Luciano
DJ deu declarações impactantes em papo com a BURN

Um dos nomes mais celebrados da cena house/techno internacional, Luciano bateu um papo super interessante recentemente com o pessoal da BURN Energy Drink — marca que o elencou neste ano como um dos embaixadores da sua competição de DJs.

A conversa virou uma matéria em que o DJ fala um pouco sobre suas origens na Suíça, sua criação no Chile — país que considera seu verdadeiro lar —, seu passado punk-rocker, como conheceu Ricardo Villalobos e como começou a organizar a cena eletrônica chilena.

Confira algumas das passagens mais marcantes:

— Comecei a me interessar por música eletrônica quando eu descobri uma banda que usava uma máquina de bateria ao invés de um baterista. […] Substituir os músicos por uma máquina era incrível, você podia se tornar uma orquestra de um homem só. Aquele foi o ponto de virada pra mim: perceber que com máquinas eu poderia fazer qualquer coisa.

— Meu Deus, às vezes eu ouço alguns DJs jovens falando sobre ‘underground’, mas eu não acho que nenhum DJ na Europa nos últimos dez anos faz ideia do que realmente é o underground. No começo a música eletrônica não era sequer um movimento reconhecimento pela sociedade no Chile. Nós estávamos à margem, tocando nos buracos mais horríveis e profundos da cidade. […] Uma festa aconteceu em um prédio onde eles exterminavam cães de rua, porque ninguém acreditava no que nós estávamos fazendo e ninguém nos cedia espaço.

— Um dia eu estava me apresentando em um clube que normalmente tocava rock e as pessoas vinham apagar os cigarros delas nos nossos discos, de nojo. Mas aquelas mesmas pessoas, dois anos depois, estavam dançando techno. Tudo mudou. Nós vimos o nascimento daquela música no nosso país. Naquela época, não havia dinheiro ou fama como motivação. Isso é underground pra mim: um movimento que as pessoas não conhecem e que está tão escondido da sociedade que você precisa realmente procurar pra descobrir. Hoje é só algo que é maneiro ou parece maneiro. Mas música underground de verdade é aquela que você tem que procurar e ir até a porra de um porão no lugar mais esquisito do mundo.

— Bom, 25 anos atrás [na música eletrônica] eu sinto que tinha encontrado a nave que me levaria pra Lua. Eu sempre vou confiar naquela espaçonave. Hoje todo mundo está na nave, mas sem saber, e ao invés de aproveitar, está todo mundo procurando pela próxima coisa. Nós precisamos dar um passo pra trás e apreciar a incrível revolução pela qual a música passou nos últimos 50 anos.

— Tudo passa muito rápido hoje. Se alguém peida no Japão, em cinco minutos todo mundo sabe nas redes sociais. Antes não era assim. Uma versão teste de um disco que saísse nos anos 90 ainda seria procurada por uns dois meses. Nós apreciaríamos cada batida e melodia. Mas hoje tudo passa tão rápido que não existe tempo pra apreciar. Qual é a próxima merda? É essa merda aqui. Você só precisa ouvir. Existe algo único e incrível acontecendo hoje, mas ninguém tem tempo para apreciar.

Você pode conferir a entrevista completa no site da BURN.

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