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A Jovem Pan e o “jornalismo” que atrasa a música eletrônica no Brasil

Flávio Lerner

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É 2017, mas a grande imprensa nacional ainda tem sérios problemas com a cultura de pista de dança.

Saiu nessa sexta-feira, 3, e repercutiu demais entre a comunidade da música eletrônica brasileira uma “reportagem” de Daniel Lian para a Jovem Pan sobre o Dekmantel São Paulo, que rolou no fim de semana. E coloco “reportagem” entre aspas porque o texto não merece ser chamado de tal forma: é enviesado e tendencioso, carregado de adjetivações sem cabimento — muito mais um artigo, isto é, um texto de opinião [como este que escrevo], travestido de apuração jornalística, com o intuito de demonizar e colocar a população contra o festival. E por isso repercutiu tanto entre nós.

Colocar o Dekmantel, um evento conceituadíssimo mundialmente, que trouxe diversos expoentes da house, do techno, da disco e da música brasileira e experimental sob a pecha [negativa, óbvio] de “festa rave” mostra, de cara, uma má vontade e um desconhecimento atroz sobre o que se está falando — a mesma ignorância que ouvimos de Boechat e sua equipe da rádio Band News quando também demonizaram o Ultra Brasil, em outubro. A Jovem Pan, contudo, conseguiu superar por larga vantagem a Band News em termos de proliferação de chorume — não só porque o Dekmantel é mais conceitual e musicalmente diverso [esses jornalistas não devem ter ideia do micão que tão passando em colocar Hermeto Pascoal e Azymuth sob o guarda-chuva de “rave”], mas porque a argumentação chega a ser caricata. Temos declarações que poderíamos esperar talvez de nossos avós sobre o “barulho”, a “algazarra” que seria ocasionada pelo evento, com seus frequentadores que “urinam nas ruas, usam todos os tipos de drogas indiscriminadamente”, e, pasmem, que até “praticam sexo na rua, sem se importar com […] crianças ou idosos”. Só faltou Lian chamar o público do Dekmantel de satanistas que fazem sacrifícios com animais — como quando o Boechat comparou a produção do Ultra Brasil com assassinos de coelhos.

“A Jovem Pan agiu no melhor estilo sensacionalista, como vemos em tantos canais de política por aí que se passam por jornalismo, mas na verdade são panfleto ideológico.”

No restante da “matéria”, vemos a maquiagem, a tentativa de se passar por um jornalismo investigativo e isento, quando o repórter, a fim de justificar seus argumentos, revela apurações com o diretor do sindicato dos hípicos [pra mostrar que o Jockey Club não poderia receber o Dekmantel], com a Companhia de Engenharia de Tráfego e com a Prefeitura Regional do Butantã, chegando à conclusão de que, às vésperas do festival, ele não tinha alvará: “O evento está irregular”. Será mesmo? Lian também relata terem tentado contato com a direção do Jockey, sem resposta. Pergunto: por que diabos não contataram a produção do Dekmantel — os PRINCIPAIS nomes envolvidos, os protagonistas do “outro lado”, tão essencial de ser ouvido? Simples: porque não querem. Tenho convicção de que se o fizessem, poderiam checar todos os documentos e conferir que tudo estaria dentro dos conformes, mas aí a campanha difamatória perderia o sentido. A Jovem Pan agiu no melhor estilo sensacionalista, como vemos em tantos canais de política por aí que se passam por jornalismo, mas na verdade são panfleto ideológico, deformando os fatos e transmitindo apenas a narrativa que convém.

Sim, alguns festivais encontram problemas e muitas vezes não estão com tudo dentro dos conformes para procederem causando o mínimo de impacto aos moradores de uma cidade [o que não parece ter sido o caso do Dekmantel], afinal, estamos no Brasil; e sim, esse tema merece — e precisa — ser melhor discutido. Mas uma discussão madura, saudável, com empatia e respeito por parte de todos os envolvidos, para achar a solução que melhor sirva a todas as partes. Não é o que vemos aqui, e não é o que vemos em geral — e com posturas infames como essa, não veremos tão cedo.

Era exatamente esse o tema quando falei com Pedro Nonato, diretor do Ultra Brasil, para o artigo sobre o preconceito que a música de pista ainda encontra no nosso país. Naquela ocasião, a prefeitura do Rio de Janeiro e a grande imprensa claramente perseguiram um evento que, com investimento de fora, gerava emprego, cultura e entretenimento, movimentando o turismo e a economia, sem nenhum centavo de dinheiro público, num país mergulhado em crise. Porém, quando outros eventos foram autorizados nos locais vetados para o Ultra, para um número maior de pessoas, sem estrutura adequada, com dinheiro público ou com patrocínio de parceiros, ninguém falou nada. Com o Dekmantel, festival que acaba de enriquecer a bagagem cultural e trazer uma experiência inesquecível para dezenas de milhares de pessoas, não houve tamanho boicote do poder público, mas o combate midiático e a seletividade foram muito semelhantes — como vocês podem ver no print acima de Mohamad Hajar Neto, jornalista do detroitbr.

O umbiguismo, a falta de vontade de entender uma realidade diferente da sua, faz parte do estereotipo do “conservador bundão”, o pior tipo de conservador que temos: o que “não viu e não gostou”; que luta com unhas e dentes contra a inovação; que não estuda, não se informa e se fundamenta em preconceitos. No jornalismo, não deveria haver espaço para tipos assim, mas infelizmente há bastante — grandes pedras que teremos que passar por cima no caminho de consolidação de nosso mercado.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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