Fotos por Fernando Sigma

Método na loucura e olhos no horizonte: conheça o trabalho da LAUD

Formada pelo publicitário Minoru e o DJ Guss, a agência é responsável por alguns dos principais novos projetos de techno de São Paulo, como Leeds, Ressonancia e Pressure.

Toda parceria ideal, seja ela artística, profissional ou pessoal, se fundamenta em afinidades e, até certo ponto, numa certa cumplicidade que assinala deveres e obrigações enquanto os entrelaça em um todo coeso e eficiente, que beneficie a todos os envolvidos. Parece ser exatamente isso que Minoru e o DJ Guss encontraram em suas empreitadas com a LAUD e os já multifários projetos que ela engloba como uma das mais promissoras plataformas criativas no já populoso cenário noturno paulistano. A união entre competências tão complementares como as de um publicitário e light designer com um DJ foi o que ensejou essa alquimia que propele as festas LEEDS, Pressure, Ressonancia, e Blackyard, chegando agora a completar pouco mais de um ano com um rico portfólio de momentos preciosos para seu público.

Segundo Minoru, a “metade fotônica” da agência, eles se conheceram há alguns anos no ambiente festivo que tanto adoram, e começaram a planejar sua entrada no mercado discretamente no início. Guss, a “metade sônica”, diz que “inicialmente pensamos em começar gradativamente a abandonar nossos day jobs, eu trabalhava em banco” — uma estratégia que o light designer contestou ao encarar a realidade do que estava por vir: “Começamos a ter êxito com as festas e, mesmo estando muito bem no meu trabalho e tendo uma filhinha pequena, eu avisei o Guss: ‘cara, ou vai ou racha, temos de entrar de cabeça e é agora o momento’”.

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O resultado vemos na pujança de suas propostas, dentre as quais a Leeds pode ser considerada a mais bem-sucedida e representativa de seus esforços coordenados. Após três edições em que viram seu público cativo crescer gradativamente com lineups respeitáveis, sua reputação entre os núcleos que ajudaram a renovar a paisagem sonora da cidade atingiu o nível que conhecemos atualmente e que, segundo Minoru, “foi um processo rápido, bem intenso, mas constante. Os Trilhos já tinha se estabelecido como um lugar preferido da galera para ir a festas de música eletrônica. Quando fomos ver, de 2100, fomos para 2500 pessoas na segunda edição, e daí para três mil na terceira. Tivemos de deixar gente para fora!”.

O que se seguiu a essa surpresa inicial foi o planejamento, e agora eles colhem os frutos e investem no fortalecimento de um momento da cena paulistana que tem o techno como principal propelente. “Mesmo fazendo algo que tem certa correspondência com os projetos de outros núcleos, seja pelo tipo de música ou pelas locações, sempre nos esforçamos em manter nossa originalidade, propondo layouts diferentes para os locais que já tinham sido utilizados e lineups autênticos dentro das opções disponíveis”, pontua o publicitário. Os movimentos seguintes viram favoritos de muito tempo das audiências brasileiras retornarem gloriosamente, como Christian Smith e Thomas Schumacher. Assim, não parece nem um pouco surpreendente que a gigante Plusnetwork propusesse uma parceria para um evento de techno, que teria o monumental DJ alemão Chris Liebing e a aclamada brasileira ANNA nas suas fileiras.

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“A Plusnetwork propôs esse projeto e, inicialmente, ficamos até surpresos”, recorda Guss, sobre a criação da Pressure. “Mas nós sabíamos que eles são uma agência de talentos e não uma de eventos proprietários, da mesma forma que nós — talvez algo imenso como o Tomorrowland, mas não um de dimensões menores, e vimos que podíamos auxiliar com a experiência que já havíamos ganhado, além de nosso público”, acrescenta Minoru. A Pressure foi a “homecoming party” de ANNA após uma turnê europeia de êxito retumbante, e também marcou o retorno de Chris Liebing ao país onde escreveu parte importante de sua trajetória e ao qual não voltava há anos.

Agora, inaugurando seu terceiro braço com a Ressonancia, a dupla se prepara para mais desafios, mas não mostra nenhum temor com relação ao futuro. “Não tomamos nenhuma decisão sem considerar muitas coisas e, por mais que a relativa rapidez com que chegamos até aqui seja algo meio desconcertante, ela também nos ajudou a ter bastante cautela. Tudo é feito tendo em mente não apenas o tipo de música que curtimos, como também criar o melhor ambiente para que ela seja curtida pelo nosso público.” A primeira edição já trouxe mais um nome que ocupa um lugar de estima entre o público brasileiro — Sebastien Léger —, junto a um contingente espetacular de DJs locais, e definiu mais uma frente auspiciosa para os dois. A segunda será neste final de semana, com Gui Boratto, L_cio, Fractal Mood, Shadow Movement e, como convidados gringos, a heroica dupla britânica Audiojack.

Fotos da Ressonancia por Fernando Sigma, entrevistado desta semana da série Click: A música por trás das câmeras

O extremo cuidado com a curadoria e seus vários aspectos cruciais é um ponto que ressurge de forma constante nas empreitadas da LAUD e coroa cada evento, ainda que não seja a única fonte de excelência, como pode ser visto à inovação que representa oferecer um palco inteiro ao formato de live performances eletrônicas. Ademais, esta Ressonancia também irá oferecer um workshop de produção musical com membros de seu lineup, numa atividade pedagógica totalmente voltada à formação de novas gerações, como o apoio da fabricante de equipos Novation.

Em suma, fica claro o que é pontuado acima por eles mesmos: “Não é apenas ‘o que’ que é apresentado em cada festa, mas também ‘como’ isso é feito”. Isso é parte de seu diferencial, mesmo ainda contando pouco tempo de atividades, se comparada a empreendimentos parecidos, além daquele incansável fôlego que comanda os que se destacam entre os demais: “Até agora estamos atingindo nossas metas e tem muito mais coisa por vir. Vamos ter os churrascos da Blackyard, mais edições da Leeds e da Ressonancia… Além de tudo isso, estamos investindo mais energia no selo de música, para dar vazão a uma penca de produções legais que os artistas que fazem parte do nosso núcleo têm nos mostrado. E ainda há coisas maiores e melhores que virão até o ano que vem, só não podemos revelar agora…”.

* Chico Cornejo é colaborador eventual da Phouse.

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