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“Música não é competição, é arte”; uma entrevista exclusiva com o duo Elekfantz

Flávio Lerner

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Daniel Kuhnen e Leo Piovezani, os catarinenses do Elekfantz, conversam com Flávio Lerner sobre suas referências, seus lives e o mercado musical.

Os músicos catarinenses Daniel Kuhnen e Leo Piovezani são amigos há mais de duas décadas, quando tocavam em uma banda de blues. Depois trilharem caminhos individuais— Daniel tornou-se DJ e Leo seguiu como bateirista —, se encontraram novamente no duo Elekfantz, formado há poucos anos. Em 2012, já se destacaram com o primeiro single, Wish, e em pouco tempo foram apadrinhados por ninguém menos que Gui Boratto, tornando-se os primeiros artistas de seu selo D.O.C — uma ramificação da lendária Kompact.

Nesses três anos, os caras vêm nadando de braçada; lançaram em 2014 seu primeiro álbum, o ótimo Dark Tales and Love Songs, tendo destaque pela originalidade em condensar diversas musicalidades, como synth pop, blues, jazz, soul e techno, e por suas apresentações em formato live. A partir de então, tocaram nos maiores e mais variados festivais entre Brasil, Europa e América do Norte, consolidando-se como um dos nomes mais interessantes da dance music nacional.

Abaixo, você lê o papo que batemos com os caras sobre sua música e suas influências sonoras, seus shows e os grandes festivais, o mercado musical, a relação com o Gui Boratto e os contrastes entre música pop e underground.

Dark Tales and Love Songs é o primeiro e até então único álbum da dupla

Vocês se conheceram tocando blues, mas essa não é uma referência óbvia no som do Elekfantz; é mais fácil perceber influências de pós-punk e synth pop dos anos 1980, como New Order e Depeche Mode — estou certo? Fora o fato de Wish samplear Muddy Waters, como o apreço por blues e jazz aparece nas suas composições?

Leo Piovezani: Ótima pergunta, você esta certo, sem dúvida! Eu comecei cedo na música, aos 11 anos, e aos 15 já tocava na noite. Eu e o Dani tínhamos o mesmo professor e sempre tocávamos blues nas festas de nossos amigos. Aos 17 fui para a Berklee College of Music estudar jazz como baterista, e passei a consumir muito jazz, fusion e blues. Então mesmo você escutando influencias dos anos 1980 nas nossas músicas, temos muitas melodias e timbres de soul e blues americano como referência. Posso citar exemplos práticos como Pharaoh’s Dance — inclusive esse nome coloquei em homenagem ao grande Miles Davis —, que tem alguns poucos acordes de Fender Rhodes que me remetem ao famoso disco Bitches Brew.

Daniel Kuhnen: Outro caso seria Teasing Me, com guitarras Fender pontiagudas, lembrando caras do rock/blues dos anos 1950 e as trilhas sonoras de spaghetti western. A própria Diggin’ On You tem muito soul e blues envolvido também. Wish foi o pontapé inicial que levantou essa bandeira do blues em nosso som, em especial na construção dos timbres, que são mais orgânicos do que no synth pop.

O Elekfantz faz tracks com estrutura típica de house/techno, como Diggin’ On You e a própria Wish, mas o álbum Dark Tales and Love Songs está repleto de faixas moldadas em estruturas pop, como She Knows, So Damn Classy e Cryptographic Love. Há muita diferença nos processos de composição dessas músicas? E vocês se consideram um projeto de música de pista ou mais um ato de synth pop?

DK: Nosso maior desafio, quando começamos a trabalhar juntos, foi encontrar nosso som, não fazer mais do mesmo ou seguir alguma tendência. Foi o que nos uniu: a vontade de jogar todas as nossas influências e experiências no liquidificador e tentar tirar alguma coisa que nos espelhasse ou que nos dissesse algo. Não quisemos nos limitar à pista, mas nem pensávamos em tocar no rádio ou na novela; simplesmente produzimos o que sentimos e tentamos ser honestos com nós mesmos. Como nos definir? Acho que não cabe a nós, mas a pessoas como você, e especialmente ao público.

