigantesca, a falta de apoio dos órgãos oficiais, e a toda hora precisamos nos lembrar por que escolhemos ter um club, pois nem sempre é fácil.

Tem muita festa acontecendo, a concorrência é grande e isso faz com que muitas agências de talentos acabem pedindo ofertas inviáveis ao produtor brasileiro. Ao mesmo tempo, estamos sofrendo com esse momento econômico e político no país, o que refletiu no ticket médio e na frequência com que as pessoas saem — muita gente gasta com cautela e escolhe uma festa no mês em vez de sair todas as semanas.

Do nosso lado, existe um cuidado ainda maior na hora de investir em um artista internacional, o esforço de não bater datas com outros eventos, e tudo isso reflete na curadoria: ora você se arrisca mais artisticamente, ora você toma decisões de resultados mais certeiros. 

A agência Muto é responsável pela comunicação audiovisual do Caos, trazendo vídeos conceituais a cada edição.

Então pra escolher os artistas, nem sempre a paixão fala mais alto?

Nossas decisões são bem emocionais. Pensamos muito na experiência e nos momentos que podemos proporcionar através dos clubs. Não é exatamente a maneira certa de gerir um negócio (risos), mas é a maneira que é certa para nós. Sempre fomos assim, muito intuitivos, com a paixão falando alto.

A experiência também permite que tomemos decisões certas mesmo sem fazer muitas contas, porque com o tempo você aprende o que funciona e o que não, quais dias são melhores para seu club… Muito importante falar também que manter-se atualizado com o que acontece na cena é fundamental; o público se renova constante e rapidamente, assim como estilos musicais e artistas.

Imagino que várias datas do Caos foram lindas e que seja difícil fazer uma escolha, mas em qual delas você realmente sentiu uma sinergia perfeita entre o lineup, a resposta do público, a conexão entre os artistas, e pensou: “o resultado está literalmente do jeito que imaginei”?

A inauguração do Caos fez muita gente chorar entre toda a equipe e público, porque sentimos que algo muito significativo estava acontecendo ali. Já sobre a noite com Laurent Garnier, pessoalmente, queria há anos booká-lo para algum dos meus clubs em Campinas, mas nunca sentia que era a hora. Quando abrimos, sabia que estávamos prontos para recebê-lo aqui, da maneira que ele merece.

Eu nunca vou esquecer o momento em que o Laurent entrou na cabine e o Toca, um dos meus sócios, veio até mim, super emocionado, porque só a gente sabe o tanto de dedicação que foi preciso para chegarmos ali e abrirmos a casa. A ficha caiu que tudo que vivemos e aprendemos nos trouxeram até aquele momento, com todos nós colocando nosso potencial em prática para fazer o Caos ser uma realidade.

Caos
O Caos é realmente para todos… Até mesmo pra Paçoca, filha da Eli Iwasa. (Foto: Reprodução/Facebook)

Como você enxerga a noite de Campinas em relação ao cenário nacional atualmente?

Vejo que o Caos e o Club 88, junto com o Laroc, que são nossos amigos e fazem um trabalho incrível, estão realmente fomentando a cena da região e a transformando em um destino para quem gosta de música eletrônica. Sempre existiu o fluxo de público de Campinas para São Paulo, e hoje, finalmente, existe também o fluxo de São Paulo, cidades ao redor, Sul de Minas para esses clubs.

Vale lembrar que esse trabalho não é de hoje. O interior de SP sempre contou com clubs muitos importantes, como Kraft e Anzu, além de festivais como Kaballah, Tribe e XXXPERIENCE, que realizam seus eventos por aqui.

Pra fechar, o que é um bom curador pra você?

Um bom curador é aquele capaz de traduzir a visão de um club ou evento através da música, dos artistas e das experiências que compartilha e proporciona.

Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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