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Matheus Veláz fala sobre sua carreira e projetos

Phouse Staff

Publicado em

12/06/2013 - 21:46

Hoje vamos bater um papo com  Matheus Veláz, ele que tem 25 anos, mora em Salvador/BA e  é  natural de Campinas/SP.
Matheus também é integrante do Press-On Live e vai falar um pouco sobre sua carreira e projetos futuros, vamos lá?

Luckas Wagg – Como foi o início de sua carreira?

Matheus Veláz – Primeiramente gostaria de agradecer o convite para o bate papo, parabenizar a iniciativa em lançar o portal, e desejar boa sorte para o futuro do projeto.

Pois bem, minha carreira se iniciou de uma forma bem natural, comecei a frequentar assiduamente diversas festas e clubs de Salvador em meados do ano de 2005, e aos poucos fui me aproximando dos promotores e djs locais,  passando assim a ter um contato mais próximo com a noite e com a musica, em pouco tempo, fui convidado a me tornar promoter de algumas festas, o que me levou a criar um interesse ainda maior pela musica, publico e djs que atuavam na noite. Em meados de 2007, apos muitas festinhas privates, atacando como dj, usando meu antigo nootbook, foi que decidi me profissionalizar, fui para São Paulo e me graduei no curso de discotecagem da DJ BAN. Voltando para Salvador comecei a organizar eventos com outros parceiros djs, e a partir dai os convites para coisas melhores começaram a aparecer naturalmente.

Luckas Wagg –  As dificuldades?

Matheus Veláz – As dificuldades sempre foram encontrar pessoas que acreditassem no meu trabalho, que me dessem oportunidades, existem muitos djs que são bons, tem talento, mas acabam não tendo chances de mostrar o que sabem, isso acontece ate hoje, ainda mais que nossa cidade enfrenta uma carência grande de clubes noturnos e festas e musica eletrônica. Mas a formula para o sucesso sempre será a mesma: Esforço, trabalho e dedicação.

Luckas Wagg – As facilidades?

Matheus Veláz –  Sem sombra de duvidas, a maior facilidade que tive nessa jornada de quase 7 anos, foi o apoio da minha família, com certeza o apoio de meus pais, irmãos e amigos foi o que sempre me fez andar para frente.

Luckas Wagg –  Você sempre tocou Deep House? o que levou você ao estilo?

Matheus Veláz – O deep house é uma coisa relativamente nova na minha vida, em 2010 eu comecei a viajar muito para o sul do pais, em especial Florianopolis em Santa catarina e mais em especial ainda para frequentar um clube chamado “Warung Beach Club”, que é referencia nacional para esse estilo musical a alguns anos, e por lá tive a oportunidade de presenciar sets memoráveis de lendas mundiais do deep, como Solomun, Lee Foss, Kolombo, Jamie Jones, Art Deparment, Seth Troxler, Danny Daze, Nick Warren, entre muitos outros. Então sem sombra de duvidas, posso afirmar que além do meu gosto natural e sensibilidade para o deep house, as minhas idas para o Warung e Balneário Camboriú foram determinantes para que hoje essa seja a minha especialidade e gênero favorito.

Luckas Wagg –  Quais foram suas influências no inicio? e as de hoje?

Matheus Veláz – Eu divido minha carreira em duas fases.
Na primeira fase, minhas influencias foram nomes como David Guetta, Steve Angello, Kaskade, Olivier Giacomotto, John Acquavica, Axwell, Vandalism, Ingrosso, Sebastian Leger, Daniel Portman, Dinka, Gui Boratoo entre outros.

E na minha segunda e atual fase, sem sombra de duvidas a minha maior influencia são dois nomes: Lee Foss e Jamie Jones, que são as cabeças pensantes do selo Hot Creations, hoje #1 em deep house/, também sou fã assumido de Kolombo, Karmon, Dubfire, Seth Troxler, Solomun. E claro que não posso deixar de citar brasileiros que estão estourados no deep no brasil e la fora, exemplos de: Fabo que teve a musica mais executada do ano ao lado de Karmon, o projeto HNQO, Digitaria que esta na Europa produzindo com o pessoal da Hot Creations.

