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Novo filme do Netflix, “Ibiza” é um desserviço à cena eletrônica

Nayara Storquio

Publicado em

28/06/2018 - 7:44
Ibiza Filme
Foto: Reprodução
Apenas mais um besteirol com DJs como pano de fundo

Lançado no final de maio pelo NetflixIbiza parece ser um filme interessante para os fãs da experiência na ilha, sobretudo os fãs de dance music. Só que não. Dirigido por Alex Richanbach, a produção é apenas mais uma comédia romântica boba em que tanto Ibiza quanto a arte dos DJs são estereotipadas.

Pra começo de conversa, em nenhum momento o filme demonstrou o interesse de se aprofundar sobre a realidade da cena eletrônica local. Seu roteiro baseado na historinha clichê hollywoodiana chega a ser tão blasé que a música de abertura é “New York, New York”, do Frank Sinatra. Não dava pra esperar muito já partindo daí.

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Harper, a mocinha, tem uma vida estressante de publicitária numa grande empresa administrada pela típica chefe estilo O Diabo Veste Prada. Só que no longa a chefona não apresenta a classe da eterna Miranda, e ainda acompanha muitos palavrões e sexualismos que já declaram ali o estilo besteirol que acompanha o filme inteiro.

De cara, percebemos que a protagonista cai de paraquedas na Espanha, com duas amigas atrapalhadas, para apresentar uma proposta para um possível cliente, e acaba sendo levada pela vida noturna de Barcelona. Ela conhece o mocinho, DJ Leo, tocando numa balada, e rola o momento fofo. Só que em nenhum momento o trabalho do DJ é evidenciado, nem quando ele vai pra Ibiza tocar como headliner no Club Flow. Leo é um cara aleatório, raso como todas as personagens da trama.

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A trilha sonora também não ajuda em nada. Com uma playlist desconexa, marcada por sucessos mainstream bem estilo “festival”, mistura EDM, popreggaeton e até hits como “Na Sua Cara”, de Anitta e Pabblo Vittar com o Major Lazer.

A história gira totalmente em torno da busca implacável de Harper por conseguir passar uma noite com o DJ. A sexualização da imagem feminina na vida noturna é proeminente em todo o enredo. Promiscuidade é o gancho: esqueça a música, apenas cumpra seu papel de objeto sexual e use algumas drogas desconhecidas, que aparecem em todas as baladas — e são de graça, aparentemente. Controle de danos mandou lembranças.

Não existem aplicativos para envio de mensagens instantâneas nos filmes americanos, então Harper passa por vários perrengues para conseguir “marcar um encontro” com Leo, que abandona seu público no clube na metade do set pra ficar com ela. Em uma hora e meia de filme, a ilha de Ibiza não tem sua essência mostrada em nenhum aspecto, nem clubístico e nem turístico. O nome foi uma escolha completamente equivocada e descontextualizada — tanto que a comunidade autônoma da ilha espanhola cogitou processar os responsáveis pela comédia.

Como se não fosse ruim o suficiente, Richanbach foi entrevistado pela Mixmag e admitiu que nunca nem pisou em Ibiza, além de confirmar que nenhuma cena foi gravada no local — tudo foi filmado na Croácia e em Barcelona. Sobre a relação do ambiente de clubes com drogas, o diretor apenas se defendeu comparando o longa à trilogia Hangover. “Eu levo o uso de drogas a sério, isso é algo que foi baseado nas próprias experiências da nossa roteirista enquanto ela estava de férias, e o filme se destina a ser uma comédia grande e louca.” Sim, há uma cena em que uma personagem toma três pílulas de uma vez de uma substância não identificada — bem louca mesmo.

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A entrevista inteira em si é desconfortável para qualquer um, e Ibiza está o mais na contramão possível em se tratando de produções cinematográficas que envolvem a cena eletrônica. XoXo, também do Netflix, e We Are Your Friends, da Warner Bros.conseguem chegar bem mais perto do contexto no qual se baseiam. Desta vez o Netflix não pontuou.

