Reportagem alerta: contratos permitem o controle de gravadoras sobre contas do Spotify

E é você mesmo quem autoriza

E aqui vamos nós, novamente debatendo até onde nossos dados estão realmente seguros ao utilizarmos as plataformas digitais. Após o escândalo do Facebook sobre o vazamento em massa de dados de milhares de seus usuários, a marca em evidência no momento é o Spotify.

Segundo a Billboard, ao clicar no botão de “pre-save” — adicionando em sua playlist uma faixa ou um disco ainda não lançado —, você permite que os selos tenham muito controle e acesso de informações sobre sua conta. Além de monitorar suas músicas, seus artistas favoritos e ter acesso ao seu e-mail, em alguns casos as gravadoras passam a ter a liberdade para intervir na sua própria conta, criando, editando e seguindo novas playlists, adicionando ou removendo itens da sua biblioteca e até mesmo, pasmem: controlando o Spotify de seu dispositivo!

Pode parecer bizarro, mas a prática é legal, já que o usuário aceitou isso ao declarar que leu os termos de uso e que estava ciente. Assim, dados a que apenas o Spotify teria acesso são compartilhados com gravadoras que, muito possivelmente, serão usados como ferramenta de marketing.

Veja um exemplo abaixo, em inglês, das permissões que você confere à Sony Music quando dá um pré-save em alguma música:

Spotify
Foto: Billboard/Reprodução

As permissões solicitadas variam de acordo com cada gravadora, mas a grande maioria, como Spinnin’ Records, Dim Mak, Revealed Recordings e Ninja Tune — para citar algumas do cenário eletrônico — segue o mesmo caminho. Ainda de acordo com a análise da Billboard, as labels solicitam muito mais permissões do que teoricamente seria necessário para desempenhar a função do pre-save. Segundo John Tinker, analista de mídia da Gabelli & Company, “não há nada que eles façam que seja ilegal — apenas ninguém nunca percebe isso quando assina essas coisas, nem o que elas significam”.

Tanto o Spotify, como a Sony e outras grandes gravadoras ainda não se manifestaram sobre essa história. Mas fica a dica: pode ser conveniente deixar a preguiça de lado e procurar entender bem o que você está assinando.

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