Luckas Wagg –  Como você elabora seu set e o que você ver como o seu principal diferencial que faz com que você venha sempre a estar destacando-se entre outros milhares de DJ’s?

Matheus Veláz – Sempre que eu crio um set, procuro manter a coerência entre as musicas,    criar uma historia que tenha inicio, meio e fim, e para me destacar sempre procuro versões diferenciadas que ninguém toque e que surpreenda o publico. Gosto muito também de no meio do set, soltar AQUELE clássico que a muito tempo ninguém ouvia, as pessoas adoram.

Luckas Wagg –  De todos os artistas que você já dividiu cabine, qual o que mais lhe chamou a atenção a ponto de ganhar sua admiração?

Matheus Veláz – Essa sem duvidas é a mais fácil de responder: GUI BORATTO, o cara é um gênio, iniciou a carreira fazendo trilha sonora para filmes brasileiros, como Cidade de Deus por exemplo, e ele foi o divisor de águas para que a musica eletrônica brasileira passasse a ter o reconhecimento que tem hoje fora do Brasil. E o set do cara é incrível, ele faz um verdadeiro LIVE show, considerado inclusive o melhor LIVE do brasil em diversas revistas importantes.

 Luckas Wagg – Tem algum lugar onde ainda não tocou mais ainda deseja muito tocar?

Matheus Veláz – Como sonhar não é proibido em lugar nenhum: WARUNG BEACH CLUB.

 Luckas Wagg – E de todos os lugares que já passou, qual que te deixou mais saudade?

Matheus Veláz – Reveillon Warung Tour Brasilia, virada de 2012/2013.

Luckas Wagg –   Hoje como todos sabem você é um dos integrantes de um dos LIVES que mais vem se destacando na cena eletrônica, que é o  “PRESS ON”, como foi seu encontro com Luca Buzanelli e o Felipe Monteiro? de onde surgiu a ideia, conte pra galera o que é o projeto e como surgiu:

Matheus Veláz – Eu e Felipe somos amigos a 10 anos, começamos a tocar juntos e em nossas gigs conhecemos Luca, que em pouco tempo, alem de parceiro profissional, se tornou amigo pessoal, e conversa vai, conversa vem, viajando pra cá e pra lá, vendo outros projetos diferentes mundo e brasil a fora, chegamos a conclusão de que o DJ estava muito banalizado, todo mundo era DJ e estava muito difícil crescer sendo apenas DJ. Com isso tivemos a ideia de criar um produto novo, diferente e que fosse realmente um show que divertisse as pessoas não só com a musica, mas com interatividade de diversas formas que fazemos em nossas apresentações, como distribuir bexigas, almofadas, bonés, bolas de ar, nitrogênio entre outras coisas….

Luckas Wagg –   O grupo já conta com produções propiás?

Matheus Veláz – Temos um pack de mash ups e remixes que convido a todos para conhecerem em nossos canais do soundcloud e youtube.
Destaque para a musica UNIVERSE, que tem o vocal de uma cantora canadense, que foi feito exclusivamente para essa musica, parceria do PRESS ON com Dj Roots.

https://soundcloud.com/presson
http://www.youtube.com/user/Pressonlive

Luckas Wagg – O que podemos esperar daqui pra frente? o que vem de “novo” do Matheus Velaz e do Press-on?

Matheus Veláz –  Garanto muitas novidades tanto do Matheus Velaz, quanto do Press on, mas ainda preciso manter a 7 chaves, posso adiantar que os próximos meses serão BEM agitados e que musica própria do press on com nossa parceira DJ Samhara de Uberlandia esta por vir.

Luckas Wagg –   O projeto já é agenciado? conte nos um pouco sobre a agência e deixe os contatos pra quem quiser contratar:

Matheus Veláz –Hoje o PRESS ON possui duas pessoas que cuidam da nossa carreira.
Bianca Prudente respeitada produtora baiana, que nos dá um suporte local maravilhoso.

Contato:

biaprudente@gmail.com

(71) 8852-3835

E fazemos parte do casting de djs da agencia TAPE do Rio de Janeiro, que vende diversos djs nacionais e internacional brasil afora, comandada pelo DJ Rodrigo Ardilha.

