Hot Since 82 no Ame Club, durante passagem pelo Brasil. Foto: Alisson Demetrio/Divulgação

* Edição e revisão: Flávio Lerner

Fim de semana após fim de semana, nossos clubs recebem artistas internacionais acostumados a comandar as pistas dos principais eventos do globo. Alguns criam uma conexão realmente especial com o nosso país, especialmente aqueles que possuem a oportunidade de passar alguns dias por aqui.

Durante sua última tour pelo Brasil, Daley Padley, aka Hot Since 82, tocou em alguns dos clubs mais icônicos — Ame e Warung —, curtiu o Carnaval no Rio, gravou um set para a BE-AT.TV no coração de São Paulo, conheceu a Amazônia e produziu o terceiro episódio da série documental Even Deeper, que já havia registrado momentos de sua tour mundial no Japão e no México.

Aproveitamos o lançamento, feito ontem (23), para bater um papo especial com Daley, que comentou seu apreço pela natureza, detalhes da Even Deeper, sua passagem pelo Brasil e relacionamento com o público verde e amarelo. Confira a seguir:

O terceiro episódio da “Even Deeper” cobre a última tour brasileira do Hot Since 82

Nessa nova edição da Even Deeper, você fala sobre a importância de se conectar com o “mundo real” durante sua passagem pelo Brasil. Nosso país te inspira a fazer isso de que maneiras?

Bem, eu sou do norte do Reino Unido, onde tem bastante área verde e é uma região rodeada por campos e parques seguros. Acho que querer estar perto da natureza está no meu sangue. Meu trabalho permite que às vezes eu veja isso, então sempre que posso, estou perto da natureza.

Não conseguia pensar em outro lugar no mundo para gravar o próximo episódio da Even Deeper, senão o Brasil — o país onde está localizada a maior floresta do mundo. Foi lindo e sinto-me muito honrado por ter visitado.

A Even Deeper já passou por Japão e México anteriormente. Durante as gravações, o que você tirou de melhor em cada um desses países?

Aprendi que você nunca deve julgar um livro pela capa, sempre ter a mente aberta e sempre dar aos outros uma parte do seu tempo. Essa série me ajudou a crescer como pessoa. Ter visitado tantos lugares no mundo acabou sendo simplesmente um trabalho cheio de amor.

Como surgiu a ideia de criar a série?

Veio totalmente pelo desejo de compartilhar com o resto do mundo esses lindos lugares que visito. Minhas lembranças estão no meu coração, mas eu também posso mostrar aos outros minha vida e outras culturas, da comida às pessoas, as tradições e claro, a história e a cena clubber. É uma parte enorme de quem eu sou.

Nessa última tour, você teve a oportunidade de tocar no Brasil durante o Carnaval, uma das maiores e mais impressionantes festas do mundo. Como foi viver essa experiência?

Uau, foi fantástico! Pude riscar outro item da minha lista de desejos. Eu trouxe a chuva britânica comigo, mas ainda assim tivemos uma experiência incrível. Ver tantas pessoas nas ruas com suas famílias e seus amigos foi um espetáculo. Tanta música e sorrisos… Nós adoramos!

Tive a oportunidade de acompanhar sua última gig no Warung e fiquei surpreso por boa parte do set ter sido conectado ao techno, em vez do tech house melódico que tanto marcou suas produções. O que exatamente te levou a esse caminho?

Em todos os sets, gosto de focar na pista, e não nos estilos. Não quero ser rotulado, quero expressar como estou me sentindo naquele momento. É engraçado, porque eu não acho que toquei techno (risos). Só acho que estava discotecando com mais crueza. Foi uma gig especial, posso dizer isso. É um local épico e quando o sol aparece é incrível.

Quais lugares mais chamaram sua atenção durante essa passagem pelo país? Você conseguiu se conectar com o público de forma mais profunda?

A Amazônia, sem dúvidas. É um lugar que achei que nunca conseguiria visitar. Tirou nosso fôlego. Desde comer os peixes do rio local a ver os botos-cor-de-rosa nadando, pegar os jacarés selvagens no rio com nossas próprias mãos… Foi tão bom! É um lugar maravilhoso. Mas também é triste ver quanta poluição está devastando a floresta, o desmatamento ilegal… Essa parte realmente me deixa chateado.

+ CLIQUE AQUI para assistir ao episódio anterior da “Even Deeper”

Como você descreveria seu relacionamento com as pistas brasileiras após essa tour e essa edição da Even Deeper?

Sinto que conheço vocês muito mais. O que faz vocês dançarem, a comida que vocês mais gostam… Pequenas coisas que nunca soube. A próxima viagem será ainda mais épica.

Já existe outro país confirmado para o próximo episódio?

Há tantos que queremos visitar e documentar. Não é tão fácil como você pensa e é muito caro. Muito disso sai direto do meu bolso, mas é um trabalho feito com muito amor, e eu curto demais fazê-lo.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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