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Scorsi, SELVA e João Guilherme falam sobre parceria

Trio revela detalhes sobre o EP de remixes de “Manual”, que também conta com Pontifexx

Phouse Staff

Publicado em

29/08/2018 - 20:19
João Guilherme
Foto: Divulgação

O jovem cantor João Guilherme mergulhou no universo da dance music. Na última sexta-feira, o astro teen lançou um EP de remixes para seu último single, “Manual”. O disco traz os trabalhos de três grandes nomes da cena brasileira: Scorsi, SELVA e Pontifexx.

Agora, em contato com a Phouse, três dos quatro artistas envolvidos contaram como surgiu essa parceria. “O João Guilherme chegou até mim através de um grande amigo em comum. Queria algo diferente para o remix pack da ‘Manual’. A praia que eu tenho feito era perfeita para um cara nova, e logo que eu ouvi já sabia o que fazer”, revela Scorsi, que imprimiu seu estilo future bass à canção.

“Tenho evitado pensar demais. O que eu sinto na hora é o que vai no resultado”, segue o produtor. “A música do João Guilherme era bem chill, acordes muito bonitos e um arranjo um pouco mais complexo. Eu mantive todas essas qualidades e coloquei a minha cara, com synths mais fechados, deixando mais espaço para o beat e o bass falarem, num sound design bem mais calmo do que faço geralmente. Queria traduzir a mesma vibe da original.”

Já o SELVA pintou aqui também por laços mais sólidos entre o duo e o cantor — afinal, PeLu é nada menos que tio e empresário de João. “Pra gente foi muito legal fazer esse remix pelo desafio de mexer em uma música que não foi pensada pra ser eletrônica”, declararam PeLu e Brian Cohen. “Acabamos fazendo um som muito diferente dos últimos que lançamos, e que tem várias influências que às vezes não aparecem tanto no nosso som, como o uso da guitarra e o som de bateria orgânica. Ficamos muito felizes com o resultado.”

Fã confesso de música eletrônica, João Guilherme também explicou à Phouse mais detalhes sobre a iniciativa. “Eu sempre gostei de ir em festas de música eletrônica, e no último ano criei amizade com um monte de produtores e DJs, o que aumentou minha paixão pelo estilo. ‘Manual’ é minha música mais importante até agora, então pensei: ‘por que não pedir para alguns conhecidos brincarem com ela pra ver o que acontece?’. Tô felizão com o resultado e em saber que posso ouvir meu som agora nas minhas festas preferidas”, contou o garoto.

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Entrevista

Sócia do Caos, Eli Iwasa fala sobre curadoria, cena e sonho realizado

Celebrando a diversidade, casa recebe Modeselektor, Zegon e Mau Mau neste final de semana

Rodrigo Airaf

Publicado há

Caos Club
Eli Iwasa. Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

É em um galpão industrial completamente reformado em Campinas que acontece uma vastidão de apresentações antes pouquíssimo prováveis de rolar na região. Desde sua inauguração, em dezembro, abrindo no máximo duas vezes por mês e rolando por longas horas, o Caos reverberou uma jornada sonora das mais recompensadoras, trazendo desde nomes majestosos como Laurent GarnierCarl CraigChris LiebingSpeedy J Marco Carola, até nomes de grande destaque na atualidade, como Nina KravizReconditeANNA e Nastia. Por falar em artistas imponentes, foi lá a apresentação única da alemã Ellen Allien no Brasil — fato que vai se repetir com o gigante Dixon, em outubro.

Tendo como filosofia a diversidade tanto de público quanto de som — você pode encontrar numa mesma noite tanto a disco music de Eric Duncan quanto o techno pulsante de Tijana T, por exemplo —, há projetos como a Wolf, voltada ao público LGBTQ+, e a Groove Urbano, que fomenta o hip hop, ambos com histórico de eventos no Club 88 (do mesmo grupo que criou o Caos). Por esses eventos passam expoentes fora do circuito usual, entre eles Linn da QuebradaEmicida e Gabriel o Pensador.

Voltando aos beats eletrônicos, até mesmo Fisher, febre mundial da cena tech house mais comercial, apresentou-se no club na última semana, em uma noite explosiva em parceria com a festa paulistana Michael Deep.

Caos
Caos, em sua inauguração com Carl Craig, em dezembro de 2017. (Foto: Bill Ranier/Divulgação)

A próxima loucura que o Caos vai aprontar está logo aí, na madrugada de sexta para sábado: um after com ModeselektorZegon e Mau Mau, a partir das 04h. Pode ser maluco para alguns unir o poderoso e eclético duo alemão a um difusor da bass music e um pioneiro do techno brasileiro na mesma noite (tudo isso logo depois de uma festa de hip hop), mas não é maluquice para o Caos — e certamente não para sua sócia-fundadora Eli Iwasa.

