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“Música não é competição, é arte”; uma entrevista exclusiva com o duo Elekfantz

Flávio Lerner

Publicado em

01/10/2015 - 18:50

Daniel Kuhnen e Leo Piovezani, os catarinenses do Elekfantz, conversam com Flávio Lerner sobre suas referências, seus lives e o mercado musical.

Os músicos catarinenses Daniel Kuhnen e Leo Piovezani são amigos há mais de duas décadas, quando tocavam em uma banda de blues. Depois trilharem caminhos individuais— Daniel tornou-se DJ e Leo seguiu como bateirista —, se encontraram novamente no duo Elekfantz, formado há poucos anos. Em 2012, já se destacaram com o primeiro single, Wish, e em pouco tempo foram apadrinhados por ninguém menos que Gui Boratto, tornando-se os primeiros artistas de seu selo D.O.C — uma ramificação da lendária Kompact.

Nesses três anos, os caras vêm nadando de braçada; lançaram em 2014 seu primeiro álbum, o ótimo Dark Tales and Love Songs, tendo destaque pela originalidade em condensar diversas musicalidades, como synth pop, blues, jazz, soul e techno, e por suas apresentações em formato live. A partir de então, tocaram nos maiores e mais variados festivais entre Brasil, Europa e América do Norte, consolidando-se como um dos nomes mais interessantes da dance music nacional.

Abaixo, você lê o papo que batemos com os caras sobre sua música e suas influências sonoras, seus shows e os grandes festivais, o mercado musical, a relação com o Gui Boratto e os contrastes entre música pop e underground.

Dark Tales and Love Songs é o primeiro e até então único álbum da dupla

Vocês se conheceram tocando blues, mas essa não é uma referência óbvia no som do Elekfantz; é mais fácil perceber influências de pós-punk e synth pop dos anos 1980, como New Order e Depeche Mode — estou certo? Fora o fato de Wish samplear Muddy Waters, como o apreço por blues e jazz aparece nas suas composições?

Leo Piovezani: Ótima pergunta, você esta certo, sem dúvida! Eu comecei cedo na música, aos 11 anos, e aos 15 já tocava na noite. Eu e o Dani tínhamos o mesmo professor e sempre tocávamos blues nas festas de nossos amigos. Aos 17 fui para a Berklee College of Music estudar jazz como baterista, e passei a consumir muito jazz, fusion e blues. Então mesmo você escutando influencias dos anos 1980 nas nossas músicas, temos muitas melodias e timbres de soul e blues americano como referência. Posso citar exemplos práticos como Pharaoh’s Dance — inclusive esse nome coloquei em homenagem ao grande Miles Davis —, que tem alguns poucos acordes de Fender Rhodes que me remetem ao famoso disco Bitches Brew.

Daniel Kuhnen: Outro caso seria Teasing Me, com guitarras Fender pontiagudas, lembrando caras do rock/blues dos anos 1950 e as trilhas sonoras de spaghetti western. A própria Diggin’ On You tem muito soul e blues envolvido também. Wish foi o pontapé inicial que levantou essa bandeira do blues em nosso som, em especial na construção dos timbres, que são mais orgânicos do que no synth pop.

O Elekfantz faz tracks com estrutura típica de house/techno, como Diggin’ On You e a própria Wish, mas o álbum Dark Tales and Love Songs está repleto de faixas moldadas em estruturas pop, como She Knows, So Damn Classy e Cryptographic Love. Há muita diferença nos processos de composição dessas músicas? E vocês se consideram um projeto de música de pista ou mais um ato de synth pop?

DK: Nosso maior desafio, quando começamos a trabalhar juntos, foi encontrar nosso som, não fazer mais do mesmo ou seguir alguma tendência. Foi o que nos uniu: a vontade de jogar todas as nossas influências e experiências no liquidificador e tentar tirar alguma coisa que nos espelhasse ou que nos dissesse algo. Não quisemos nos limitar à pista, mas nem pensávamos em tocar no rádio ou na novela; simplesmente produzimos o que sentimos e tentamos ser honestos com nós mesmos. Como nos definir? Acho que não cabe a nós, mas a pessoas como você, e especialmente ao público.

LP: Não existe diferença quando estou compondo. Na verdade, eu sempre gostei de pop e é lógico que o jeito de compor entrega muitas vezes as influências de cada artista. Meu método é totalmente espontâneo. Dark Tales… foi composto quase inteiramente em um laptop, com um pequeno controlador Akai e um fone de ouvido, e depois finalizado em estúdio com a produção de áudio do Gui Boratto. O Elekfantz tem esses dois lados, pode soar bem pop e tocar no radio, outras vezes soar mais sombrio e com um os dois pés na pista.

