Como viver de música eletrônica? Sócio da AIMEC responde em nova comunidade

Rafael Araujo fala sobre sua nova plataforma: a Music Business Brasil
* Por Danilo Bencke
** Edição e revisão: Flávio Lerner

Muita gente quer ganhar dinheiro com música, mas o problema é que a maioria acaba não saindo do óbvio — ou seja, aquele velho sonho de viver como um DJ superstar, cobrando cachês milionários, viajando e curtindo baladas intermináveis mundo afora. No entanto, o que essa galera não enxerga é a realidade do mercado e como e a economia gira na cena, e o principal: como ganhar dinheiro com isso.

Quando se fala em music business na indústria eletrônica, uma pessoa é referência no cenário nacional: Rafael Araujo. Conhecido por ser um dos sócios e fundadores da AIMEC, é autoridade no assunto, sempre lotando palestras e workshops nas mais renomadas conferências pelo Brasil.

A fama não é à toa. Rafael começou ainda criança na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, e nunca mais parou de estudar. Para entender melhor a dinâmica do mercado, estudou Music Business na Universidade da Califórnia, e Hospitality-Management na Universidade da Flórida Central. Desde então, vem ajudando a fomentar a cena, promovendo diversos eventos e festas que ajudaram a transformar Curitiba em um dos polos da música eletrônica.

Sempre na vanguarda e adepto do DIY (“Do It Yourself”, ou “Faça Você Mesmo”), Araújo teve o primeiro selo brasileiro a ser lançado no Beatport, o Eletrodomésticos Records. Desta vez, ele traz mais uma novidade: a comunidade Music Business Brasil.

Este é um projeto internacional da AIMEC Brasil que traz uma série de conteúdos riquíssimos através de lives gratuitas semanais que são transmitidas às terças-feiras, sempre às 20h na página do Facebook da escola. Tudo relacionado ao mercado de music business é abordado, com a ideia de ensinar, de uma forma simples, a monetizar nas suas diversas áreas.

A fim de se atualizar ainda mais e ficar por dentro dos desafios modernos, Rafael foi estudar na SMB: The School of Music Business, para trazer as maiores dicas e novidades do mercado fonográfico. Já indo para a sua sétima live, diretamente de Londres, o artista e empreendedor bateu um papo conosco para dar algumas dicas sobre como rentabilizar com a sua arte e, enfim, conseguir viver de música. Esse é o seu sonho? Então não perca esta entrevista.

Music Business Brasil
Rafael Araujo. Foto: Divulgação

Rafael, a pergunta que não quer calar é: como ganhar dinheiro com música eletrônica?

Diferentemente do que as pessoas pensam — que se pode se ganhar dinheiro só como DJ ou produtor musical —, as áreas de atuação do music business são gigantescas. Podemos incluir também promoter de eventos, sound designer, song writer (compositor), arranjador, masterizador (um cara que só faz master) ou um mixador (um cara que só faz mixagem).

Além disso, você pode tocar uma agência de conteúdo digital para internet relacionado à música eletrônica; pode trabalhar com uma agência de recolhimentos de direitos autorais; uma agência de publishing; se for um advogado, pode se especializar na área de direito autoral, porque quando você fecha uma track com um selo, você precisa assinar um contrato; pode ser um dono de selo, ou A&R, ou seja, o cara que cuida dos artistas e dos repertórios desse selo; dono de estúdio; trabalhar com veículos de mídia especializados (assim como a Phouse); pode ter uma comunidade como a Só Track Boa e a Techno Perfect; ter um canal no YouTube, ou uma web-tv voltada para DJs; ser produtor de loops e sample packs ou DJ Tools; agência de bookings…

Enfim, a intenção da comunidade Music Business Brasil é mostrar para as pessoas todas essas áreas de atuação que elas podem vir a fazer parte. Acredito que uma das maiores dificuldades é a falta de informação, principalmente para quem está começando. Além disso, encontrar as informações certas para crescer no meio também é bem difícil. Poucos meios fornecem um conteúdo com qualidade.

Muitas pessoas veem os grandes DJs em grandes eventos e mega turnês, mas nem sempre enxergam toda a equipe que está trabalhando junto para isso acontecer…

Um DJ pode trabalhar com todo um time ao redor dele. Por exemplo, o Alok. Ele tem um booker, que é o cara que fecha as datas dele. Ele tem um manager, que é o cara que cuida da carreira dele. Tem o designer, que é quem trabalha a logo e a comunicação gráfica dele. Tem o videomaker, que filma, edita e depois publica na rede. Tem o fotógrafo, o assessor de imprensa, o manager de social media… Ele tem ainda um tour management, que cuida de toda logística das viagens, e também um advogado, que trabalha junto com ele para proteger os direitos dele, principalmente a propriedade intelectual.

Live inaugural está disponível na íntegra no Vimeo

É possível para o produtor musical viver da venda de suas músicas?

Sim, um produtor musical pode viver tranquilamente da música, [desde que] faça boas músicas, né? Assim ele pode licenciar a música dele para filmes, games, televisão, publicidade… O streaming, hoje sim, paga até melhor do que a própria venda. A gente tem visto que os royalties do Spotify tão rendendo inclusive bem mais do que o Beatport, porque as pessoas estão ouvindo. Então o cara pode viver tranquilamente disso, desde que faça boas músicas e estruture bem o seu negócio.

Que dica você pode dar para os produtores que querem realmente viver da música eletrônica?

A burocracia é difícil de entender. Muitas vezes, a gente só se preocupa com a arte, mas acaba ignorando todo o processo que vai transformar a música que está pronta no computador em um grande hit tocado pelos maiores DJs.

Muitas vezes a gente tem o feeling, porque o artista trabalha o coração, a alma, porém esquece um pouco o lado do negócio. O que é preciso entender é que você tem que valorizar sua propriedade intelectual e saber o que fazer com ela. Se você souber o que fazer com ela, aí você vai longe, meu irmão!

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Por que surgiu a comunidade Music Business Brasil?

Ela surgiu em parceria com o [sócio da AIMEC] Andreone Ribeiro, ao identificarmos que os nossos alunos, e o público de uma forma geral, têm enfrentado uma série de dificuldades nesse setor. Isso se deve a vários motivos, seja a burocracia, complexidade ou até mesmo a rapidez na qual o music business se modifica a cada dia.

A ideia é desmistificar esse mercado, trazendo informações de alto valor para os profissionais. Aplicando este conhecimento que estamos transmitindo, eles podem melhorar os resultados, sejam nas finanças, na distribuição de conteúdo, no publishment, licenciamento, marketing, entre outros.

A Music Business Brasil será centrada em você?

De uma forma geral sim, eu serei o profissional responsável que irá liderar a comunidade, mas sabemos que há bastante assunto e também especialidades dentro do setor, então aguardem, que grandes nomes que movimentam o mercado terão participações especiais. Na última aula exclusiva, por exemplo — anunciando em primeira mão para a Phouse! —, gravamos com o dono da Toolroom Records na Inglaterra.

Como os interessados podem participar da comunidade?

Basta acessar o site oficial e se cadastrar! A partir daí, só ficar de olho nas lives gratuitas, que são transmitidas nas terças-feiras, às 20h, na página da AIMEC Brasil no Facebook.

Danilo Bencke assina a coluna da AIMEC na Phouse.

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