Assédio sexual
Alison Wonderland (foto) foi uma das DJs a participar da corrente de denúncias contra assédio sexual

Nessas últimas semanas, o tema de assédio sexual e abuso contra mulheres veio com força no mundo artístico, em diversos episódios distintos. Na semana passada, trouxemos a notícia do Statement Festival, um festival só para mulheres na Suécia, que surge como resposta aos elevados números de crimes de violência sexual ocorridos em festivais de música no país.

Pouco tempo depois, surgiu a denúncia de uma usuária do Twitter, Chelsea, que contou ter sido estuprada junto com uma amiga pelo DJ e produtor de Los Angeles The Gaslamp Killer. Segundo o relato, Killer teria drogado as meninas, quatro anos atrás, para depois transar com elas em estado semiconsciente. O DJ se defendeu da acusação, alegando que houve consenso e que jamais drogaria e abusaria de uma mulher. Até este momento, não houve investigação policial para apurar os fatos, mas a acusação — precedida por outros comentários de mulheres que também relataram casos de abuso ou assédio pelo artista — foi o bastante para comprometer severamente sua carreira; o Gaslamp Killer teve shows cancelados e foi desligado do coletivo Low End Theory, ao qual integrava.

Esse imbróglio tem repercutido bastante, a ponto de Flying Lotus defender o colega em meio a um show, dizendo que a internet mente, para depois pedir desculpas pelo comentário. No entanto, ainda mais significativa foi a enxurrada de denúncias que pipocaram contra o renomado produtor de cinema americano Harvey Weinstein. Atrizes, modelos e outras funcionárias da indústria cinematográfica — incluindo Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Cara Delevigne, Ashley Judd e Heather Graham — passaram a expor publicamente um sem fim de relatos de assédio sexual praticado pelo executivo.

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O caso motivou mulheres no mundo todo a também expor suas experiências de assédio ou abuso nas redes sociais como forma de alerta, mostrando o quão corriqueiros podem ser esses acontecimentos. Esse fenômeno não é nada novo. Quando mulheres com grande visibilidade expõem suas histórias sobre abuso sexual, o impacto causado é grande, e assim muitas outras, famosas ou não, se sentem à vontade para compartilhar episódios que normalmente permanecem no âmbito privado.

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Assim, voltando ao cenário musical, diversas artistas participaram da corrente, incluindo protagonistas do cenário eletrônico. A produtora Alison Wonderland — que ganhou no mês passado o prêmio de revelação do ano no Electronic Music Awards —, por exemplo, contou no Twitter a história de quando foi abusada por um superior em um antigo emprego (veja abaixo). Alison conta que a resposta que teve do RH foi: “Bem, você é bonita e ele estava bêbado”, além de um subentendido de que se ela persistisse na reclamação, iria ser demitida.

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Annie Mac, uma das DJs e comunicadoras mais importantes da cena eletrônica global, comentou não apenas ter sido assediada no metrô quando tinha 20 anos, mas também ter sido perseguida em uma montanha, aos 11 anos, por um homem de terno que se masturbava para ela.

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A famosa cantora e compositora islandesa Björk foi outra que abriu a boca, trazendo diversas histórias sobre assédio imposto por um diretor de cinema dinamarquês — sem citar nominalmente, ela deixou a entender que se trata de Lars Von Trier, com quem trabalhou no filme Dançando no Escuro. Von Trier já se manifestou negando as acusações, dizendo que, apesar de não terem relações amistosas, nunca assediou a artista. Além delas, outras personalidades do meio musical se manifestaram a partir do caso de Weinstein, como The Black Madonna, altamente proativa na causa feminista.

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Independentemente da veracidade desses relatos, o abuso contra mulheres é real e ocorre muitas vezes pela confiança do agressor na impunidade, já que grande parte das vítimas se sente constrangida em denunciar. Este é, definitivamente, um quadro que precisa ser revertido, e o fato das mulheres no mundo todo abrirem o jogo é importante para essa mudança.

Confira abaixo algumas das histórias compartilhadas pelas artistas:

Caso de polícia

Pra fechar as semanas de denúncias e episódios de abuso contra mulheres, Andrew Macrae, até então VP de finanças e estratégia da Live Nation Entertainment — uma das maiores produtoras de eventos musicais dos Estados Unidos —, foi pego em flagrante pela polícia britânica nesta semana, ao tentar filmar escondido embaixo da saia de uma mulher, em um trem na Inglaterra. A polícia ainda descobriu em sua casa cerca de 50 mil filmagens secretas de vizinhas e outras mulheres que visitavam sua casa. O julgamento do executivo está marcado para o próximo dia 07, em Londres. A Live Nation o demitiu imediatamente.

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