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Matheus Veláz fala sobre sua carreira e projetos

Phouse Staff

Publicado em

12/06/2013 - 21:46

Hoje vamos bater um papo com  Matheus Veláz, ele que tem 25 anos, mora em Salvador/BA e  é  natural de Campinas/SP.
Matheus também é integrante do Press-On Live e vai falar um pouco sobre sua carreira e projetos futuros, vamos lá?

Luckas Wagg – Como foi o início de sua carreira?

Matheus Veláz – Primeiramente gostaria de agradecer o convite para o bate papo, parabenizar a iniciativa em lançar o portal, e desejar boa sorte para o futuro do projeto.

Pois bem, minha carreira se iniciou de uma forma bem natural, comecei a frequentar assiduamente diversas festas e clubs de Salvador em meados do ano de 2005, e aos poucos fui me aproximando dos promotores e djs locais,  passando assim a ter um contato mais próximo com a noite e com a musica, em pouco tempo, fui convidado a me tornar promoter de algumas festas, o que me levou a criar um interesse ainda maior pela musica, publico e djs que atuavam na noite. Em meados de 2007, apos muitas festinhas privates, atacando como dj, usando meu antigo nootbook, foi que decidi me profissionalizar, fui para São Paulo e me graduei no curso de discotecagem da DJ BAN. Voltando para Salvador comecei a organizar eventos com outros parceiros djs, e a partir dai os convites para coisas melhores começaram a aparecer naturalmente.

Luckas Wagg –  As dificuldades?

Matheus Veláz – As dificuldades sempre foram encontrar pessoas que acreditassem no meu trabalho, que me dessem oportunidades, existem muitos djs que são bons, tem talento, mas acabam não tendo chances de mostrar o que sabem, isso acontece ate hoje, ainda mais que nossa cidade enfrenta uma carência grande de clubes noturnos e festas e musica eletrônica. Mas a formula para o sucesso sempre será a mesma: Esforço, trabalho e dedicação.

Luckas Wagg – As facilidades?

Matheus Veláz –  Sem sombra de duvidas, a maior facilidade que tive nessa jornada de quase 7 anos, foi o apoio da minha família, com certeza o apoio de meus pais, irmãos e amigos foi o que sempre me fez andar para frente.

Luckas Wagg –  Você sempre tocou Deep House? o que levou você ao estilo?

Matheus Veláz – O deep house é uma coisa relativamente nova na minha vida, em 2010 eu comecei a viajar muito para o sul do pais, em especial Florianopolis em Santa catarina e mais em especial ainda para frequentar um clube chamado “Warung Beach Club”, que é referencia nacional para esse estilo musical a alguns anos, e por lá tive a oportunidade de presenciar sets memoráveis de lendas mundiais do deep, como Solomun, Lee Foss, Kolombo, Jamie Jones, Art Deparment, Seth Troxler, Danny Daze, Nick Warren, entre muitos outros. Então sem sombra de duvidas, posso afirmar que além do meu gosto natural e sensibilidade para o deep house, as minhas idas para o Warung e Balneário Camboriú foram determinantes para que hoje essa seja a minha especialidade e gênero favorito.

Luckas Wagg –  Quais foram suas influências no inicio? e as de hoje?

Matheus Veláz – Eu divido minha carreira em duas fases.
Na primeira fase, minhas influencias foram nomes como David Guetta, Steve Angello, Kaskade, Olivier Giacomotto, John Acquavica, Axwell, Vandalism, Ingrosso, Sebastian Leger, Daniel Portman, Dinka, Gui Boratoo entre outros.

E na minha segunda e atual fase, sem sombra de duvidas a minha maior influencia são dois nomes: Lee Foss e Jamie Jones, que são as cabeças pensantes do selo Hot Creations, hoje #1 em deep house/, também sou fã assumido de Kolombo, Karmon, Dubfire, Seth Troxler, Solomun. E claro que não posso deixar de citar brasileiros que estão estourados no deep no brasil e la fora, exemplos de: Fabo que teve a musica mais executada do ano ao lado de Karmon, o projeto HNQO, Digitaria que esta na Europa produzindo com o pessoal da Hot Creations.

