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Análise

Orgânica e ecumênica: uma história oral da Gop Tun

Chico Cornejo

Publicado em

12/04/2018 - 19:11
Gop Tun
Foto: Felipe Gabriel/Divulgação
Eclética e ousada, a festa se tornou uma das marcas mais destacadas da cena conceitual em SP

Parece um ato de puro solipsismo imaginar que algo tão particular quanto gosto musical possa se tornar o germe de um projeto tão comunal como uma festa. Afinal, desde tempos imemoriais essa euforia coletiva, seja ela ritual ou trivial, extática ou anímica, existe através da comunicação, manutenção e celebração de elementos compartilhados por toda a comunidade, e não apenas um indivíduo ou um grupo deles. Contudo, se prestarmos atenção às origens e notarmos a força atual da Gop Tun, se torna claro que seus integrantes conseguiram atingir um ponto crucial no qual o melhor desses dois mundos parece se encontrar.

Reza a lenda que tudo se iniciou naqueles recônditos da internet em que aficionados por música costumavam compartilhar feitos e achados com seus pares, o interior de redes como o Soulseek. Um bazar turco de raridades fonográficas que conseguiram chegar ao mundo virtual e ali eram circuladas, descobertas, discutidas e avaliadas entre aqueles que mais prezam seu valor. Em meio a esses ávidos garimpeiros musicais estavam os membros do coletivo, e foi nos ambientes de cultivo desse conhecimento que suas afinidades comuns vieram a uni-los para que, posteriormente, formassem um projeto com uma missão bem definida de disseminar essa riqueza.

Foto: Felipe Gabriel/Divulgação

Ela surgiu naquele contexto de renovação da cena paulistana, na qual diversos núcleos lideraram o êxodo dos clubs em direção a paisagens sonoras mais ricas, cenários mais diversos e pistas mais inclusivas. Mas, mesmo em meio a iniciativas aparentadas, ela conseguiu alcançar uma poderosa sinergia que uniu escolhas artísticas ousadas (estética e financeiramente), aquele ímpeto de exploração urbana que então se cristalizava no interior dessa cena e uma inquebrantável confiança enraizada num público que foi cultivado cuidadosa e carinhosamente no decorrer de seu trajeto. Estes pontos podem parecer banais ou naturais expostos de modo tão simples, mas a alquimia exigida para harmonizá-los e depois galvanizá-los em torno de algo muito maior que uma simples marca foi fruto de um desenvolvimento orgânico que culminou em algo sui generis naquela conjuntura.

Esse processo não foi linear e encontrou obstáculos. Havia certa resistência dos convidados em abraçar o impulso exploratório cidade adentro que procurava levá-los às franjas de uma metrópole gigante — até chegarem ao ABC ou mesmo ao Jaguaré —, e que propunha trocar o conforto próximo das áreas centrais por partes pitorescas da cidade, bem como os percalços que acompanham esse tipo de aventura numa cidade extremamente burocratizada e segregada como São Paulo. Além disso, por vezes houve momentos nos quais o aumento de popularidade cobrou seu tributo, convertendo intimidade em magnitude e criando dilemas inéditos que exigiram soluções inovadoras.

Foto: Felipe Gabriel/Divulgação

O crescimento, mesmo que compassado, exige ajustes e eles foram feitos durante o percurso. Se observamos a vibração do gigante aniversário de cinco anos em 2017, no qual Black Madonna e Anthony Parasole conduziram cada ambiente do evento a universos totalmente diferentes e igualmente dançantes, ela difere radicalmente daquela que conduziu cada uma das celebrações de aniversário que até então tinham sido realizadas com um ecletismo similar, com Mano Le Tough ao lado de Jacques Renault, Four Tet ao lado de Floating Points, Lauer ao lado de Tim Sweeney, por exemplo. Ainda assim, nada se comparava em dimensões e impacto como a parceria que estabeleceram com o selo holandês Dekmantel.

A trajetória de ambos se assemelhava em diversos aspectos, principalmente no desenvolvimento progressivo escorado na confiança e estima entre seu público cativo. Essa afinidade se materializou em um showcase inicial que prenunciou aquilo que, um ano depois, viria a ser considerado um dos festivais mais emblemáticos da década na América do Sul.

Foto: Felipe Gabriel/Divulgação

O quesito curatorial era o ponto de maior afinidade e se manifestou em escolhas que desafiaram e agradaram o público na mesma medida, recompensando a curiosidade ao mesmo tempo em que superaram as inevitáveis expectativas. Ademais, não é casual que o palco do festival que leva seu nome seja aquele que mais prima pelo ecletismo e enfatize uma musicalidade mais orgânica, colocando cada um dos membros como anfitriões de ídolos seus, como Marcos Valle, Azymuth e Os Mulheres Negras ao lado de nomes como Carrot Green, Barbara Boeing, San Proper, Palms Trax, John Gomez e tantos outros aventureiros sonoros como eles.