O Gui Boratto, como vocês já disseram, é o “quinto Beatle” do Elekfantz; ajuda na produção musical, executiva, direção artística e atua como uma espécie de manager de vocês. Como funciona o lance de transformar a arte num business? Rola uma pressão pra fazer a música mais acessível, pra emplacar um som nos charts ou algo do tipo?

DK: O Gui realmente é nosso manager, mas não tem nada a ver com marketing, ele é arquiteto de formação. E desde o início do selo sentimos que ele só quer lançar músicas boas, coisas que ele goste de verdade, independe do estilo ou apelo comercial. Temos muita liberdade e nos sentimos muito à vontade trabalhando juntos.

LP: O Gui veio de um background muito parecido com o meu, e temos um pensamento musical muito parecido. Nunca houve pressão, mas lógico que o próprio público gera essa expectativa depois de se identificar com nosso som. Tem gente que me pergunta: “E aí? Quando vai sair a próxima She Knows, ou Wish?”. O Elekfantz virou um business à medida que a música foi se consagrando, mas desde o começo nossa preocupação foi apenas com o som.

Recentemente vocês emplacaram a faixa Diggin’ on You em uma novela global. Isso seria um sinal de que vocês irão seguir uma linha mais acessível para rádios e TVs nos próximos trabalhos?

LP: Nós não esperávamos isso, até porque Diggin’… já tinha tocado muito lá fora, ficou entre as mais vendidas do Beatport por meses e saiu em mais de uma dezena de compilações, de Pacha Ibiza a Global Underground. Foi uma surpresa maior ainda, pois o nosso som do momento é She Knows, que aconteceu sozinha. Uma música na novela abre um leque para um novo público, gente que não tinha o mínimo interesse por música eletrônica se identificando por causa de um personagem, por exemplo. Importante abrirmos mais esse espaço. Já pensou se todo programa ou novela tivesse músicas de artistas brasileiros da cena eletrônica?

DK: O fato de Diggin’… estar tocando na novela não significa que vamos pensar em compor algo para determinado mercado. Não mudou nada, continuo acreditando no som que fazemos e cada vez me sinto mais agradecido por receber tanto carinho do público, não só no Brasil.

Diggin’ On You chegou a ser remixada por grandes nomes da dance music mundial, como o Solomun

A dance music hoje em dia parece estar trilhando um rumo em que lives ganham cada vez mais o espaço dos DJs sets. Por que vocês acreditam que isso vem acontecendo?

LP: Eu acredito que isso é uma mudança natural, acho que o público gosta da performance e as pessoas procuram isso quando vão a um festival ou até mesmo quando conhecem algum artista novo. No fundo, acho que um live aproxima mais as pessoas da música, principalmente pelo compositor poder se expressar de maneira diferente em cada canção, em cada apresentação… Fora o fato de você correr riscos fazendo um live, o que lança uma adrenalina no ar. O público percebe isso!

DK: Acredito que é um caminho natural para quem tem um trabalho autoral, apresentar suas músicas ao vivo de uma forma mais autêntica. Ouvir um ótimo DJ construir seu set com músicas de diversos produtores nunca vai deixar de ser uma grande experiência, mas ouvir seu artista preferido construindo ou desconstruindo ao vivo suas próprias composições, músicas que marcaram de alguma forma sua vida, vai muito além. E o público no Brasil está começando a diferenciar e valorizar isso.

E vocês acham que a musicalidade presente em uma track pra pista indica, necessariamente, quão perecível essa música vai ser?

LP: Acredito que todas as músicas que ficam eternizadas possuem sempre algum elemento orgânico, algo palpável. Pode ser uma linha de baixo, um piano, ou até mesmo uma simples bateria. Um elemento orgânico ajuda.

DK: Uma música de pista sem musicalidade pode envelhecer bem rápido se usar só os timbres do momento ou se for tão previsível quanto a maioria. Os maiores clássicos das pistas têm belas e marcantes melodias.

Elekfantz live na íntegra, em 2013

Um dos temas corriqueiros de artigos na Phouse tem sido justamente essa relação mainstream/EDM X underground na dance music. Como vocês enxergam essa questão?

LP: Como já disse meu amigo Frank, do Âme: o underground é superestimado. Música não é competição, é arte, é um jeito de você entender o mundo, de você lidar com seus demônios, de você poder ser quem você quiser. E o mais legal de tudo é o respeito entre as diferenças musicais, você ter discernimento pra poder entender essas diferenças. Pra falar a verdade eu escuto varios sons do mainstream, eu gosto de tentar entender como as pessoas consomem, ou melhor, o que elas conseguem assimilar de determinado hit, ou o que mantém alguém interessado por determinada faixa. Importante todos estarem sempre com a antena ligada, você pode colher muitas coisas boas em todos os estilos possíveis no mundo da arte.

