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Entrevista

Atração do Tribaltech, Fran Bortolossi foca no estúdio e lança selo

Jonas Fachi

Publicado em

15/09/2017 - 18:03
Fran Bortolossi Entrevista

Em nova entrevista à Phouse, Fran Bortolossi fala sobre o selo em parceria com Ryan Papa, o desenvolvimento da cena do Rio Grande do Sul e a contratação de um dos maiores símbolos da história do techno.

Carregando consigo o instinto pioneiro tão reconhecido nas pessoas do Rio Grande do Sul, Fran Bortolossi segue sendo um dos nomes mais prolíferos que surgiram em nossa cena na última década. Historicamente, seu Estado de origem sempre foi sinônimo do “faça você mesmo, bem feito e diferente”. Fran herda esse DNA empreendedor, artístico e visionário, que o coloca como referência incontestável da cultura eletrônica no Sul do país.

Sua automotivação para continuar em constante movimentação tem o levado a se conectar com todos os aspectos que envolvem o desenvolvimento do cenário em que está inserido — seja ajudando novos artistas locais nos eventos da Colours, como também trazendo nomes internacionais capazes de aprofundar e consolidar ainda mais o entendimento do seu público sobre música eletrônica de qualidade. Recentemente, a cena do RS esteve em pauta aqui na Phouse, e por isso, não poderíamos buscar outra pessoa se não Fran para imprimir sua visão sobre essa nova fase do Estado. Nesta entrevista, ele nos conta detalhes sobre seu extended set no club Cultive, o lançamento da Disc Wars junto de Ryan Papa, e suas percepções enquanto DJ e produtor musical.

No final do ano passado, você revelou à Phouse que 2016 foi o melhor ano de sua carreira. Como está sendo seu 2017? As expectativas aumentaram?

Com certeza as expectativas sempre são altas. Eu sempre estou impondo metas e planos para realizar com a música, e trabalho diariamente para fazê-los acontecerem. Assim, percebo que me mantenho em movimento e evolução constante.

Este ano tem sido muito bom também, e sou muito grato pelos momentos que estão acontecendo na minha carreira. Toquei pela primeira vez em novos países — Irlanda e Inglaterra —, fiz uma tour de três shows na Argentina com duas festas sold out, e uma delas era minha estreia na cidade de Bahia Blanca. Também tive alguns bons lançamentos até agora: debutei com EPs na LouLou Records e na Warung Recordings, e em setembro sai mais um, com três faixas, pela Witty Tunes — além de um remix para a LouLou. Também tenho um EP para sair com o Kolombo em dezembro, que já rendeu elogios do Toddy Terry e do DJ Sneak, quando eles tocaram juntos.

+ Fran Bortolossi: “2016 foi o melhor ano da minha carreira”

Já no início do ano, eu tinha feito essa promessa de que passaria mais tempo dentro do estúdio, e na medida do possível, tenho realizado. Recebi dois suportes importantes recentemente, do Richy Ahmed e do Betoko, e meu desejo é que minhas produções falem cada vez mais por mim. Então tenho estudado bastante e dedicado bastante tempo a elas.

Na próxima semana, acontece mais um grande evento da Colours em Caxias do Sul. Parece que a festa está cada vez mais consolidada e itinerante. Quão importante é se deslocar também para outras cidades do RS?

A Colours sempre foi itinerante, desde o início. Começou em Farroupilha, e logo depois foi para Caxias. Porém, já tivemos edições em Passo Fundo, Santa Maria, Gramado e Bento Gonçalves, para citar algumas. Acho que por a marca já ter certo reconhecimento e prestígio perante o público, hoje em dia existe essa demanda de nos tornarmos cada vez mais móveis. E é muito legal ver um produto que criamos com muito trabalho e cuidado ser valorizado pelo público.

Você já pensou em realizar novamente alguma edição da Colours fora do Rio Grande do Sul, ou é uma marca estritamente criada para os modelos do Estado?

A gente teve umas cinco ou seis edições em Santa Catarina — em Garopaba, Florianópolis, Chapecó e Balneário Camboriú. Se tivermos essa demanda para viajar, seria ótimo ir para outros Estados ou países, mas sempre que realizamos edições fora da nossa “base”, são interesses mútuos de parceiros locais e da nossa equipe.