Sabemos que a música eletrônica é muito diversa e complexa; é um gênero musical que vai muito além da música, em que curtir uma vibe inclui uma experiência sensorial e arrebatadora — algo que a ilha de Ibiza pode proporcionar com certeza, mas o filme Ibiza não. O título da versão em português acompanha um “Tudo pelo DJ” — bem mais adequado.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

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Ouça os 3 lançamentos da Alphabeat feitos no feriadão

EP de remixes de “Bonita Demais”, collab de The Otherz, Kiko Franco e Ralk e single do francês Michael Canitrot

Alphabeat Records

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Alphabeat
Arte: Divulgação

A Alphabeat Records aproveitou o feriadão pra trazer três lançamentos para embalar os fãs de música eletrônica no Brasil. 

O primeiro deles saiu na quinta-feira: um EP de remixes de “Bonita Demais”, faixa de Joe Kinni e João Mar com participação do Marcelo Adnet, que já havíamos lançado em maio. O disco traz duas versões future bass moderníssimas — a primeira do CLOCKTAPE, a segunda resultado da collab entre o WADD e o Low Disco — e um deep house groovado do DeepDelic.

    

Já na sexta, trouxemos dois novos singles: “Fogo”,  junção do duo The Otherz com Kiko Franco e Ralk, e vocal de Maciel, e “Mad Over Nothing”, do famoso DJ e produtor francês Michael Canitrot.

Envolvente e dinâmica, “Fogo” mistura beats da house com um free style de sax. Já “Mad Over Nothing” vem numa pegada mais pop e tropical, conduzida por riffs de piano que remetem aos sons clássicos da house music. Ouça as duas abaixo:

    
    

+ CLIQUE AQUI para conferir mais conteúdo da Alphabeat Records

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Kraftwerk é indicado ao “Rock and Roll Hall of Fame”

Grupo pode ser o primeiro nome da música eletrônica a entrar para o Hall

Phouse Staff

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Rock and Roll Hall of Fame
Foto: Reprodução

Instituído em 1986, o “Rock and Roll Hall of Fame” escolhe cerca de cinco artistas anualmente para integrar sua cada vez mais ampla galeria com lendas do rock e da música pop de forma geral. 

Desta vez, um nome histórico da música eletrônica está concorrendo ao voto popular: o Kraftwerk. Os alemães disputam votos ao lado de Def Leppard, Devo, Janet Jackson, John Prine, LL Cool J, MC5, Radiohead, Rage Against the Machine, Roxy Music, Steve Nicks, The Cure, Todd Rundgren, Rufus & Chaka Kahn e The Zombies.

Se eleito, o Kraftwerk pode ser o primeiro nome da música eletrônica a entrar no “Hall of Fame”. Para ser indicado atualmente, um artista deve ter lançado sua primeira música ao menos 25 anos antes do ano corrente. Os nomes serão anunciados em dezembro.

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Fundador do Fyre Festival é condenado a 6 anos de cadeia

Sentença foi deferida nesta quinta-feira, nos Estados Unidos

Phouse Staff

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Fyre Festival
Foto: Reprodução

Saiu nesta quinta-feira, 11, em Nova Iorque, a sentença judicial contra Billy McFarland, o produtor de eventos de 26 anos que ficou famoso pelo fiasco do seu Fyre Festival em 2017. O empresário vai pegar seis anos de prisão, não apenas por este episódio, em que provocou um prejuízo de mais seis milhões de dólares a diversas pessoas, mas também por outras múltiplas fraudes cometidas.

Segundo a VICE, os advogados de McFarland tentaram liberá-lo da cadeia defendendo que ele foi diagnosticado recentemente com transtorno bipolar, que não o deixaria saber diferenciar o certo do errado.

A juíza Naomi Buchwald não comprou a ideia, e acabou aplicando a sentença, justificando que Billy sabia exatamente o que estava fazendo, e que se trata de um “fraudulento em série”. Ainda assim, a pena pode até ser considerada branda, já que ele corria o risco de pegar até 20 anos.

Ainda de acordo com a VICE, o americano disse sentir um profundo remorso. “Tenho vivido todos os dias da minha vida com o peso de saber que eu literalmente destruí as vidas de meus amigos e da minha família”, teria declarado.

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