DK: “Underground de boutique” versus “EDM-eu-quero-ser-famoso”? Discussão cansada, próxima pergunta.

Ano passado vocês chegaram a abrir pro Disclosure em uma festa do Lollapalloza. Como foi a experiência e como vocês entendem que a arte dos dois duos se inter-relaciona?

DK: Eles são bem mais jovens e as influências são bem diferentes. Gosto deles, mas não vejo muitos paralelos além dessa coisa de fazer música eletrônica com estrutura pop, que pode funcionar na pista, mas também fora dela.

LP: O Lollapalooza foi bem legal, muita gente chegou cedo para nos ver. Ficamos surpresos na época com tantos feedbacks positivos. Tocamos no festival e saímos cedo para passar o som no after oficial onde abrimos pro Disclosure, mas nessa festa eles fizeram só um DJ set.

elekfantz live

Daniel e Leo no Clash Club, em São Paulo, poucos dias depois do show no Rock in Rio 2015

É curioso que vocês tocam em festivais diferentes entre si: alguns mais voltados ao rock, como o Lolla e o RiR, outros à música eletrônica, como o Tribaltech, e até mesmo eventos muito pop e juvenis, como o Planeta Atlântida. Vocês planejam lives diferentes de acordo com cada proposta? Quais as melhores e as piores experiências que já tiveram nesses eventos?

LP: Sim, verdade, isso é uma coisa que não esperávamos, e percebemos que estamos conquistando até um público que não gostava de música eletrônica. Muita gente me fala no backstage: “Comecei a curtir música eletrônica depois de escutar o disco de vocês”. Acho isso muito legal. Já aconteceram coisas ruins também, como um stage manager péssimo, despreparado e mal educado, ou um DJ gringo supermetido, estrelando… Tudo isso no mesmo festival! Esse tipo de coisa que nem vale comentar, mas quem está na estrada sabe bem como é.

DK: Temos alguns setlists diferentes e normalmente decidimos isso minutos antes de subirmos no palco. Também conseguimos improvisar em alguns momentos ou estender o show quando a coisa esquenta demais. Uma coisa legal aconteceu ano passado no Melt! Festival, na Alemanha: apesar de tocarmos no palco das bandas e acharmos que não éramos nem um pouco conhecidos, logo que acabamos o show algumas pessoas que estavam bem na frente contaram que tinham nos assistido em Berlim uma semana antes e foram nos ver no festival porque adoraram o nosso som.

E os planos para o resto de 2015 e 2016? Algum disco novo no horizonte?

LP: Agora em outubro ainda vamos voltar pra Europa pela terceira vez neste ano, onde vamos tocar no DOC Showcase em Paris e Amsterdam. Inclusive, essa foi a primeira festa a esgotar os ingressos no ADE deste ano! Ainda em 2015 vamos lançar dois clipes: Why So Bad, gravado ao vivo em Amsterdam, e Surrender, produzido na Polônia.

DK: Em 2016 devemos ir mais algumas vezes para a Europa, retornar aos EUA e ir pela primeira vez à Ásia e Oceania. Apesar da agenda intensa já temos umas 30 músicas encaminhadas para o próximo disco, que deve sair também ano que vem. E algumas surpresas bem legais pra quem acompanha nossos shows, além de um live set completamente novo.

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ESPECIAL

“Fazíamos por amor e para os amigos, e foi o que fez a Dance Paradise ser o que é hoje”; a história e o legado de Richard Weber

Investigamos a trajetória do empresário curitibano que faleceu aos 42 anos

Phouse Staff

Publicado há

Foto: Reprodução
* Por Felicio Marmo
** Edição e revisão: Flávio Lerner

No dia 31 de outubro, perdemos um dos pioneiros da música eletrônica no Brasil. Ricardo Duarte de Mattos, mais conhecido como Richard Weber, faleceu em Curitiba, aos 42 anos, por complicações em uma cirurgia para corrigir um caso severo de apneia, deixando um legado histórico para a cena nacional: a rádio Dance Paradise, bem como suas ramificações DPmusic e DPmovie.

Do insight no trance ao programa piloto feito em casa, a postura de um líder e sua empatia são marcas registradas do cara que foi de DJ e empreendedor da cena local ao cargo mais atarefado daquele que veio a ser o programa de rádio sobre música eletrônica mais expressivo do país.

+ URGENTE: Fundador da Dance Paradise, Richard Weber morre em Curitiba

A paixão de Richard Weber pela música começou desde cedo, com um pai que ouvia de A-ha a Nat King Cole em casa. Na juventude, sua diversão foi regada aos melhores clubes da região de onde morava com seu irmão e sua família. Em casa, também tinha acesso a equipamentos da Technics. “Escutávamos música todo o santo dia. Richard gostava muito de Red Hot Chili Peppers, no meio dos anos 80”, conta à Phouse o irmão Flavio Noronha, que esteve presente na hora em que os sonhos se misturaram com realidade pelas primeiras vezes na carreira de Richard.

