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Matador recebe licenciamento para remixar um dos maiores clássicos da música eletrônica

Jonas Fachi

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‘’You Are Sleeping’’ marcou toda uma geração de Djs e clubbers que paravam de dançar por mais de um minuto e ficavam anestesiados diante de uma voz grave e séria em um break que contava a bizarra história de um cara que tinha perdido e vendido tudo para ajudar uma prostituta viciada em Heroína. Se você ainda não está familiarizado com a música, ouça enquanto eu tento desmembrar as raízes dessa obra única.

Descrita como um típico House Tribal, ela foi originalmente lançada em 2002 com 3 versões pela Yoshitoshi Records, gravadora do lendário projeto Deep Dish, hoje administrada apenas por Sharam. Um Bonus track Dub, uma acapella do vocal em loop e a versão mais conhecida e voltada pra pista ‘’PQM’s deephead Pass’’. Em 2003 já com enorme sucesso, a label lança mais um vinil com remixes de Luke Chable e Dave From Dallas & DJ Redeye com versões Dub e Vocal mix.

Se hoje nós vivemos em uma época em que as músicas tem apenas alguns meses de validade até serem descartadas tanto pelos artistas, quanto pelo público, se imagine no início da década passada, onde o acesso a informação era limitado e os djs acabavam valorizando muito e tocando as vezes por anos, alguma música diferenciada. You are sleeping foi licenciada e se destacou em algumas das mais vendidas compilações até hoje. Podemos citar os icônicos álbuns de Deep Dish’s Global Underground: Toronto DJ mix, James Holden’s Balance 005, e Hernan Cattaneo’s Perfecto; South America.

Manuel Napuri aka PQM (Quick Mix Príncipe) é um nativo Nova Iorquino Dj e produtor que foi uma das figuras mais relevantes da Yoshitoshi, ele também é parte integrante do duo/group de Hip Hop ‘’Nubian Crackers’’ que vem lançando trabalhos desde 1993 por gravadoras como Mobile Mondays, e a consagrada Atlantic records que foi responsável por álbuns de nomes como ABBA, AC/DC e Gilberto Gil, só pra você se situar.

PQM também é reconhecido por trabalhar em trilhas de games como ‘’The Crazy Frog’’ e ‘’Moto GP 2006’’, além de participar do filme Notorius B.I.G (Aka Christopher Wallace).

Fazer recortes em fitas e vinyls de vocais advindos de músicas de outros estilos ou discursos é uma pratica comum desde os primórdios da música eletrônica, na verdade, foi assim que tudo começou. No caso de PQM não foi apenas um recorte, ele usou um texto inteiro de forma magistral e como poucos se atreveram até hoje (existe a preocupação com direitos autorais). Por anos pessoas ligadas à música e o público em geral perguntaram-se de onde ele havia retirado esse áudio, pois no primeiro momento que você ouve, já saca que não é cantado, e sim declarado;

“You pick up this working girl,
who’s hooked on smack,
who hustles and scores.
“That’s all I do,” she says.

She says, “ten bucks for head, fifteen for half and half.”
She says, “three hits a day at thirty-five per.”
You say, “that’s seven tricks a day at least.”
“But,” she says, “sometimes I get lucky.”
“Once this guy gives me a bill and a half just to eat me.
Only time I ever came.”

You figure you can save her.

You sell your color TV.
That keeps her off the streets a whole day.
You hock your typewriter for one jolt.
Then your shotgun, your watch.

A week later, you say, “listen, I’m a little short.”
But she says, “no scratch, no snatch.”
You say, “look, it is better to give.”
“But,” she says, “beat off, creep.”

One night they spot you on the street in your skivvies,
trying to sell your shoes.
You tell them who you are,
but they nail you.

Then she happens by,
and she says, “Christ, you look fucked.”
She says, “hang tough.”

But you don’t say anything.
You just think, what a bum rap for a nice, sensitive guy like me.”

