Gabe

Às vésperas de long set em Curitiba, Gabe bate um papo breve com a Phouse

O veterano DJ toca neste sábado por oito horas na Usina 5, em Curitiba
* Por Mohamad Hajar Neto

Se hoje a música eletrônica brasileira está em um momento de auge, muito disso se deve ao trabalho do paulistano Gabriel Serrasqueiro. O nome de batismo talvez não te diga muito, mas provavelmente você já dançou ao som de pelo menos um dos seus projetos: Wrecked Machines, Velkro e Gabe.

Com quase duas décadas de carreira e uma extensa lista de músicas que viraram hinos para diferentes gerações, hoje o artista está consolidado como um dos pilares da nossa cena. O caminho pra chegar até aqui, no entanto, foi longo. Por isso, às vésperas de sua “Gabe all night long” — festa deste sábado (24), na Usina 5, em Curitiba, na qual o DJ toca por oito horas consecutivas —, conversamos com ele, para saber um pouco mais sobre essa história de dedicação e amor à música.

Como você teve seu primeiro contato com a música eletrônica e como descobriu que era isso que queria fazer para a vida?

Meu primeiro contato com a música eletrônica foi em 1998. Tinham festas de música eletrônica em São Paulo, mas no mesmo palco vários estilos musicais misturados como techno, house, drum and bass e psytrance. Eu tinha banda nessa época, de punk rock. Mas depois que tive contato com a música eletrônica, já logo comecei a produzir de início, mesmo antes de ser DJ. Na época usei o MTV Music Generator do PlayStation, que era a única plataforma acessível. Desde então nunca mais parei de produzir e pesquisar sons.

Você começou seu projeto Wrecked Machines quando a cena brasileira era embrionária, tanto que seu sucesso aconteceu primeiro lá fora. Como foram os primeiros anos dessa fase?

O começo foi a melhor época de todas. Tudo era novo, não havia regras sonoras ou rótulos, eu simplesmente produzia e as pessoas gostavam. Não existia mídia social ainda, então ou você fazia música boa ou não. Não tinham muitas opções.

Com Shapeless e Barja, “Feel So High” é um dos lançamentos mais recentes do Gabe

Qual foi o papel das festas open air — antigas raves e atuais festivais — na disseminação do seu trabalho em nosso país? E quais foram a festas mais emocionantes que você já tocou?

Acredito que as festas open air criaram a união forte da cena no Brasil. A música eletrônica popularizou demais no país e pelo mundo. As festas mais emocionantes com certeza foram as da Tribe, XXXPERIENCE, do Warung e os festivais que já toquei do Eclipse.

Como foi a transição para os BPMs mais baixos, do projeto Gabe? Era um desejo antigo?

A transição aconteceu naturalmente. Eu sempre gostei de várias vertentes da música eletrônica, mas o BPM baixo sempre me agradou mais por ter uma grande variedade de estilos. Você pode passear entre vários estilos mantendo o BPM.

Gabe
Tocando na última edição do Tribaltech (Foto por Ebraim Martini)

Você já lançou algumas músicas de sucesso com vocais em português, como “O Que Eu Quero”, com samples de Tim Maia, e “Tudo Vem”, com participação do grupo Barbatuques. Como é a aceitação delas por parte da pista? Pretende voltar a explorar a musicalidade brasileira em lançamentos futuros?

A aceitação da pista é sempre incrível! Não é tão simples misturar música brasileira com música eletrônica. E pretendo, sim, voltar a explorar esse mundo musical.

Como surgiu a ideia de criar o selo Sublime Music? Quais são os seus objetivos com ele?

O selo sublime veio da ideia de lançar músicas de artistas que eu curto pessoalmente. Me juntei com Du Serena e o Lucian [Castro, mais conhecido como FractaLL] e decidimos criar o selo pra dar um suporte a artistas que acreditamos. Os objetivos agora são fazer os showcases do selo pelo Brasil e lançar muita música boa!

Quem o acompanha em suas redes sociais percebe que você levanta a bandeira da legalização da maconha. Você já enfrentou algum tipo de constrangimento por conta dessa postura? E acredita que o Brasil e o mundo caminham para esse rumo ou a recente onda de conservadorismo vai adiar o processo?

Nunca sofri nenhum tipo de constrangimento. Pelo contrário, conheci pessoas incríveis nesse mundo — e muitos me agradecem por levantar essa bandeira. Acredito, sim, que o Brasil e o mundo caminham para o mesmo rumo. Questão de tempo e maturidade de cada país.

Você está prestes a se apresentar por oito horas em uma festa no formato all night long. O que o público pode esperar para este sábado?

Estou super ansioso por essa festa. Eu já vinha fazendo alguns long sets por algum tempo e tive essa ideia de fazer o “Gabe all night long” em Curitiba, por ser uma das cidades que eu mais gosto de tocar e tenho um público fiel. Eu adoro novidades e desafios, então as pessoas podem ficar à vontade e esperar muita bagunça na pista!

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