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MDL Beast

Artistas e influencers são criticados por promoverem festival eletrônico na Arábia Saudita

Governo teria usado o MDL Beast como propaganda para atrair turistas e melhorar a imagem do país, acusado de violações aos direitos humanos

Num dos últimos finais de semana de 2019, entre os dias 19 e 21 (quinta e sábado), rolou a primeira edição do MDL Beast, festival que levou à capital da Arábia Saudita, Riad, alguns dos maiores nomes da cena eletrônica internacional. O evento provocou intensos debates nas redes sociais nos últimos dias por conta da presença de diversas celebridades e também do país onde foi realizado.

O rolê atraiu “digital influencers”, atores e atrizes, além de supermodelos internacionais (entre estes, a brasileira Alessandra Ambrósio). A polêmica se deu pois eles teriam, supostamente, recebido altas quantias do governo local para promover o turismo e melhorar a imagem do país no Ocidente.

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Great time at @mdlbeast 🎆✨🎶 #soundstorm #ad

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O governo da Arábia Saudita é acusado de inúmeras violações aos direitos humanos, como restrições a liberdades individuais e perseguições às mulheres e à comunidade LGBT. Além disso, a CIA e alguns governos ocidentais atribuem ao príncipe Mohammad bin Salman a responsabilidade pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do governo que prestava serviços ao Washington Post.

Em outubro, o jornal The Guardian publicou um artigo afirmando que a Arábia Saudita está em uma campanha de reabilitação da imagem do país. Uma das ações seria convidar influenciadores para pintar uma imagem mais divertida para atrair potenciais turistas, principalmente ocidentais. E a estreia do MDL Beast teria papel importante nesse hype.

As ações das celebridades foram expostas pela página do Instagram Diet Prada, conhecida por fazer duras críticas à indústria fashion.

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What’s worse than an all white @revolve influencer trip? Cashing big fat checks in exchange for #content creation (aka propaganda) to rehabilitate the image of Saudi Arabia, a country said to be causing “the world’s worst humanitarian crisis”, according to the United Nations. According to anonymous sources, six-figure sums were offered for attendance and geo-tagged posts. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Following the government’s pre-meditated murder of journalist Jamal Kashoggi in October 2018 , the arrest of women’s rights activist Loujain al-Hathloul in May 2018, the outing of a gay Saudi journalist and his partner who began receiving death threats from their families (homosexuality is a crime in Saudi Arabia and punishable by death), and countless other human rights abuses, a bevy of supermodels, influencers, celebrities, and musicians convened in Riyadh for the inaugural @mdlbeast . According to @hypebeast , the electronic music festival is “one of the most significant musical events the region has ever seen”. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Saudi Arabia has been spending billions to change its image in the west, but this is sure to be the most expensive campaign yet. In a series of Instagram stories posted by transgender model @teddy_quinlivan , it was revealed that fellow model @emrata had turned down the trip, evidently aware of the country’s human rights crisis. “It is very important to me to make clear my support for the rights of women, the LGBTQ community, freedom of expression and the right to a free press. I hope coming forward on this brings more attention to the injustices happening there”, said Ratajkowski in a statement to Diet Prada. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Unfortunately, not all shared the same sentiments. There are simply too many attendees to name. Dieters, feel free to tag any attendees you know of… just in case they haven’t been reading the news. • #propoganda #jamalkashoggi #humanrights #humanrightsabuse #lgbtq #lgbtqrights #freespeech #journalism #independent #womensrights #mdlbeast #edm #electronicmusic #supermodel #influencer #content #riyadh #emrata #emilyratajkowski #teddyquinlivan #model #celebrity #dj #electronicmusic #musicfestival #wtf #smh #government #corruption #dietprada

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O que é pior do que uma viagem de todas as influencers brancas da Revolve? Ganhar grandes cheques em troca da criação de conteúdo (também conhecido como propaganda) para reabilitar a imagem da Arábia Saudita, um país que está causando a “pior crise humanitária do mundo”, de acordo com as Nações Unidas. Segundo fontes anônimas, somas de seis dígitos foram oferecidas para comparecimento e postagens com marcações geográficas.

Após o assassinato premeditado do jornalista Jamal Kashoggi em outubro de 2018, a prisão da ativista dos direitos da mulher Loujain al-Hathloul em maio de 2018, a fuga de um jornalista saudita gay e seu parceiro que começaram a receber ameaças de morte de suas famílias (a homossexualidade é um crime na Arábia Saudita e punível com a morte) e inúmeros outros abusos dos direitos humanos, um bando de supermodelos, influenciadores, celebridades e músicos se reuniram em Riad para o primeiro MDL Beast. Segundo o Hype Beast, o festival de música eletrônica é “um dos eventos musicais mais significativos que a região já viu”.

A Arábia Saudita está gastando bilhões para mudar sua imagem no Oeste, mas esta é certamente a campanha mais cara de todos os tempos. Em uma série de stories no Instagram postadas pela modelo transgênero Teddy Quinlivan, foi revelado que a modelo Emily Ratajkowski recusou a viagem, evidentemente ciente da crise de direitos humanos do país. “É muito importante para mim deixar claro meu apoio aos direitos das mulheres, à comunidade LGBTQ, à liberdade de expressão e ao direito a uma imprensa livre. Espero que se dê mais atenção às injustiças que acontecem por lá”, disse Ratajkowski em comunicado à Diet Prada.

Infelizmente, nem todos compartilhavam os mesmos sentimentos. Há simplesmente muitos participantes para citar. Dieters, sintam-se à vontade para marcar todos os participantes que você conhece… para o caso de eles não estarem lendo as notícias.

No palco principal, entre as atrações estavam: Afrojack, Black Coffee, CamelPhat, David Guetta, FISHER, Jamie Jones, Martin Garrix, R3hab, Salvatore Ganacci, Sebastian Ingrosso, Solomun e Tiësto, além do cantor colombiano J Balvin, entre muitos outros astros internacionais. A festa ainda teve mais quatro palcos, um deles somente para DJs locais.

Além das apresentações individuais, o festival também contou com dois B2Bs especiais por dia, com 30 minutos cada, realizados por Martin Garrix x Tiësto; Afrojack x R3hab; Black Coffee x Marco Carola; David Guetta x Steve Aoki (que você confere acima); CamelPhat x FISHER; e Salvatore Ganacci x Sebastian Ingrosso.

Na cena eletrônica não foi vista toda essa repercussão negativa. O único portal popular a falar sobre o festival após sua realização foi o YourEDM, que destacou o B2B de Guetta e Aoki. Antes disso, na semana anterior, Dancing Astronaut, EDM.com e We Rave You falaram sobre o lineup. Nas redes, nenhum dos artista falou sobre assuntos não relacionados à música.

Matheus Mariano é colaborador da Phouse.

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