Quando falamos em DJs mirins, crianças que ainda estão na escola mas já saem discotecando como gente grande, é natural que algumas pessoas torçam o nariz, duvidando da real qualidade de um DJ com apenas uma década de vida. Porém, uma rápida olhada na trajetória e na arte do menino Kallel, paranaense de dez anos, natural de Curitiba, já é suficiente para desarmar os olhares mais céticos.

Isso pode ser explicado por duas grandes razões: base e aptidão. Kallel Santos é o filho caçula de Cleunice Silva e Jefferson Santos. O pai, mais conhecido como Jeff Romero, tem uma carreira de mais de 20 anos como DJ e professor de discotecagem na capital do Paraná.

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Live Set Vinyl#TECH #HOUSE

Posted by Kallel on Wednesday, October 3, 2018

“O Kallel demonstrou interesse pela música desde muito pequeno. Ele puxou o pai, é uma coisa natural”, conta Jefferson à Phouse. Com 16 anos, a filha mais velha, Callyane, também tem a veia musical: cantora, já gravou algumas acapellas para o irmão, que tem o tech house e a bass house como principais vertentes, mas também foi bem instruído em outros estilos, como psytrance, deep house e techno.

“A gente foi recentemente num show do Almir Sater — grande referência da música brasileira —, e ele falou assim: ‘quem é cantor, já nasce pronto’. Isso serve para o Kallel. Ele tem o dom. Eu dava aula, ele se mostrava interessado na mixagem, e realmente entrou como uma fórmula mágica na cabeça dele. Conseguiu desempenhar todas as funções que os alunos normalmente demoram seis meses. O Kallel tem ouvido absoluto”, explica o pai, cheio de orgulho.

Kallel aprendendo as bases com menos de dois anos de idade

Para lapidar bem o talento percebido no filho — que se diz inspirado por nomes que vão de David Guetta e Carl Cox a Vintage Culture e ILLUSIONIZE —, Jeff fez questão de começar pela base, compartilhando uma rica bagagem musical, a história da música eletrônica e ensinando o herdeiro a mixar não apenas com CDJ, mas também com vinil.

“Hoje, qualquer pessoa que tem um pendrive ou uma controladora, fala que é DJ. Mas eu procurei passar as raízes da música eletrônica para ele, ensinando os valores, a história. E além de tudo, ele tem uma puta presença de palco, o feeling de pista — porque a gente sabe que não adianta simplesmente ser o melhor produtor, DJ, se não tem presença de palco. Então ele é como nosso próprio Almir Sater falou: já nasceu pronto”, complementa.

Kallel
Foto: Divulgação

É por isso que o menino vem colhendo frutos desde muito cedo. Fora os diversos convites que recebeu para mandar sets na rádio Dance Paradise e a residência no núcleo Divino Bass, Kallel toca com frequência em casas noturnas de Curitiba e Santa Catarina desde 2017, quando tinha apenas oito anos — já passou por clubes como Millennium [onde também é residente], Spazio Van, Taj [em Balneário Camboriú] e Banana Joe [São Francisco do Sul], aparecendo como atração para milhares de pessoas ao lado de nomes como Gabe, Bry Ortega, Gabriel Boni, Chemical Surf, Liu, Pimp Chic e Monkeyz.

Ainda assim, como explica o pai, que também é seu manager e booker, a ideia é pegar leve. “Procuramos fechar uma data por mês, pra que não o desgaste e também não se torne uma atração repetitiva em Curitiba”, continua. Segundo ele, o filho terá uma miniturnê brasileira nas férias de inverno, com direito a passagem por um dos clubes mais prestigiados de Santa Catarina.

Mandando aquele ao vivo…

O ano de 2017 também foi quando Kallel começou a estudar produção musical, e os primeiros resultados já têm aparecido com uma velocidade impressionante: em maio, lançou seu primeiro single, “When Tho Days”, pela britânica House of Bangerz — sublabel da House of Hustler, por onde um segundo lançamento, “Yeah”, está previsto para agosto, em uma coletânea do selo.

E como se não fosse o bastante, Jeff nos revelou que um release por nada menos que a Dirtybird, de Claude VonStroke, também está a caminho. Quem fez a ponte foi o amigo Rafael Moraes, mais conhecido como Holt 88 — um dos diversos artistas que têm se dedicado a dar suporte e ajudar a promover o menino. Moraes é um dos coautores da futura faixa, que também leva colaboração dos Monkeyz.

Estudante dedicado de música há dois anos, Kallel também recebe a ajuda do pai para uma das partes mais complexas de uma produção musical: mixagem e masterização. “Eu mesmo estou fazendo um curso para me aprimorar em engenharia de som. Você acaba gastando uma semana pra fazer uma mix e uma master — isso quando o produtor faz dentro das regras em relação à equalização e harmonia, e o Kallel aprendeu muito bem essa parte”, segue Jefferson.

O professor revela que o talento do filho já chamou atenção para fora do Brasil, tendo recebido propostas para gigs na Austrália, na Bélgica e no Vietnã, além do convite para integrar o roster de uma agência israelense. Entretanto, o pai não quer apressar as coisas e prejudicar a normalidade da sua rotina. “Até conversamos sobre um contrato, mas talvez ainda não seja hora. Tem questão de escola, de uma série de detalhes…”, afirma, também deixando claro que Kallel toca e pratica quando se sente à vontade, sem pressão.

Kallel
Estudando produção musical. Foto: Divulgação

“Ele é uma criança normal. Joga videogame, vê vídeos, estuda, tira notas excelentes… A gente simplesmente deixa ele ser livre para exercer o seu talento. Muitos pais e outros DJs falam me falam: ‘pô, queria muito ter tido um pai igual a você, que é da cena eletrônica e apoia o filho’. Quantos Kallel será que o Brasil não tem? Só que muitas vezes, falta apoio da família”, reflete.

Para o garoto discotecar, Jeff garante que há todo um sistema profissional. “Pra ele, ainda não é trabalho, é uma diversão, então acaba se tornando uma coisa saudável. Ele chega meia hora antes, faz o set, tira fotos — adora! — e vai embora com a sensação de dever cumprido. E eu sei que muitas pessoas questionam que não é um ambiente pra criança. Eu digo pra você que o filho é espelho dos pais, e o mundo se torna ruim quando você procura o que não presta. Bebida e cigarro existem até em uma panificadora — e eu não bebo nem fumo, pra deixar claro”, argumenta.

“Nos clubs, você tem maior controle. Se você tem os protocolos, não tem por que ter receio. Temos o alvará judicial, e estamos sempre atentos em relação à segurança, nos eventos e nas mídias sociais, até pra garantir a integridade dele e de quem está com ele. Procuramos trabalhar nisso como uma agência mesmo. Seguimos firmes e felizes, acreditando que estamos no caminho certo”, conclui.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

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