Sobre ser uma marca estritamente para o RS, acredito que não. Porém, há nove anos, quando estávamos desenhando o início da festa, a música eletrônica que tocávamos era difícil de se escutar no Estado. Então inicialmente sim, ela surgiu para atender essa lacuna.

Você fez um long set no club Cultive, em Garibaldi, na última semana. Como é a preparação para um evento assim? E o que um club precisa oferecer para o artista poder desenvolver algo desse tamanho?

A preparação foi feita escutando e pesquisando muita música, e separando elas por momentos. Músicas para o início e warmup, músicas para o peak time, separadas por house e techno, músicas pra finaleira… Para mim, que pesquiso e escuto música fulltime, é muito bom ter a oportunidade de fazer um set de oito horas, como o que rolou.

Em relação ao clube, primeiro de tudo é ter um bom relacionamento com eles — o que existe de fato —, e saber que a parte técnica vai ser atendida, que CDJs, mixer, som, luz, retornos vão estar perfeitos. A proximidade com o público também. Foi muito legal que do início ao fim da festa, a galera estava comigo. Essa foi a segunda edição desse projeto, e novamente contou com a casa cheia.

Eu tenho visto muito pequenos clubes, núcleos e eventos surgindo por todo o Rio Grande do Sul. O interior hoje não é mais só Passo Fundo e Caxias certo?

Ultimamente o interior do RS tem efervescido com novos projetos. Toda região de Passo Fundo e de Caxias do Sul é bastante forte. Porém há outros lugares como Santa Maria, Pelotas, que têm rolado muitas coisas legais e com muita força. Também é nítida uma melhora de Porto Alegre nos últimos dois, três anos, com eventos muito bem produzidos, e bons artistas locais surgindo ano após ano. Então o prognóstico é de que o RS melhorou muito ultimamente, sim.

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Como você tem aliado sua vida no estúdio a uma agenda intensa de shows? Produzir é algo que você sente necessidade pela maneira que o mercado exige hoje dos artistas ou é algo totalmente natural?

O que me trouxe para a música eletrônica foi a música de fato. Desde criança eu estudei alguns instrumentos como violão, guitarra e piano, e foi esse caminho que me trouxe para onde estou agora. Depois, com uns 20 anos, fiquei apaixonado por música eletrônica, e começar a discotecar foi algo que adorei fazer e continuo adorando. Mas sempre senti a vontade e necessidade de fazer minhas próprias músicas. Hoje em dia, aliada a essa vontade, acho que para ser um DJ e artista mais completo, preciso ter meus próprios temas, então é algo que quero me concentrar cada vez mais em estar fazendo.

Você é uma das atrações do Tribaltech. Qual a expectativa para esse festival tão tradicional e importante em nosso país?

Essa é a segunda vez que vou tocar no Tribaltech. A expectativa é altíssima. Acho um festival muito ousado e inovador. Primeiro porque mistura vários estilos, e segundo, porque dentro de todos esses estilos, temos artistas de vanguarda. Tenho certeza que vai ser uma experiência ótima para todo mundo, e quero fazer o possível para tocar várias músicas próprias no meu set.

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Quando teremos o primeiro lançamento da Disc Wars, sua nova gravadora, em parceria com o australiano Ryan Papa? E como rolou essa parceria com ele?

O primeiro lançamento deve sair entre outubro e novembro, e será do também australiano Verve. O Ryan Papa é um engenheiro de som e produtor da velha guarda, já teve as músicas dele como abertura dos famosos sets do [Hernan] Cattaneo na Creamfields, há vários anos. Ele foi quem fez as minhas primeiras masters, e acabamos ficando muito amigos. Quando ele fechou a Stigma Recordings — em que eu tive meu primeiro EP lançado e ele era o label boss —, ele reabriu a Disc Wars, que inicialmente era uma gravadora que ia do house ao downtempo, e me convidou para fazer parte, trabalhando no setor de public & relations, trazendo novos artistas e obviamente discotecando as músicas.

Eu aceitei o trabalho na hora, e já temos três releases encaminhados. Também é um lugar onde nós mesmos poderemos lançar nossas próprias produções, o que se é muito legal. Não precisamos passar pelo aval de ninguém, além de nós mesmos, para lançarmos nossas músicas.

Esse projeto seria sua grande realização em 2017?

