Connect with us
Go Festivals – Tomorrowland Winter Full
Banner Sundance Leaderborder
Green Valley Dez. Full

Lúdico, subversivo e impactante: conheça o universo de Carlos Capslock

Flávio Lerner

Publicado em

18/04/2017 - 13:46

Flávio Lerner conversa com Paulo Tessuto, criador da Carlos Capslock — uma das festas mais influentes da cultura de pista no Brasil.

Se você nunca ouviu falar em Carlos Capslock, sugiro que leia com atenção esta matéria. Mesmo que seu interesse passe longe de techno e noites mais alternativas, é essencial para qualquer pessoa minimamente ligada em cultura eletrônica saber mais sobre essa figura que subverte padrões e lança tendências. Por isso, não será de se estranhar se a originalidade e a influência de Paulo Tessuto acabarem atingido, mesmo que indiretamente, o mainstream da cena nacional.

Tive a oportunidade de falar ao vivo e a cores com o Tessuto no dia primeiro de abril — e o papo foi sério, mesmo ele sendo o criador de um personagem e uma festa tão lúdicos. O DJ foi atração dos dez anos da Disc-O-Nexo, uma das festas de dance music mais importantes da crescente cena de Porto Alegre. Hoje com 31 anos, o rapaz, que jogava basquete nas categorias de base do Pinheiros, em São Paulo, acabou seguindo uma carreira consideravelmente diferente da que sonhava, se transformando em figura-chave da cena alternativa brasileira.

Tocando “à paisana”, Tessuto foi uma das atrações nacionais do elogiadíssimo Dekmantel São Paulo

No fim dos anos 2000, quando já tinha alguns anos de carreira como DJ, com direito a residência no D-EDGE, o Paulo se via cercado por uma cena eletrônica quadrada, rígida, tomada por aparências, e acabou motivado por um impulso um tanto quanto inconsciente de mudar as coisas ao seu redor. “Quando eu comecei, rolava uma coisa muito baseada em troca de gigs, sabe? O cara te chama pra tocar, você chama ele de volta. Isso desvaloriza o mercado”, conta. “E aí eu comecei a pensar mais a fundo em profissionalismo, ter um conceito, enaltecer mesmo o artista, e não o negócio em si.”

Mas o modus operandi do mercado não foi o mais determinante para a criação da Capslock. A festa, criada em dezembro de 2010, inicialmente na Trackers, foi baseada no personagem homônimo, forjado de brincadeira, entre amigos. Depois, a vivência com o coletivo VOODOOHOP — que estabeleceu a onda dos coletivos de festas de rua, que transformaram São Paulo e posteriormente outros Estados brasileiros — serviu como base. Tessuto revela que tinha dentro de si o sentimento de transformar o ambiente ao seu redor. “Foi um processo natural. Encarnei o personagem, e aí comecei a me libertar de diversos pensamentos que me aprisionavam, de regras sociais. A Capslock foi meio que uma válvula de escape pra mim, eu não tava satisfeito em como a sociedade lidava com diversas coisas, e em como eu reagia em relação a isso. Eu me preocupava muito se tava dançando espalhafatosamente numa festa, porque ficava todo mundo olhando…”, segue. “[A cena de SP] Era meio assim. Muito status quo, aparências, e pouca arte. Com o Capslock, eu pude atrair um público completamente novo, livre desses paradigmas.”

O rosto encontrado na web e photoshopado virou a cara do personagem Carlos Capslock

Nada disso, porém, teria sido deliberado. “Nada que eu faço na minha vida é planejado, eu faço o que o meu coração manda. Eu simplesmente criei meu próprio sistema porque estava insatisfeito. A questão social dos eventos de rua, por exemplo: quando eu comecei a fazê-los, não imaginava que tinham toda essa importância social, de ocupar, trazer as pessoas pra rua, fazer com que elas se movimentem em bairros diferentes, entendam os problemas da cidade, e de anular um pouco esse individualismo de ‘todo mundo no seu carro’. Tudo isso foram questões que apareceram depois. Eu queria fazer festa na rua porque eu queria retribuir quem pagava entrada, e abrir pra quem não podia pagar.”

