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Análise

Retrospectiva: 10 momentos marcantes de Hernan Cattaneo no Warung

Jonas Fachi

Publicado em

06/09/2017 - 21:15

Prestes a desembarcar no Warung para mais um clássico extendend set, Hernan Cattaneo é lembrado em dez imagens que contam um pouco de sua intensa relação com o clube.

Se existe um artista capaz de transformar sua visão de como se ouve e entende música eletrônica, este é Hernan Cattaneo. Sua dedicação incansável pelo mix perfeito somada à maneira única de conduzir a pista de dança o transformou em um dos maiores ícones que a cena eletrônica já produziu. Desde Buenos Aires para o coração de milhares de pessoas ao redor do mundo, Hernan foi estabelecer sua maior conexão em um lugar talvez inesperado. Iniciada em 2005, essa relação simbiótica tem se mantido por gerações e gerações de clubbers que se reúnem todos os anos no Warung Beach Club para celebrar seu tradicional extended set. O dono da noite oferece uma experiência que é vista por muitos como algo que transcende a cultura eletrônica, chegando até as bordas do que se entende como adoração por um estilo de vida em nossa sociedade contemporânea. Essa experiência uniu ao longo dos anos pessoas que jamais teriam se conhecido, formando uma espécie de religião protetora em seu entorno e ao tipo de música que propõe.

+ LEIA AQUI a entrevista do autor com Hernan Cattaneo, em 2015

Mesmo obtendo maior proximidade com o house progressivo desenvolvido no Reino Unido dos anos 90, em algum momento de seus mais de 30 anos de carreira Cattaneo rompeu qualquer tentativa de classificar por estilo o tipo de música que apresenta. Ele aos poucos desenvolveu sua própria personalidade musical, particular e inimitável. Criando momentos de atmosfera soturna, tribal, por vezes melódica, por vezes infernal, reúne uma série de características distintas que se somam ao seu talento atrás dos decks, e tudo isso parece se completar no club sul-americano.

O que faz da apresentação de “El Maestro” algo tão diferente em uma pista quente e emocional brasileira? Seus fãs mais conservadores comentam que não existe uma maneira exata de explicar, você apenas precisa ir e se entregar junto do balanço entre brasileiros e argentinos que comparecem todos os anos no templo da Praia Brava.

Pensando nisso, às vésperas de um novo set no Warung, reunimos algumas imagens marcantes ao longo de mais de dez anos de residência anual no club catarinense. Confira:

Um grande coração

31/12/2008 – Após um carnaval intenso em 2007, Hernan foi convidado para encerrar o ano de 2008. Naquela noite, tradicionalmente, todos compareceram com roupas brancas para celebrar a chegada do novo ano. Hernan surge então com sua tracional camiseta preta, porém com um detalhe que explicava seus desejos para os presentes: o enorme coração branco em seu peito até hoje é lembrado como uma de suas maiores demostrações de carinho pelo club.

Pré-Réveillon

29/12/2010 – Por falta de imagens de boa qualidade sobre essa noite, decidimos incorporar a parte 1 da série de videos em alta qualidade gravados nesse dia. Considerado por muitos como o melhor set que o maestro construiu no templo, vale destacar sua abetura com “I Feel Loved”, do Depeche Mode, e mais de oito horas de set até próximo das 09h30 da manhã. Outros destaques em seu set foram as clássicas “Triton”, de Marc Romboy & Stephan Bodzin no meio da noite, e “Love Stimulation”, de Humate (com remix de Tom Middleton), ao amanhecer.

Love, Hernan

29/12/2011 – Sua quinta apresentação é considerada o momento em que sua música se transforma em uma espécie de símbolo cultural do club. Era aquele estilo que fazia a verdadeira mágica acontecer em sua raiz, posto dominado por Sasha até então. Na foto, a captura perfeita do azul escuro, sua cor de representação na noite, e o desenho no vidro como uma tentativa de agradecer por parte do público. O grande destaque fica por seu encerramento com “Dark & Long”, do Underworld, com remix clássico de Christian Smith.

God found his temple

28/12/2012 – O final de ano já era visto como uma tradição indispensável. Hernan recebe todas as tentativas de agradecimento e estreitamento de relação com a pista do templo. Podendo se sentir em casa como nunca, traz um dos seus sets mais emotivos. Joga faixas emblemáticas, como “10101”, de James Holden, “Recall”, de Diego Azocar, e as clássicas do final: “Heaven”, de Unkle com remix de King Unique, e “Like You”, de Gui Boratto.