Sim. Daqui pra frente eu pretendo me concentrar cada vez mais em estúdio, seja produzindo minhas próprias músicas ou ajudando amigos a produzir e lançar suas músicas também. Acho que faz parte de uma cena madura, os DJs e artistas terem suas próprias produções.

Teremos ainda alguma novidade para o restante do segundo semestre?

Além dos eventos que já temos anunciados agora para Caxias, teremos outros dois. Um, com um dos ícones e pioneiros do techno no mundo, o alemão Chris Liebing. Tenho certeza que será outro momento único para o RS, ter um DJ desse porte e importância tocando por aqui, e acho que novamente a Colours afirma o compromisso com a música eletrônica em investir e acreditar em um evento com um nome de tamanha magnitude. Confesso que estou muito ansioso para essa festa. Desde que tivemos a confirmação dele, ficamos muito felizes e a expectativa é enorme.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

“O melhor que a música proporciona é quebrar barreiras”; Ralk fala sobre o sucesso repentino

Confira nosso papo com o DJ e produtor pernambucano

Luckas Wagg

Publicado há

Ralk
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

O pernambucano Raul Queiroz, o Ralk, é um desses nomes que têm crescido exponencialmente. O remix produzido com o amigo Diskover para “O Sol”, de Vitor Kley, foi o divisor de águas na carreira do DJ e produtor,  ultrapassando dez milhões de plays só no Spotify, e chegando a ser inclusive cantada em coro por um bloco de rua do Rio no último Carnaval.

Com foco em lançamentos na pegada “house pop”, que têm feito grande sucesso no Brasil, o pernambucano fechou recentemente com a Austro Music — talvez o principal selo nacional com ênfase nessa vertente. Por ali, trouxe até agora dois sucessos: “Nosso Amor Virou Canção” — collab com o Make U Sweat, que você já tinha conferido aqui — e um remix para “Cuidado”, hit do jovem fenômeno Gaab, lançado na sexta-feira passada (23).

Em um contato rápido com a Phouse, Ralk fala sobre esses lançamentos, o momento único que está vivendo, sua agenda lotada no Réveillon e ainda explica, ao falar sobre o empresário Xand, do Aviões do Forró, como entende que uma das funções da música é quebrar barreiras. Confira:

 

Você passou a ter popularidade na cena nacional após remix com seu parceiro Diskover para “O Sol”, de Vitor Kley. A faixa atingiu mais de dez milhões de plays e foi tocada em festas pelos quatros cantos do Brasil. Você chegou a imaginar que esse trabalho chegaria tão longe? Qual foi o impacto na sua carreira?

A história de “O Sol” é quase mágica. Trabalhamos a faixa em novembro do ano passado e, em dezembro, lançamos. Veio fevereiro e eu recebi um vídeo, direto de um bloco de rua do Rio de Janeiro, em pleno Carnaval e com todo mundo cantando a música. Foi um dos dias mais gratificantes da minha vida. Tanto eu quanto o Diskover não esperávamos que acontecesse tão rápido. Até queria agradecer mais uma vez ao cantor Vitor Kley e a toda galera da Midas Music pela oportunidade de fazer o remix para essa música incrível.

Assim como o Alok, que hoje é empresariado por um dos maiores nomes do sertanejo — Marquinhos, da Audio Mix —, vimos que você segue por um caminho parecido, tendo hoje Xand, do Aviões do Forró, como seu empresário. Como surgiu esse convite? E como enxerga essa fusão do mercado da música eletrônica com o forró e sertanejo?

O melhor que a música pode nos proporcionar é quebrar barreiras. Eu, Xand e qualquer tipo de artista somos unidos por algo em comum: o amor pela música. Sem contar que Xand sempre foi uma inspiração para mim, não só pela pessoa que ele é, mas como também pelo sucesso que faz aonde quer que ele passe.

Estou aguardando muito o dia em que iremos fazer uma música juntos. Esse é um dos planos! Hoje faço parte do casting da Fonttes Promoções, juntamente com ele. Quando surgiu o convite, fiquei muito feliz e foquei na oportunidade que eu teria para abrir portas ao meu trabalho e de ser apresentado a um público variado.

Ralk
Agradecendo aos céus pelo sucesso. Foto: Reprodução

Vimos que você assinou recentemente com a Austro Music, que pertence ao grupo Som Livre/Rede Globo. O que muda em sua carreira com esse contrato? É um acordo apenas para lançamento de suas músicas, ou vai além disso?