É com ela que conversamos agora, para que nos ajude a entender o porquê de o Caos ter se tornado um projeto tão único e tão importante para o interior de SP em menos de um ano, além de explorar um pouco a proposta da casa através de sua visão e experiência de duas décadas no cenário eletrônico.

Caos
Eli Iwasa na cabine do Caos, que possui um amplo espaço ao redor do DJ. (Foto: Reprodução/Facebook)

Eli, o lineup do after que vai rolar no próximo sábado é curioso, e parece ser bem especial: Zegon, que é conhecido na cena bass; Modeselektor, duo gringo muito querido por quebrar barreiras de estilos musicais; e por fim, Mau Mau, deuso do techno que vem com um set de clássicos. Como e por que o lineup foi montado assim?

O Modeselektor é conhecido por não se prender a rótulos, por sua imprevisibilidade, então por que também não fazer algo fora do óbvio? Tanto o Zegon quanto o Mau Mau são artistas com uma baita bagagem musical, e pedi para cada um deles que fizesse um set especial para que pudessem mostrar um pouco a mais de suas próprias histórias.

O Zegon, além de ter sido DJ do Planet Hemp, faz parte do N.A.S.A. e do Tropkillaz, então pode ir do hip hop ao eletrônico, e tudo mais no meio, com a maior facilidade. Quando fechei o Modeselektor, a primeira pessoa que pensei em chamar para fechar a festa foi o Mau, fazendo um set de clássicos. Ele, que ajudou a construir tudo isso que temos agora, que tem um papel fundamental no desenvolvimento da música eletrônica no Brasil, e que também é figura central da minha própria história na cena, não poderia ficar de fora.

Em sua comunicação, o Caos deixa claros seus princípios de inclusão, posicionando-se contra preconceitos e barreiras sociais, convergindo diversos públicos. Como isso se traduz nos lineups da casa?

Quando começamos a pensar no que gostaríamos no Caos, resgatamos a ideia de como eram os clubs importantes em nossa formação, como o Lov.e e o Kraft. Uma das coisas mais significativas daquela época era justamente a mistura de públicos: o “playboy” e o “mano”, as “bees”, as trans, a turma do som e os que caíam de paraquedas, encarando seus próprios preconceitos e aprendendo na democracia que uma pista de dança deveria ser.

Aqui nem todo lugar é assim. O que parece absurdo pra muita gente é uma realidade na região. E queríamos reunir os amigos e clientes de universos backgrounds diferentes num só lugar. É um processo de aprendizado constante e um desafio também, porque Campinas ainda é uma cidade bem conservadora em muitos sentidos. 

Caos
“Sem sexismo, sem racismo, sem capacitismo, sem ageísmo, sem homofobia, sem gordofobia, sem transfobia, sem ódio”, diz banner instalado perto da porta. (Foto: Reprodução/Facebook)

Durante a fase embrionária do projeto, já havia a expectativa de reconhecimento em tão pouco tempo?

Nunca! Nem nos meus sonhos mais loucos (risos)!

O que tem por trás do trabalho de curadoria que o público em geral não vê?

Um grande desafio é alinhar a visão de uma casa noturna com o momento do mercado e com o que o seu público espera, e não deixar seu propósito se perder diante de todas as mudanças que a cena e seu próprio club sofrem ao longo dos anos. Lidamos com muita coisa no Brasil: alta do dólar, uma carga tributária gigantesca, a falta de apoio dos órgãos oficiais, e a toda hora precisamos nos lembrar por que escolhemos ter um club, pois nem sempre é fácil.

Tem muita festa acontecendo, a concorrência é grande e isso faz com que muitas agências de talentos acabem pedindo ofertas inviáveis ao produtor brasileiro. Ao mesmo tempo, estamos sofrendo com esse momento econômico e político no país, o que refletiu no ticket médio e na frequência com que as pessoas saem — muita gente gasta com cautela e escolhe uma festa no mês em vez de sair todas as semanas.

Do nosso lado, existe um cuidado ainda maior na hora de investir em um artista internacional, o esforço de não bater datas com outros eventos, e tudo isso reflete na curadoria: ora você se arrisca mais artisticamente, ora você toma decisões de resultados mais certeiros. 

A agência Muto é responsável pela comunicação audiovisual do Caos, trazendo vídeos conceituais a cada edição.

Então pra escolher os artistas, nem sempre a paixão fala mais alto?

Nossas decisões são bem emocionais. Pensamos muito na experiência e nos momentos que podemos proporcionar através dos clubs. Não é exatamente a maneira certa de gerir um negócio (risos), mas é a maneira que é certa para nós. Sempre fomos assim, muito intuitivos, com a paixão falando alto.

