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Novo EP de Gui Boratto e Leo Janeiro converge três mundos sonoros

Lançado pela D.O.C., o novo EP da dupla traz três faixas, incluindo um remix do expoente francês Rodriguez Jr.

Hoje, 6 de outubro, foi ao ar o aguardado EP MooDisco, pela D.O.C. Records. Com duas faixas originais e um remix, o trabalho é resultado de uma parceria que reuniu três artistas de estilos bem distintos, porém capazes de mostrar que diversos mundos sonoros podem se cruzar em algum ponto, criando algo novo, original, e que ao mesmo tempo retrate um pouco da personalidade de cada um deles.

O lançamento, pela sublabel da consagrada gravadora alemã Kompakt, tem versões com formatos em digital e vinil, sendo “MooDisco” a faixa-título — uma colaboração entre Gui Boratto e Leo Janeiro.  Para dar um toque especial, o convite para remixa-lá foi depositado no olhar de um dos artistas mais autênticos e reconhecidos dos últimos dois anos no mundo: Rodriguez Jr. O EP ainda conta com outra faixa 100% autoral de Leo, intitulada “Back in the Days”.

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Antes de analisarmos cada uma das três ideias propostas, vamos conhecer um pouco de como todo o processo de construção da parceria entre os artistas aconteceu, pelas palavras concedidas de Leo Janeiro à Phouse:

“O processo de produção do EP foi um pouco longo. O Gui [Boratto] e eu somos amigos há muito tempo, e ele já vinha me convidando para fazer alguma coisa pela D.O.C. Nós já estamos há um ano trabalhando nisso. Eu fazia um pouquinho e o enviava; às vezes ia ao estúdio dele. O legal foi que a soma da base musical do Gui com o meu background formou algo diferente. Nessas idas e vindas, eu já tinha acabado a ‘Back in the Days’, e o Gui também tinha gostado dela. Essa música é mais diferente, meio deep house.

Também nesse meio tempo estávamos pensando em fazer um remix especial. Eu já tinha uma boa relação com o Olivier [Rodriguez Jr.], nós já tínhamos tocado algumas vezes aqui no Brasil. O Gui não conhecia o Jr. pessoalmente, mas já gostava do trabalho dele. A gente se encontrou por acaso em Barcelona em 2016, falamos da possibilidade de uma colaboração. Depois eu puxei uns emails, enviei a faixa, ele escutou… Gostou de pronto.

Rodriguez primeiro precisava acabar o seu álbum, e deixou isso claro pra gente. Entretanto, em seguida já iria trabalhar no remix. Ficou sensacional, o Olivier é um músico incrível, deu outra visão para a ‘MooDisco’. O EP ficou muito forte; tenho conversado com alguns amigos e cada um tem um feedback, cada um tem a sua preferida. Eu gosto muito quando a música ultrapassa os limites, ela é feita pra isso. O EP é um belo resultado de uma parceria entre amigos”.

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As promos captaram o interesse de nomes consagrados, como Sasha, Maceo Plex, Joris VoornDanny Tenaglia. Vejamos o porquê, numa análise faixa a faixa.

Leo Janeiro & Gui Boratto – MooDisco (Original Mix)

O título do trabalho traz duas forças independentes em coalizão sonora. A marcação splash e clap na frente, e um sintetizador concorrendo com a bassline em uma profusão de loops e elementos de apoio bem limpos, são de facíl identificação. O arranjo, que ganha um hi hat super movimentado, é possivelmente o maior destaque. Dinâmico e imprevisível, enquanto você imagina que a faixa está perto do final, ela rapidamente renasce e ganha mais três impressionantes minutos de renovação do synth principal.

Leo Janeiro – Back in the Days (Original Mix)

Com um peso das batidas com maior pressão, essa faixa é um daqueles clássicos do deep house. Um trabalho que já nasce atemporal, por possuir um encaixe de marcações do sintetizador que lhe dá respiros entre si, além de leves aberturas no cutoff. Mais em baixo, percussão em loop intenso e baterias quebradas, formando um padrão extremamente dançante e que dificilmente sai da case dos DJs antes de uma temporada inteira.

Leo Janeiro & Gui Boratto – MooDisco (Rodriguez Jr. Remix)

O francês claramente traz inspirações de seu último álbum nessa fabulosa reinterpretação de “MooDisco”. Com efeitos de longevidade e dispersão que acompanham o kick, bass e sub desde o início, a faixa recebe elementos que, aos poucos, imprimem um tom de mistério.

Ao mesmo tempo, a linha de baixo se abre progressivamente até que, a partir dos dois minutos, recebe o complemento das notas que faltava. Em seguida, buscando do ouvinte maior imersão, Jr. implementa ainda fundos suaves e rápidos para dar maior sensação de movimento. Um trabalho que faz o expectador se perder de maneira sutil, pois todas as camadas estão a todo o momento querendo atenção. Nessa tentativa de compreende-la, você irá se encontrar completamente envolvido.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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