LP: Não existe diferença quando estou compondo. Na verdade, eu sempre gostei de pop e é lógico que o jeito de compor entrega muitas vezes as influências de cada artista. Meu método é totalmente espontâneo. Dark Tales… foi composto quase inteiramente em um laptop, com um pequeno controlador Akai e um fone de ouvido, e depois finalizado em estúdio com a produção de áudio do Gui Boratto. O Elekfantz tem esses dois lados, pode soar bem pop e tocar no radio, outras vezes soar mais sombrio e com um os dois pés na pista.

O Gui Boratto, como vocês já disseram, é o “quinto Beatle” do Elekfantz; ajuda na produção musical, executiva, direção artística e atua como uma espécie de manager de vocês. Como funciona o lance de transformar a arte num business? Rola uma pressão pra fazer a música mais acessível, pra emplacar um som nos charts ou algo do tipo?

DK: O Gui realmente é nosso manager, mas não tem nada a ver com marketing, ele é arquiteto de formação. E desde o início do selo sentimos que ele só quer lançar músicas boas, coisas que ele goste de verdade, independe do estilo ou apelo comercial. Temos muita liberdade e nos sentimos muito à vontade trabalhando juntos.

LP: O Gui veio de um background muito parecido com o meu, e temos um pensamento musical muito parecido. Nunca houve pressão, mas lógico que o próprio público gera essa expectativa depois de se identificar com nosso som. Tem gente que me pergunta: “E aí? Quando vai sair a próxima She Knows, ou Wish?”. O Elekfantz virou um business à medida que a música foi se consagrando, mas desde o começo nossa preocupação foi apenas com o som.

Recentemente vocês emplacaram a faixa Diggin’ on You em uma novela global. Isso seria um sinal de que vocês irão seguir uma linha mais acessível para rádios e TVs nos próximos trabalhos?

LP: Nós não esperávamos isso, até porque Diggin’… já tinha tocado muito lá fora, ficou entre as mais vendidas do Beatport por meses e saiu em mais de uma dezena de compilações, de Pacha Ibiza a Global Underground. Foi uma surpresa maior ainda, pois o nosso som do momento é She Knows, que aconteceu sozinha. Uma música na novela abre um leque para um novo público, gente que não tinha o mínimo interesse por música eletrônica se identificando por causa de um personagem, por exemplo. Importante abrirmos mais esse espaço. Já pensou se todo programa ou novela tivesse músicas de artistas brasileiros da cena eletrônica?

DK: O fato de Diggin’… estar tocando na novela não significa que vamos pensar em compor algo para determinado mercado. Não mudou nada, continuo acreditando no som que fazemos e cada vez me sinto mais agradecido por receber tanto carinho do público, não só no Brasil.

Diggin’ On You chegou a ser remixada por grandes nomes da dance music mundial, como o Solomun

A dance music hoje em dia parece estar trilhando um rumo em que lives ganham cada vez mais o espaço dos DJs sets. Por que vocês acreditam que isso vem acontecendo?

LP: Eu acredito que isso é uma mudança natural, acho que o público gosta da performance e as pessoas procuram isso quando vão a um festival ou até mesmo quando conhecem algum artista novo. No fundo, acho que um live aproxima mais as pessoas da música, principalmente pelo compositor poder se expressar de maneira diferente em cada canção, em cada apresentação… Fora o fato de você correr riscos fazendo um live, o que lança uma adrenalina no ar. O público percebe isso!

DK: Acredito que é um caminho natural para quem tem um trabalho autoral, apresentar suas músicas ao vivo de uma forma mais autêntica. Ouvir um ótimo DJ construir seu set com músicas de diversos produtores nunca vai deixar de ser uma grande experiência, mas ouvir seu artista preferido construindo ou desconstruindo ao vivo suas próprias composições, músicas que marcaram de alguma forma sua vida, vai muito além. E o público no Brasil está começando a diferenciar e valorizar isso.

E vocês acham que a musicalidade presente em uma track pra pista indica, necessariamente, quão perecível essa música vai ser?

LP: Acredito que todas as músicas que ficam eternizadas possuem sempre algum elemento orgânico, algo palpável. Pode ser uma linha de baixo, um piano, ou até mesmo uma simples bateria. Um elemento orgânico ajuda.

DK: Uma música de pista sem musicalidade pode envelhecer bem rápido se usar só os timbres do momento ou se for tão previsível quanto a maioria. Os maiores clássicos das pistas têm belas e marcantes melodias.

