Às vésperas do 3º MiniFestival da Levels, Carol Campos fala sobre a label gaúcha

Evento rola neste sábado, em Porto Alegre, com atrações como Blond:ish, Renato Cohen e Fatnotronic

Festa de cinco anos da Levels. Foto: Juliano Conci/Divulgação

* Edição e revisão: Flávio Lerner

Muitos dos clubbers de Porto Alegre conhecem bem a Levels, uma das festas de música eletrônica mais tradicionais do estado gaúcho, com pouco mais de cinco anos de história. Mas é no background de cada evento promovido que encontramos a razão do seu sucesso. Carol Campos e seu marido e sócio, Felipe Johann, são as mentes criativas responsáveis por idealizar e colocar a Levels no patamar atual.

Nas últimas semanas, a equipe tem se preparado para deixar tudo pronto para o último rolê do ano, o Levels MiniFestival, que acontece neste sábado, 23. Esta será a terceira edição já realizada neste formato — que diferente dos eventos habituais, oferece algumas ativações para a galera curtir o dia, como redário, food park, flash tattoos e intervenções artísticas.

Iniciando a partir das 15h e se estendendo até o último minuto do dia (23h59), o MiniFestival contará com dois palcos — um assinado pelo Alataj, que celebra seus sete anos — e mais nove atrações no total, mixando nomes internacionais, nacionais e locais. Estão confirmados Blond:ish, do Canadá, Renato Cohen, Fatnotronic, Tha_guts, Moretz, Elieser, Bavaresco, Mau Maioli e Bergesch

Mas antes do público invadir a Marina Navegantes São João, local onde rola a festa, nós trocamos algumas palavras com a Carol, que falou um pouco sobre como essa história começou, além de outros detalhes que foram fundamentais para o crescimento da marca. Leia abaixo:

Levels MiniFestival
Carol Campos ao lado do marido e sócio de Levels, Felipe Johann. Foto: Juliano Conci/Divulgação

Já são mais de cinco anos de Levels, mas gostaríamos de saber: quem era Carol Campos antes desta história começar?

Tenho que dizer que a Levels foi uma mudança bem radical na minha vida. Antes dela, eu e o Felipe, meu marido e hoje sócio, trabalhávamos como designers em uma fábrica de móveis da serra gaúcha, com uma vida bem diferente da que temos hoje. 

Fora a questão de trabalhar em um emprego fixo e hoje empreender, que já é uma grande mudança, tínhamos um outro estilo de vida. Nós sempre gostamos muito de música eletrônica, mas antes as viagens que fazíamos e todo o nosso foco era para feiras de design, cursos e palestras. Depois da Levels, começamos a listar os grandes festivais que gostaríamos de conhecer, clubs que gostaríamos de ver de perto (e também escutar o soundsystem de perto) e realmente o foco virou.

Acho que o que não mudou foi a minha vontade de sempre aprender mais, buscar referências e novas experiências. Sempre fui uma designer apaixonada por música eletrônica e cultura, hoje fico super feliz de poder dar atenção e trabalhar com as duas coisas que mais amo fazer.

De que maneira sua formação em design gráfico ajudou no começo da história da Levels?

Acredito que o método do design sempre esteve um pouco enraizado em mim. Me formei em Design Estratégico e sempre tive muito claro que qualquer coisa pode ser projetada para uma melhor experiência do usuário, desde um produto, um móvel ou uma experiência/festa.

Também entendi que tudo parte de uma pesquisa e da exploração criativa de possibilidades. Tudo o que vemos em termos de cultura está nos influenciando para decisões de projeto, por isso tento sempre me manter aberta a novas possibilidades, sons e ideias. 

Aftermovie 5 Anos

Nosso aniversário de 5 anos foi incrível e o nosso próximo encontro já tem data marcada: 7 de setembro. 🙌 Enquanto o dia não chega, vamos matar a saudade assistindo ao aftermovie da última edição. 💛▫ Confirme presença no evento: bit.ly/EventoLevelsBurn▫ Compre seu antecipado: bit.ly/IngressosLevelsBurn

Posted by Levels on Friday, August 23, 2019
Aftermovie do aniversário de cinco anos da Levels, que rolou em julho.

Você e o Felipe também idealizaram a Ismo Design. Em quais partes o estúdio criativo entra na história da festa?