Luckas Wagg –  Como você elabora seu set e o que você ver como o seu principal diferencial que faz com que você venha sempre a estar destacando-se entre outros milhares de DJ’s?

Matheus Veláz – Sempre que eu crio um set, procuro manter a coerência entre as musicas,    criar uma historia que tenha inicio, meio e fim, e para me destacar sempre procuro versões diferenciadas que ninguém toque e que surpreenda o publico. Gosto muito também de no meio do set, soltar AQUELE clássico que a muito tempo ninguém ouvia, as pessoas adoram.

Luckas Wagg –  De todos os artistas que você já dividiu cabine, qual o que mais lhe chamou a atenção a ponto de ganhar sua admiração?

Matheus Veláz – Essa sem duvidas é a mais fácil de responder: GUI BORATTO, o cara é um gênio, iniciou a carreira fazendo trilha sonora para filmes brasileiros, como Cidade de Deus por exemplo, e ele foi o divisor de águas para que a musica eletrônica brasileira passasse a ter o reconhecimento que tem hoje fora do Brasil. E o set do cara é incrível, ele faz um verdadeiro LIVE show, considerado inclusive o melhor LIVE do brasil em diversas revistas importantes.

 Luckas Wagg – Tem algum lugar onde ainda não tocou mais ainda deseja muito tocar?

Matheus Veláz – Como sonhar não é proibido em lugar nenhum: WARUNG BEACH CLUB.

 Luckas Wagg – E de todos os lugares que já passou, qual que te deixou mais saudade?

Matheus Veláz – Reveillon Warung Tour Brasilia, virada de 2012/2013.

Luckas Wagg –   Hoje como todos sabem você é um dos integrantes de um dos LIVES que mais vem se destacando na cena eletrônica, que é o  “PRESS ON”, como foi seu encontro com Luca Buzanelli e o Felipe Monteiro? de onde surgiu a ideia, conte pra galera o que é o projeto e como surgiu:

Matheus Veláz – Eu e Felipe somos amigos a 10 anos, começamos a tocar juntos e em nossas gigs conhecemos Luca, que em pouco tempo, alem de parceiro profissional, se tornou amigo pessoal, e conversa vai, conversa vem, viajando pra cá e pra lá, vendo outros projetos diferentes mundo e brasil a fora, chegamos a conclusão de que o DJ estava muito banalizado, todo mundo era DJ e estava muito difícil crescer sendo apenas DJ. Com isso tivemos a ideia de criar um produto novo, diferente e que fosse realmente um show que divertisse as pessoas não só com a musica, mas com interatividade de diversas formas que fazemos em nossas apresentações, como distribuir bexigas, almofadas, bonés, bolas de ar, nitrogênio entre outras coisas….

Luckas Wagg –   O grupo já conta com produções propiás?

Matheus Veláz – Temos um pack de mash ups e remixes que convido a todos para conhecerem em nossos canais do soundcloud e youtube.
Destaque para a musica UNIVERSE, que tem o vocal de uma cantora canadense, que foi feito exclusivamente para essa musica, parceria do PRESS ON com Dj Roots.

https://soundcloud.com/presson
http://www.youtube.com/user/Pressonlive

Luckas Wagg – O que podemos esperar daqui pra frente? o que vem de “novo” do Matheus Velaz e do Press-on?

Matheus Veláz –  Garanto muitas novidades tanto do Matheus Velaz, quanto do Press on, mas ainda preciso manter a 7 chaves, posso adiantar que os próximos meses serão BEM agitados e que musica própria do press on com nossa parceira DJ Samhara de Uberlandia esta por vir.

Luckas Wagg –   O projeto já é agenciado? conte nos um pouco sobre a agência e deixe os contatos pra quem quiser contratar:

Matheus Veláz –Hoje o PRESS ON possui duas pessoas que cuidam da nossa carreira.
Bianca Prudente respeitada produtora baiana, que nos dá um suporte local maravilhoso.

Contato:

biaprudente@gmail.com

(71) 8852-3835

E fazemos parte do casting de djs da agencia TAPE do Rio de Janeiro, que vende diversos djs nacionais e internacional brasil afora, comandada pelo DJ Rodrigo Ardilha.