No estúdio da Jovem Pan. Foto: Reprodução

Com o levante da dance music no início dos anos 1990, as coisas mudaram de rumo, do rock para as pistas. “Pra sorte nossa, morávamos muito perto dos maiores clubes que a cidade e o Brasil já tiveram, o Studio 1250 e o Moustache. Naquela época, a música eletrônica dominou o meu irmão. Ele ia todo final de semana e ficava atrás da cabine dos DJs, só observando. Quando dava pra me levar, ele me levava”, lembra, citando que Richard gostava muito de Masterboy, DJ Bobo, Dr Album e Mr. Van, e que chegou a montar uma coleção de discos absurda — “temos até hoje na Dance Paradise”.

A família sempre apoiou os irmãos de dia ou de noite — não tinha tempo ruim. Por alguns anos, era apenas Flavio e Richard correndo atrás do rolê, pegando dinheiro emprestado da mãe pra colocar gasolina pra sair e divulgar as festas, ou contando com ajuda de parentes. “Minha cunhada nos ajudou muito também, comprou um fone v700 da Sony pra ele de Natal”, segue Noronha. “As festas quase não davam lucro, mas sempre bombavam. Fazíamos realmente por amor e para os amigos, e foi isso que fez a Dance Paradise crescer e ser o que é hoje, com certeza.”

O mindset da dupla sempre foi começar pequeno pensando grande, e assim o programa começou como uma web radio caseira, idealizada por Richard. O insight veio importado de uma viagem que os dois irmãos fizeram a um dos países de origem do trance. “A Dance Paradise começou mesmo com uma ideia que eu e ele tivemos em ver a Street Parade na Holanda. Esse evento era anual, rolava nas ruas de dia e os DJs tocavam nas carrocerias dos caminhões. Era uma mini Love Parade, mas só de trance. Aí pensamos: ‘temos que fazer alguma coisa de dia pro povo’”, continua Flavio.

Com Armin van Buuren, em 2011. Foto: Reprodução

Se hoje ainda não é das tarefas mais fáceis, imaginem nos anos 90. Nunca foi simples de trampar com órgãos públicos da cidade, mas a dupla foi bastante insistente, pra sorte do rebolado de muito curitibano. “Mandamos um projeto pra prefeitura e ficamos quase sete meses pra conseguir a resposta. Graça a Deus, a autorização veio. O evento no Barigui rolava das 14h até as 20h no parque, mas foi dureza. A prefeitura exigiu algumas coisas, e eu e meu irmão fomos de casa em casa ao redor do parque pra pegar autorização dos moradores. Foram mais de 50 casas, mais de cem assinaturas, ali foi o verdadeiro boom”, segue.

“Alguns artistas nacionais e internacionais de passagem em Curitiba passavam para dar uma palinha lá por saber que era muito legal. Uma pena que após dois ou três anos a prefeitura mudou tudo. Nunca mais aprovaram o projeto, que chegou a receber de duas mil a três mil pessoas”, explica em detalhes. Na época, Flavio retoma, já existia o evento do Eletrogralha nas ruas de Curitiba. “Era muito legal, mas a nossa ambição era promover algo no parque.”

Curtindo Paris. Foto: Reprodução

Em contato com a natureza, como a ideologia sugere, o som que mexeu com a cabeça dos irmãos na Holanda sempre esteve à tona nesse embrião. Fãs de Tiësto, Paul Oakenfold, Paul van Dyk e Armin van Buuren em um momento em que Curitiba era dominada pelo techno e o psytrance, os DJs educaram o público a gostar do som europeu — e “educar” é mesmo a palavra-chave que esteve presente na veia de Weber.

Nazen Carneiro, relações públicas curitibano que foi amigo do comunicador, o define como a representação do que é, de fato, um DJ. “O Richard representa ser DJ: um apaixonado pela música, um guia para muitos profissionais. Uma pessoa que foi sempre inovadora e líder do seu meio”, explica. Sérgio Maslowsky, relações internacionais, curador musical e cinegrafista, destaca a personalidade bem-humorada do colega:

“O Richard sempre foi uma pessoa de extremos. Ou ele amava muito algo, ou aquilo não prestava. Ele sempre foi muito bom em demonstrar do que ele gostava e do porquê ele gostava de algo, e fazia com que você quisesse fazer parte, viver o mesmo sonho que ele. Participar da magia, como ele gostava de dizer: ‘isso aqui é MAGIA, olha isso aqui lóóórde!’. E sempre era assim, com bom humor, muita piada de mau gosto (risos) e as melhores comparações possíveis: ‘meus deus cara, o que vocês comeram? Tá um cheiro de sela de cavalo aqui na sala!'”.