Link direto para contratação.

http://agenciatape.com.br/bookings/

Luckas Wagg –    Bacana! Gostaríamos de agradecer a você pela atenção e desejar toda a sorte e  muito mais sucesso em sua jornada e projetos, agora deixe seu recadinho pra nossos leitores e suas redes sociais pra quem quiser seguir:

Matheus Veláz –  Foi muito bacana esse bate papo com vocês, muito bom poder dividir um pouco da minha experiência e historia para os leitores e internautas, acho muito importante sites que divulgem a musica eletrônica a fundo como vocês estão fazendo, isso é importante para que a musica eletrônica continue crescendo cada vez mais. E para os futuros djs, nunca desistam, trabalho é  o caminho certo.

Para quem quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho e do PRESS ON live, basta acessar as redes sociais:

Matheus velas:

https://www.facebook.com/matheus.velaz

https://soundcloud.com/matheusvelaz

 

PRESS ON:

https://www.facebook.com/pressonlive

https://soundcloud.com/PRESSON

http://www.youtube.com/user/Pressonlive

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Entrevista por: Luckas Wagg
https://www.facebook.com/luckaswagg

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Entrevista

“Music Mate” da ONNi, Bernardo Ziembik fala sobre as novidades do app

Alan Medeiros

Publicado há

ONNi
Foto: Divulgação
Aplicativo apresenta solução para as tão temidas filas em clubs e festivais
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Se você possui uma marca e quer alcançar caminhos nunca antes alcançados, precisa projetar um conjunto de iniciativas fora do padrão. O aplicativo ONNi, com base em Porto Alegre, tem buscado a renovação de todo um cenário desde o seu começo, propondo o fim das filas com todo processo de compra de ingresso e consumo pelo mobile. Mas não para por aí…

Desde o seu lançamento, em 2016, muitas evoluções já foram propostas, não somente ligadas à parte técnica do app, mas também no seu time. Uma das principais mudanças é a chegada dos “music mates”. A ideia é simples: profissionais de exposição nacional que vivem intensamente a cena artística são convidados a representar as ideias da ONNi em seus respectivos nichos e contextos. Para o mercado da música eletrônica, o escolhido foi o curitibano Bernardo Ziembik.

DJ e produtor, com larga experiência também na produção de eventos, Bernardo apresenta-se como a escolha certa para os objetivos do aplicativo nesse momento. Além de ter um ótimo know-how frente ao cenário, também é um entusiasta das inovações propostas pela empresa. A nosso convite, Bernardo falou um pouco mais sobre os planos da marca para 2018.

Como exatamente foi seu primeiro contato com a ONNi? Você, como público, já testou o aplicativo?

Conheci o aplicativo através de uma conferência que produzi com o Alataj, em Porto Alegre, em 2016. Eles foram super nossos parceiros e apoiadores, viabilizando um coquetel para todo o público presente. Como usuário já utilizei o app lá no RS. Primeiro em uma Levels, festa incrível de Porto Alegre, depois no DOMA, clube super cool na região central da capital. Nas duas ocasiões a experiência foi ótima, me trouxe um conforto gigante e uma economia de tempo em filas.

Music Mate me parece um conceito inovador e que diz muito sobre a jornada da ONNi até aqui. Conta pra gente: como essa parceria está funcionando?

A ONNi nasceu imersa na cena eletrônica. Com o passar do tempo, após validar o produto e a proposta, entendeu que precisava ampliar seu leque de festas para outros gêneros. A estratégia da marca para se relacionar com diferentes cenas foi criar o ”cargo” de Music Mate. Basicamente, é uma representação da ONNi em cada nicho: pop, rock, sertanejo… Depois de muitas conversas, estabelecemos uma parceria estratégica em que eu representaria a marca no segmento eletrônico. Como é um trabalho ligado a muito relacionamento, definimos que o termo “music mate” se encaixa perfeitamente, pois realmente a ideia é que todo esse contato com público, promoters e produtores que eu venho tendo seja focado em desenvolver a plataforma e trazer maior solução para quem a usa.