A primeira edição estabeleceu um patamar assustadoramente elevado de aclamação entre uma faixa ampla do público não apenas local, como também nacional e até internacional. Não obstante, a segunda conseguiu provocar uma reação igualmente uníssona de apreço enquanto ampliou consideravelmente seu alcance. Um feito nada modesto, já que este salto qualitativo e quantitativo põe à prova qualquer tipo de conceito e identidade, seja de um núcleo de eventos ou um restaurante.

Foto: Felipe Gabriel/Divulgação

Entretanto, a expansão também abrigou pontos de inflexão, nos quais algumas festas foram feitas prescindindo de headliners internacionais, tendo “apenas” os Goppers como atração e com capacidade reduzida. Tudo para que aquela energia inicial, a faísca que aparece num ambiente mais intimista, não se dissipasse e o fervor da pista — seja na energia despendida ou na fé depositada — que ela alimenta permanecesse intacto.

Esses esforços foram reconhecidos, principalmente entre os seguidores de longa data que, afinal de contas, são os protagonistas nessa narrativa desde o início ao lado da música. Também houve um projeto paralelo, chamado Tentáculo, inicialmente pensado como um laboratório de ideias a serem testadas para depois serem aplicadas e replicadas nos eventos principais, mas que acabou se tornando mais bem-sucedido que o esperado e atualmente encontra-se em repouso.

Foto: Felipe Gabriel/Divulgação

Outro elemento fundamental que é parte intrínseca do que a Gop se tornou em sua evolução é a simbiose que desenvolveram com a talentosa dupla da Sala 28. Os ambientes que criam a cada oportunidade são espetaculares, um mundo de luzes e cores, de envolventes estímulos sensoriais extrassônicos e geniais soluções cenográficas que acompanham cada direção musical tomada, tornando as jornadas noite adentro numa experiência sinestésica quase cinematográfica — fruto de uma relação de cumplicidade que tornou seu trabalho parte integral da experiência de cada evento, desde as Gopinhas até o Dekmantel, assim como a turnê nacional recém-completada pela trupe.

E aqui conseguimos vislumbrar com mais clareza um percurso de tantas anedotas quanto conquistas, no decorrer do qual nem tudo foram flores, muitas lições foram aprendidas e riscos foram corridos, mas que complementam perfeitamente a trajetória rica em momentos que entraram para o cânone da noite paulistana. E são esses elementos que eles agora colocam na estrada no intuito de levar pelo Brasil afora um pouco do que faz dos eventos da Gop algo tão querido em sua cidade natal. Afinal, os cinco anos que marcam até aqui revelam o fato de que cada escolha estética, da música à cenografia, das amenidades ao serviço, foi marcada pelo que compartilham desde o início como disseminadores e, sobretudo, consumidores do que amam.

Chico Cornejo é colaborador eventual da Phouse.

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Notícia

Após conquistar outras cidades, festa dos Cat Dealers chega em BH

Phouse Staff

Publicado há

Foto: Reprodução
Cat House invadirá a capital mineira no começo de agosto

No dia 04 de agosto, um sábado, o Clube Serra da Moeda, em Belo Horizonte, vai receber a primeira edição da Cat House, a festa autoral dos Cat Dealers, que já conquistou cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Na beira da Lagoa dos Ingleses, o clube tem toda uma ambientação em meio à natureza, conforme destaca Otacílio Mesquita, da OTM Produções.

“Esta é primeira edição da Cat House em BH, e o local escolhido é especial, pois está em meio a natureza e à beira da Lagoa dos Ingleses, no Clube Serra da Moeda! O Cat Dealers está em um momento muito importante e tem uma legião de fãs na capital, e a festa deles vem no momento certo”, comentou.

Pra saber mais sobre as origens da Cat House e sobre o que esperar para a edição mineira, Pedrão e Lugui bateram um papo com a Phouse TV, falando sobre a festa. Confira no player abaixo!

Além da dupla carioca, estão escalados Beowülf, o duo Elekfantz, Gustavo MotaJØRD. Via Sympla, os ingressos já estão no segundo lote, a partir de R$ 110,00.

Confira também o video promocional do evento com destaque para o Clube Serra da Moeda:

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Premiere

PREMIÈRE: Gezender, Moebiius – Samadhi (BLANCAh Remix)

Phouse Staff

Publicado há

BLANCAh Hernan Cattaneo
Foto: Reprodução
Faixa será lançada em EP pela Neurom Records

Hoje tem lançamento de faixa exclusivo aqui pela Phouse. Trata-se do remix de BLANCAh para “Samadhi”, collab entre os produtores brasileiros Gezender e Moebius. A faixa faz parte do EP Tantra, que será lançado oficialmente no próximo dia 26, pelo selo berlinense Neurom Records. Além da original e da produção da BLANCAh, o disco traz remixes dos projetos paulistanos TessutoTeto Preto.

