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Sete anos para rever o mestre; como foi a volta de Laurent Garnier no Warung

Jonas Fachi

Publicado em

15/02/2018 - 19:49
Laurent Garnier
Um set do mais alto nível para um time de clubbers do mais alto nível
* Fotos por Gustavo Remor e Ebraim Martini

16 de novembro de 2017. Um dia após a data que marcava os 15 anos de vida do Warung, o Instagram oficial do beach club anunciava a sequência de sua programação com um calendário para janeiro repleto de grandes artistas. Entretanto, em cima de um deles parecia haver um brilho especial, aquele nome que quando anunciado, os mais experientes já sabiam que seria a noite do verão. Porém, talvez os anos de hiato em nossa cena tivessem apagado um pouco da memória que, se tratando de Laurent Garnier, no mínimo deveria ser aguardado como uma das melhores noites dos últimos anos — o que de fato viria a acontecer.

Foi difícil esperar tanto tempo por seu retorno. A maioria dos que se fariam presentes, mesmo aqueles com alguns anos de pista, ainda não tinham recebido uma experiência musical com o francês. A meu exemplo, ter perdido seu live em 2011 foi um golpe duro. Sua primeira passagem havia sido em 2008, quando se apresentou no Templo em pleno aniversário de seis anos — portanto, não havia chances de deixar passar novamente o momento de receber a condecoração máxima.

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Mesmo quando se vive na era da internet e da corrida desenfreada pelo marketing a todo custo — em que seria obrigação de qualquer um que frequente uma cena conceitual e tenha o mínimo de interesse, saber em qual prateleira o nome de Laurent Garnier deve ser colocado —, ficar sem dar as caras em nosso país por sete anos foi suficiente para o público se renovar várias vezes. E se tratando de uma cena ainda em formação, muitos não conseguiam ter a verdadeira dimensão de quem e do que estavam por presenciar. Nesse ponto, vale destacar a quantidade de pessoas que são influenciadoras no cenário ajudando os mais novos através de matérias, vídeos e postagens, a entenderem a importância de se fazer presente em uma noite como essa.

Na semana do evento, Laurent havia cumprido datas no Rio e em São Paulo. No anúncio dos horários, a primeira surpresa: ele assumiria o Inside somente às 03 horas. Mesmo com vários comentários solicitando por pelo menos uma hora de antecipação, não houve mudança. Nessas situações, visto que por parte do club quase sempre há interesse em deixar a atração principal tocar o máximo de tempo possível, só poderia se tratar de um pedido do próprio francês. De qualquer forma, nada iria atrapalhar a felicidade de assistir ao artista que considero um dos cinco maiores que a cena eletrônica já produziu. Então, esperar por sua aparição ao palco foi algo extremamente gratificante.

Para abrir a casa e construir um set capaz de ser digno do warmup para Garnier, a curadoria depositou todas as fichas em um de seus melhores residentes. Paulinho Boghosian é detentor de uma vasta experiência, já dividiu cabine com grandes nomes e entre os residentes, possuía o perfil que mais poderia fazer a pista ficar bem ambientada até o momento mais aguardado. Antes disso, assisti à última meia hora do debutante da noite, Nezello. O Garden estava com ótimo público e o DJ estava aplicando uma sonoridade extremamente dançante e tribal. Esses adjetivos são comuns, porém o tipo de música que ele apresentava com essas caracteristicas não se ouve com frequência. É sempre bom ver novos artistas de nossa cena mostrando personalidade musical.

Após um tempo para rever e conversar com amigos, subi as escadas do Templo determinado a não mais descer. À 01h, Paulinho já havia ultrapassado o sempre difícil momento de receber o público e controlava com certa tranquilidade uma pista repleta de clubbers do mais alto nível. Com sua tradicional classe variando de house a techno, Boghosian era rápido até onde poderia ir. Cada minuto que passava, mais aumentava aquele sentimento de finalmente poder ver o francês surgir à frente do dragão e da bandeira de nosso país. Um sentimento de ter a certeza de que tudo estaria bem com a sua presença. E foi justamente assim que me senti quando o ícone surgiu na cabine.

Garnier é a personificação do artista completo, que é quando a genialidade está presente tanto no estúdio quanto no comando de uma pista de dança — dois mundos distintos, criação e execução sublime da mesma arte por um mesmo ser. Pontualmente, ele inicia seu set abrindo uma porta por onde se passava uma enorme quantidade de energia. Não havia espaço para alguma introdução; o ótimo warmup lhe permitia impor ritmo intenso junto de sua musicalidade única. Na primeira hora, já se percebia o ambiente completamente envolvido e entusiasmado. Minha atenção ficou em evidência quando ouvi uma das faixas do momento: “Singularity”, novo single de Sasha, encaixou perfeitamente no contexto inicial, formado por algo meio nebuloso e levemente viajante.

