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Review

Como Guy Mantzur entrou para um seleto grupo em seu último set no Warung

Jonas Fachi

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Guy Mantzur ganhou uma oportunidade de ouro ao ser escolhido para um long set de seis horas no Warung.

* Fotos por Gustavo Remor

Se fosse perguntado aos frequentadores do Templo quem era o israelense Guy Mantzur há dois anos, é bastante provável que a maioria não conseguiria responder. É interessante como a carreira de um artista pode ganhar projeção em um curto período de tempo, e Mantzur sem dúvidas é um dos nomes que mais se destacaram recentemente no cenário global. Após receber suporte massivo de expoentes da casa, como Sasha e Hernan Cattaneo (que aparecem em diversos vídeos tocando músicas do artista no Warung), Mantzur começou a ser um dos artistas mais solicitados pelo novo público do club, e agora parecia que a sua vez finalmente tinha chegado.

Não posso deixar de destacar a liderança e ascensão de referências do mesmo país, como Guy J e Guy Gerber, que ajudaram a apresentar ao mundo uma série de outros novos criadores —­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ que até agora ainda estão surgindo — da chamada “nova geração de produtores da cidade branca, Tel Aviv”. Entretando, Mantzur estava indo além por ganhar uma oportunidade em um dos clubs mais disputados do planeta, algo que os outros ainda vão demorar a conquistar — se é que conquistarão.

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No último dia 05, o Warung Beach Club abriu as portas para receber seu retorno com direito a um privilegio que muitos outros artistas que estão tocando na casa a mais tempo ainda não conseguiram: seis horas de set no Inside. Considerado o extended set clássico, esse período de tempo é ideal para construir uma história bem-elaborada, com início, meio, fim, e ainda deixar aquele sentimento de “volte logo”. Obviamente, a exigência de um público específico, que muitas vezes vem de longe para assistir a artistas como esse — acredito que você sabe de quem eu estou falando — faz toda a diferença para que a curadoria coloque à disposição esse tempo para esses DJs, que podem, assim, entregar o que todos vêm buscar.

Este ano tem sido incrível no Templo. A volta dos set extendidos — marca registrada nos anos dourados do club — tem proporcionado experiências muito mais completas, fazendo quem se dispõe a essas jornadas entenderem um pouco da verdadeira alma do triângulo de madeira da Praia Brava. Se em março todos saíram um pouco insatisfeitos pelo israelense ter parado no meio da noite, agora sua volta foi uma forma de dizer: “O público pediu, agora é com você cara! Faça juz a esse tempo sagrado que poucos tiveram nos últimos anos”. Se Guy Mantzur soube tirar proveito e se destacar ainda mais como artista, é o que vou tentar explorar neste review.

Conti & Manti finalizando set e primeira meia hora de Guy Mantzur (vídeo por Bruno Felippe Peters)

A dupla da casa Conti & Mandi foi escalada para fazer as honras da noite. Fazia tempo que gostaria de ve-lôs tocando no Inside antes de um artista dessa linha. Perto das 23h, estava apreciando suas músicas em ritmo bem lento, quase nu-disco, juntamente da vista da pista de dança que ainda podia ser contada. Eu realmente gosto de chegar cedo, olhar com calma os detalhes do club e apreciar o chão linear que magistralmente foi desenhado para se confundir com o horizonte do mar. Aos poucos, eles foram construindo o set conforme a pista foi ganhando corpo e movimentação. Da meia-noite até o final do set, house com pitadas progressivas tomaram conta; energia cadênciada, sem querer se mostrar — é disso que um warmup precisa.

Por volta da 01h15, Mantzur assume o comando com personalidade. Confesso que eu estava um pouco resiliente sobre como ele iria se portar no que diz respeito à construção do set, afinal, um produtor de house progressivo não necessariamente é um DJ de house progressivo. Sem parar a música, e com os devidos aplausos ao set anterior, faz um início tranquilo na primeira meia hora: músicas acompanhando o que já vinha se fazendo, acrescidas de muitos arranjos de piano, que sempre dão cara de ínicio de set. Ao mesmo tempo, o israelense trouxe um pouco de peso nas linhas de baixo, que eram fechadas e com subs quebrados. Após uma hora muito bem construída, ele fez os primeiros testes de explosão, trabalhados com breaks fortes, só para ver se a pista estava ali mesmo. Durante a segunda hora, pude notar sua música caminhar para um lado mais sério, optando por deixar levadas emotivas de lado, mesmo tendo músicas para isso. Se em sua primeira apresentação na casa ele mesclou as duas coisas, agora estava optando por escolhas soturnas e energéticas; era pra valer.