“A BLANCAh é nossa amiga há muitos anos. Ela é de Florianópolis, de onde eu vim, e onde o Moebiius mora, e nosso trabalho tem muitas coisas em comum”, explicou Gezender à imprensa. “Eu mostrei a música para ela, que adorou e topou fazer o remix.” Em contato com a Phouse, a artista complementou: 

“Geralmente quando eu aceito fazer remixes para outros artistas, tenho uma tendência de colocar muito da minha identidade, a ponto de quase parecer outra música. No caso desse remix específico, foi diferente. Foi o trabalho mais generoso que eu fiz porque fiz pensando no Tiago Franco [Gezender]. Pelo carinho que eu tenho por ele, pelo fato de eu já conhecê-lo há um tempão, por conhecer um pouquinho do gosto musical dele, da cena que ele criou em Floripa…”, declarou a BLANCAh. “Então eu tentei usar os sintetizadores um pouco mais rasgadinhos, alguns momentos lembrando de leve um electro, pensando bastante nas lembranças que eu tinha dele. Eu não criei muitas viagens etéreas nele, fui mais específica e direto ao ponto.”

E apesar de o EP só chegar daqui a sete dias, é nesta noite de quinta que vai rolar a festa de lançamento do EP. O rolê é no Tokyo, em São Paulo, a partir das 23h. O lineup traz os autores de Samadhi e dois dos remixers do EP: BLANCAh e Tessuto.

“Convidamos dois dos artistas que fizeram remixes para a ‘Samadhi’, com sets que passeiam entre house, electro e techno”, complementa Gezender. “As influências japonesas presentes no Tokyo, onde acontece a festa, passeiam também pelas nossas produções, e o local escolhido pra este lançamento vem muito a calhar. Vai ter pista fervendo até as 6h da manhã!”

Você pode conferir mais informações na página do evento.

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Notícia

Reconhecimento gringo: DJs brasileiras vão tocar em importante noite de techno no ADE

Phouse Staff

Publicado há

ANNA e Eli Iwasa
ANNA e Eli Iwasa. Montagem: Phouse
Evento é produzido pelo selo Ipso, de Kölsch, e pelo selo holandês straf_werk

O DJ Kölsch e a label holandesa straf_werk estão no comando de uma das baladas mais esperadas do circuito do ADE neste ano. Chamada “straf_werk x Kölsch presents Ipso”, a festa traz uma grande novidade para os brasileiros: a presença das nossas DJs ANNA e Eli Iwasa no lineup, o que evidencia o crescimento da representatividade brasileira na cena internacional.

O Amsterdam Dance Event é a semana mais importante da dance music mundial, e já recebeu muitos artistas do Brasil. Porém, nossos DJs costumam tocar em festas de labels nacionais, como Warung e D-EDGE. Esta é a primeira vez que artistas brasileiros são chamados para um evento da Ipso (label de Kölsch) e da straf_werk no ADE — ANNA, entretanto, já tocou em noites do selo holandês em outros países.

“Senti uma alegria tremenda, e também bateu o sentimento de responsabilidade, a vontade de entregar um baita set. O straf_werk é um dos selos do grupo que também organiza o DGTL — onde toquei em 2017, na edição de SP —, e sou muito grata a todas pessoas envolvidas em fazer isto acontecer”, comentou Eli, em contato com a Phouse, sem deixar de destacar a evolução da cena brazuca no mundo. “A produção musical e a cena no Brasil amadureceram muito, e isso reflete no mercado internacional. Sempre tivemos grandes talentos por aqui, e naturalmente, os artistas nacionais começaram a ganhar mais e mais espaço, tanto na Europa quanto nos EUA”, acrescentou.

Não é a primeira vez que elas tocam na gringa, entretanto. Residente de Barcelona já há alguns anos, ANNA tem a maior parte de seu campo de atuação centralizado na Europa. Já a Eli acaba de voltar de mais uma temporada no continente, onde tocou em clubs importantes do techno mundial, como Egg, em Londres, Watergate, em Berlim, e na Pacha de Barcelona, em uma turnê de showcases do Warung — clube em que ela se tornou residente recentemente.

Além das duas e de um super set de Kölsch, a noite ainda conta com um grande time de astros do techno: Tiga, Recondite num B2B com Marcus Worgull, Denis Horvat e Bas Dobbelaer. A “Straf_Werk x Kölsch presents Ipso” está marcada para 19 de outubro, no Centro de Convenções De Kromhouthal, em Amsterdã. Os ingressos já estão disponíveis a partir de €27,50.

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