A experiência também permite que tomemos decisões certas mesmo sem fazer muitas contas, porque com o tempo você aprende o que funciona e o que não, quais dias são melhores para seu club… Muito importante falar também que manter-se atualizado com o que acontece na cena é fundamental; o público se renova constante e rapidamente, assim como estilos musicais e artistas.

Imagino que várias datas do Caos foram lindas e que seja difícil fazer uma escolha, mas em qual delas você realmente sentiu uma sinergia perfeita entre o lineup, a resposta do público, a conexão entre os artistas, e pensou: “o resultado está literalmente do jeito que imaginei”?

A inauguração do Caos fez muita gente chorar entre toda a equipe e público, porque sentimos que algo muito significativo estava acontecendo ali. Já sobre a noite com Laurent Garnier, pessoalmente, queria há anos booká-lo para algum dos meus clubs em Campinas, mas nunca sentia que era a hora. Quando abrimos, sabia que estávamos prontos para recebê-lo aqui, da maneira que ele merece.

Eu nunca vou esquecer o momento em que o Laurent entrou na cabine e o Toca, um dos meus sócios, veio até mim, super emocionado, porque só a gente sabe o tanto de dedicação que foi preciso para chegarmos ali e abrirmos a casa. A ficha caiu que tudo que vivemos e aprendemos nos trouxeram até aquele momento, com todos nós colocando nosso potencial em prática para fazer o Caos ser uma realidade.

Caos
O Caos é realmente para todos… Até mesmo pra Paçoca, filha da Eli Iwasa. (Foto: Reprodução/Facebook)

Como você enxerga a noite de Campinas em relação ao cenário nacional atualmente?

Vejo que o Caos e o Club 88, junto com o Laroc, que são nossos amigos e fazem um trabalho incrível, estão realmente fomentando a cena da região e a transformando em um destino para quem gosta de música eletrônica. Sempre existiu o fluxo de público de Campinas para São Paulo, e hoje, finalmente, existe também o fluxo de São Paulo, cidades ao redor, Sul de Minas para esses clubs.

Vale lembrar que esse trabalho não é de hoje. O interior de SP sempre contou com clubs muitos importantes, como Kraft e Anzu, além de festivais como Kaballah, Tribe e XXXPERIENCE, que realizam seus eventos por aqui.

Pra fechar, o que é um bom curador pra você?

Um bom curador é aquele capaz de traduzir a visão de um club ou evento através da música, dos artistas e das experiências que compartilha e proporciona.

Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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Justice lança clipe belo e brutal para nova versão de “Love S.O.S.”

Faixa faz parte do novo álbum da dupla, “Woman Worldwide”

Phouse Staff

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Love S.O.S.
Foto: Reprodução

Nesta semana, o Justice pintou com um dos seus videoclipes mais singulares e intrigantes. A versão “WWW” de “Love S.O.S” ganhou um vídeo daqueles abertos às mais variadas interpretações, e que mesmo que você não entenda exatamente do que se trata, sai impactado — e possivelmente perturbado. 

Dirigido por Edouard Salier, o clipe apresenta um cenário levemente surrealista, na qual um bodybuilder repleto de cicatrizes transforma uma pole dance em uma espécie de balé. O que acontece depois, não vamos falar pra não trazer spoilers, mas é uma virada surpreendente e brutal.

“Love S.O.S. (WWW)” faz parte do mais novo álbum do Justice, Woman Worldwide, em que a dupla gravou no estúdio uma simulação de seu live, no qual condensam e misturam diversas músicas de sua discografia em novos formatos — assim como as épicas performances “Alive” do Daft Punk.

O disco foi lançado no final de agosto via Genesis/Ed Banger/Because Music, e é uma boa pedida para todos os fãs dos franceses. 

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Armin e Sunnery James & Ryan Marciano lançam nova versão de “You Are”

Faixa tem diferenças sutis em relação ao som original

Phouse Staff

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You Are
Foto: Reprodução/Facebook

Em julho de 2017, Armin van Buuren e o duo Sunnery James & Ryan Marciano pintaram com uma pedrada chamada “You Are”, um electro house pesado perfeito para os mega festivais. Agora, os três produtores se juntaram novamente para lançar pela Armada Music uma nova versão do hit, chamada “You Are Too” (trocadilho com o nome original: “Você é”/”Você é também”).

Com o mesmo vocal, flow e a mesma batida, a faixa traz diferenças bem sutis em relação ao lançamento de um ano atrás — na melodia do build up/break/drop, e sobretudo no seu tamanho, que foi reduzido em quase quatro minutos. Confira e compare com a versão original:

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