Realizei um sonho de criança em poder assinar uma das maiores gravadoras do Brasil, um nome conhecido em todo lugar. Sei que terei uma responsabilidade pela frente, e há todo um planejamento que apostam para mim. Começamos com o single “Nosso Amor Virou Canção”, com o trio Make U Sweat e o cantor Guga Sabatie, que acabou de bater 420 mil plays nas plataformas digitais.

Depois lançamos a “Maybe”, uma música feita com muito carinho com os irmãos do Dubdogz e o cantor Hugo Henrique. E agora, fim de novembro, saiu “Cuidado”, meu remix para o Gaab. Isso me motiva, me faz buscar inovar, fazer novas musicas, mostrar meu trabalho para o mundo inteiro e também levar comigo essa gravadora que, dia e noite, faz tudo por mim.

Como surgiu essa oportunidade de remixar o single do Gaab?

Sempre fui fã do trabalho dele, gostei pra caramba de “Cuidado” quando ouvi pela primeira vez. Aí fui atrás e recebi o convite e a liberação também pra fazer esse remix. Temos nos falado muito desde então — a gente se fala praticamente todos os dias pra falar sobre a música. Foi uma honra pra mim. A música dele já tem 15 milhões de plays só no Spotify, então foi muito importante pra minha carreira também, e vou apostar tudo nela pro verão 2019.

  

E além disso, o que podemos esperar do Ralk para 2019? Como está sua agenda?

A maratona de final do ano segue com 28 shows e em várias cidades. Terei a oportunidade, inclusive, de me despedir de 2018 e pedir boas vibrações a 2019 tocando em todos os maiores réveillons do Nordeste no último fim de semana de dezembro: Réveillon dos Milagres (AL), Praia da Pipa (RN), São Miguel Gostoso (RN), Fernando de Noronha (PE) e, na noite da virada, em Fortaleza (CE).

Acho que isso tudo reflete no quanto será agitado o meu ano de 2019. Assim espero. Estou muito feliz em poder mostrar minhas músicas para todo o Brasil. Próximo ano será de muito trabalho, muitas músicas e muitos aprendizados. Temos grandes lançamentos pela frente e estou contando os dias para poder mostrar para vocês. São lançamentos que, sem dúvidas, irão marcar minha carreira.

* Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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Entrevista

“Sem amor, não há música ou festa genuína”: Thiago Guiselini fala sobre os pilares da Soul.Set

Dono de loja de discos em Lisboa, o DJ volta a realizar uma edição da sua festa depois de nove meses

Alan Medeiros

Publicado há

Thiago Guiselini
Foto: Flashbang/Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

A última edição da Soul.Set, festa de house e disco organizada por Thiago Guiselini, foi uma daquelas que definitivamente deixam saudades. No comando da pista que celebrou os sete anos do projeto, lá estavam o próprio Thiago, TYV, Kaká Franco e a lenda de Chicago, Jamie 3:26. Aquela tarde/noite de março marcou o fim de um ciclo — logo depois, Guiselini partia em definitivo para Lisboa.

Em Portugal, o DJ estabeleceu residência com sua família e ajudou a fundar a Amor Records, loja de discos que ele administra junto com alguns amigos brasileiros que também vivem por lá. Mesmo morando em outro país, a possibilidade de deixar a Soul.Set acabar nunca foi uma opção. Muito pelo contrário, a festa é uma das principais motivações para o seu retorno regular ao Brasil.

Este esperado momento de reencontro com o público brasileiro acontece neste sábado. Após meses distante do país, Thiago retorna para apresentar mais uma edição da Soul.Set, a última do ano. O evento está formado por um lineup 100% nacional, com Vermelho, Zuim B2B Pedro Bertho e Rafael Moraes no comando dos decks ao lado de Thiago. A nosso convite, o artista falou sobre a festa, a residência em Lisboa e o atual momento de sua carreira.

 

Mais de oito meses se passaram desde a última edição da Soul.Set. Com qual sentimento você retorna ao Brasil para produzir esse evento?

