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Review

Hernan Cattaneo faz história com o primeiro “All Night Long” do Warung

Jonas Fachi

Publicado em

10/01/2018 - 18:29
Hernan Cattaneo All Night Long
Em seu tradicional set de fim de ano, El Maestro rompeu novas barreiras e se tornou o primeiro artista dos 15 anos de Warung a tocar pela noite inteira
* Fotos por Gustavo Remor e Ebraim Martini
* Vídeos por Fernando Hauenstein e Sebastian Tallon

Não existe data mais simbólica do que o dia 28 de dezembro no Warung Beach Club. O dia é reservado e sinônimo do desembarque de Hernan Cattaneo à Praia Brava. É fácil entender o porquê. Devido a sua consistência ao longo dos anos, o maestro argentino se tornou um embaixador da música que ajudou a criar. Aqui, sua ligação se fez por sua “experiência musical” se tratar de nada menos do que a identidade sonora que mais se enquadra com as expectativas do club, se tornando assim uma noite imprescindível para qualquer um que esteja em busca da famosa “mágica do Templo”.

O final de ano é estratégico porque consegue reunir elementos importantes: primeiro pelo verão no Hemisfério Sul ser uma das marcas do beach club. Segundo, pela quantidade de argentinos que estão de férias no litoral catarinense, somando-se aos fãs brasileiros que moram longe e que podem estar presentes. Para finalizar, turistas e público novo buscando conhecimento. Tudo isso forma uma das pistas mais divertidas e democráticas do ano na casa.

Após se apresentar no feriado de Independência do Brasil — data que tem se tornado sua referência também —, Hernan retornava sob expectativas que nunca diminuem. Neste review, como sempre, tentarei desvendar as ideias musicais e sua construção de set a fim de que todos possam ao mesmo tempo relembrar momentos marcantes, mas também entender a proposta musical para a noite. Ainda, buscarei mostrar a importância que ambos, artista e club, têm um para o outro. Veremos que é algo único.

O maior destaque dos meses pré-evento foi o pedido exclusivo de Cattaneo para ter a noite só para si, desde a abertura até o final. Todos sabem que a forma como conduz a pista de dança por longas horas é uma de suas marcas registradas, e ele estaria vindo do embalo de um back to back de espantosas 20 horas com Guy J no Canadá, em um club que mencionarei mais à frente.

Hernan Cattaneo All Night Long

Seu longset no Warung é considerado um clássico, porém para que tantas horas de música sejam bem-sucedidas, deve-se passar fundamentalmente por quão ambientado está o público antes de o artista principal iniciar. Hernan sabe tão bem disso que ele mesmo se propôs ao warmup dessa noite.

Tocar nesse ritmo de abertura é algo que ele adora, e fazia esse modelo de apresentação no início da carreira, quando a música eletrônica mal existia na América do Sul. Ao longo dos anos o Warung proporcionou ótimas aberturas a ele; nomes como Daniel Kuhnen, Leozinho e Danee são constantemente elogiados. Porém, Catta busca sempre ir além, se dispondo a fazer o que ninguém faria, e isso tem um motivo que entenderemos adiante.

Hernan Cattaneo All Night Long

Acertadamente, o club previu a abertura dos portões para as 21h, podendo assim deixar os mais interessados chegarem, se ambientarem e esperá-lo da melhor forma possível. Entretanto, o protocolo imaginado foi quebrado por volta das 21h25, quando ao chegar no club e ver que já havia pessoas a sua espera (cerca de 30), Hernan não hesitou e resolveu antecipar os trabalhos, sendo a primeira boa surpresa da noite.

O sistema de som ainda era tímido; ele propôs uma levada de deep house dançante com BPM bem baixo. Foi recebendo o público aos poucos, como se estivesse tocando na sala de casa. Que honra! Nesse começo, é impossível não destacar duas musicas de duas bandas eletrônicas icônicas. A primeira é “Damage Done” de Moderat, em um remix que não consegui descobrir, mas que seria algo aproximado com o do produtor Silinder. A segunda é nada menos que “Dream On”, do Depeche Mode — daquelas que você lembra pelo vocal inconfundível, em mais um remix não identificado. A partir das 23h, o sistema de som ganha seu devido ganho, e a pista que já estava cheia reage com a primeira euforia da noite. Agora era pra valer! Tocar desde o início é uma atitude que o público do Warung jamais esquecerá por duas razões: era algo que nunca havia ocorrido com um artista em 15 anos, e porque ficou evidente que o título de melhor warmup para o maestro já feito no club só poderia ser dele mesmo.

