GIRL GANG PHOUSE NASTIA

Garotas no Comando: A ascensão das mulheres na Indústria da Música Eletrônica

“Por todo o mundo Djanes tem mostrado conteúdo e disposição para enfrentar um mercado cada vez mais competitivo e, por vezes, machista. Ainda são poucas frente a tantos DJs homens mas as que conquistaram seu espaço tem um trabalho sólido. A satisfação e a sensação de plenitude profissional vem através do próprio esforço e daqueles que as apoiam verdadeiramente; os pequenos clubs, a cena underground de diversas cidades mundo a fora, seja Berlin, Paris ou Curitiba, os locais onde rolam as festas é onde nascem os talentos.”

Na foto as Produtoras Fernanda Paludo e Priscila Prestes, duas das sócias da Agência 24 Bit
Na foto as Produtoras Fernanda Paludo e Priscila Prestes, duas das sócias da Agência 24 Bit

Um bom exemplo de sucesso das mulheres na música eletrônica é a Agência 24 Bit de Curitiba.
A Agência tem um trabalho consolidado na cena eletrônica brasileira, gerenciando a carreira de diversos artistas como Antonela Giampietro, Aninha, Eli Iwasa e Nastia, só para citar as mulheres.

A própria 24 BiT , por exemplo, tem entre suas fundadoras a DJ/produtora Aninha – residente do Club Vibe e Warung – e as produtoras Fernanda Paludo e Priscila Prestes, todas premiadas pelo Rio Music Conference. O que se vê então é que de uma ponta a outra as mulheres estão presentes, das Agências às produtoras de evento, e que no geral – mas especificamente no Brasil – mandam muito bem.

Ingrid ChasserauxAntonela Giampietro, Aninha, Ananda Nobre, Mara Bruiser, Ane Ferraz, Hiorrana e Ellie Ka.  Eu poderia fazer uma lista gigante, mas deixa as listas pra lá, pois sempre falta alguém nelas! São tantas as excelentes profissionais em atividade no Brasil…

Seja na política, engenharia, futebol ou na música, é fato consumado que, mesmo em sociedades machistas como a brasileira e a dos Estados Unidos, “as mulheres cada vez exercem funções profissionais antes, quase, exclusivas dos homens”. Essa frase – quase que um clichê pós revolução feminista – não inclui nela um grande problema. A questão do acesso e da remuneração, como quando o contratante exige que a profissional se enquadre num determinado padrão estético. Isso acontece muito por aí, como neste caso, onde o americano – pretenso DJ e dono de agência americano, recentemente fez o seguinte post nas redes sociais (como já divulgado em matéria aqui da Phouse):

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Tradução:
“Olá, damas, meu nome é Justin James e eu sou um DJ americano atualmente tocando pela Ásia e além. Eu também sou dono de uma agência nos EUA e eu contrato DJs mulheres de tempos em tempos. Se você for compatível com os requerimentos seguintes, por favor mande uma mensagem.

1. Deve ser habilidosa e querer viajar
2. Deve ter um presskit eletrônico
3. Fotos para imprensa atualizadas
4. Fanpage (mínimo 5.000 likes)
5. Página no Instagram (mínimo 2.000 likes)
6. Entre 21 e 32 anos de idade
7. Altura: entre 1,58m e 1,73m8. Entre 47 e 54kg

Para caras como esse, existe uma receita de bolo para criar uma “DJane de sucesso” e vender muitos ingressos para suas festas:

Estatura nem muito alta nem muito baixa; rosto bonito, pele bem cuidada, cabelo sempre no estilo e sensual além de, óbvio, magra. As fotos e os outfits dos shows sempre com roupas curtas e poses para lá de expostas. O decote… bem, o decote não preciso nem falar. Até onde vai a imposição dessa estética e em que ponto ela sobrepassa a real função de DJ.

É como aquele negócio de “Fulano ataca de DJ” (sic) que além de ridículo é maior papelão, oriundo de uma visão bizarra onde a imagem importa mais que a música, onde o profissionalismo importa menos que um nome famoso, a própria sociedade do espetáculo’ num nível muito ruim.

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A foto acima é de um concurso promovido nos Estados Unidos pelo site “djanemag”. Tudo isso dá uma idéia do que acontece na indústria da música eletrônica, tomada pela desigualdade. Há estimativas que dizem que, nos lineups mundo afora, nem 10% dxs DJs escalados são mulheres. Eu mesmo peguei os lineups do próximo Tomorrowland Brasil e do último Ultra Music Festival para dar uma olhada. Você nem precisa terminar de ler todos os nomes de artistas para concluir que que a participação é ínfima, o que confirma a informação, para pior.

Recentemente, ou nem tanto, pipocaram vários eventos no país com lineup exclusivo de DJanes. Um dos exemplos underground disto é o evento GIRL GANG que rola em Curitiba, combinando diversas artes produzidas somentes por mulheres, com foco na discotecagem. (leia mais)

Djane são destaque na Revista Rolling Stone
Djane são destaque na Revista Rolling Stone

“Para quem ama e vive de música, parece ridículo que isso ainda exista, e pior, “funcione” para alguns apelar para exposição ao invés de boas práticas de marketing pessoal.”

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Então será que ensinar jovens mulheres a discotecar e produzir pode reduzir a desigualdade na música eletrônica? É o que discute um artigo publicado pela Thump (leia mais). Perguntei ao Rafael Araújo, DJ Produtor e fundador da AIMEC – uma das maiores escolas de DJs do país – sobre a questão:

“A AIMEC sempre teve teve mulheres entre seus estudantes e cada vez tem mais. No que depende de nós elas tem todo o apoio eu conheço várias de muito talento que passaram por aqui”, afirma.

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