A pista não estava completamente lotada. Estava quase na medida para se apreciar sem incômodos a construção musical de Garnier. Não demorou muito para eu notar ao meu redor todos somando energias para mostrar-lhe a força da alma latina; sim, nós poderíamos estar à sua altura. Em contrapartida, Laurent atuava como se tentasse extrair sua melhor versão, de dentro para fora, onde cada música antes de passar pelos cabos, tivesse de dar uma volta por dentro de suas veias para então chegar nas caixas de som e reverberar em ondas sonoras a ponto de fusão.

Mesmo sendo um exímio DJ de longsets, após a segunda hora entendi que não havia mais qualquer motivo para queixar-me de ele não ter entrado mais cedo. Claro que vê-lo tocando mais devagar seria maravilhoso, porém sua musicalidade era estarrecedora em diversas frentes, indo direto ao ponto. Comentei antes que havia clubbers do mais alto nível porque nunca havia visto um ambiente com tamanha diversidade de gostos dentro da cena conceitual, reunidos na mesma sintonia. Talvez nenhum outro artista tenha tamanho poder para isso, apenas um verdadeiro diplomata da música eletrônica global seria capaz de juntar gostos advindos de variadas frentes ou estilos conceituais. Desde o seguidor do techno de Berlim, passando pelo balanço da house de Chicago, até os gostos pelo progressivo do Reino Unido poderiam se identificar com sua música. Ao longo dos anos, de alguma forma Garnier alinhou seu estilo a uma identidade própria capaz de beber de todas essas fontes, sendo impossível de classificá-lo. A quem gosta de introspecção, ele entrega; a quem gosta de movimentos lineares e intensidade, ele propõe.

+ Em long set de 7 horas no Warung, Guy J encontrou sua melhor versão como DJ

“Domino” de Oxia, uma faixa muito tocada nos últimos dois anos, e considerada já ultrapassada em seu momento “clássico”, surge às 05 horas, entretanto, ganhando nova oxigenação e soando tão interessante como se fosse ouvida pela primeira vez. Acelerando o tempo, Garnier liderava de olhos fechados sua sinfonia, fazendo-nos vibrar como nos velhos tempos, resgatando uma energia do Templo que parecia haver diminuído ao longo dos anos, mesmo o club vivendo, no quesito quantidade de público e reconhecimento, seu melhor momento.

Sua música estava calibrada até o limite, marcada por momentos de pura acidez até outros repletos de introspecção, e assim ele continuou até próximo ao amanhecer, quando nas duas últimas horas iria nos mostrar toda sua capacidade técnica e sonora. Quando todos já estavam extasiados, ele ainda traria um algo a mais. Tudo começa às 06h30: “Wir Reitem Durch Die Nacth”, do DJ Hell, em remix de Coyu atravessou a todos. O que mais havia no jogo? Sua discografia poderia ser colocada à mostra por muitas horas. “Jacques In The Box”, delirante, o que mais? Vamos, não parem, o que vocês querem? Ah, sim, não poderia faltar “1-4 Doctor C’Est Chouette” de seu aclamado EP Tribute para a Kompakt — que momento!

Tanta inspiração era de certa forma até constrangedora, pois seu amor pela música é algo tão profundo que te faz sentir que ainda não sabe de nada. Por dentro de seu transe sonoro, demonstrava uma conexão sem fim para o que vem se dispondo a fazer desde a metade dos anos 80, quando deixou Paris para fazer história na efervescente cena pós-punk de Manchester.  “Our Futur” me fez lembrar o icônico vídeo de sua performance no Templo em 2008, quando de forma bilateral mixou “Chinasse Massage”, de Rocket & Ponies, com “Everything in Its Right Place”, do Radiohead, em pleno amanhecer. Dois clássicos distintos unidos de forma tão singular que seria um pecado algum dia tentar-se repetir. Os olhares para o lado de incredulidade — “você também está presenciando isso?” — eram constantes, e claro, antes de tudo não poderia acabar sem sua maior obra prima, a música que se fosse um quadro, estaria certamente exposto na sala mais nobre do Musée du Louvre: “The Man With a Red Face” parecia estar sendo tocada ao vivo diante de nossos olhos.

Para finalizar, chegando próximo das 08 horas, em uma virada desconcertante, ele libera uma espécie de samba eletrônico, introduzindo as boas vindas ao famoso Carnaval brasileiro. Por mais que o Sul não tenha qualquer ligação com esse tipo de música, àquela altura, vindo de suas mãos, tudo parecia fazer sentido.

Os aplausos emotivos para sua performance e seu sorriso de volta nos davam a sensação de que Garnier parecia alguém muito próximo. Cada indivíduo na pista de dança sentia-se compelido a se conectar com sua personalidade, sua forma de agir e tocar; entretanto, talvez sua maior mensagem seja a de que não se pode querer ser como ele. Seria muita ousadia. Seu recado à frente da cabine é justamente o contrário — sem mestres, sem líderes, apenas dê tudo o que puder de si; seja você mesmo, construa sua própria história.

Assistir a Laurent Garnier é como obter uma das últimas graduações que se pode receber enquanto ouvinte em uma pista de dança.  Assistir a Laurent Garnier ao menos uma vez na vida é a passagem para o lado dos profissionais, o entendimento supremo do que é a verdadeira arte da discotecagem.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

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Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

Publicado há

Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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