Qual a principal dificuldade que você tem tido no que diz respeito à negociação com os donos de clubs e festas?

Em Santa Catarina, nas primeiras reuniões, esbarramos na seguinte questão: internet. Como muitos dos clubes ficam em regiões afastadas da metrópole, o acesso à internet é bem precário. Sendo assim, o uso do aplicativo fica comprometido. De forma generalista, acredito que as pessoas têm certa dificuldade em entender que somos um sistema complementar, uma conforto e uma nova experiência para o consumidor. Além disso, tratamos de uma mudança de comportamento do consumo, questão que apenas com a constância de uso poderá ser alterada — mas estamos tendo uma receptividade bem bacana em algumas regiões, como em Joinville e Curitiba.

Existe a preocupação da ONNi em trabalhar com clientes que tenham um alinhamento de posicionamento com a marca?

Acreditamos muito na potencialização e no trabalho em conjunto com nossos clientes. Então, procuramos produtores e clubes que querem realmente trazer algo novo para o seu público e entendam que para aumentar seu faturamento e ter boa performance pelo aplicativo é necessário apresentar da forma correta. Esses fatos fazem com que exista uma segmentação dos clientes potenciais. Sem contar que nossa comunicação é bem jovem, moderna, nosso aplicativo trabalha com cartão de crédito… Isso faz com que os próprios usuários já tenham um perfil específico.

Quão importante têm sido seus conhecimentos adquiridos na carreira artística para desenvolver esse trabalho?

Graças aos meus dez anos de carreira, que estão sendo completados em 2018, pude ter contato com muita gente envolvida na produção de um evento. Então, mesmo que o aplicativo não seja utilizado de cara por essas pessoas, estou podendo coletar uma centena de feedbacks que estão sendo extremamente importantes para as atualizações do aplicativo. Exemplo: muito em breve trabalharemos também em versão web, pois essa demanda é grande no mercado de Santa Catarina e Paraná. Aqui também existe a necessidade de pagamento fora do cartão de crédito, então, com essa plataforma, poderemos vender tanto o ingresso quanto o consumo de bar via boleto. Verificamos também a necessidade de alguns clientes em ter uma plataforma que atenda melhor os clientes de mesas e camarotes. Estamos trabalhando nisso também!

Quais são seus principais objetivos com a ONNi para 2018?

Neste ano o objetivo principal é nos estabelecer como uma inovação no mercado da música no Brasil. Acabamos de lançar o novo aplicativo, que é nativo para iOS e Android. Está muito mais intuitivo, rápido e prático. A versão web para compra de ingressos e consumo é também uma super atualização para nós. A partir disso, nossa plataforma faz muito sentido para vários produtores. Agora também estamos começando a escalar nossas vendas, conseguindo atingir um número maior de produtores, criando várias comunidades nas regiões que atingimos e, assim, facilitando a mudança de comportamento proporcionada pelo aplicativo.

Das vantagens que a plataforma oferece, qual é a mais interessante na sua visão?

Para o produtor: uma nova forma de interação com o seu público e um aumento gradual do seu faturamento. Para o cliente: inovação para acabar com as filas, agilizar sua forma de compra e acesso aos eventos que façam sentido as suas preferências.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Techno de refúgio: iranianos falam sobre resistência e EP por selo brasileiro

Alan Medeiros

Publicado há

Blade&Beard
Foto: Reprodução
Refugiado na Suíça, Blade&Beard lança disco pelo selo capixaba Prisma Techno
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Blade&Beard é um projeto iraniano focado em techno que ganhou destaque internacional após o documentário Raving Iran. Comandado pela diretora alemã Susanne Regina Meures, o longa traz a experiência dos DJs Arash Sharam e Anoosh Raki — hoje conhecidos como o duo Blade&Beard — em busca da liberdade de expressão musical.