Elekfantz live na íntegra, em 2013

Um dos temas corriqueiros de artigos na Phouse tem sido justamente essa relação mainstream/EDM X underground na dance music. Como vocês enxergam essa questão?

LP: Como já disse meu amigo Frank, do Âme: o underground é superestimado. Música não é competição, é arte, é um jeito de você entender o mundo, de você lidar com seus demônios, de você poder ser quem você quiser. E o mais legal de tudo é o respeito entre as diferenças musicais, você ter discernimento pra poder entender essas diferenças. Pra falar a verdade eu escuto varios sons do mainstream, eu gosto de tentar entender como as pessoas consomem, ou melhor, o que elas conseguem assimilar de determinado hit, ou o que mantém alguém interessado por determinada faixa. Importante todos estarem sempre com a antena ligada, você pode colher muitas coisas boas em todos os estilos possíveis no mundo da arte.

DK: “Underground de boutique” versus “EDM-eu-quero-ser-famoso”? Discussão cansada, próxima pergunta.

Ano passado vocês chegaram a abrir pro Disclosure em uma festa do Lollapalloza. Como foi a experiência e como vocês entendem que a arte dos dois duos se inter-relaciona?

DK: Eles são bem mais jovens e as influências são bem diferentes. Gosto deles, mas não vejo muitos paralelos além dessa coisa de fazer música eletrônica com estrutura pop, que pode funcionar na pista, mas também fora dela.

LP: O Lollapalooza foi bem legal, muita gente chegou cedo para nos ver. Ficamos surpresos na época com tantos feedbacks positivos. Tocamos no festival e saímos cedo para passar o som no after oficial onde abrimos pro Disclosure, mas nessa festa eles fizeram só um DJ set.

elekfantz live

Daniel e Leo no Clash Club, em São Paulo, poucos dias depois do show no Rock in Rio 2015

É curioso que vocês tocam em festivais diferentes entre si: alguns mais voltados ao rock, como o Lolla e o RiR, outros à música eletrônica, como o Tribaltech, e até mesmo eventos muito pop e juvenis, como o Planeta Atlântida. Vocês planejam lives diferentes de acordo com cada proposta? Quais as melhores e as piores experiências que já tiveram nesses eventos?

LP: Sim, verdade, isso é uma coisa que não esperávamos, e percebemos que estamos conquistando até um público que não gostava de música eletrônica. Muita gente me fala no backstage: “Comecei a curtir música eletrônica depois de escutar o disco de vocês”. Acho isso muito legal. Já aconteceram coisas ruins também, como um stage manager péssimo, despreparado e mal educado, ou um DJ gringo supermetido, estrelando… Tudo isso no mesmo festival! Esse tipo de coisa que nem vale comentar, mas quem está na estrada sabe bem como é.

DK: Temos alguns setlists diferentes e normalmente decidimos isso minutos antes de subirmos no palco. Também conseguimos improvisar em alguns momentos ou estender o show quando a coisa esquenta demais. Uma coisa legal aconteceu ano passado no Melt! Festival, na Alemanha: apesar de tocarmos no palco das bandas e acharmos que não éramos nem um pouco conhecidos, logo que acabamos o show algumas pessoas que estavam bem na frente contaram que tinham nos assistido em Berlim uma semana antes e foram nos ver no festival porque adoraram o nosso som.

E os planos para o resto de 2015 e 2016? Algum disco novo no horizonte?

LP: Agora em outubro ainda vamos voltar pra Europa pela terceira vez neste ano, onde vamos tocar no DOC Showcase em Paris e Amsterdam. Inclusive, essa foi a primeira festa a esgotar os ingressos no ADE deste ano! Ainda em 2015 vamos lançar dois clipes: Why So Bad, gravado ao vivo em Amsterdam, e Surrender, produzido na Polônia.

DK: Em 2016 devemos ir mais algumas vezes para a Europa, retornar aos EUA e ir pela primeira vez à Ásia e Oceania. Apesar da agenda intensa já temos umas 30 músicas encaminhadas para o próximo disco, que deve sair também ano que vem. E algumas surpresas bem legais pra quem acompanha nossos shows, além de um live set completamente novo.

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

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Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

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Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

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Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

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