Link direto para contratação.

http://agenciatape.com.br/bookings/

Luckas Wagg –    Bacana! Gostaríamos de agradecer a você pela atenção e desejar toda a sorte e  muito mais sucesso em sua jornada e projetos, agora deixe seu recadinho pra nossos leitores e suas redes sociais pra quem quiser seguir:

Matheus Veláz –  Foi muito bacana esse bate papo com vocês, muito bom poder dividir um pouco da minha experiência e historia para os leitores e internautas, acho muito importante sites que divulgem a musica eletrônica a fundo como vocês estão fazendo, isso é importante para que a musica eletrônica continue crescendo cada vez mais. E para os futuros djs, nunca desistam, trabalho é  o caminho certo.

Para quem quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho e do PRESS ON live, basta acessar as redes sociais:

Matheus velas:

https://www.facebook.com/matheus.velaz

https://soundcloud.com/matheusvelaz

 

PRESS ON:

https://www.facebook.com/pressonlive

https://soundcloud.com/PRESSON

http://www.youtube.com/user/Pressonlive

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Entrevista por: Luckas Wagg
https://www.facebook.com/luckaswagg

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Entrevista

Ney Faustini: “Estude música, mais do que você já estuda”

Rodrigo Airaf

Publicado há

Ney Faustini
Foto: Gabriel Quintão/Divulgação
Às vésperas de tocar no Caos, Ney Faustini fala sobre presente, passado e futuro
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Pesquisador musical ávido, discotecário premiado e produtor aclamado por nomes que vão de Ben Sims a Rainer TrübyNey Faustini é um cara habituado a seguir o fluxo do que manda seu coração em quaisquer etapas de sua vida. Como DJ, começou na cena de drum’n’bass. Antes disso, já participava de campeonatos de Kart, paixão herdada do seu pai, piloto da Stock Car nos anos 80 e 90.

As corridas continuam até hoje, mas isso nunca o impediu de curtir e absorver tudo o que a música eletrônica tem a oferecer, fosse nos anos 2000, com os eventos memoráveis como Skol Beats e clubs mitológicos como o Lov.e e o Overnight — fez parte da história destes dois últimos nas cabines, inclusive —, seja como um dos DJs e produtores mais experientes e musicalmente vorazes da atualidade. Hoje costuma carimbar sua presença tanto nos principais clubs atuais brasileiros, como o D-EDGE, onde realiza uma residência muito benquista, quanto em turnês no exterior.

Em uma conversa inspirada e pautada em aspectos do passado, presente e futuro, batemos um papo com o DJ paulistano às vésperas de sua apresentação no Caos, club de Campinas onde vai se apresentar durante três horas nesta sexta-feira, dia 15 de junho, ao lado de Chris Liebing e Victor Ruiz

No maior estilo “somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos”, você se lembra de pessoas, momentos, gestos, crenças ou cenas específicas do seu passado que ficam até hoje marcadas na sua memória como turning points para o desenvolvimento do Ney Faustini como o profissional que conhecemos hoje?

Posso dizer que vivi muitas experiências, algumas boas e outras nem tanto, que me influenciaram diretamente na minha formação como artista nesses quase 20 anos de discotecagem. Falando pelo lado bom, experiências de pista, entre festas, clubs e festivais, são sempre especiais. Lembro bem da primeira vez que ouvi o DJ Marky tocando em uma rave no interior de São Paulo, ainda antes da residência dele no Lov.e, e como aquilo me influenciou a querer tocar drum’n’bass. Da primeira edição do Skol Beats, em 2000, que foi o primeiro festival de música eletrônica que frequentei, e onde pude ouvir vários dos DJs que eu já acompanhava. Das primeiras vezes que vi o Laurent Garnier se apresentando em São Paulo. Dos inúmeros DJs e live acts que pude presenciar nos clubs que mais frequentei na vida, D-EDGE e Lov.e. Sem querer ser nostálgico demais, o meu conceito do “ser DJ” teve base nessa época, final dos 90 e início dos 2000.