Seu setup com o software Tracktor como plataforma-base e o mixer central lhe davam uma opção segura, algo a que muitos produtores se acercam. Um detalhe que não poderia deixar de mencionar é de como ele usa os efeitos em viradas e breaks, lembrando muito DJs de techno, que precisam de um pouco de “space” para alimentar sonoridades frias (não era o caso de Mantzur). Geralmente, DJs de progressive house trabalham de forma diferente, em que camadas sutis de delays e reverbs são introduzidas aos poucos, sem deixar transparecer tanto na música. De qualquer forma, é uma escolha; não acredito que prejudique sua música, porém também não agregava tanto. Sua residência no club TheCat&TheDog por alguns anos o fez saber construir um set que se conecta com o público verdadeiramente, passando muito pela mixagem, que era bem-ajustada quase todas as vezes. Sua intenção desde o começo foi manter consistência, e durante a terceira hora percebi que ele estava pronto para se erguer diante de uma platéia completamente atenta. Isso aconteceu quando a voz de John Lennon surgiu antes de mais uma volta de um break provocador — era apenas um recorte de “Imagine”, mas o suficiente para emocionar. No mesmo instante veio à mente o lindo arranjo de piano somado à letra de música mais genial já feita.

Após a quarta hora de set, Guy Mantzur chegou onde todos queriam: faixas com BPMs mais altos e alta dosagem de intensidade. Em alguns momentos, buscando dar mais dinâmica, encaixou faixas que se destacavam por si, como o maravilhoso remix de Guy J para “Tuesday Maybe” de Way Out West — que momento! A volta era sempre para mais uma sequência de muito ritmo. Esse formato acabou funcionando muito bem, mesmo que em algumas passagens eu sentisse que ainda faltava algo.

Ao mesmo tempo, tentei me policiar quanto à exigência sobre o artista, pois todos sabem o quão difícil é encarar a pista do Warung por tantas horas. O público fica em cima do DJ, a atmosfera é quente, e manter a mesma concentração no mais alto nível durante todo o período requer mais tempo de casa também. Surge então uma das músicas do ano — “Shifter”, de Cid Inc. É interessante como cada artista entende de forma diferente sobre que horas se deve tocar uma música. Guy J a apresentou em sua segunda hora de set, dois meses antes, enquanto Mantzur a trouxe em uma hora mais pesada, o que me soa como uma escolha mais adequada.

Na quinta hora, tivemos tracks bem-conhecidas do público do Templo, porém não menos importantes: a infalível “Systematika”, de sua autoria com Roy Rosenfeld, e “Trigonometry”, a genial obra recém-lançada de Sasha. Naquele momento a pista ficou toda iluminada de vermelho, e todos estavam com as mãos para cima, batendo palmas. Que energia que essa música tem! Minha sensação ainda era próxima da primeira vez que a ouvi.

Abrindo a parte final, uma faixa que me envolveu em sentimentos distintos, levando minha mente para um estado de conflito. Seria uma nova versão da clássica “Time”, do Pachanga Boys? Mas e essa marcação no mesmo timbre de “Bad Kingdom”, do Moderat? Algum bootleg? Carreguei essa indagação para casa, e por sorte, mais tarde, descobri em um post que se tratava de “Gausa”, do Super Flu (ouça aqui). Depois, uma das minhas produções favoritas dele, e surpreendentemente, um dos poucos vocais da noite. “Moments Becoming Endless” fez muitos cantarem junto. Essa hora final é inspiradora para qualquer artista, mesmo para quem nunca tinha encarado o amanhecer. Mantzur soube jogar o que era preciso. A miragem que surge no mar é quem fala o que se deve tocar — e não o contrário. Por isso, todos os artistas se veem seduzidos a trabalhar o lado emocional das pessoas, mesmo que só por um instante.

Para se despedir de sua oportunidade de liderar a pista do templo, Guy Mantzur colocou uma melodia contagiante, com leves toques de piano. Na mesma hora, fiz uma ligação com algo de Hans Zimmer — a sensação era de uma trilha cinematografica sendo despejada em todos.

No final, a sensação era de dever cumprido. Mantzur tinha feito, sim, sua marca em um momento da longa história do Templo. Questionava-me como tanta qualidade advinda de um mesmo lugar era possível. A verdade é que esses artistas têm se ajudado, e levam suas ideologias ao infinito. A terra sagrada de Israel, que já esteve sob o domínio dos mais diferentes povos — de persas a gregos, de otomanos a assírios —, hoje tem abraçado o multicultarilismo da música eletrônica, onde quem reina é o house progressivo.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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