Antes de falarmos sobre o documentário — que é excelente e que você já pôde ler sobre aqui na Phouse —, vale uma rápida reflexão sobre o regime político iraniano, um dos mais severos do mundo, responsável por colocar a população em uma forte atmosfera de controle e censura, que chega à música também. A lista de atrocidades do governo com a população que de alguma forma se envolve com música ocidental é algo completamente absurdo para os padrões ocidentais, mas uma realidade cruel para o povo do Irã (sobretudo mulheres, que entre tantas restrições, podem sequer dançar em público). Entre sintetizadores queimados e clubes fechados, prisão e tortura estão entre as penalidades para os “infiéis” — no filme, Anoosh conta que já foi pego e espancado “quase até a morte”.

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Arash e Anoosh tinham tudo para ser mais um número frente ao forte regime de censura de seu país, até Raving Iran ganhar a luz do dia. O documentário alcançou considerável sucesso de crítica no mundo todo e abriu portas para a dupla explorar o som que acreditam em outros países. O convite para o Street Parade de Zurique foi como uma carta de liberdade para os rapazes do Blade&Beard, que pediram exílio de sua terra natal logo após a apresentação. Hoje, a dupla está empenhada na missão de levar o som do projeto para gravadoras que compartilham dos mesmos ideais artísticos, e vem conquistando uma posição importante dentro desse disputado cenário.

É justamente na busca de bons selos para trabalhar em conjunto que a Prisma Techno entra na história. A gravadora capixaba lançou Moving the Moon, recente EP da dupla iraniana, que chegou a ser iniciado em um campo de refugiados. Com duas originais, “Aerolite” e a faixa-título, o release reflete exatamente o atual caminho que Blade&Beard estão trilhando no estúdio. No embalo dessa parceria, batemos um papo com os criadores do EP, que estão projetando uma tour em solo brasileiro junto ao time da Prisma nos próximos meses.

Raving Iran certamente mudou a vida de vocês pra sempre. Como surgiu a ideia de fazer o documentário? Quais foram as pessoas importantes nesse processo?

Com certeza mudou 50% das nossas vidas, e os outros 50% foi a nossa música que mudou tudo para nós. Sempre tocamos no Irã, no deserto e em todos os lugares que tivemos oportunidade de tocar. A ideia não foi nossa, foi da Susanne, e o que vocês viram foi nossa vida normal. Ela capturou parte disso e foi a pessoa mais importante nesse processo.

Como era o relacionamento de vocês com a cena de Tehran em um sentido mais amplo? O que vocês podem nos contar sobre a atmosfera do público e outros artistas?

Foi um pouco arriscado e assustador gravar no Irã, e literalmente colocamos nossa vida em risco apenas para mostrar nossa luta para as pessoas ao redor do mundo. Somos gratos por aqueles que nos ajudaram. Algumas pessoas simplesmente não se importaram, pois elas queriam que suas vozes fossem ouvidas, mesmo sabendo do risco.

Liberdade de expressão é uma das premissas para o desenvolvimento de qualquer cena artística. Além desse ponto, quais eram as outras dificuldades que vocês enfrentavam an cena de Tehran?

Nós não conseguíamos lançar nossas faixas para sermos ouvidos. Essa foi uma de muitas dificuldades que enfrentamos. Não é possível explicar, mas vocês provavelmente viram isso no filme.

De uma forma geral, vocês sentem que a comunidade eletrônica perdeu parte de seu espírito de resistência ao redor do globo? Se sim, há algo que possamos fazer para resgatar isso?

Não acho que tenha perdido o seu espírito, apenas mudou a sua forma e, agora, por exemplo, a música pop está misturada com eletrônica e está crescendo rápido — talvez em outro formato, mas continua a mesma coisa.

Moving the Moon, novo EP de vocês pela Prisma Techno, comprova o bom momento do projeto no estúdio. Como foi o processo criativo desse release?

É interessante que você esteja perguntando isso, porque fizemos o EP quando ainda estávamos no campo de refugiados e a base dele foi algo que fizemos lá. Uma vez que saímos, nós completamos no estúdio e esperamos que as pessoas gostem do produto final.

Gigs, novidades, lançamentos: o que podemos esperar de Blade&Beard para o segundo semestre de 2018?

Tem mais EPs que esperamos que sejam lançados em 2018, mais gigs e festivais. Ficaremos felizes em ver as pessoas que curtem a nossa música nas próximas gigs, e a grande novidade é que estaremos em tour com a Prisma Techno no Brasil. Com certeza vamos festejar com pessoas incríveis, estamos muito animados!