Os coletivos de festa de rua, de fato, foram revolucionários por tocar em questões sociais importantes; as festas deixaram de ser apenas entretenimento, resgatando os valores originais da cultura de pistademocracia, igualdade, comunhão —, permitindo o convívio entre todas as classes sociais. Mas não foi só por ser um dos pioneiros desse movimento que Paulo Tessuto se tornou uma figura tão influente. Travestindo-se de um personagem, inovando com circulação de fanzines e girando sobre temas idiossincráticos para as festas [cada edição tem um nome que faz trocadilhos com assuntos da nossa realidade, como “O Desfecho da Operação Leva Jato” e a mais recente “Carne Podre de Ri(z)co”], ele conseguiu tocar numa tecla que muitos artistas no mundo da música já tocaram — sobretudo David Bowie —, mas explorada por poucos DJs: o estabelecimento de um universo conceitual próprio, uma narrativa para além dos DJ sets, centralizada na criação de um personagem lúdico, bizarro, performático. Sem dúvidas, esse elemento central fez da Capslock um evento único, e catapultou a carreira de seu criador. “Eu me montava de nerd no começo”, segue contando. “O Carlos Capslock é um nerd, designer de teclados, hipocondríaco, gosta da Xuxa, e a mãe dele não deixava ele sair de casa. Era algo que não fazia muito sentido: por que esse cara faria uma festa?” Por ser algo tão diferente e enigmático, atraiu um público curioso, que se identificou com a proposta de libertação total.

Em 2014, quando estava em uma de suas turnês pela Alemanha [neste sábado, por sinal, parte para seis datas em Berlim], o DJ cativou as pessoas em mais uma brincadeira, dizendo que ia casar no país europeu pra conseguir o visto, e que, portanto, a festa morreria. Na volta a São Paulo, fez a edição de casamento do Capslock, e surpreendeu se vestindo de noiva. Desde então, tem se vestido de mulher em todas as edições — conceito que remete a Nova Iorque dos anos 70 e 80, em que a cultura da disco music foi fundada como grito de libertação de homossexuais e drag queens, até então duramente reprimidos socialmente. A house music continuou esse legado, mas atualmente, com a explosão da EDM e afins, mesmo nos redutos tidos como underground, essa cultura foi esvaziada.

Com o passar do tempo, a transformação e libertação pregadas pelo criador e executadas pela criatura acabaram fundindo ambos em um só. “Antigamente tinha uma distinção: eu começava a festa como Tessuto, tocando disco e house, e fechava como Capslock, tocando techno. Comecei adquirindo roupas somente pro Carlos. Isso durou uns dois anos. Aos poucos o personagem se misturou com o meu eu interior, e hoje são uma coisa só. Não sei como isso me ajudou, só sei que o Paulo morreu e nasceu de novo — e isso foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida até agora!”, revela, animado. “E apesar de girar em torno do meu personagem, de ser muito relacionada com a minha vida, a Capslock não é sobre egotrip — pelo contrário. Foi tão bom me libertar de todas as minhas amarras sociais que eu quis muito espalhar isso pra todo mundo. Por isso, eu acho que não só ela, como muitas outras festas, foram importantes na vida de muita gente.”

Pra seguir esse conceito de libertação e transformação social, o artista agora está expandindo sua marca para outras frentes. Hoje, aluga um galpão, para sediar algumas edições da festa, mas principalmente para abrigar uma biblioteca e feiras orgânicas, workshops de DJs, exposições, palestras e aulas de yoga — tudo gratuitamente, para a comunidade local. Também produtor, o Tessuto confessa que não lança tanto quanto gostaria, por faltar tempo. Mesmo assim, em parceria do amigo e também expoente L_cio, toca o selo de nome impronunciável MEMNTGN, distribuído pela Kompakt. “O que eu queria mesmo era tocar e fazer música, mas meu caminho me trouxe essas outras responsabilidades, então tô focando nesse projeto, que tem uma importância pra cidade, um poder de transformação. O artista tem um peso social muito importante, então ele tem que saber usar isso em favor da sociedade.” ~

LEIA TAMBÉM:

DANÇAR É UM ATO POLÍTICO — Assista ao documentário sobre os coletivos de festas que estão revolucionando SP

Como foi o primeiro Dekmantel em São Paulo

Um ano revolucionário: como a Base ajudou a reconstruir a cena de Porto Alegre

O legado de David Mancuso; como um homem e seu loft inventaram a cultura clubber

Um mal necessário chamado cooptação

RECEBA NOVIDADES NO E-MAIL
[fbcomments]

Review

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Alan Medeiros

Publicado há

Pedra Preta
Foto do clipe de "Pedra Preta": Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

Giorgia Angiuli: “Achava que dance music era vulgar e fácil de se fazer, mas eu estava errada”

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Quem é o prodígio do techno que representa o Brasil na Red Bull Music Academy 2018

