Mind Against no Brasil: saiba mais sobre a IDM, vertente inspiradora do duo

Embora com nome controverso, a corrente vanguardista e experimental da música eletrônica faz parte da essência da dupla italiana

* Por Isabela Junqueira

** Edição e revisão: Flávio Lerner

Talvez algumas pessoas ainda não familiarizadas olhem a sigla IDM e achem que pode ser um erro de digitação (quem não conhece o termo EDM?), mas não! Com a chegada da turnê “All Night Long” do Mind Against ao Brasil nos dias 24 (sexta-feira) no Caos, em Campinas, e 25 (sábado) no Warung em Itajaí, se faz mais do que necessário trazer à luz como surge a nomenclatura que tanto influencia a sonoridade — na pista ou no estúdio — do duo italiano composto pelos irmãos Alessandro e Federico Fognini.

A Intelligent Dance Music (IDM) aflora nos anos 90, mais precisamente entre 1992 e 1993, e tem como base o techno de Detroit. O termo é resultante de movimentações dos fãs de labels como Warp Records, Rephlex Records e Ninja Tune Records na internet, no que seria semelhante a um fórum online.

Nesse espaço, eles discutiam sobre os lançamentos dos artistas e selos que gostavam, mas que não sentiam que se encaixavam no padrão convencional do techno — visto que o ritmo era mais introspectivo —, e dessa forma criou-se a expressão “Intelligent”, que divide opiniões, inclusive entre produtores, jornalistas e críticos da música que questionam a escolha.

O gênero deriva de um álbum com um compilado de músicas da vertente lançado pela Warp Records, intitulado Artificial Intelligence. A coletânea fez um baita sucesso na época e é considerada o marco do nascimento da IDM. A justificativa da escolha do nome é que, ao contrário das demais vertentes que pregam a dança e a movimentação do corpo como valor central, a Intelligent Dance Music vem para se ouvir e apreciar; ainda carrega fama de ser um “legado nerd” da música eletrônica, já que não é exatamente feita para as pistas de dança.

A confluência entre o techno e o downtempo resultou em uma vertente avant-garde e experimental da música eletrônica. A possibilidade em misturar baixas frequências, sons estranhos e esquisitos (da natureza ou sintéticos) e inserir um aspecto individual na música encontrou abrigo no estilo que, ano após ano, ganha novos produtores. Os vanguardistas Aphex Twin, Boards of Canada, L.F.O. e The Synthetic Dream Foundation foram os precursores que possibilitaram que Ae:ther, DJ Tennis, Fideles, Four Tet, e claro, o tão aguardado Mind Against pudessem se inspirar de forma tão bela neste nicho.

Baseado em Berlim e criado pelos irmãos italianos, o Mind Against não chega a fazer IDM propriamente dita, mas nunca escondeu que suas raízes encontram-se no estilo. Partindo desse princípio, passaram a incorporar elementos dela com house e techno melódico, cunhando uma sonoridade bastante original — orientada, sim, às pistas de dança, mas por vezes mais introspectiva e experimental.

A emoção que preenche cada produção do projeto transcende para a pista e resulta em um verdadeiro passeio por uma dimensão psicodélica com pitadas percussivas. O currículo de labels é de cair o queixo, já que o duo não completou nem uma década de existência ainda. Afterlife, Atlant, Cajual, Cocoon, Hotflush, Life and Death e Moda Black são algumas.

Por fim, outro legado da IDM que permeia a essência do Mind Against é o fato de ignorar limites e romper barreiras — e já que impulsiona uma exploração musical ampla, essa inspiração ajuda a viabilizar noites em formato “all night long”, como é a proposta da turnê do duo, que já passou por cidades como Amsterdã, Barcelona, Buenos Aires, Gante, Londres e Lion.

Depois do anúncio da tour, a ansiedade e expectativa tomou conta dos clubbers brasileiros, que podem ir se preparando, já que chegou a vez de Campinas e Itajaí.

* Isabela Junqueira é colaboradora da Phouse.

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