Para finalizar, uma pergunta pessoal: o que a música representa na vida de vocês?

A música é a nossa vida e a forma de expressarmos nossas emoções. Todo mundo tem sua própria forma de mostrar as emoções e essa é a nossa, através da música — e que coisa bonita que nós temos a sorte de trabalhar como músicos e com o que realmente amamos.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Cat Dealers revelam novos planos e curiosidades sobre parceria com Cleo Pires

Phouse Staff

Publicado há

Cat Dealers Cleo
Foto: Reprodução
Dupla remixou uma das primeiras canções de Cleo na nova carreira

Na semana passada, como você viu aqui na Phouse, os Cat Dealers se destacaram com um remix para “Jungle Kid”, música da cantora Cleo — mais conhecida como a atriz global Cleo Pires, que lançou recentemente sua carreira paralela no mundo da música. A original é a faixa-título de EP lançado em março, com outras quatro faixas.

Mas como será que pintou essa inusitada parceria entre um dos duos de maior sucesso do cenário eletrônico brasileiro e uma das celebridades mais famosas do país? Pra responder a essa e a outras perguntas, Lugui e Pedrão tiraram um tempinho na agenda para contar à Phouse um pouco dos bastidores do remix — e ainda prometem novidades para o futuro breve com a artista! Leia abaixo:

Como surgiu a oportunidade para remixar a música?

Tivemos o prazer de receber o convite da Cleo e da equipe dela, que já conheciam e curtiam muito o nosso trabalho — incluindo nossa amiga BIAN, que é DJ, compositora e produtora musical, e também foi uma das compositoras da “Jungle Kid”. Ficamos super honrados e animados com essa produção.

Como foi o contato que tiveram com a Cleo no processo de produção do remix? Vocês já a conheciam pessoalmente?

Tanto nós quanto a Cleo temos uma rotina muito corrida. Além da carreira musical, ela está gravando a novela das sete, e estávamos nos preparando para a nossa tour na Ásia. Tivemos um contato à distância, mas intenso e produtivo para trocar uma ideia e alinhar a parceria. Graças à tecnologia, isso é possível e funciona (risos). Fizemos contato por telefone, whatsapp e por aí vai. E, no fim, quando mostramos o resultado final, ficamos muito felizes com a reação dela.

Já nos cruzamos em alguns eventos, antes mesmo de surgir o convite para fazer o remix, mas pessoalmente mesmo deve acontecer em breve. Estamos combinando novos projetos juntos, e esse encontro deve acontecer logo. Fiquem ligados, porque virá acompanhado de novidades!

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Quais foram os principais desafios para remixar “Jungle Kid”?

O principal desafio foi transformar a “Jungle Kid”, que tem uma pegada bastante diferente do que costumamos fazer, em um remix que encaixasse também na nossa sonoridade. O BPM original da música, por exemplo, era mais lento, mas conseguimos aumentar sem deixar a vibe incrível da original se perder. Estávamos sempre tocando o remix nos shows, e a resposta tem sido ótima. Inclusive nossos amigos DJs sempre vinham perguntar o nome da track, se era alguma cantora gringa ou algo do tipo.

Como é participar dos primeiros passos na música de uma estrela global já consolidada?

Nós ficamos muito felizes pela confiança que tiveram na gente. Poder participar desse início de carreira musical da Cleo foi uma oportunidade incrível e, por isso, tivemos o máximo cuidado nessa produção, principalmente por ela já ser uma artista consolidada, com uma grande trajetória.

Se tivessem que dar uma dica musical para a Cleo na nova carreira, qual seria?

A nossa maior dica, não só para ela, mas para todos, é se manter rodeada de pessoas do bem, que possam ajudar nessa jornada, e de se manter fiel a si mesma, às suas produções e aos seus instintos. Não há nada melhor, tanto para a artista quanto para os fãs, quando a música vem da alma, com verdade.

* Além desse papo, entrevistamos o duo sobre a festa Cat House, cuja próxima edição rola em 04 de agosto, em BH. Assista aqui.

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