Com Tony McGuiness, do Above & Beyond. Foto: Reprodução

A apresentadora Juliana Faria, que trabalhou por dez anos ao lado de Weber ajudando no crescimento da Dance Paradise, segue uma linha parecida com a de Nazen, destacando o carinho que Richard tinha pela cultura eletrônica. “Ele sempre foi muito primoroso quando se trata de música eletrônica. Sempre o ouvia sobre reverenciar os clássicos e os mestres, conhecer a história. Em 2012, o programa de rádio estreou para todo o Brasil. Depois dessa conquista, justamente nasceu aí o interesse pelos vídeos, e em 2013 estávamos em quatro pessoas na Bélgica para gravar o Tomorrowland, que veio a ser o primeiro episódio do programa pro Canal BIS da Globosat”, resume.

“O que posso dizer é que o Richard é a cola de tudo. As pessoas muitas vezes projetam a imagem da Dance Paradise em mim, por ser a voz e estar na linha de frente, mas em todos esses anos, a minha voz só projetou a energia e as idealizações dele. Eu sempre fui um canal, mas a mensagem sempre foi dele. Ele realmente fez tudo que dava com a marca que teve na mão, explorou todas as possibilidades, está deixando muita coisa boa pra cena e pra muita gente, e não tem como deixar isso se perder”, continua.

Juliana conclui falando da importância de manter o projeto vivo, em honra ao seu criador. “O time está abalado, mas temos esse compromisso. O Richard esteve no rádio, na TV, nos maiores festivais do Brasil e do mundo, viveu a música, conheceu os seus ídolos, contribuiu com a cena. É muito claro o tanto que a Dance Paradise se tornou um canal relevante. Um dos grandes medos dele era perder tudo isso — o sonho e a magia, como ele falava —, mas ainda bem que, na verdade, ele viveu tudo isso intensamente.” 

No ADE em 2014, com os DJs Dave Clark e Chuckie. Foto: Reprodução

Um projeto que nasceu em Curitiba, e que hoje é transmitido em mais de 60 emissoras por todo o Brasil. Que evoluiu para uma produtora audiovisual e chegou à TV. Que começou voltando ao trance, mas hoje abrange as mais variadas vertentes do cenário nacional. A Dance Paradise perde seu diretor de comunicação, fundador e idealizador, mas o show precisa continuar.

“A família está em luto. Ainda não decidimos o que vai ser sem ele. A DP cresceu demais, tem sócios e faz parte de um grupo grande de uma rede de rádio FM nacional, então tem muita coisa a ser conversada. Mas tenho certeza que tudo vai dar certo, pelo bem do meu irmão”, conclui Noronha.

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Lista

7 fatos que mostram que o Caos é um dos clubs underground mais legais do ano

Clube campineiro celebra seu primeiro aniversário nesta sexta-feira

Phouse Staff

Publicado há

Caos 1 ano
Foto: Bill Ranier/Divulgação
* Por: Pollyanna Assumpção
** Edição e revisão: Flávio Lerner

Contradizendo todas as previsões pessimistas de alguns amantes da música eletrônica, 2018 foi um super ano para a cena brasileira. Mesmo com a perda de alguns festivais, como o Ultra Music Festival, ganhamos e crescemos em outros, como Dekmantel, DGTL e Time Warp, e tivemos o boom do dito underground nos principais festivais brasileiros, que fizeram questão de caprichar em estrutura e lineup. Pra quem também é fã de um lifestyle clubber, tivemos momentos incríveis, e o nascimento do Caos, em dezembro do ano passado, em Campinas, é um dos pontos altos do ano.

Seguindo o modelo de uma abertura mensal para o público da música eletrônica, o Caos teve um 2018 grandioso, trazendo alguns dos maiores nomes do techno e da house mundial, parte deles vindo com exclusividade. Além disso, o club ainda fez parte do processo de revitalização da noite de Campinas e arredores, se unindo a outras festas e clubes e transformando a área em um expoente da noite eletrônica do Brasil.

Em dezembro, a casa de Eli Iwasa e companhia comemora um ano de existência e sucesso com Ben Klock, o famigerado residente do Berghain, no dia 07. Por isso, listamos abaixo sete fatos que provam que o Caos foi um dos clubs underground mais legais do ano no país.

Foto: Bill Ranier/Reprodução

1 – Atrações imperdíveis e exclusivas

Poucos foram os clubes que trouxeram nomes tão grandiosos e consistentes como os que vieram ao Caos. Logo na sua inauguração, Carl Craig apresentou seu techno de Detroit cheio de influências. Marco Carola e Laurent Garnier fizeram as honras no verão. No inverno teve Chris Liebing, Ellen Allien e Speedy J. Também passaram por lá Nina Kraviz, Marcel Dettmann, Modeselektor, Recondite, Tijana T., Ryan Elliott, Efdemin e Guy J.