Techno pra todos os gostos: ouça “Tantra”, EP de Gezender e Moebiius

Lúdico, subversivo e impactante: conheça o universo de Carlos Capslock

Continue Lendo

ESPECIAL

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Alan Medeiros

Publicado há

Gop Tun Records
Tha_guts. Foto: Divulgação

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

+ Orgânica e ecumênica: uma história oral da Gop Tun

Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

+ Um papo com os caras da Gop Tun, que estão trazendo o Dekmantel a São Paulo

O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

Continue Lendo

LIFT OFF

Psytrance raiz: Mindbenderz lança álbum transcendental pela Iono Music

Review do debut do duo suíço-alemão é o primeiro texto da nova coluna da Phouse

Nazen Carneiro

Publicado há

Mindbenderz
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Instalar foguetes, preparar motores, verificar comunicação, iniciar sequência de lançamento. Cinco, quatro, três, dois, um… LIFT OFF!

Estreamos aqui a coluna LIFT OFF, que, escrita por Nazen Carneiro, traz um olhar sobre a indústria fonográfica psytrance nacional e internacional — estilo da música eletrônica que se manifesta como uma cultura vibrante e com muitos adeptos no Brasil.

De tempos em tempos a cena eletrônica se transforma e, como um organismo vivo, cresce e se reproduz. Um de seus pilares, o psy se reproduziu e está mais presente do que nunca, com “astronautas” consagrados mantendo-se relevantes, assim como novos “cosmonautas” surgem, evidenciando uma realidade produtiva e frutífera para a criação musical.

Com o crescimento do público, as festas também se multiplicaram Brasil adentro, e os produtores passaram a ter mais espaço para caírem no gosto do público da terrinha e de além-mar. Hoje, o psy mantém viva sua cena underground, enquanto estica seus tentáculos a outros nichos, influenciando — e sendo influenciado — até mesmo pela EDM.

Sem mais delongas, confira o primeiro texto abaixo, sobre o novo álbum do Mindbenderz.

 

Formado pelo alemão Matthias Sperlich e o suíço Philip Guillaume, o Mindbenderz traz, sem dúvida, um dos principais lançamentos do ano no cenário psytrance. Os veteranos, que são muito respeitados na cena eletrônica individualmente como Cubixx e Motion Drive, juntos ficam ainda mais fortes. É o que se vê no álbum Tribalism, lançado em 31/10, pela Iono Music.

O álbum conta com nove faixas que somam mais de 75 minutos. A primeira, “A New Dawn”, traz desde o primeiro minuto muita energia e reflexão num som que conduz o ouvinte a outra dimensão. A segunda faixa dá sentido a expressão “lineup” numa ascendente contínua, revelando uma verdadeira jornada ao desconhecido que segue até meados da faixa seis — “Hybrids” —, causando aquele frio na espinha. Nesse momento de percepção cósmica, uma pausa reconecta o corpo e mente à nossa tribo, e há de fato uma sensação híbrida de se estar em ambas as realidades ao mesmo tempo.

A essa altura, o álbum apresenta suas três últimas faixas no ápice de uma jornada espiritual, e nos encontramos num momento épico em que as características sonoras do psytrance alcançam sua maior amplitude, com uma ampla gama de efeitos numa base transcendental. É puro trance. A mente processa essas informações e a energia flui na forma de dança.

Voltamos para a Terra, mas a memória do que acaba de acontecer permanece. Tontura; excitação… O reator psicodélico agora transforma a energia através de instrumentos humanos. A última faixa dá nome ao álbum. “Tribalism” une percussões especiais, agogô, psy, Ayahuasca e vocais de xangô. Todos no mesmo pitch, como uma onda. Algo nos une, nos traz ao dancefloor, tornando-nos verdadeiramente uma tribo.

Tribalism revela uma composição muito bem realizada, fruto de meses de trabalho e muito detalhismo. Cada segundo do álbum revela a ação do Mindbenderz em promover um som extraordinário e comprometido com aquele pegada tribal, sem deixar de lado os elementos mais futuristas.

No momento do fechamento deste artigo, o álbum ocupava a primeira posição no Top 10 de psy do Beatport, o que mostra a força desse som mais ligado às raízes do estilo entre os DJs e produtores.

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

Continue Lendo

Publicidade

Sundance (300×250)
Brazillian Bass 300×250
Green Valley – 300×250
Go Festivals – Tomorrowland 300×250

Facebook

PLAYLIST

Trending

-->

Copyright © 2018 Phouse

Brazillian Bass Pop Up