Profissionalmente, algumas ocasiões estão marcadas na memória como se tivessem acontecido ontem: minha primeira vez tocando no Lov.e em 2001, abrindo a noite pro Marky; a primeira gig na Freak Chic em 2010, no D-EDGE; a apresentação no primeiro Boiler Room no Brasil, em 2013; mais recentemente, tocar pela primeira vez no Rock in Rio no palco Eletronica, e abrir o palco do Dekmantel em São Paulo, no mesmo dia em que o Jeff Mills o fechou, foram experências fantásticas. Saindo um pouco da discotecagem, lançar meu primeiro disco em vinil, o Sleepless, em 2012 pela Foul & Sunk, foi um divisor de águas pro meu amadurecimento como produtor. Uma lembrança puxa a outra, mas essas foram as primeiras que vieram à cabeça.

A maturidade é algo natural na vida de qualquer pessoa — ainda bem! Como artista, qual o conselho essencial que você daria para o Faustini de uns 20 anos atrás e por quê? 

Eu diria “estude música, mais do que você já estuda”. Eu sempre tive muito prazer em pesquisar, frequentar lojas de disco, descobrir músicas e artistas novos, independentemente de estilos. Esse sempre foi meu foco como apreciador de música, além de DJ. Porém, mesmo começando a produzir, lá por 2009, eu nunca tive uma real formação musical e não me aprofundei no estudo de nenhum instrumento. O que eu sempre tive comigo era o que eu gostava de escutar, meu repertório, e dali eu buscava minha inspiração pra produzir. Estudar a música mais profundamente, mergulhando ainda mais na parte teórica, além de toda diversidade cultural e histórica, é algo que venho fazendo mais recentemente e gostaria de ter feito antes.

“Sinto falta do tempo em que as pessoas se preocupavam mais em aproveitar o momento do que ficar registrando tudo no celular.”

Você é considerado um DJ mais próximo das sonoridades da house music, mas pra esta sexta você foi escalado para um lineup mais techno, ao lado de Chris Liebing e Victor Ruiz. É possível que com esse “empurrãozinho” veremos um lado musical seu ainda mais amplo em Campinas?

Eu naturalmente tenho uma preparação muito particular pra cada situação, e nesta noite não será diferente. Eu evito me rotular e, dentro do possível, gosto sempre de variar, especialmente em sets mais longos. Mas também gosto desses casos, em que existe um foco mais específico. E afinal, Detroit é uma das minhas maiores influências musicais, então a expectativa em abrir uma noite mais voltada ao techno com um set de três horas é enorme. Estou separando várias músicas especialmente pra esta ocasião.

Explorando um pouco mais este seu lado “techneiro”, conta pra gente quais foram as descobertas mais incríveis deste gênero que você realizou ultimamente? 

Além das referências de Detroit e Berlim, tenho escutado também muitos artistas e gravadoras holandesas, francesas, suecas… A Delsin sempre foi uma das minhas gravadoras favoritas e segue firme numa extensa agenda de lançamentos com velhos e novos artistas, assim como a também holandesa Clone. Taapion é um selo mais jovem e que apresentou um time francês de produtores que gosto muito, encabeçado pelo Shlømo. De uma maneira geral, estou sempre acompanhando gravadoras como Echocord, ESHU, ARTS, Tikita, Ilian Tape, Curle, Mistress, Suchitech, The Corner, Non Series, Skudge, entre tantos outros.

Foto: Divulgação

É difícil barrar a energia da noite de SP. Aliás, do dia também. Mas quais são as outras cidades brasileiras onde você já tocou e sentiu também uma energia singular no público ou na forma como consomem cultura e arte?

Os três estados do Sul estão com festas e projetos muito consolidados, mas acho que tenho uma relação mais próxima com Floripa, por conta da minha residência na Troop, e é sempre incrível tocar por lá. O que me impressiona no Sul, além do que rola nas capitais, é o interesse de um público cada vez maior por música eletrônica underground em cidades do interior.

Momento nostalgia: sua bagagem data desde o fim dos anos 80. Você fez parte de momentos históricos do cenário. De quais características da cena clássica você mais sente falta hoje? 

Eu tento não ser tão saudoso com situações e cenários de antigamente, porque dentro das inúmeras opções que existem de festas hoje, sempre dá pra achar alguma com a qual você se identifique. Dito isso, sinto falta do tempo em que as pessoas se preocupavam mais em aproveitar o momento do que ficar registrando tudo no celular. Nada contra fazer pequenos registros, eu gosto de relembrar alguns momentos também, mas rola um exagero hoje em dia.