Hernan Cattaneo All Night Long

Se você está se perguntando se existe um motivo maior para esse pedido e desejo em abrir a própria noite, está correto. Vamos a ele. Existem certos clubs e eventos especiais na extensa carreira do argentino, alguns já extintos, outros ainda em atividade. A Stereo em Montreal, o Woodstock 69 em Amsterdã, a Moonpark e o Clubland (seu club formador) em Buenos Aires, o Cream de Liverpool e o Yellow de Tóquio são alguns dos quais Hernan tem registros de longsets históricos — como o de 12 horas no encerramento do club japonês em 2008.

Nesses “clubs para clubbers profissionais”, como ele costuma falar, criou laços mais profundos do que apenas apresentações marcantes de um DJ internacional para o público local. Porém, quando falamos de Warung, que é um desses lugares onde o frequentador recebe uma graduação musical, parece existir algo que transcende a todos e que honestamente não sei explicar.

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Pode parecer imprudência alguém fazer tamanha afirmação sem ter experimentado experiências musicais com ele nos lugares citados. Porém, olhando através de seu comportamento quando está dissipando o que tem de melhor na pista do Templo, arrisco dizer que em nenhum outro lugar sua música foi e tem sido recebida por um período tão extenso com tanta singularidade. Hernan tem sua figura tão em conformidade com a cabine, que a sensação de todos ao vê-lo ali em cima sob completa sintonia, repetindo os mesmos movimentos corporais e mentais necessários para se colocar músicas em sequência, é de que estamos diante algo mítico. O DJ que vemos no Warung parece ser daquele jeito somente ali.

Toda essa conexão ao longo do tempo gerou um resultado que poucos alcançaram dentro de toda indústria musical eletrônica: ser a figura central da criação de uma comunidade em torno do estilo musical que acredita e propaga desde quando ainda só ouvia discos de bandas de rock progressivo que suas irmãs colocavam para rodar. É claro que no final de tudo estamos tratando de entretenimento, porém com um nível de interação que é capaz de moldar ideias e visões das pessoas que decidem participar, e então colocá-las em união. Esse seu interesse em fazer o algo a mais, em tocar o máximo de tempo possível, é um tipo de realização que não se apaga tão fácil — ao contrário, se perpetua nas lembranças mais profundas dos participantes.

Hernan Cattaneo All Night Long

Considerações feitas, voltamos à música, e ela estava se desenvolvendo com toques viajantes moderados, temas com pequenos recortes emotivos e tribais, tudo bem cadenciado, sem exagero. Após a 01h, tive a sensação de que tínhamos atingido a velocidade de cruzeiro. Em navegação, é comum se falar sobre a relação da velocidade ideal e o perfeito equilíbrio do motor com o casco, ou seja, máximo desempenho aliado a maior economia. Hernan é especialista em estabelecer uma faixa sonora dentro da qual não se força a pista de dança, mas que nela atua naturalmente e em perfeito desempenho. O “ponto de cruzeiro” dessa relação é quando a música inserida pelas mãos do artista é capaz de extrair o máximo de cada individuo, mas sem que eles se desgastem antes do término.

Estava esperando mais alguma faixa para reconhecer, e então ouço uma melodia inconfundível para meus ouvidos. Procuro alguém para compartilhar a emoção de estar ouvindo “Take My Away”, de Fefo e Dario Arcas —  um dos melhores lançamentos da Sudbeat já feitos. Em 2010, ela marcou o décimo lançamento da gravadora de Hernan, recebendo inclusive um remix esplêndido do boss com Soundelixe. A faixa ainda fez parte de sua compilação The Masters Series – Parallel, para a Renaissance no mesmo ano. Novamente, se tratava de um edit que não consegui identificar.

Após isso, a construção musical começa a ganhar sua verdadeira cara, entrando em um tom mais dramático e infernal. Menos elementos, mais intensidade, e claro, as indispensáveis linhas de baixo aterrorizantes cortando e balançando toda a pista. No vídeo abaixo, que capturou momento próximo das 03h, está um daqueles sons que eu provavelmente não esquecerei até encontrar. Analisando o set inteiro, essa faixa seria uma espécie de previsão do que ele iria jogar nas horas que viriam.

Para mim, sempre foi impressionante como Hernan consegue ter amplitude musical dentro do seu estilo particular. Você pode dizer que esse é um dos papéis fundamentais de um DJ, porém conseguir executá-lo sem perder a essência é um dos grandes desafios da atualidade. Seguindo, outra faixa impressionante: “Robot Funk”, com remix de Phuture Phunk, fez todos entrarem em imersão. Essa música nada mais é que um ripping de “On The Run”, da banda Pink Floyd, adicionada a um baixo poderoso, um arranjo de bateria e um kick forte. Trata-se na verdade de um excelente remix, podendo ter sido apresentado pelo produtor Framewerk como tal, mesmo que não pudesse comercializá-lo.