Houve uma abertura da casa 100% feminina comandada pela ucraniana Nastia, para uma edição que foi do pôr do sol ao seu nascer. E na última festa, em novembro, trouxe a multi-instrumentista italiana Giorgia Angiuli, que produz ao vivo, canta e transforma objetos aparentemente inúteis em verdadeiras máquinas de fazer música (como você viu aqui). Além disso o club confia no talento dos brasileiros, trazendo nomes como Gui Boratto, ANNA, L_cio, Renato Ratier e Gromma — além da própria Eli Iwasa, claro.

Foto: Image Dealers/Reprodução

2 – A festa nunca acaba — ou pelo menos, segue até o after

Construído em um belíssimo galpão revitalizado na área industrial de Campinas, o Caos não tem pressa de fechar as portas. Já houve festas que começaram ao entardecer e terminaram às 08h da manhã. Mas teve dias que também terminaram ao meio-dia, como na festa que Dixon comandou. Normalmente não se sai de lá antes das 10h. Devido à estrutura do galpão, é possível dançar e ver o amanhecer pelas janelas gigantes. Os próprios DJs ficam tão encantados com a vibe que se recusam a parar de tocar para aproveitar o momento. Só quem amanhece na pista e ama ver o Sol nascer com música boa ao fundo sabe que essa energia é inimitável.

Foto: Bill Ranier/Reprodução

3 – Qualidade do som e acústica perfeitos

Todo mundo tem aquele amigo que fica procurando o melhor lugar na pista pra ouvir o som, e se você não tem esse amigo, provavelmente essa pessoa é você. Não tem coisa pior do que ter que escolher entre ouvir a música perfeitamente ou ficar confortável no rolê. Pra quem gosta de dançar com espaço, é essencial que o som esteja bom em todos os cantos da festa, algo fácil de acontecer com um sistema tão bom — o L’acoustics —, a disponibilidade das caixas e a expertise da CPro, empresa que foi fundamental para proporcionar a experiência sonora que é o Caos.

Foto: Bill Ranier/Reprodução

4 – Iluminação

A sincronização das luzes com a música e o posicionamento delas no Caos muda a cada abertura, o que faz com que cada experiência seja realmente única, e cria uma atmosfera sempre muito comentada pelo público. De bastões de LED a jogo de holofotes e projeções, você sente que o trabalho foi cuidadosamente planejado por todos os envolvidos — a casa e o DJ. E não tem sensação melhor do que perceber que todos estão preocupados em fornecer a melhor experiência possível pro público.

   

5 – A identidade visual

Tem coisa mais legal que se sentir provocado visualmente? É assim que o Caos faz. O conteúdo de divulgação do club pode ser considerado uma instalação artística. Desde o início, o conceito da casa foi pensado de forma inédita, sugerindo sempre debates atuais. Por um tempo, o Estúdio Muto produziu peças criativas e imersivas. Agora, quem assume a comunicação visual do club é o coletivo esponja e Yusuf Etiman, trazendo sua visão aprofundada já para a próxima abertura da casa, que contará com instalações especiais e homenagens a Campinas.

Foto: Bill Ranier/Reprodução

6 – A verdadeira experiência underground

Estamos em uma era de grande atenção para os festivais, mas frequentar um club que sabe o que está fazendo tem igual valor ou até mais para alguns. Sair de uma pista com a sensação de “esse club é incrível” é bom demais. As longas horas da abertura dentro do Caos parece que voam, mesmo sendo uma pista só. O DJ parece estar mais próximo do público, que pode vê-lo tocando de frente ou de costas, já que a estrutura do palco permite que o frequentador tenha uma experiência meio Boiler Room. Além de tudo, o público que conhece e aprecia o som é o aspecto mais importante. Mais uma questão de energia que foi fundamental para o sucesso do Caos.

Foto: Bill Ranier/Reprodução

7 – A vibe warehouse do galpão revitalizado

A casa comporta tranquilamente uma média de mil pessoas em um ambiente bonito, mas sem firulas. Embora não seja pomposo, o local é grandioso, confortável e muito bem ventilado. Com bares super bem decorados, eficientes e sem filas, um fumódromo espaçoso, banheiros limpos e projeções nas paredes, o Caos em si já é um bom motivo para ser considerado um lugar maravilhoso de se frequentar. O cuidado com a imagem está perceptível em cada detalhe.