“Temos que aproveitar as facilidades que o mundo moderno oferece à profissão, mas não se atinge um trabalho sólido e autêntico através de atalhos.”

Muitos DJs chegam ao sucesso de repente, às vezes já perto de um auge que pode acabar igualmente rápido. Mas você é de uma geração em que a maioria segue uma curva longa até um reconhecimento mais sólido. Que aspectos de uma longa carreira você acha impossíveis de serem adquiridos por DJs “fast-food”, e que realmente fazem falta para um artista? 

A quantidade de “novos DJs” que entram na profissão por motivos não tão musicais cresceu bastante de uns anos pra cá. Gente em busca de sucesso rápido e que nunca teve real interesse pela música e pela arte em si. Ser DJ exige alguns sacrifícios e muito amor, algo que vai bem além das ferramentas de marketing e redes sociais. Vi muita gente da minha geração, e da anterior também, abrindo mão de muita coisa na vida pra poder comprar vinil e equipamentos. Temos que aproveitar as facilidades que o mundo moderno oferece à profissão, mas não se atinge um trabalho sólido e autêntico através de atalhos, e acho que isso vale pra tudo na vida. Repertório e feeling de pista, por exemplo, são aprendizados longos e continuos, só pra citar dois aspectos essenciais.

Passarinhos me contaram que você tem algumas novidades pro futuro próximo, de internacionalidades ao vinil. Confirma pra gente?

Neste ano quero dar um foco maior aos meus trabalhos autorais, já que acabei fazendo mais remixes nos últimos três anos. O último que terminei, pro japonês Tominori Hosoya, deve sair em agosto pela Bucketround, gravadora espanhola de deep house que lança apenas vinil. Incluo nessa fase atual de trabalhos novas colaborações com meus amigos do Fractal Mood e com o sueco Sean Dixon. Pro segundo semestre também estou planejando uma tour em algumas cidades da Europa.

Foto: Divulgação

Uma cor, um filme, um movimento, um sentimento, uma ação, uma reação… O que mais pode te inspirar além do som?

Cidades são sempre inspiradoras, e essa relação de amor e ódio com São Paulo é uma influência constante. Em 2011 decidi passar dois meses em Berlim só pra experimentar a sensação de viver uma rotina, ou a falta dela, por lá. Eu tento sempre absorver um pouco de cada lugar que eu vou, a trabalho ou a passeio. Se tiver arte, museus pra visitar e lugares históricos, melhor ainda. Situações mais extremas de sentimento, de felicidade ou tristeza, também são muito inspiradoras.

Você já tocou algumas vezes no Club 88, mas será a primeira vez no Caosdos mesmos sócios. E estreia logo em, como já foi dito, noite grande de techno. Quais são as suas expectativas para o dia 15 de junho?

Toquei uma vez no Club 88, quatro anos atrás. Conheço a Eli Iwasa desde os tempos do Lov.e Club, e vinha acompanhando toda a montagem do Caos com a expectativa de que seria um club pra se tornar referência no interior de São Paulo. Vi fotos e vídeos de algumas das festas que rolaram nos últimos meses, e já deu pra sentir um pouco de como é a atmosfera por lá. O Chris Liebing é uma lenda, e imagino que vá rolar uma peregrinação partindo de várias cidades pra essa noite. Nada como experimentar a sensação de tocar em lugar novo com a casa cheia, e pegando essa energia de começo de festa. A ansiedade é enorme!

* Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

EDX: “Vários DJs brasileiros ganharão reconhecimento internacional nos próximos anos”

Phouse Staff

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Foto: Divulgação
Um papo exclusivo com o expoente suíço EDX

Veterano da cena eletrônica com mais de duas décadas de um caminho de sucesso como DJ, o suíço Maurizio Colella, mais conhecido como EDX, é um dos expoentes da EDM global que possui uma das relações mais fortes com o mercado brasileiro. Há dois anos, sua agência Sirup desenvolveu em conjunto com a DJcom o selo Muzica Records, que funciona até hoje para promover artistas da América Latina, sobretudo brasileiros.

