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House classudo made in Rio: Leo Janeiro e Mumbaata falam sobre seu novo EP

Flávio Lerner

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Com remixes de HNQO e Andre Buljat, Solaris foi lançado nesta quarta-feira.

Um é um dos nomes mais conceituados da cena house/techno do Brasil, por um trabalho consistente de anos como DJ, produtor, label manager e curador do Rio Music Conference. Outro surgiu há pouco mais de dois anos, mas vem numa escalada vertiginosa, destacando-se com suas produções diferenciadas, que carregam uma bagagem de referências musicais poucas vezes vista na cena nacional — não à toa, o projeto foi eleito Produtor Revelação, no próprio RMC. Agora, com afinidades que vão muito além do fato de morarem na mesma cidade, Leo Janeiro e os rapazes do Mumbaata estão lançando mais uma empreitada musical juntos, com o EP Solaris.

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O disco tem quatro faixas: duas originais mais seus respectivos remixes, feitos por HNQO e o alemão/espanhol Andre Buljat. “Trabalhar com os meus brothers do Mumbaata sempre é legal. Eu e o Lenoxx [Hortale] temos muita coisa em comum, e o Pedro [Poyart] é um músico sensacional. União perfeita, por isso que sempre flui muito bem o trabalho”, contou Leo, em contato com a coluna. O trio responsável pelo EP deu um papo breve, mas minucioso, contando detalhes do processo de produção e como enxergam o resultado de cada faixa. Confira abaixo, enquanto curte o novo disco:

Solaris

“Essa faixa sempre teve algo bem especial. Eu sempre curti ela porque não tinha pretensão de ser algo para pista; ela tem um groove leve e uma linha de synths bem marcante. Me lembro que mudamos alguns pontos para justamente causar uma percepção diferente. Ela é bem mais orgânica e ficou na medida, possibilitando remixes incríveis” — Leo Janeiro.

“Começamos a produzi-la pela melodia ‘arabesca’ que dá o tema da música; em paralelo, compomos a bateria bem profunda para criar essa onda introspectiva. Gostamos muito do resultado final e de como ela funciona na pista” — Lennox Hortale.

House Feel

“Tem um pouco a ver com sunset mesmo, que é outra pegada diferente do Solaris. Eu já cheguei no estúdio com ela rolando, e disse: ‘tô dentro dessa’ [risos]! Ela tem um baixo mais marcante e segue uma proposta que eu curto muito, de ir crescendo, e tem muitos elementos interessantes — eu gosto da linha de baixo. Ela segue uma ideia de elementos de deep house clássicos. A programação de bateria é bacana com varias viradas que fazem ela ficar bem pista” — Leo Janeiro.

“Como o nome já diz, ela tem um pé forte na house music; usamos e abusamos de acordes e de alguns efeitos bem ressonantes que parecem assobios. Ela já tem uma pegada mais de pista e funciona muito bem no meio de um set. Foi a estreia do Moog Sub 37 aqui no estúdio — quem conhece vai identificar pela sonoridade” — Pedro Poyart.

Solaris (HNQO Remix)

“Um dos melhores remixes que escutei nos últimos tempos. Eu havia conversado com o Henrique [HNQO], e ele me disse que iria tentar algo, mas não garantiu nada. Um dia ele me manda o áudio perguntando se eu gostava; eu fiquei de cara! Tava no metrô, escutei aquele pedaço umas 15 vezes [risos], estava demais! Ela tem uma onda muito diferente da original; ele usou elementos que eu considero clássicos — a linha de baixo do moog ficou foda —, algumas percussões gravadas no próprio estúdio” — Leo Janeiro.

“Ficamos muito gratos pelo remix do Henrique, que fez uma versão bem diferente aproveitando o tema e o mood da original, fazendo um excelente deep house” — Lennox Hortale.

Solaris (Andre Buljat Remix)

“Esse remix foi algo que me deixou muito contente. O Andre é um grande amigo, ele mora em Barcelona e pedi para ele escutar o EP e o convidei para um remix, e prontamente ele disse que gostaria de fazer um para ‘Solaris’. Ele deu outra dinâmica à música; a programação de bateria ficou perfeita para qualquer warmup” — Leo Janeiro.

“Foi uma surpresa de última hora. A versão do Andre foi uma espécie de shuffle remix, usando os loops originais, porém em tempos diferentes criando novos grooves numa construção mais contínua” — Pedro Poyart.

Este EP não é a primeira collab entre Leo Janeiro e Mumbaata; no ano passado, assinaram em conjunto o EP Take Off, além de um remix para “Mind Games” [faixa do próprio Mumbaata]. Solaris foi lançado hoje, pela Warung Recordings, e está à venda no Beatport.

* Flávio Lerner é editor-assistente na Phouse; leia mais de suas colunas.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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