É flagrante que esse pequeno texto não é algo muito racional e compreensível, se trata mesmo é de um poema. Em 2013, Darren Abramson, professor de filosofia e ciências cognitivas da Universidade de DALHOUSIE intrigado com o mistério que envolvia o vocal da música que já era vista como um clássico, resolveu investigar e tentar descobrir a sua origem, neste link você pode conferir bem detalhado como ele trilhou até conseguir.

Em resumo, Darren começou a vasculhar na internet, levantar evidencias e perguntar a pessoas em blogs e sites de música, inclusive mandando uma mensagem a PQM, sem sucesso na resposta. Algumas observações apontavam para Bukowski, os fãs dele sugeriram que, por sua vez, poderia ser Jesse Bernstein ou Burroughs. Era possível ainda que PQM tenha encontrado em um velho pedaço de vinyl na época e que isso tenha se perdido depois, e nem ele saiba de quem era a emblemática voz. Depois de muitos dias de googling, Darren teve a grande sacada observando que PQM tinha usado um pedaço em outra produção chamada ‘’Insane Poema’’.

A amostra incluía a seguinte frase;

‘’ I know who’s free and I know who’s a slave,

and I’m waiting for the world to admit it’s insane’’.

Buscando essas palavras em torno de ligações sobre poemas, ele acabou achando uma fonte de um poema escrito por Michael C. Ford, dedicada a Henry Rollins. O título é ‘munição’. Essa fonte não dizia nada sobre uma gravação de áudio dele, no entanto quando buscou  por ‘Michael C Ford “e” Munições “, alguns links muito úteis surgiram no topo: eles se referem a um vinil duplo de 1984 com gravações de voz falada, incluindo o poema supracitado dedicado a Henry Rollins. Buscando por essas referências ele chegou a um blog de ‘’ Neighborhood Rhythms (Patter Traffic)’’ onde ali estavam disponíveis algumas faixas de áudio para dowload, como uma compilação, entre elas o áudio do poeta Californiano John Harris, a amostra omitia ainda a seguinte introdução;

‘’Ok. This is a poem that could only happen in Venice.

It’s called ‘The Gospel According To John.”

Então se iniciava a parte que PQM recortou para sua música, o mistério estava resolvido. A partir disso não foi difícil encontrar um vídeo no youtube do próprio Harris declamando seu poema, acompanhe;

Indo além, encontrei outro vídeo dele apresentando diversos outros trabalhos próprios, é impossível não reconhecer sua voz marcante;

Ainda não satisfeito Darren entrou em contato com John Harris e lhe contou todo seu esforço para encontra-lo. Surpreendentemente ou não, Harris nunca se quer tinha imaginado e ficado sabendo que sua voz tinha sido sequer gravada ainda os anos 80. Muito menos que tinha sido introduzida em uma música eletrônica, que por sua vez tinha se tornado um hino em pistas de todo mundo, ajudando a vender milhares de discos e compilações.

Lembra da menção sobre os direitos autorais anteriormente? Pois é, seria justo ou viável agora depois de tantos anos Harris receber algo referente ao uso de sua voz comercialmente? Ainda que agora a indústria fonográfica dos EUA tem apertado o cerco a sites como beatport e soundcloud para fazer valer o trabalho dos artistas. O Irlandês Matador e Shiba San receberam a licença da Yoshitoshi records, que em tese tem os direitos sobre a faixa para remixarem e repagina-la, a música acabou de ser lançada e ainda conta com uma versão remasterizada de Luke Chable.

https://pro.beatport.com/release/you-are-sleeping-remixes/1623834

O jovem produtor que tem seu nome atrelado a gigante Minus, trouxe com clareza e entusiasmo a música paro seu lado do Techno. Ao meu ponto de vista, Harris não irá se incomodar em buscar algo referente a isso (mesmo tendo o total direito), porém, o fato é que ele merece todo o reconhecimento possível, pois sua voz está eternizada como uma das maiores letras já escritas para uma canção de música eletrônica e palavras já ditas em uma pista de dança, ao lado de Underworld Born Slippy.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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