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Review

Como Guy Mantzur entrou para um seleto grupo em seu último set no Warung

Jonas Fachi

Publicado em

28/08/2017 - 19:40

Guy Mantzur ganhou uma oportunidade de ouro ao ser escolhido para um long set de seis horas no Warung.

* Fotos por Gustavo Remor

Se fosse perguntado aos frequentadores do Templo quem era o israelense Guy Mantzur há dois anos, é bastante provável que a maioria não conseguiria responder. É interessante como a carreira de um artista pode ganhar projeção em um curto período de tempo, e Mantzur sem dúvidas é um dos nomes que mais se destacaram recentemente no cenário global. Após receber suporte massivo de expoentes da casa, como Sasha e Hernan Cattaneo (que aparecem em diversos vídeos tocando músicas do artista no Warung), Mantzur começou a ser um dos artistas mais solicitados pelo novo público do club, e agora parecia que a sua vez finalmente tinha chegado.

Não posso deixar de destacar a liderança e ascensão de referências do mesmo país, como Guy J e Guy Gerber, que ajudaram a apresentar ao mundo uma série de outros novos criadores —­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­ que até agora ainda estão surgindo — da chamada “nova geração de produtores da cidade branca, Tel Aviv”. Entretando, Mantzur estava indo além por ganhar uma oportunidade em um dos clubs mais disputados do planeta, algo que os outros ainda vão demorar a conquistar — se é que conquistarão.

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No último dia 05, o Warung Beach Club abriu as portas para receber seu retorno com direito a um privilegio que muitos outros artistas que estão tocando na casa a mais tempo ainda não conseguiram: seis horas de set no Inside. Considerado o extended set clássico, esse período de tempo é ideal para construir uma história bem-elaborada, com início, meio, fim, e ainda deixar aquele sentimento de “volte logo”. Obviamente, a exigência de um público específico, que muitas vezes vem de longe para assistir a artistas como esse — acredito que você sabe de quem eu estou falando — faz toda a diferença para que a curadoria coloque à disposição esse tempo para esses DJs, que podem, assim, entregar o que todos vêm buscar.

Este ano tem sido incrível no Templo. A volta dos set extendidos — marca registrada nos anos dourados do club — tem proporcionado experiências muito mais completas, fazendo quem se dispõe a essas jornadas entenderem um pouco da verdadeira alma do triângulo de madeira da Praia Brava. Se em março todos saíram um pouco insatisfeitos pelo israelense ter parado no meio da noite, agora sua volta foi uma forma de dizer: “O público pediu, agora é com você cara! Faça juz a esse tempo sagrado que poucos tiveram nos últimos anos”. Se Guy Mantzur soube tirar proveito e se destacar ainda mais como artista, é o que vou tentar explorar neste review.

Conti & Manti finalizando set e primeira meia hora de Guy Mantzur (vídeo por Bruno Felippe Peters)

A dupla da casa Conti & Mandi foi escalada para fazer as honras da noite. Fazia tempo que gostaria de ve-lôs tocando no Inside antes de um artista dessa linha. Perto das 23h, estava apreciando suas músicas em ritmo bem lento, quase nu-disco, juntamente da vista da pista de dança que ainda podia ser contada. Eu realmente gosto de chegar cedo, olhar com calma os detalhes do club e apreciar o chão linear que magistralmente foi desenhado para se confundir com o horizonte do mar. Aos poucos, eles foram construindo o set conforme a pista foi ganhando corpo e movimentação. Da meia-noite até o final do set, house com pitadas progressivas tomaram conta; energia cadênciada, sem querer se mostrar — é disso que um warmup precisa.

Por volta da 01h15, Mantzur assume o comando com personalidade. Confesso que eu estava um pouco resiliente sobre como ele iria se portar no que diz respeito à construção do set, afinal, um produtor de house progressivo não necessariamente é um DJ de house progressivo. Sem parar a música, e com os devidos aplausos ao set anterior, faz um início tranquilo na primeira meia hora: músicas acompanhando o que já vinha se fazendo, acrescidas de muitos arranjos de piano, que sempre dão cara de ínicio de set. Ao mesmo tempo, o israelense trouxe um pouco de peso nas linhas de baixo, que eram fechadas e com subs quebrados. Após uma hora muito bem construída, ele fez os primeiros testes de explosão, trabalhados com breaks fortes, só para ver se a pista estava ali mesmo. Durante a segunda hora, pude notar sua música caminhar para um lado mais sério, optando por deixar levadas emotivas de lado, mesmo tendo músicas para isso. Se em sua primeira apresentação na casa ele mesclou as duas coisas, agora estava optando por escolhas soturnas e energéticas; era pra valer.