O Brasil é minha terra e a Soul.Set é total parte da minha história, então confesso que estou bastante ansioso pra essa edição. Nesses meses de Amor Records, tenho separado novas músicas que quero muito experimentar na pista Soul.Set. Além disso, estou muito feliz e curioso pra ver três super DJs estreando no lineup, então os sentimentos são os melhores. Por incrível que pareça a emoção de produzir cada edição da festa é a mesma desde a primeira. Ah, e tem ainda as saudades dos amigos que essa pista me deu.

Diferentemente de algumas edições anteriores, o lineup desse encontro está focado 100% em artistas nacionais. É possível dizer que trata-se de uma tentativa de conexão da festa com o que a cena paulistana tem a oferecer de melhor atualmente?

Essa edição foi pensada com muitos detalhes. Estou voltando pro Brasil pra fazer essa festa em dezembro, no começo da temporada de verão. Queríamos a alegria de DJs brasileiros no lineup — DJs que conseguem se conectar e criar uma sinergia com a pista como ninguém. Tivemos edições maravilhosas que ficaram na memória com o line 100% nacional. Nossos DJs são tão especiais quanto os de fora.

“Nossos DJs são tão especiais quanto os de fora.”

Música, essência, amor, respeito e diversidade podem ser considerados os pilares da Soul.Set. Na prática, como você busca trabalhar esses conceitos na pista?

Esses conceitos não são aplicados apenas na pista, mas em todo o projeto, desde a primeira edição. Toda uma atmosfera acontece ao redor da festa. Acredito que esses pilares já estão intrínsecos na festa e a pista é o reflexo disso. Adoro ouvir das pessoas o quanto elas reconhecem a Soul.Set desde a hora que chegam, e ouço muito disso! A festa tem uma personalidade muito bem definida, pois sempre foi feita com muita verdade.

Esses conceitos estão conectados com a pista, pois temos a música como maior protagonista. Sem amor, não há música ou festa genuína — essa legitimidade que vemos na Soul.Set cria uma grande conexão entre as pessoas. A nossa pista é um espaço de união, troca e liberdade, onde todos podem ser quem realmente são através de um dos atos mais primitivos que temos, a dança. Considero fundamental o respeito entre todos. Desde a parte artística, inclusive, que acontece ao convidarmos apenas DJs que têm a percepção do público e que se dedicam para fazer a pista virar, de fato, uma festa.

Uma festa ultrapassa a barreira dos anos apenas quando há a preocupação pela inovação. Dito isso, quais são as novidades que estão sendo projetadas para essa edição?

Prefiro usar a palavra evolução em vez de inovação. Acho super importante pensarmos em novidades sempre, mas nunca esquecendo quem somos. Temos uma identidade muito forte e não queremos fugir dela simplesmente para acompanhar uma tendência ou novos rótulos.

Estamos sempre buscando entregar o melhor que esteja ao nosso alcance, montar lineups coerentes e com cara de Soul.Set, mas que também tragam novidades pra dentro de casa. Temos uma ligação com artes desde o começo e gosto muito de como a coisa se desenrolou. Esta edição, por exemplo, será ocupada por sete artistas expondo seus trabalhos. Queremos mesmo ver cada parte da festa evoluir do seu modo.

   

Com a mudança do cenário político brasileiro a partir de 2018, como você enxerga o futuro das festas de house e techno em São Paulo?

São Paulo tem uma noite super consolidada e que não para de se desenvolver. As festas fazem parte da cultura da cidade, e ao mesmo tempo são um reflexo do estilo de vida da nossa geração. São ponto de encontro de amigos e proporcionam um lugar de energia criativa. Torço para que o cenário político não mude isso.

Desde que a Soul.Set começou, sete anos atrás, o que exatamente mudou na sua vida?

Muita coisa mudou! Experiência de vida, experiência musical, evolução como pessoa e como DJ. No começo eu tinha duas profissões, então minha carreira também mudou. Hoje posso dizer que trabalho cem por cento com música, seja como DJ, dono de loja de discos ou produtor de festas. Fora que nesse tempo mudei três vezes de país, virei pai, casei…

 

Para finalizar: o que te motiva na essência para seguir produzindo eventos mesmo com tantas adversidades?

Quem faz eventos sabe o quão complicado e trabalhoso é, muitas vezes sem retorno algum. Às vezes fica até difícil explicar. Sabe aquele ditado de que o amor é cego? Acho que é um pouco disso. Mas ao mesmo tempo, quando vejo o evento acontecendo e as pessoas felizes, lembro exatamente por que escolhi isso pra minha vida.

* Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

EXCLUSIVO: KVSH quer conquistar o Brasil com a KRUSH, sua nova festa

Inspirado pela Só Track Boa, o mineiro defende que o objetivo é ajudar a fomentar cidades periféricas no cenário nacional

Flávio Lerner

Publicado há

KVSH
Foto: Reprodução
* Atualizado em 21/11/2018, às 17h47

Motivado por sua história, suas origens, sua nova agência, pelo rumo que a capital do seu estado tem tomado e pelo que Vintage Culture conseguiu com a Só Track Boa [sobretudo na última edição mineira], o DJ e produtor KVSH anunciou a Festa KRUSH, cuja estreia já tem data, local e lineup definidos. No dia 21 de dezembro, o artista recebe um time de atrações majoritariamente mineiras no Marô, em Belo Horizonte: Beowülf, Breaking Beattz, DZKO, JOZZEN, LOthief e VOLLAZ — destes, apenas o carioca Beowülf é “gringo”.

Em contato com a Phouse, Luciano Ferreira, o KVSH, explicou as motivações por trás do projeto e revelou ter grandes ambições. A festa está sendo tocada em conjunto com a OTM Produções, de Otacilio Mesquita [que, como você tem visto aqui, está por trás de praticamente todos os rolês da cena mineira].

+ Em tempo: ouça a refrescante collab entre o KVSH e o Malifoo

“Nasci e fui criado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em uma cidade chamada Nova Lima, e a minha história com a música eletrônica começou por aqui”, conta o KVSH. “Vejo que eu e a cena eletrônica da capital crescemos juntos; além de ser o local da minha fanbase, BH não tinha uma cena eletrônica tão forte, principalmente pra galera mais jovem, e criamos isso meio que juntos — então a ideia de eu ter uma festa aqui já vem de tempos. Agora que eu entrei pra Boost MGMT e pra HUB Records, o pessoal da agência falou: ‘cara, temos que fazer uma festa sua na sua cidade, com seus convidados, com seu conceito’.”

Segundo o DJ, entretanto, a KRUSH não será fixa em BH. A ideia é torná-la um evento itinerante por todo o Brasil, com o objetivo de levar o agito principalmente em pontos mais periféricos. “Já temos propostas em outros estados, principalmente em cidades menores, que ainda não têm uma cena eletrônica tão forte; esse é o foco. Queremos usar essa festa como uma porta de entrada pra galera que ainda não conhece tanto de música eletrônica”, acrescenta. 

“Queremos usar essa festa como uma porta de entrada pra galera que ainda não conhece tanto de música eletrônica.”

Mesmo com um lineup inicial voltado ao brazilian bass, o produtor garante que deseja agregar não só outras vertentes da dance music, como também abrir para outros estilos musicais: “Não temos muito essa ‘ideologia’ de fazer uma festa 100% eletrônica. Queremos envolver outros estilos, hip hop, trap, e alguns subgêneros que não são tão hypados no Brasil. E dentro da música eletrônica, teremos do brazilian bass ao tech house, passando até por progressive trance”.

Quando perguntei se o surgimento da label também tinha a ver com a segunda edição da Só Track Boa em Belo Horizonte, que foi considerada por muitos a melhor de todos os tempos, o Luciano foi acertivo: “Com certeza. Depois de vermos o impacto que a Só Track Boa teve aqui, a gente pensou: ‘cara, BH é um lugar que tem uma cena muito forte, a STB bateu todos os recordes de público de todas as outras edições. É o lugar perfeito’. É a cidade em que a cena tá crescendo muito e é a cidade em que eu nasci, e temos certeza que vai dar muito certo”.

+ Segunda edição do Só Track Boa BH pode ser considerada a melhor de todos os tempos

“Assim como o Vintage Culture fez com a Só Track Boa, a gente quer fazer com a KRUSH. A STB é focada em música eletrônica, e queremos uma festa focada na zueira, na diversão, mas claro, sem tirar a música do foco. Ela vem pra finalizar o meu ano com chave de ouro, e estamos muito alegres”, concluiu.

Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, dia 19, a partir do meio-dia.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

ERRATA: Carlos Magno, produtor de eventos da Box Entretenimento, não está mais fazendo parte da produção da KRUSH, conforme noticiamos anteriormente.

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