O DJ já havia nos revelado que o Brasil é um de seus principais, senão o principal mercado em que atua atualmente, e que pode ser considerado praticamente um dos nossos. Sua última participação por aqui foi em outubro, quando tocou no Playground BH e no Federal Music, e já há planos para uma nova turnê tupiniquim em breve. Pensando nisso, e na esteira de seus sucessos recentes, como “Anthem” — que bombou em playlists do Spotify como a brasileira EDM Room — e o remix para Janelle Monáe, trocamos uma ideia com o produtor sobre seus principais feitos recentes, novidades para o curto prazo e, claro, sua relação com o nosso país.

Maurizio, você continua lançando faixas surpreendentes, como “Anthem” e seu remix para “Make Me Feel”, da Janelle Monáe. Qual a diferença entre seus lançamentos regulares e a assinatura”Dubai Skyline”, que você utiliza para alguns remixes?

Foi uma jornada bem longa até aqui e ainda me faz muito feliz viajar pelo mundo e lançar novas músicas. Eu sempre tento trazer algo novo e fora da caixa em cada uma de minhas produções. “Anthem” foi uma faixa que fiz pensando nos festivais e clubes mais pra cima. Estou muito contente com o feedback e apoio que recebi nesse som. Quando se trata de remixes, eu sempre tento manter uma vibe e toque único no trabalho. A linha de remixes Dubai Skyline é destinada para lançamentos mais house e “radio friendly”.

Você já frequenta o Brasil há muito tempo e teve a oportunidade de conhecer melhor nosso país. Quais são suas coisas favoritas sobre o Brasil?

A cultura brasileira é gigante e diversa, o Brasil é praticamente um continente. Desde o início, eu só tive boas experiências, e é um dos meus destinos favoritos. Dez anos atrás foi minha primeira apresentação no Brasil e continuo sempre animado para voltar. Acho que foi amor à primeira vista. Eu também amo o churrasco brasileiro e a culinária em geral, o que é um bônus.

Os seus DJ sets no Brasil são muito diferentes dos que você costuma tocar pela Europa?

Não necessariamente. Em geral, eu sempre tento ler o público e dar a eles uma experiência única. Normalmente no Brasil meus sets acabam sendo um pouco mais sexy.

“Meu som precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.”

Como você vê o desenvolvimento do mercado da música eletrônica no nosso país? 

Minha empresa tem uma colaboração com um selo brasileiro chamado Muzika, para ajudar a lançar artistas latino-americanos. Isso me ajuda a descobrir diversos artistas do país. O Brasil é um mercado único e com muitos profissionais, e eu acredito que vários DJs brasileiros irão ganhar reconhecimento internacional nos próximos anos.

Janelle Monáe é uma artista incrível e a faixa “Make Me Feel” está rapidamente se tornando um dos maiores lançamentos dela. Você pode nos contar um pouco sobre a história por trás do seu remix?

O selo da Janelle [Bad Boy Records] me convidou para produzir o remix. Eu costumo receber muitos pedidos, e naquele mesmo dia havia mais outros quatro, mas quando ouvi “Make Me Feel” senti uma grande conexão com a música, é uma grande obra. Eu acredito que é uma faixa que pode ganhar atenção tanto nas rádios quanto nos clubes. Eu não mudei muito a pegada funky, mas deixei ela com mais energia e uma vibe sexy. Espero que gostem!

Fora do mundo eletrônico, quais são suas inspirações? O que você ouve quando não está ouvindo música eletrônica?

Eu viajo noite e dia, e quando não estou no estúdio ou em algum clube, estou sentado na cadeira do meu escritório trabalhando, e tem música pra todo lado. Isso não me dá muito tempo para ouvir outras coisas. Eu sempre gostei muito de Barry White quando eu era criança, com certeza inspirou meu tipo de som. Precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.

O que podemos esperar de novidades? Você já tem planos para retornar ao Brasil?

Estamos trabalhando na minha turnê de 2018, e contará com algumas datas no Brasil. É sempre bom ficar de olho na minha agenda através do meu site. Música nova é sempre uma prioridade para mim, então fiquem de olho! Estou pensando em adicionar uma vibe mais “deep progressivo” nos meus próximos lançamentos.

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