Feriado de Páscoa

29/04/2013 – Por algumas temporadas, Hernan teve seu show no templo durante o feriado de Páscoa também, tamanha era a aclamação do público por sua música. Destaques para “Diaspora”, de Guy J, “All The Evil Of This World”, de Henry Saiz com remix de Chaim, e, na parte final, a clássica “Love In Traffic”, de Satoshi Tomiee com edit de Mike Griego — uma faixa muito aguardada no club.

Israeli guys

29/12/2013 – Um set voltado aos ritmos tribais e linhas de baixo muito dançantes. Período marcado também por um forte apoio aos novos produtores de Israel. Tiveram destaque faixas como “Bahia”, de Simon Vuarambon, “Lonely Stars In Open Skies”, de Jon Charnis com remix de Luca Bachetti, as clássicas “Work To Do”, de Sander Kleinenberg , e “Stoppage Time”, de Guy Gerber, no meio da noite. Outros pontos altos foram Guy Mantzur, com “We Are What We Are”, Guy J, com “Fantasy Reality”, “Moments”, de Khen, e um final marcado por “Running To The Sea”, de Royksopp com remix de Pachanga Boys, e “Song of Loss”, do Apparat.

Variações

18/04/2014 – Em um de seus sets mais ecléticos, conseguiu reunir artistas como Maceo Plex, Coyu, Cid Inc, Dark Soul Project e Sahar Z durante seis horas.  Destaque para “Return To Yoz”, de Mano Le Tough, e clássicos como “Ultraviolet”, de Luke Fair, “Fochleise Kassette”, de Paul Kalkbrenner com Santi Mossman remix, e um final com “Midnight Walk”, de Adriatique.

Uma noite na escuridão

28/12/2014 – Considerado o set mais obscuro já feito no Warung, sem subir muito o BPM, Hernan manteve por toda a noite momentos soturnos e introspectivos, dando ênfase total a uma de suas características mais adoradas.  Na noite, o destaque vai para faixas como “Too Dark For You”, de Chaim e Metial Derazone, “Anise”, de Khen, “Ghost” de The Acid com remix de Maya Jane Coles, e “Somebody Else”, de BP; no amanhecer histórico, tivemos “Meridian”, de Henr y Saiz e Guy J, “Sweep”, de Blue Foundation com remix de Kevin Di Serna, “Candyland”, de Guy J, e “Sordid Affair”, de Royksopp com remix de Maceo Plex. Um dos mais marcantes de todos, o encerramento teve “Your Love Will Set You Free”, de Caribou com remix de Carl Craig. Mais tarde, Hernan postou em seu Facebook uma mensagem de agradecimento: “Nós podemos ser grandes rivais no futebol, mas quando se trata de música, parece que somos irmãos”.

No hay límite para tu música

28/12/2015 – Comemorando dez anos de casa e de cabelo novo, Hernan marcou um de seus sets menos emotivos e mais psicodélicos. Destaque para “Re-Wired”, de Bog, “Track For Life”, de John Digweed e Nick Muir com remix de Cosmic Boys, “Swept” de Kiasmos com remix de Tale of Us, “Wilkie”, de Roman Flügel com remix de Ditian, e um dos maiores clássicos de toda indústria pela manhã: “I Wish You Were Here”, de John Creamer & Stephane K. No final, tivemos ainda bombas como “Loud Places”, de Jamie xx com edit de Barnt, e “Right Off”, de Danny Howells com remix de Faze Action.

A relatividade explica

10/09/2016 – Set marcado pelo início à meia noite até próximo das 8h, e por ingressos esgotados no feriado de independência no Brasil. Esse crescimento também se deve ao novo público da casa ter chegado até sua música de forma definitiva. Destaque para “Secret Encounters”, de Guy Gerber, “The Bar Tender”, de Seth Schwartz e Be Svendsen, “Dodge”, de Victor Ruiz, e um amanhecer com as clássicas “Trigonometry”, de Sasha, “Only When I Lose Myself”, do Depeche Mode, e um final com “Snooze For Love”, de Dixon, e “Nana”, de Acid Pauli.

Nesta sexta-feira, 08 de setembro de 2017, Hernan retorna para seu tradicional extended set iniciado à meia noite em ponto. Qual será a imagem da noite, o caminho que escolherá percorrer? Os clássicos? Seus últimos radio shows podem dar a dica, mas só quem estiver presente saberá de verdade. Ah, os ingressos estão no fim — teremos casa cheia.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

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Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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