Seu setup com o software Tracktor como plataforma-base e o mixer central lhe davam uma opção segura, algo a que muitos produtores se acercam. Um detalhe que não poderia deixar de mencionar é de como ele usa os efeitos em viradas e breaks, lembrando muito DJs de techno, que precisam de um pouco de “space” para alimentar sonoridades frias (não era o caso de Mantzur). Geralmente, DJs de progressive house trabalham de forma diferente, em que camadas sutis de delays e reverbs são introduzidas aos poucos, sem deixar transparecer tanto na música. De qualquer forma, é uma escolha; não acredito que prejudique sua música, porém também não agregava tanto. Sua residência no club TheCat&TheDog por alguns anos o fez saber construir um set que se conecta com o público verdadeiramente, passando muito pela mixagem, que era bem-ajustada quase todas as vezes. Sua intenção desde o começo foi manter consistência, e durante a terceira hora percebi que ele estava pronto para se erguer diante de uma platéia completamente atenta. Isso aconteceu quando a voz de John Lennon surgiu antes de mais uma volta de um break provocador — era apenas um recorte de “Imagine”, mas o suficiente para emocionar. No mesmo instante veio à mente o lindo arranjo de piano somado à letra de música mais genial já feita.

Após a quarta hora de set, Guy Mantzur chegou onde todos queriam: faixas com BPMs mais altos e alta dosagem de intensidade. Em alguns momentos, buscando dar mais dinâmica, encaixou faixas que se destacavam por si, como o maravilhoso remix de Guy J para “Tuesday Maybe” de Way Out West — que momento! A volta era sempre para mais uma sequência de muito ritmo. Esse formato acabou funcionando muito bem, mesmo que em algumas passagens eu sentisse que ainda faltava algo.

Ao mesmo tempo, tentei me policiar quanto à exigência sobre o artista, pois todos sabem o quão difícil é encarar a pista do Warung por tantas horas. O público fica em cima do DJ, a atmosfera é quente, e manter a mesma concentração no mais alto nível durante todo o período requer mais tempo de casa também. Surge então uma das músicas do ano — “Shifter”, de Cid Inc. É interessante como cada artista entende de forma diferente sobre que horas se deve tocar uma música. Guy J a apresentou em sua segunda hora de set, dois meses antes, enquanto Mantzur a trouxe em uma hora mais pesada, o que me soa como uma escolha mais adequada.

Na quinta hora, tivemos tracks bem-conhecidas do público do Templo, porém não menos importantes: a infalível “Systematika”, de sua autoria com Roy Rosenfeld, e “Trigonometry”, a genial obra recém-lançada de Sasha. Naquele momento a pista ficou toda iluminada de vermelho, e todos estavam com as mãos para cima, batendo palmas. Que energia que essa música tem! Minha sensação ainda era próxima da primeira vez que a ouvi.

Abrindo a parte final, uma faixa que me envolveu em sentimentos distintos, levando minha mente para um estado de conflito. Seria uma nova versão da clássica “Time”, do Pachanga Boys? Mas e essa marcação no mesmo timbre de “Bad Kingdom”, do Moderat? Algum bootleg? Carreguei essa indagação para casa, e por sorte, mais tarde, descobri em um post que se tratava de “Gausa”, do Super Flu (ouça aqui). Depois, uma das minhas produções favoritas dele, e surpreendentemente, um dos poucos vocais da noite. “Moments Becoming Endless” fez muitos cantarem junto. Essa hora final é inspiradora para qualquer artista, mesmo para quem nunca tinha encarado o amanhecer. Mantzur soube jogar o que era preciso. A miragem que surge no mar é quem fala o que se deve tocar — e não o contrário. Por isso, todos os artistas se veem seduzidos a trabalhar o lado emocional das pessoas, mesmo que só por um instante.

Para se despedir de sua oportunidade de liderar a pista do templo, Guy Mantzur colocou uma melodia contagiante, com leves toques de piano. Na mesma hora, fiz uma ligação com algo de Hans Zimmer — a sensação era de uma trilha cinematografica sendo despejada em todos.

No final, a sensação era de dever cumprido. Mantzur tinha feito, sim, sua marca em um momento da longa história do Templo. Questionava-me como tanta qualidade advinda de um mesmo lugar era possível. A verdade é que esses artistas têm se ajudado, e levam suas ideologias ao infinito. A terra sagrada de Israel, que já esteve sob o domínio dos mais diferentes povos — de persas a gregos, de otomanos a assírios —, hoje tem abraçado o multicultarilismo da música eletrônica, onde quem reina é o house progressivo.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

Publicado há

Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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