Foto: Image Dealers/Reprodução

BÔNUS – A atitude

Tem mais uma coisinha que não só transforma o Caos em um club verdadeiramente underground como um dos mais legais do Brasil. A atitude de toda a equipe e o posicionamento que a casa toma frente a assuntos importantíssimos, como a homofobia e o machismo. De reuniões frequentes com os seguranças a mensagens de conscientização nas redes sociais (e dentro do próprio club, como você pode ver na foto acima), o club nos lembra a cada abertura que o respeito deve imperar — e de onde a nossa música veio.

O primeiro aniversário do Caos rola nesta sexta, a partir das 23h, com Ben Klock, Caio T, Eli Iwasa e Lucas Freire.

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ENTREVISTA

“Achava que dance music era vulgar e fácil de se fazer, mas eu estava errada”

Uma das artistas mais interessantes do cenário techno atual, Giorgia Angiuli fala sobre o visual, a turnê no Brasil e o seu primeiro álbum solo

Flávio Lerner

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Giorgia Angiuli
Foto: Divulgação

* Com a colaboração de Alan Medeiros

No cenário eletrônico, artistas que trazem uma bagagem de referências musicais plural, e que buscam fazer arte em vez de se contentar apenas com sons funcionais para as pistas, costumam ir além e se destacar em meio à massa. É o caso da italiana Giorgia Angiuli, que nos últimos anos explodiu no underground internacional.

Além de uma formação musical rica e de ter experimentado diversas vertentes como artista, a multi-instrumentista e cantora se destaca por um estilo muito particular: no cenário do techno, em que a norma é vestir preto e ser blasé, Giorgia usa roupas infantis e transforma brinquedos e chaveirinhos do Pikachu em controladores de som. Misture tudo isso com um talento grande pra compor, tocar e transmitir uma profundidade artística rara, e você consegue entender um pouquinho por que a garota faz tanto sucesso.

Neste final de semana, Angiuli estreia sua turnê sul-americana no Caos, em Campinas, onde toca nesta sexta, 09, e no dia seguinte já parte para Porto Alegre, onde toca na Warung Tour/Levels. Dali, na véspera do feriado volta a São Paulo, desta vez na capital, em mais uma data da turnê do Warung: dia 14, no Aeroporto Campo de Marte. Saindo do Brasil, encerra a turnê no Sónar Bogotá (17) e no clube The Atlantic Room, em San Juan, Porto Rico.

“Nothing to Lose” é um dos singles já conhecidos de In a Pink Bubble

No dia 23, lançará In a Pink Bubble, seu primeiro álbum solo, que segundo a própria, mistura indie eletrônico e techno melódico. Com 12 faixas, o LP é encarado como um dos lançamentos mais especiais do conceituado selo alemão Stil Vor Talent — e podem apostar que estará em boa parte das listas de melhores do ano.

Com tanta coisa importante rolando ao mesmo tempo, não poderíamos deixar passar a oportunidade de trocar uma palavrinha com ela. No papo que você lê abaixo, conhecemos mais sobre sua trajetória, relação com a música brasileira, descobrimos por que ela adota esse visual “kawaii”, que contrasta com o techno, e que por trás de toda essa aura fofa, seu primeiro álbum é marcado por uma história sombria.

Live incrível gravado em Ibiza, pela Cercle

Giorgia, após duas passagens bem interessantes pelo Brasil, com qual sentimento você chega para essa nova tour?

Vocês não imaginam o quanto estou feliz por estar de volta! Amo esse país, pois você pode respirar energia positiva em qualquer lugar. Amo as pessoas, a comida e a sua natureza!

Como enxerga o Brasil e o cenário cultural/eletrônico brasileiro?

Acho que os brasileiros têm música no sangue, tenho muito respeito pela sua cultura. Ontem à noite aproveitei um show de samba. Também gosto de bossa nova, no carro dos meus pais havia apenas CDs do Caetano Veloso. Adoro a sua intensidade e o seu charme.

Um dos principais instrumentos da música brasileira é o violão, e eu estudei violão, então é um som que também faz parte de mim. Sobre eletrônica, minha produtora preferida no momento é daqui, a ANNA. Adoro o seu techno poderoso e elegante, as produções dela são brilhantes.

“Amo brinquedos e roupas fofas. Com uma roupa preta e um equipamento simples as coisas poderiam ser mais fáceis, mas não quero mudar pelas regras do mercado.”

Ao Alataj, você falou há um ano que a cena eletrônica na Itália era complicada, com um mercado limitado e muitas restrições aos clubs. Isso continua assim? Você tem feito sua carreira mais fora de seu país do que na sua terra natal?

Amo a Itália e acho que é um país cheio de grandes artistas, mas, infelizmente, o governo não apoia a cena clubber. Na Itália, os clubes devem fechar no máximo às 04h da manhã. Não há muitos festivais, mas espero muito que as coisas mudem em um futuro próximo. Neste momento, estou tocando fora do meu país, porque amo viajar e tenho curiosidade em conhecer novas culturas.

