Ibiza Filme
Apenas mais um besteirol com DJs como pano de fundo

Lançado no final de maio pelo NetflixIbiza parece ser um filme interessante para os fãs da experiência na ilha, sobretudo os fãs de dance music. Só que não. Dirigido por Alex Richanbach, a produção é apenas mais uma comédia romântica boba em que tanto Ibiza quanto a arte dos DJs são estereotipadas.

Pra começo de conversa, em nenhum momento o filme demonstrou o interesse de se aprofundar sobre a realidade da cena eletrônica local. Seu roteiro baseado na historinha clichê hollywoodiana chega a ser tão blasé que a música de abertura é “New York, New York”, do Frank Sinatra. Não dava pra esperar muito já partindo daí.

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Harper, a mocinha, tem uma vida estressante de publicitária numa grande empresa administrada pela típica chefe estilo O Diabo Veste Prada. Só que no longa a chefona não apresenta a classe da eterna Miranda, e ainda acompanha muitos palavrões e sexualismos que já declaram ali o estilo besteirol que acompanha o filme inteiro.

De cara, percebemos que a protagonista cai de paraquedas na Espanha, com duas amigas atrapalhadas, para apresentar uma proposta para um possível cliente, e acaba sendo levada pela vida noturna de Barcelona. Ela conhece o mocinho, DJ Leo, tocando numa balada, e rola o momento fofo. Só que em nenhum momento o trabalho do DJ é evidenciado, nem quando ele vai pra Ibiza tocar como headliner no Club Flow. Leo é um cara aleatório, raso como todas as personagens da trama.

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A trilha sonora também não ajuda em nada. Com uma playlist desconexa, marcada por sucessos mainstream bem estilo “festival”, mistura EDM, popreggaeton e até hits como “Na Sua Cara”, de Anitta e Pabblo Vittar com o Major Lazer.

A história gira totalmente em torno da busca implacável de Harper por conseguir passar uma noite com o DJ. A sexualização da imagem feminina na vida noturna é proeminente em todo o enredo. Promiscuidade é o gancho: esqueça a música, apenas cumpra seu papel de objeto sexual e use algumas drogas desconhecidas, que aparecem em todas as baladas — e são de graça, aparentemente. Controle de danos mandou lembranças.

Não existem aplicativos para envio de mensagens instantâneas nos filmes americanos, então Harper passa por vários perrengues para conseguir “marcar um encontro” com Leo, que abandona seu público no clube na metade do set pra ficar com ela. Em uma hora e meia de filme, a ilha de Ibiza não tem sua essência mostrada em nenhum aspecto, nem clubístico e nem turístico. O nome foi uma escolha completamente equivocada e descontextualizada — tanto que a comunidade autônoma da ilha espanhola cogitou processar os responsáveis pela comédia.

Como se não fosse ruim o suficiente, Richanbach foi entrevistado pela Mixmag e admitiu que nunca nem pisou em Ibiza, além de confirmar que nenhuma cena foi gravada no local — tudo foi filmado na Croácia e em Barcelona. Sobre a relação do ambiente de clubes com drogas, o diretor apenas se defendeu comparando o longa à trilogia Hangover. “Eu levo o uso de drogas a sério, isso é algo que foi baseado nas próprias experiências da nossa roteirista enquanto ela estava de férias, e o filme se destina a ser uma comédia grande e louca.” Sim, há uma cena em que uma personagem toma três pílulas de uma vez de uma substância não identificada — bem louca mesmo.

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A entrevista inteira em si é desconfortável para qualquer um, e Ibiza está o mais na contramão possível em se tratando de produções cinematográficas que envolvem a cena eletrônica. XoXo, também do Netflix, e We Are Your Friends, da Warner Bros.conseguem chegar bem mais perto do contexto no qual se baseiam. Desta vez o Netflix não pontuou.

Sabemos que a música eletrônica é muito diversa e complexa; é um gênero musical que vai muito além da música, em que curtir uma vibe inclui uma experiência sensorial e arrebatadora — algo que a ilha de Ibiza pode proporcionar com certeza, mas o filme Ibiza não. O título da versão em português acompanha um “Tudo pelo DJ” — bem mais adequado.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

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