Apostando na força da disco house, From House To Disco debuta na Europa

Dupla formada pelas paulistanas Bru Ferreira e Livia Lanzoni rechaça a polarização e escreve a sua própria história

Não é incomum escutarmos por aí duas frases aparentemente contraditórias, embora também aparentemente verdadeiras: “no Brasil há espaço pra tudo”; e “no Brasil, só um ou dois estilos fazem sucesso”. O duo From House To Disco está aí para tentar comprovar a primeira ideia e desmontar a segunda.

Disco house [ou nu disco, rótulo que foi cooptado por outras vertentes por causa da confusão feita há alguns anos no Beatport], estilo que basicamente mistura house clássica e disco music, não é algo tão em voga no Brasil de hoje, cuja cena eletrônica normalmente é vista como uma polarização entre brazilian bass e techno — com o tech house no meio do caminho e o psytrance correndo por fora. Basta ver os principais artistas, clubes e festivais desse cenário para constatar essa realidade. Sim, a polarização também está presente no cenário clubber.

Mixtape mais recente do projeto

Mas as paulistanas Bru Ferreira e Livia Lanzoni não se resignaram a essa divisão limitante. DJs com certa experiência [Bruna toca profissionalmente desde 2008, Livia desde 2014], ambas formaram no ano passado a dupla From House To Disco — nome mais sugestivo impossível. Juntas, têm em seu currículo passagem por clubes como D-EDGE, The Week, Pacha Brasil, Jerome, Secreto, Yellow, Yatch e Clube 88.

“O estilo veio naturalmente por conta da bagagem de cada uma, e resolvemos apostar as fichas justamente por ser algo diferente do que se tem feito hoje”, contaram à reportagem, sem deixar de citar a influência dos poucos e bons projetos bem-sucedidos que seguiram linha similar:

Mareh e Selvagem são grandes influências pra gente e abriram esse caminho pra um público que adoramos — gente de mais de 30 anos, bem resolvida e super friendly. É um estilo gostoso e sempre traz uma memória afetiva, pois muitas das musicas são grandes clássicos com uma nova roupagem”.

Com referências como Peggy Gou, The Black Madonna, Solomun, Honey Dijon e Vermelho, Bruna é parte mais houseira do projeto, enquanto a Livia é responsável pelo tempeiro disco — ela cita Dimitri From Paris, Purple Disco Machine, The Shapeshifters, Anhanguera, Rafael Cancian e Benjamin Ferreira como algumas das influências.

From House To Disco
Tocando no Jerome. Foto: Fernando Sigma/Divulgação

“Outra grande referência pra gente são os selos ingleses Defected Records e Glitterbox, largamente difundidos mundo afora. No Brasil, temos encontrado uma pista muito receptiva, porque fazemos questão de trazer também clássicos nacionais como Tim Maia e Gilberto Gil“, dizem, demonstrando que apostar todas as fichas em um estilo não tão hypado atualmente não tem sido um empecilho para o seu sucesso.

“Temos muitos motivos pra acreditar que a cena para esse gênero só vai crescer, e o calor da pista é um deles. O Brasil é muito rico culturalmente, existe espaço para todo mundo e, no fundo, essa riqueza nos inspira a continuar tocando e trazendo novas referências” — acrescentaram, soltando espontaneamente a frase que resgatei no primeiro parágrafo.

Agenciado atualmente pela FX Talents, o From House To Disco está hoje mesmo fazendo sua estreia internacional. As meninas tocam em instantes na noite portuguesa — mais precisamente no clube Le Baron, em Lisboa —, depois de ter participado de um podcast na East Side Radio da capital lusitana.

Já no próximo dia 16, a dupla será atração do Gorilla Social Club, em Barcelona; no intervalo entre essas duas semanas, vão aproveitar pra curtir o Defected Croatia 2019, festival da Defected Records, que rola entre 08 e 13 de agosto, na cidade de Tisno. Nightmares On Wax, Masters at Work, Todd Terry, Joey Negro, Dimitri From Paris, Yuksek, Kassian, Folamour e Riva Starr são algumas das atrações que Bruna e Livia poderão curtir.

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“Zelamos muito pela energia que transmitimos quando tocamos. É uma troca com o público, então nos doamos por inteiro, fazemos questão de interagir, dançar e deixar a música nos levar. Essa troca tem sido um grande diferencial na nossa pista, somos muito abertas”, destacam, salientando que conseguiram as datas graças a ajuda de amigos europeus e de brasileiros que estão pela Europa. “Acreditamos muito no poder da rede.”

Outro fator interessante é que o projeto vem conseguindo se sustentar sem ainda ter lançado músicas próprias — algo que está nos planos, mas sem pressa: “Temos apenas um ano de dupla, apesar de muitas festas legais no currículo. Claro que pensar em produzir é um plano, inclusive agora que fazemos parte da FX Talents, que tem grandes produtores, como Nato Medrado e Pedräda“.

Assim, com o lançamento periódico de mixtapes que resumem a sua essência e um bom entrosamento — as DJs moram juntas, e com isso conseguem praticar, pesquisar música e testar mixagens com mais frequência —, o From House To Disco só tem a somar no fortalecimento dessa sonoridade alegre, ensolarada e groovada no Brasil.

“Com o crescimento exponencial da tecnologia, existe um movimento forte em direção à nostalgia, ao resgate de outros tempos. A volta do vinil é um grande exemplo disso. Enxergamos a disco house nesse sentido, como uma máquina do tempo, capaz de te transportar por gerações e ainda dar um gosto do que vem pela frente nesse estilo”, finalizam.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

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