Você tem uma trajetória bem interessante no meio musical. Conta melhor pra gente como foi a construção da sua carreira.

É difícil para mim falar sobre música e carreira e manter as coisas separadas. Sempre vivi com e pela música, então pra mim fazer música é natural e é uma necessidade para que eu me sinta bem.

Estudei música clássica, toquei rock e new metal, depois indie eletrônico, e comecei a trabalhar na cena techno há poucos anos. Tento ser sempre eu mesma e tudo aconteceu de uma forma natural. Isso é o que gosto na minha jornada, e ainda por cima, trabalho com uma equipe de amigos — meu booker e meu manager são, acima de tudo, meus amigos.

Assinei meu primeiro álbum no selo da Ellen Allien, Bpitch Control, com meu projeto anterior, We Love, e comecei meu projeto solo há cinco anos. Agora, vou lançar meu primeiro álbum pela Stil Vor Talent.

“O que eu realmente gosto da dance music é a reação do público — você consegue sentir imediatamente o que eles estão achando do seu som. É sobre reações instintivas e sentimentos, então se eles dançam, significa que estão gostando.”

E quais foram os principais desafios que você enfrentou ao começar a trabalhar com música eletrônica? Por vir de um universo diferente do usual, você não se sente um peixe fora d’água nesse cenário clubber?

Sim, às vezes me sinto um pouco como um peixe fora d’água, mas isso também é divertido. Não sei onde vou estar em cinco anos, talvez tocando com uma banda novamente. Amo música em todas as suas formas, e no momento estou apenas nadando em um novo oceano.

Na verdade, quando eu estudava, tinha muito preconceito com dance music. Achava que era algo vulgar e muito fácil de se fazer. Mas eu estava completamente errada, toda música tem suas próprias dificuldades. O que eu realmente gosto da dance music é a reação do público — você consegue sentir imediatamente o que eles estão achando do seu som. É sobre reações instintivas e sentimentos, então se eles dançam, significa que estão gostando.

Como foi que você decidiu usar brinquedos como controladores de som em seus lives? Foi uma alternativa que você encontrou para contrastar com o techno, que normalmente carrega essa aura de um som sério, rígido?

Coleciono brinquedos há muitos anos. Sei que muitas vezes as pessoas olham para o meu setup de uma forma estranha, mas eu não me importo. É quem eu sou: amo cores, adoro brinquedos, roupas fofas, essa onda “kawaii”… Até me sinto um pouco como uma garota japonesa. Sei que com uma roupa preta e um equipamento simples as coisas poderiam ser mais fáceis, mas não quero mudar pelas regras do mercado.

“A música me salvou de um estado de depressão.”

Você também tem falado sobre sinestesia em algumas de suas entrevistas. Você acha possível que, algum dia, seus shows possam apresentar uma experiência multissensorial? Como se daria essa relação de misturar música com cheiros em seus lives?

Quando comecei a tocar música eletrônica, eu costumava tocar em lugares muito pequenos, então eu sempre levava uma pequena máquina de fragrâncias. Tenho muitos sonhos, e um deles é construir um órgão e ligar uma fragrância a cada nota. Considero todas as linguagens artísticas conectadas entre si, e a arte tem o forte poder de nos conduzir a outra dimensão. É por causa disso que acho que todos deveríamos tentar explorar e aproveitar essa experiência o máximo que pudermos.

O que você pode nos contar sobre o processo criativo do seu primeiro álbum solo, que logo, logo está chegando?

Tudo aconteceu muito rápido e sem um plano próprio. Eu produzi o álbum inteiro em oito meses, trabalhando muito enquanto viajava, até mesmo nos voos. Não foi muito fácil encontrar tempo para me concentrar no estúdio. Senti uma forte necessidade de compor música, transmitir nos sons as minhas emoções, e decidi colocar todas essas músicas em um long play.

Este tem sido um ano muito especial para mim: minhas primeiras gigs pelo mundo, a descoberta de muitos países e a perda do grande amor da minha vida, minha mãe. A música me salvou de um estado de depressão. Percebi esse álbum como um presente para minha mãe, e eu agradeci a música por me fazer me sentir melhor, me dar energias para continuar.

Acompanhada por todas essas emoções, senti como se estivesse em uma bolha rosa [“pink bubble”, o título do álbum]. Compus quase todas as faixas no avião, coletando minhas ideias no Ableton, e depois gravei tudo no estúdio, no tempo que sobrava entre minhas turnês. Gravei minha guitarra, minha voz e meus synths preferidos: Moog Sub, Juno 106, OB-6 e Korg MS2000.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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