O crescimento do estúdio foi uma consequência muito legal que a festa nos proporcionou. Nós sempre levamos os dois negócios em paralelo, mas quando entendemos que era no cruzamento dos dois que estava o nosso diferencial, nos abrimos a possibilidades e conhecemos pessoas incríveis. Este ano tivemos a primeira oportunidade de trabalhar como estúdio de design para a BURN Energy, que sempre foi o maior apoiador e patrocinador da Levels, iniciando com a identidade do BURN Residency Brasil

Foi uma oportunidade incrível de trabalhar com grandes profissionais da música eletrônica e ainda resultou em uma parceria a longo prazo como agência de digital da BURN e agência de novos produtos da Monster Energy. Além disso, trabalhamos com vários eventos e marcas da música eletrônica que admiramos muito, como D-EDGE, Colours, Sunset Sessions e Warung Tour.

Duas cabeças pensam melhor do que uma. Isso também funciona para você e o Felipe? No âmbito profissional, quais as melhores características de cada um para fazer as coisas acontecerem em harmonia?

Com certeza, sim! Eu sou a eterna otimista, sonhadora e criativa que às vezes entra em uma montanha russa de sentimentos. O Felipe é cauteloso, sempre vê todas as possibilidades de um projeto e muitas vezes me mantém com os pés no chão — quando ele consegue (risos). Acho que o nosso equilíbrio nos trouxe até aqui e é essencial para que tudo saia como idealizamos.

Levels MiniFestival
Kaká Franco, L_cio (abaixado), Rodriguez Jr., Carol, Felipe, Ella de Vuono e Paul Manzon em edição da Levels. Foto: Juliano Conci/Divulgação

A Levels sempre aconteceu no formato sunset? Quais foram os principais motivos que levaram vocês a apostarem neste estilo?

Quando iniciamos a festa, Porto Alegre estava carente de festas itinerantes, mas possuía clubs próximos ou algumas festas nas cidades vizinhas. Por isso, vimos que fazer uma sunset poderia ser uma oportunidade justamente para não competir com o que já estava sendo feito. Além disso, logo depois a cidade passou a ter uma lei que proíbe eventos depois da meia-noite em locais que não possuam tratamento acústico e alvará de casa noturna. Então o motivo começou como um diferencial mas hoje é uma necessidade mesmo.

Entre os artistas que vocês ainda não conseguiram trazer para a Levels, há algum que está no topo da lista?

São tantos! A Levels nunca focou em único estilo, então os artistas e sonhos são muitos! Para citar alguns: Bicep, DJ Tennis, DJ Koze, Patrice Bäumel, Four Tet, KiNK, Seth Troxler, The Black Madonna, John Talabot, &ME, Adriatique, H.O.S.H.… Vou parar por aqui, mas a lista ainda é bem maior (risos).

Levels MiniFestival
Levels 5 Anos. Foto: Juliano Conci/Divulgação

Você possui um amplo conhecimento em música eletrônica, uma característica que certamente ajuda muito no dia a dia com a Levels. Como você busca se manter atualizada nesse cenário? 

Isso é algo bem engraçado! Eu não sei tocar, sempre fiquei nervosa em frente a um CDJ, já o Felipe, adora! Então temos pesquisas bem diferentes: eu sou a viciada dos sets, estou sempre buscando alguns bem recentes para escutar o que os artistas estão tocando no momento e tentando imaginar como foi a reação do público com a construção da apresentação. Já o Felipe tem uma pesquisa muito mais orientada a gravadoras, novos lançamentos e produtores.

Neste fim de semana vocês realizam a terceira edição do Levels MiniFestival, contando com nove DJs e outras ativações bem legais para o público. Quais têm sido os principais desafios da produção do evento?

Cada evento temos um novo aprendizado. Nós estamos sempre buscando trazer novas experiências e ideias diferentes a cada festa, coisas que proporcionem uma experiência marcante e que não necessariamente tenham a ver com a música.

Ultimamente tenho sentido dificuldade em conseguir explicar todos esses conteúdos em dois meses de divulgação. Acaba sendo um desafio, ainda mais com o menor alcance nas redes sociais. Outra dificuldade é manter o equilíbrio para montar lineups que tragam novidades interessantes mas que, de alguma forma, sejam um pouco familiares. Acredito que essa mescla está muito ligada ao engajamento geral do público com o evento.

* Marllon Gauche é colaborador da Phouse.

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