Às 04h, entrou em ação “Strand”, de Stephan Bodzin — uma faixa com efeito progressivo e hipnótico, espécie de ponto de amostragem do que ele estava apresentando. A intensidade aumentava mais do que de costume. Comecei a imaginar que ele estava tocando por um bom tempo no mesmo ritmo para chegar em algo especial. Em meia-hora houve a quebra, não de ritmo, mas de sintonia. “Sirens”, remixada magistralmente por Patrice Bäumel, foi a escolhida para esse momento clássico dos sets de Hernan. Ele cantava sua maravilhosa letra tranquilamente enquanto todos ainda estavam se dando conta de que era um momento de pôr os pés no chão, mas só por uns minutos.

Hernan Cattaneo All Night Long

A partir das 05h, a sonoridade estava reta e nivelada, caracterizada pela maior altitude possível de energia e velocidade rítmica que El Maestro gosta de trabalhar, entregando para a pista de dança a melhor relação entre pessoas, ambiente e música. Sempre comento sobre esse momento do set até as 06h, que mostra o quão bem pensada e elaborada é sua construção. Havia nesse momento alguns aspectos mais obscuros, e sequência sem descanso.

Entramos na fase do amanhecer e era hora de algum clássico. A escolha foi por um que eu aguardava desde quando assisti ao vídeo dele o soltando no club Mamacas, em Atenas 2012. Tratava-se de “Eterna”, de Slam; uma faixa atemporal, produzida em 1991, e que recebeu um remix fantástico de John Digweed e Nick Muir 21 anos depois.

Próximo de chegar à fase da última hora, uma daquelas músicas que parecem já nascer clássicas. Seu vocal emitido como um mantra lembrou-me de um momento especial que tive em 2010, quando quase no mesmo horário, Hernan soltou “Love Stimulation”, de Humate, em remix de Tom Middleton — um momento que guardo até hoje de minha primeira experiência com o maestro. De alguma forma, isso surgiu em minha mente e tudo parecia ter voltado no tempo, reavivado por “Chanjira”, de Stuart King em remix de Mongo. Que momento!

Essa última hora é uma mistura de sentimentos. A já tradicional paradinha das 07h20 foi calculada com um lindo trabalho de um dos melhores produtores argentinos da atualidade: Kevin Di Serna, com “Horizons” — um arranjo limpo de piano, leves baterias e uma mensagem no vocal do break. Depois da calmaria, a volta é novamente cheia de intensidade, o sprint final para esgotar as últimas energias. A finaleira voltou-se novamente para o lado emocional com “Sofia” remixada por Guy Mantzur e, para minha maior surpresa, o encerramento veio com uma música que me fez pôr as mãos no rosto e apreciar sem querer que acabasse.

Eu já perdi as contas de quantas vezes assisti ao filme Inception. Além de elenco e direção brilhantes, ele tem uma das melhores trilhas sonoras da última década. E quando se fala em trilha sonora, hoje ninguém está no nível de Hans Zimmer. Sua composição chamada “Time” para o longa é algo que não se deve colocar em palavras. Felizmente, ela recebeu uma versão à altura para as pistas de dança, por Deeparture. A saudação mútua de agradecimento estava acontecendo junto do sentimento de maratona musical mais do que cumprida.

Hernan Cattaneo All Night Long

Escrevendo este review, pesquisando e relembrando faixas que foram apresentadas, notei que havia outras dezenas de detalhes especiais ainda para serem mencionados. Dar-me conta de que eu poderia simplesmente excluir tudo que tinha escrito e mesmo assim teria outras tantas coisas incríveis para contar, foi como uma cortina que se abriu em minha frente. Até onde vai a dedicação e o interesse de um artista para trazer ao seu público uma narrativa musical tão rica? Minha saída foi aceitar que algumas coisas vão e devem ficar apenas na lembrança.

Em 28 de dezembro, Hernan Cattaneo fez uma espécie de volta para casa, como quando ainda jogava no extinto Clubland de Buenos Aires. Agora, contudo, essa outra casa que ele descobriu e ajudou a formar tem um sentido diferente — afinal, seria como voltar, mas ainda estar jogando em um dos maiores palcos do planeta, um Camp Nou brasileiro, com sua grama (soundsystem) lisa, molhada, e um fundo de campo que parece não ter fim (mar). Seu conjunto musical estava nos dizendo isso o tempo todo: o Warung é um palco vivendo seu melhor momento, moldado por anos de uma identidade sonora inconfundível, onde, claro, só existe um camisa 10.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

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Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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